11/05/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Genealogia Animal

Alguém sabe como se chama ao filho de uma orca?

Chama-se eitão!

11/03/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Valha-me... Eu!

Sabem como se chama à patareca de uma freira?

Bacalhau Espiritual.

11/02/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Speculum Mundi

Quando precisamos de tomar uma decisão, mas mesmo uma daquelas coisas realmente importantes, como por exemplo admitir perante os amigos que se é lagarto ou coisas trágicas do género, o ideal é reflectir muito e bem sobre o assunto. O que me leva à brilhante conclusão de que, em matéria de reflectir muito e bem, o conselheiro ideal é um espelho.

10/29/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Surdina

Fui ao cinema no outro dia e dois invocais [dizer mudos é de um extremo mau tom, que horror] discutiam de forma tão silenciosa quanto acirrada através de linguagem gestual aquilo que, pensei eu que não percebo nada de estrangeiro, as incidências da película.
Não é que um gajo que estava 3 filas à frente deles se virou para trás, com uma cara de quem não desagrava a flora intestinal há 4 dias, e solta um sonoro SHHHHHHHHHHHIU!

10/27/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Na Mouche

XVII Governo Constitucional

XVIII Governo Constitucional

O que é que mudou?

10/20/2009

PORTUGAL HOJE – Secagem

No Inverno todas as famílias portuguesas, que não podem financiar a aquisição do respectivo electrodoméstico, passam pelo mesmo drama: “Como secar a roupa?” A situação é grave pois a humidade na atmosfera, mesmo nos dias soalheiros, impede que a água se desaloje convenientemente das fibras têxteis. Mas o Moyle encontrou, finalmente, uma solução simples, relativamente barata e extremamente eficaz.

Quando confrontados com tal situação, o que há a fazer para secar infalivelmente a roupa é estendê-la em frente à televisão durante o programa de Marcelo Rebelo de Sousa. É garantido. Ou isso ou durante os jogos do Sporting. No entanto, como alguns destes passam apenas na Sporttv, a parte de ser barato diluir-se-ia um bocado.

10/15/2009

Nim, ou Vã Glória de Moylar – A Cigarra e a Formiga

Era uma vez uma cigarra e uma formiga que viviam numa pradaria.
A cigarra, tal como de costume, deu a perceber a toda a pradaria que se apercebeu da chegada da aproximação estival, pigarreando como um tuberculoso durante meia hora antes de abrir os tubos traqueais num berreiro apocalíptico, dando largas à sua alegria. Na realidade ninguém sabia muito precisamente o que acontecia à cigarra durante o Inverno, apenas que mal despontava o Sol primaveril aquela parecia acordar com uma boa disposição que a todos sumamente enervava, pela sua necessidade patológica de cantar em altos berros. É que de ouvir cantar todos os animais gostavam mas a cigarra insistia em transformar qualquer cantilena no “coro dos escravos” do Nabucco – não que algum bicharoco alguma vez tivesse ouvido ópera mas esta analogia pareceu ficar bem aqui.
Tal como inserido no seu código genético – parvoíces do ácido desoxirribonucleico – a formiga, mal terminaram as persistentes chuvas de Inverno, abriu as portas e janelas do formigueiro para arejar o bafio do encerramento, montou no pátio de entrada o seu estirador – reminiscências de uma juventude em que sonhara com arquitecturas – e pôs-se a elaborar um plano de contingência, igual ao que fazia todos os anos na Primavera. A rotineira repetição desta prática fê-la pensar no carácter de contingência do plano e porque raio de razão não lhe chamava apenas projecto de aprovisionamento de subsistências. Afinal de contas, tinha sido apenas pelo nome pomposo que ela escolhera tal designação e “projecto de aprovisionamento de subsistências” soava igualmente grandiloquente. Passada a momentânea divagação, o seu espírito pragmático e empreendedor pôs patas – todas as seis – ao trabalho.
A cigarra, desentorpecida do estupor invernal, cirandava pela pradaria cantando. Após os primeiros acordes, ainda débeis e hesitantes, soltava decibéis em enorme escala, embora com um respeito pela harmonia sinfónica algo duvidoso, anunciando a sua presença largos minutos antes da sua chegada. Sentia-se ufana pelo seu efeito, embora algo mal interpretado da sua parte, no resto do mundo animal. Quando se aproximava de alguém redobrava os seus esforços e empreendia longas deambulações vocais por variações de musicalidade duvidosa, isto é, e recorrendo ao que pensava de si o resto da bicharada, berrava que se desunhava. Mas a cigarra era imune a críticas. De facto, não as imaginava, construindo um auto-conceito apenas comparável em magnitude ao berreiro que desenvolvia e que tão bem soava… aos seus próprios ouvidos.
Voltando à formiga, era necessária à consecução do seu projecto definir as quantidades de alimento necessárias e fazer a prospecção dos pontos de colheita dos mesmos, organizar a logística de transporte, estabelecer um cronograma preciso contendo o tempo necessário às viagens de ida e volta e os necessários tempos de alimentação e descanso, rentabilizar o espaço disponível no formigueiro, afectando às necessidades de armazenagem novas áreas, projectando novas construções, se necessárias, prevendo toda a infra-estrutura de circulação do ar, para garantir uma boa conservação dos stocks durante os longos meses húmidos, estabilizando, ao mesmo tempo, os níveis de temperatura e humidade dentro dos armazéns.
Um gafanhoto encontrava-se a recobrar fôlego dos ataques epilépticos que lhe distendiam e contraíam espasmódica e involuntariamente as patas de trás, levando-o para paragens que não controlava e que já o tinham posto em apuros, como da vez em que interrompera a lua-de-mel dos grilos, mesmo a meio do acto, por ter aterrado involuntariamente por cima da folha que lhes servia de tecto. De facto, era uma maldição da sua espécie, o descontrolo epiléptico que lhes fazia tomar direcções descontroladas e erráticas. Era por isso que os gafanhotos eram um grupo aparte na pradaria. Não conseguiam manter um emprego nem podiam dedicar-se aos negócios pois abandonavam reuniões, clientes e fornecedores inesperadamente, deixando-os a falar sozinhos, por um lado, e como não controlavam o destino dos seus pulos, eram frequentemente confrontados com olhos negros e outras lacerações por parte de bichos não tão tolerantes com as intempestivas irrupções na sua vida privada. Graças aos céus que tinham asas e ao menos, valia-lhes isso, controlavam a intensidade com que atingiam o solo, ou lá o que fosse onde aterrassem.
- ENTÃO GAFANHOTO, QUE TAL TENS ANDADO? - perguntava a cigarra com tom operático e volumetria decibélica que mal deixavam entrever a ironia.
- Não me chateies…, suspirava o ortóptero com pouca disposição para piadolas. Que tal o Inverno? – replicou para tentar desviar o assunto. Estava mesmo com pouca paciência para aturar a cigarra, traumatizado ainda por ter visto a grila com pouca roupa.
- NÃO FOI MAU. DORMIR E COMER, DORMIR E COMER…
- Mas se não te vejo a aprovisionar para o Inverno nem ninguém te conhece casa fixa, comes o quê e dormes onde? – questionou um intrigado gafanhoto, dando voz a uma curiosidade de tudo quanto era bicheza na pradaria.
- OH OH OH – inchou-se a cigarra, antevendo a oportunidade de alimentar o gargantuano ego – SABES COMO É. FUI PARA UM PARAÍSO TROPICAL. TAMBÉM É PRECISO REPOUSAR AS GOELAS. O TRABALHO ARTÍSTICO É MUITO ESGOTANTE. – vangloriou-se.
- Pois, pois, estou a ver. (Tens é uma sorte descomunal). Mas como pagas isso? Não deve ficar nada barato! – arrependeu-se o gafanhoto de ter perguntado pois, por um lado, não lhe interessava grandemente a vida da cigarra e, por outro, antessentia a aproximação de um espasmo que o levaria sabe-se lá para onde e para que confusões.
- UM TRABALHINHO AQUI, CANTAR NAQUELE CLUBE, CANTEI A BORDO DE UM CRUZEIRO SEM PAGAR NADA, APROVEITANDO ASSIM PARA ANDAR POR CLIMAS MAIS QUENTES NA PASMACEIRA INVERNAL DA PRADARIA… NÃO FOI MAU.
- Pois… mas isso não é garantido. Qualquer dia ficas na mão, enregelas-te para aí e quinas de inanição. – alertou um gafanhoto impressionado com palavras que nem sabia conhecer.
- BEM SEI MAS NÃO HÁ ESPIGA. EU SEI QUE, MAIS DIA, MENOS DIA, A MINHA OPORTUNIDADE CHEGARÁ E VOU DESENCANTAR UM CONTRATOZINHO CHORUDO QUE ME DARÁ UMA REFORMA DOUR… EIII, ONDE É QUE VAIS? – gritou, pelos seus próprios padrões de grito, a cigarra surpresa pelo desaparecimento do interlocutor. Mas a única coisa que ouviu foi um indecifrável - …MERRRD… - e, encolhendo os ombros, continuou no seu périplo cantante.
Com recurso a um ábaco, de que se orgulhava inventora, a formiga queimava as pestanas – que obviamente não tinha, nem podia ter tratando-se de uma formiga e as pestanas são apanágio privilegiado dos mamíferos – calculando quantidades de sementes por dia, por hora, tendo em conta potenciais atrasos na chegada do tempo seco. Havia ainda que contar com a possibilidade de parasitas adulterarem os cálculos finais e diminuírem as provisões disponíveis. – Raios partam os ácaros! – lançava nervosamente, de quando em vez. Mas no conjunto sentia-se orgulhosa do que era capaz de fazer. A estrutura era à prova de humidade, bem ventilada, resistira sem danos a mais uma estação fria e chuvosa mantendo uma temperatura constante e muito agradável. Não era a vida de grande construtora com que sonhara em criança mas, no fim, de contas, sentia-se confortável com o que tinha e fazia.
A cigarra lançava uma ária épica de cima de um cogumelo nascido na casca de um carvalho que, curiosamente, tinha apodrecido mais rapidamente desde que fora escolhido pelo insecto cantante para divulgar a sua arte, quando o seu canto atraiu um extremamente interessado personagem. Tendo-se apercebido da audiência, a cigarra redobrou os seus esforços para níveis inauditos e óbvio deleite da estranha personagem que, sub-repticiamente, era observado. por aquela. Quando terminou, a necessitar desesperadamente de compassar a respiração, o que desejava não fosse notado por revelar a sua falta de técnica vocal, foi abordada por um escaravelho, este de aspecto luzidio, de higiene e gosto duvidosos, mesmo pelos padrões de insectos, com uma proposta de trabalo. Os sonhos da cigarra ganhavam forma.
No seu afã, absorvida que estava pelos cálculos e considerações que a magnitude do seu trabalho exigia, a formiga falhou em perceber que uma sombra negra se aproximava. Lento mas inexorável, um destino imprevisível projectava sobre a laboriosa criatura o seu negrume. Atribuiu-o ao facto de conseguir ouvir a cigarra, essa inútil cujo estilo de vida não aprovava e, mais importante que isso, até porque não tinha nada que ver com a vida dos outros, não compreendia. O barulho, pois apenas assim o conseguia definir, lembrava-lhe discussões anteriores em que, muito enervantemente, a formiga lançara prognósticos sensatos de perdição para a cigarra, os quais nunca se tinham verificado, safando-se sempre a ociosa cigarra sem levantar uma palha. – Se ela aqui aparecer mando-a ir "coisar" com um cigarro! – permitiu-se pensar, esboçando um leve sorriso e afastando, assim, o mau pressentimento e a sombra que lhe parecia aproximar-se.
Por perto, a cigarra cantava agora, mais alto e mais irritantemente que nunca, que estava rica. Berrava a sua felicidade pelo contrato que acabara de assinar, lançando o pânico por entre a pradaria que se apercebia das consequências que tomavam forma. Se, até ali, apenas um pequeno grupo populacional de cada vez, consoante as deambulações, tinha que suportar o berreiro da cigarra, no futuro tudo isso mudaria e todos, ao mesmo tempo, para sempre, sofreriam com ela em tudo o que fosse canal de televisão e rádio.
Só tarde demais, a formiga, despertou do estupor afanoso em que estava envolvida para se dar conta de ser rodeada por uma espécie de noite cerrada, a qual o seu relógio biológico lhe dizia instintivamente caíra demasiado cedo. Olhou para cima para, com tremendo horror, ter um breve e escatológico vislumbre. Um monstro terrestre, de uma dimensão incomensurável pelos cânones da triste formiga, que na juventude acalentara nunca esquecidos planos de ser uma arquitecta, aproximara-se, fazendo tremer o chão. E, num mero instante, destruiu uma vida de sonhos e de trabalho.
Nunca a vaca saberia que a naturalidade da sua descarga intestinal, à qual não prestava mais importância que à urgente necessidade que sentia de comer e de enfiar a língua dentro do nariz, significara a destruição de uma vida…
Felizmente para si, nunca a formiga saberia que, sem nunca ter mexido uma palha na vida, sem jamais ter alguma vez realizado algo de verdadeiramente produtivo, sem mais fazer senão irritar toda a gente que, complacente e incompreensivelmente, a tolerava, a cigarra, que nunca houvera trabalhado, nunca o precisaria de fazer. Assinara com um banco um contrato para cantar nas suas campanhas publicitárias e, com esse nenhum esforço, garantiria, em troca de uma boa remuneração, que não faria mais que o que sempre fizera à borla.
Idiotas! – pensou ela, por entre sorrisos de auto-satisfação.

10/14/2009

MISTÉRIOS DA HUMANIDADE - Conselhos Anti-Gripe para Vampiros

Os vampiros também são gente. Ninguém disse gente viva e, convenhamos, para mortos têm uma vitalidade surpreendente. Portanto, sem mais discussões, também são gente.

Agora que tirou isto do peito, o Moyle aproveita para denunciar o desprezo discriminatório generalizado que este grupo de… gente tem sofrido nos últimos tempos. Ou seja, em plena silly season grípica não haverá um cantinho que seja onde se possa encaixar uma publicidadezinha institucional com instruções para os vampiros evitarem ser contagiados pelo vírus H1N1?

Não obstante serem diferentes e terem hábitos à maioria estranhos, não quer isso significar tão gravosa diminuição no seu direito à consideração pública. Mas isto é uma democracia, ou não? [não respondam, a sério] Se até os militantes do MRPP têm direitos… Mas que é muito chato a campanha de prevenção do contágio não passar em horários úteis na tv, lá isso é! Mas o que é um “horário útil” de tv para um vampiro?

Ora bem, o horário de tv para um vampiro será, sempre, o que se estende nas últimas duas ou três horas prévias à alvorada. Se pensarem bem, a vampiragem também tem que fazer pela vida e, depois de se levantarem, crepúsculo bem firmado no horizonte, têm que se deslocar para os locais de labuta para assegurarem a sobrevivência. Ora, tal como a generalidade da população, depois de ganharem o dia [neste caso a noite] e antes de aterrarem para retemperar forças para o dia seguinte, deixam-se preguiçar um bocado, vegetando no sofá a ver tv, para pôr as notícias em dia e, se possível, desanuviarem um pouco. A essas horas da madrugada o que podem encontrar?

Madrugada dentro, os nossos canais são muito variados nas possibilidades de potencial entretenimento que oferecem. Assim, ao passo que a RTP aposta em novelas e televendas, a SIC e a TVI oferecem programas de vampirismo em directo, em que tentam sugar o sangue aos espectadores pelo telefone. Apesar da frequente exuberância das apresentadoras, esta programação é de um estio lamentável e notícias… nem vê-las. Só quando o sol nascer de novo. Só a RTP2 ainda oferece a Euronews mas, como sabemos, ver este programa para obter notícias é o mesmo que querer ver futebol e sintonizar o Sporting. Vale-lhes o Inverno, que amanhece mais tarde e dá para umas manhanzadas [equivalentes à nossas noitadas].

Deste modo, como hão os vampiros de se manter actualizados relativamente aos progressos da pandemia anunciada? Vêem-se aflitinhos, acreditem.

Bem, não cabe ao Moyle este tipo de funções, mas arriscará aqui alguns conselhos à vampiragem, com aplicação prática e tudo [para facilitar o entendimento aos “chupistas” com Necessidades Educativas Especiais].

COMPORTAMENTO DE RISCO 1:



Sentindo a aproximação de um espirro ou de um ataque de tosse, deve ser evitado, sempre que possível, colocar as mãos à frente da boca. O ideal é fazer-se munir de lenços de papel e, com eles então, proteger a emissão de agentes microbióticos potencialmente portadores do vector infeccioso.

Quando não há lenços de papel disponíveis, o ideal é espirrar, ou tossir, para a zona interior do cotovelo, como vemos o protagonista da imagem seguinte preparar-se para fazer, prevenindo-se, dessa forma, a difusão de agentes patogénicos.

COMPORTAMENTO SEGURO 1:



COMPORTAMENTO DE RISCO 2:



A higiene manual é extremamente importante pois o vírus H1N1 pode ser apanhado numa qualquer superfície mal limpa e, levando as mãos aos olhos e à boca, por exemplo, sem estarem propriamente lavadas, facilita-se a sua entrada na corrente sanguínea e a contaminação.

As mãos devem ser metodicamente lavadas e secas, sendo muito importante não fechar as torneiras com as mãos lavadas. Não havendo toalhas de papel – as preferíveis higienicamente falando – deixe secar as mãos e feche a torneira com a protecção da roupa, por exemplo.

COMPORTAMENTO SEGURO 2:



Finalmente, um conselho prático muito útil a todos os que partilham o modo de vida vampírico. Durante a alimentação, deve ter-se extremo cuidado em atacar a presa pelas costas pois, caso contrário, ela pode tossir ou espirrar directamente paras as suas vias respiratórias e, dessa forma, contaminá-lo. Preferível seria o consumo de unidades de sangue colhidas num qualquer banco de sangue. No entanto, compreende-se perfeitamente a resistência da maioria dos vampiros a esta possibilidade e não se insiste muito neste ponto, até porque o Moyle, por exemplo, também não gosta de comida fria.


COMPORTAMENTO DE RISCO 3:



COMPORTAMENTO SEGURO 3:



A prevenção é o melhor remédio.

Pode-se argumentar que os vampiros também podem ouvir rádio, ler jornais, vir à internet, etc., etc., etc., mas isso são golpes baixos para diminuir o brilho altruístico do Moyle.


10/13/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - in Digitus



10/12/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Périplo Eleitoral 2009: A Estupidez Que Se Impõe

Comentando, ainda que mal o faça, a série seguida de actos eleitorais, o Moyle gostaria de dizer que os portugueses não são, de todo, estúpidos. Mas não pode. Fiquemos antes por um, menos definitivo, não são estúpidos de todo.

10/09/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - (Eco)ponto Final

Não sabem o que fazer aos óleos usados aí de casa? Façam um churrasco.

10/08/2009

SARAIVADAS HISTÓRICAS - Porto de Calões

Há tanto tempo que nem ela se lembrará já disso, numa troca de comentários com a Teté, aqui no Moyle, falou-se, ou melhor, falou ela – por escrito está bem de ver – dos portugueses serem calões. O carácter calaceiro – expressão equivalente a calões que se usa em várias zonas do país - dos portugueses é, efectivamente, um facto histórico primordial na definição da nacionalidade portuguesa.

Na realidade, “calão” provém do latim Cale, que vocês reconhecerão como o nome latino da cidade de Gaia na margem sul do Douro, que era servida por um porto, que se desenvolveu como burgo na margem esquerda e daí obteve o nome, “Porto”. Os seus magros, por inexistentes, conhecimentos de latim permitem ao Moyle reconhecer, ainda que por invenção, em Cale um topónimo latino cujo radical é um étimo indo-europeu c’al, designativo do antónimo de movimento, de acção, que originará, por exemplo, as palavras calma e, o popular, calão.

O extremo ocidental da península foi a última região da Ibéria a ser conquistada pelos romanos. A literatura e historiografia nacionalistas atribuíam-no ao carácter belicoso e agressivo dos povos da Lusitânia e a um perfeitamente anacrónico sentimento protonacionalista. Na realidade, aos romanos não interessou mais cedo esta região porque não se passava por cá nada. Os povos da terra viviam da pastorícia e do saque e resistiam em extremo às inovações trazidas pelos romanos, a mais avançada civilização do tempo. Reconhecem alguma coisa? Precisamente, dedicarem-se à pastorícia significa que não se davam ao trabalho de agricultar o solo, limitando-se a esperar que as ovelhas os sustentassem naturalmente, e quanto ao saque, bem, é óbvio.

Ora, Portugal, precisamente o Porto de Cale, definiu-se como unidade política e administrativa durante o período medieval, no contexto da guerra contra os muçulmanos, tradicionalmente designada por Reconquista Cristã. Antes de reino, o território do nosso país era um condado que pertencia ao reino de Leão, sendo atribuída a sua administração e governo a um cavaleiro francês, cujo filho levará a cabo o esforço militar, político, económico e cultural para a sua ascensão à categoria de reino independente. Mas a primeira “capital” de D. Afonso Henriques foi Coimbra e não o norte do território de onde partia a guerra contra a mourama, o que nos levanta uma pista importante. O primeiro rei português, embora se intitulasse rex portugalensium, isto é, rei dos portugueses, afastou-se da região de Gaia e dos povos calenses, onde as intrigas da nobreza local e do clero para o controlarem ameaçavam os seus intuitos de edificação de um reino seu.

Basta vermos, que a parvoíce já vai longa, que de tempos a tempos a monarquia portuguesa sentiu a necessidade de combater o seu destino genético injectando-se com sangue novo, nomeadamente do norte da Europa para terem a certeza de purificarem a calaceirice que se entranhava no ácido desoxirribonucleico da linhagem régia. Os primeiros reis são de origem francesa, com casamentos com outras famílias europeias; no sobressalto dinástico do século XIV – lembre-nos que D. Fernando casara com uma portuguesa – nova injecção nórdica, com D. João I a casar com uma inglesa, e por aí adiante. Parece desnecessário continuar…

É claro que podemos trabalhar muito e esforçarmo-nos por mudar e melhorar, é certo que a discussão sobre o peso exercido por factores genéticos e ambientais no indivíduo continua em aberto, mas factos são factos e os portugueses são naturalmente calões. Está na sua génese biológica e cultural.

10/06/2009

PORTUGAL HOJE – Faena Budista

Agora que passou todo este tempo, se dissipou o fumo e assentou a poeira, podemos observar de maneira mais clara e objectiva o episódio tauromáquico de Manuel Pinho na Assembleia da República. Apesar de não ser de descartar a possibilidade de fazer umas piadas sobre a matéria, como, por exemplo, a bancada do PCP ter pegado de caras cada investida do governo, ou o Bernardino Soares ser o líder do Grupo Amador de Forcados do Politburo, a verdade é que todo este caso não é motivo para brincadeiras, muito pelo contrário.
O Moyle já se insurgiu mais que uma vez contra o fundamentalismo religioso que se vive neste país da Europa à beira mal plantado. A supremacia catolicista, apesar da suposta lei de liberdade religiosa e de separação entre Igreja e Estado, tem permitido vigorar um estado de coisas que nos deve preocupar por violar os nossos direitos quanto à opção religiosa, forçando-nos a aceitar, subliminarmente, uma escolha que deveria ser feita por nós.


Manuel Pinho foi demitido por assumir em público a sua opção por uma das religiões mais antigas da Humanidade, o budismo – não vamos discutir o facto de o budismo ser mais uma filosofia que uma crença religiosa. Há já muito tempo que o ex-ministro da Economia era acusado de ligeireza nos seus comentários e mesmo de um certo carácter simplório nas suas análises. Não podemos escamotear alguma verdade nesses, de outro modo, remoques, mas devemos lembrar que os budistas, fruto da meditação e de uma compreensão mais profunda sobre o tempo e mesmo sobre a natureza humana, tendem a relativizar aquilo que parece gravoso e definitivo. Os comentários de Pinho eram, efectivamente, fruto da sua sabedoria e da sua insistência em manter o optimismo perante questões apresentadas como armagedónicas mas que, como se começa a ver, nunca são definitivas.


Neste momento as imagens que vos trazemos começarão já a fazer algum sentido nas vossas cabeças. Na realidade, Manuel Pinho limitava-se a dizer à bancada comunista, a Bernardino Soares mais precisamente, para ter uma atitude mais descontraída, mais calma, mais relativista, no concernente aos assuntos que estavam em discussão usando um gesto que remetia, claramente, para o seu mentor espiritual e uma das personalidades mais consensuais do planeta, o Dalai Lama. E é um bom conselho se pensarmos bem no assunto, tendo em conta as estatísticas nacionais da hipertensão e das complicações cardíacas e doenças cardiovasculares, etc., etc., etc.
Tudo bem que um membro do governo não deve, devido precisamente à liberdade religiosa, andar a anunciar a sua opção mas, de qualquer modo, não pareceu ao Moyle tanto uma ingerência proselitista de Pinho mas antes um valioso conselho a um colega político mais novo, considerando certamente a sua saúde e bem-estar.
Pobre Pinho, injustiçado, foi demitido por respeitar a vida e se preocupar com a saúde de outros seres humanos, mesmo que comunistas – o que mostra bem o desprendimento dos budistas em relação às coisas do mundo. É a hipocrisia cristã a manifestar-se, alertando-nos, ao mesmo tempo, para a necessidade de termos cuidado pois qualquer dia põe-nos todos de joelhos a tomar “o corpo do Senhor” [agora leiam sem as aspas].

10/02/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS – Toponímia das Traseiras

Como se chama ao esfíncter de um cozinheiro homensexual passivo?

Olhão da Restauração!

9/30/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Apicultura Estival

Quer-se dizer! Quem foi o génio, a mente brilhante, a luz de Valinor, que decidiu que os lotes que constituem a estrutura básica de compartimentação do espaço nos parques de campismo se deveria chamar “alvéolo”?

Ora, uma pessoa passa o ano, como uma abelhinha obediente, a dar cabo do coirão para uma puta de uma rainha que só lhe deixa o mínimo para sobreviver e seguir trabalhando e quando, finalmente, chega a hora do seu, mais que merecido, período de repouso estival, no qual aproveita para se afastar no zumbido metálico e fumarento da colmeia para se aproximar da natureza, PUMBA, enfiam-no num alvéolo.

Mas esta gente nasceu estúpida ou torna-se estúpida? E será que treina para isso? Duvido, porque estupidez desta só pode ser natural, isto não se finge. Têm tanto de sensibilidade como um filme de Natal num orfanato.


PS - Este estilo enervado fica bem ao Moyle, não fica?

9/28/2009

PORTUGAL HOJE - Legislativas 2009: O Fim?

O Moyle, na sua inocência, rejubilava interiormente quando terminava uma telenovela, em qualquer canal de televisão. Era um momento de genuína alegria e pífia esperança. Na realidade, e aprendeu-o à sua própria custa, por cada telenovela que acaba, uma outra lhe toma imediatamente o lugar.
Na vida real como na ficção, a novela recomeça e, para não variar, com os mesmo actores a protagonizar o deprimente espectáculo, o homem perfeito; a vendedora arruinada de laranjas - cuja personagem talvez não dure muito porque parece estar na falência; o cupido que namorou todas as peixeiras e taxistas do país, preparando-se para continuar a mesma música que tem tocado; o surrealista magrito; e o profeta da perdição.
Uma nota positiva, no entanto. Em princípio, não vos devo chatear muito mais com estas figurinhas - a não ser que estejam mesmo a pedi-las [elas, porque vocês que são boas pessoas e não merecem tamanha crueldade e têm-na aturado].





9/25/2009

PRECIOSISMOS PERNICIOSOS - Mesas Eleitorais

Em conversa com O Forte, levantou-se uma questão extremamente pertinente em período eleitoral. Se há eleições há, obviamente, mesas eleitorais.
Apesar de saber que estão lá sempre aqueles zelosos 5 para garantir o decurso democrático do escrutínio, o Moyle sempre achou que era algum tipo de irmandade secreta a fazer aquele serviço, porque nunca conheceu ninguém que fosse lá bater o costado. Afinal, para vigiar urnas, era de esperar que fossem coveiros a desempenhar as funções. Mas não!
Para não destoar do elevado tom geral desta campanha, fica desde já aqui assente que pertencer-se a uma mesa eleitoral deve ser uma merda. Literalmente. O que se passa, afinal, numa mesa eleitoral? Temos 5 pessoas, sentadas, que passam o dia a fazer descargas? É impressão do Moyle ou isto é uma definição de sofrer de síndrome diarreico?


PORTUGAL HOJE - Romance Tórrido

Toda a gente diz que em simultâneo é mais intenso.

9/22/2009

PORTUGAL HOJE - Legislativas 2009: À Prova de Bala

Vocês não acham o Ricardo Costa, comentador de política na SIC, fofinho? A sério que não? O Moyle também não mas quem diz que Cavaco Silva é à prova de bala [sic] merece o nosso respeito, quanto mais não seja porque de certeza que há quem gostasse de pôr a teoria à prova.

9/18/2009

MISTÉRIOS DA HUMANIDADE – Black or White? Comprimido!

Durante anos discutiu-se se Michael Jackson seria preto ou branco. Os supremacistas brancos, cuja idiotice chega a sugerir aquele tipo de piedade que reservamos para os atrasados mentais, nunca aceitaram que Jackson fosse um dos seus. Os activistas negros, cuja estupidez nos inspira a complacência guardada para os néscios, repudiavam ao artista o fade out ao contrário que lhe levou a cor.

Apreciando as mais recentes notícias, excluindo as possibilidades de homicídio que não são definitivamente importantes para este caso, o Moyle deslindou, da aleatória massa noticiosa, o enquadramento etno-racial do quinamento do Rei da Pop. Este era, sem sombra de dúvida, branco. Sabem como o Moyle descobriu? Facilmente.

Michael Jackson morreu de sobremedicação, ou seja, pela entrada excessiva de medicamentos no seu sistema fisiológico. Ora, todos no planeta sabem que os pretos morrem por submedicação, isto é, por não terem acesso a medicamentos suficientes, integrando-se Jackson, inequivocamente, do outro lado da discussão.



P.S. – Se este blog fechar inesperadamente e o Moyle aparecer a abrir telejornais, ou houver em Coimbra motins e protestos por motivos raciais, dos idiotas referidos no primeiro parágrafo, mostrem este texto à bófia. Pode ser que explique alguma coisa.

P.P.S. – Se for só o Diogo Feyo a reclamar na televisão não vale a pena preocuparem-se.