10/14/2008

Geochelone Masthodon

As figuras tristes dos políticos portugueses já todos conhecem e a vida em Portugal não seria possível sem elas. Desde o célebre “bolo-rei” do senhor presidente, ao “break dance” do camarada Jerónimo, passando pelo “Guterr...Gondomar” daquele senhor que desviava batatas da messe e não esquecendo a “onda laranja” do outro engenheiro, já passámos por alguns momentos imortais – já repararam que a diferença entre idiotas e imortais é de apenas uma letra? – partilhando, contudo, a particularidade de serem “consumidos” apenas aquém-fronteiras.

Esta limitação das gaffes ao território nacional é o resultado, óbvio, da falta de expressão e peso internacional dos políticos portugueses. Ninguém, para lá de Quintanilha, está minimamente preocupado com a política portuguesa nem, e isso é que é estranho, com as figuras tristes com que os seus protagonistas nos presenteiam. Há, no entanto, uma excepção e, quando pensamos em peso político, apenas uma e única personalidade sobressai, Mário Soares.

Se bem se lembram – senão, também não faz muito mal – foi entre 24 e 28 de Novembro de 1995 que Mário Soares demonstrou à saciedade a resistência das carapaças da Geochelone Gigantea, a tartaruga das Seychelles, efeméride que comemorou este ano uma década e três anos.

Pensavam que este acontecimento tinha tido expressão apenas de Elvas para cá? Enganaram-se à grande, pois a repercussão deste momento alto das presidências soaristas não só não passou despercebida no estrangeiro como teve direito à memoração para a posterioridade, tal a dimensão que tal episódio adquiriu.

A estátua que vos trazemos nesta imagem é a celebração artística de um animal político, mais propriamente um Mastodonte presidencial. A argúcia política de Mário Soares ficou bem patente na escolha de uma tartaruga para se montar, tendo em vista a tendência de meter água dos políticos portugueses, revelando que se sente à vontade na missão de político e, acima disso, português.

Importa reter, portanto, que Mário Soares é o verdadeiro monstro político pré-histórico e, ao mesmo tempo, híbrido, sem rival em Portugal. A única correspondência no mundo animal seria uma “Tartaruga Mastodonte”, cujo nome latino já foi oferecido no título do post [é justo, quem faz a descoberta dá o nome]. A coisa até esteve prestes a animar há uns meses, mas Cavaco Silva recusou-se a montar aquele camelo na Jordânia.



8 comentários:

Sorrisos em Alta disse...

Não sei se ele a escolheu. Dizem-me que já tentara antes com outros animais e que só esta tartaruga e um hipopótamo (e até esse ficou lesionado) sobreviveram ao peso político...

Moyle disse...

sorrisos,

se calhar até foi ela que o escolheu a ele, não sabemos isso, mas o que sobressai é a capacidade de sobrevivência do Mastossoares mesmo metendo água.

Clara Umbra disse...

Em termos de gaffes, não há com as do Santana... são giras, bem-dispostas... não maçam!
Aquela que se contava de ele ter enviado uma carta ao Machado de Assis, a agradecer o envio das suas obras, era do melhor!

Moyle disse...

clara,

oh céus, só agora é que estou a ter conhecimento dessa pérola absolutamente genial:)

até agora, para mim, o ponto alto da carreira gaffística do Sr. Lopes foi a leitura do dicurso de tomada de posse como Primeiro-Ministro em 2005, acho eu (antes do Sr. "Engenheiro"). à vista desta nova informação, acho que a minha opinião mudou:)

Teté disse...

Ah, e que favorecido ele ficou na estátua que o imortalizou (mais, que no quadro de Belém)!

É impressão minha, ou há outra cabeça de tartaruga a espreitar por entre as pernas do dito mastodonte??? :)))

Moyle disse...

teté,

reparaste:)

Jiminy_Cricket disse...

Havia tantas Mastodontices a referir mas para mim a melhor de todas foi esta...

http://br.youtube.com/watch?v=HwiNRPMbgHI

beijos

Moyle disse...

jimini,

parabéns pelo achado:) só não percebi por que razão pediu ele perdão, no fim de contas foi o que acabou por acontecer.

finalmente acabou a época das promessas eleitorais não cumpridas.