7/21/2009

Ad Rem

Laxante. Instituição Bancária. Manuel Vilarinho.

Sentindo-se inclinado a tentar a paciência dos leitores, o Moyle arriscou esta introdução, algo fragmentária (como se vê pela curteza e assertividade dos períodos), antecipando a natural e imediata reacção daqueles – vocês: Com tais três motes, este “post” vai ser uma merda.

Muito honestamente, há que reconhecer a plural justeza do vosso lamento. De facto, o Moyle não ousa o atrevimento de questionar a imaginada adjectivação a este post que se vai desenrolando numa direcção perfeitamente desnecessária, felicitando-vos, por um lado, pela perspicácia e, por outro, pela boa memória que vos levou a tal considerando apriorístico (resta aquela questãozinha do masoquismo que vos leva a regressar aqui, mas longe de mim tecer considerações que transpirassem, ainda que cobertas de Rexona, algo que soasse a qualquer tipo de censura às vossas escolhas pessoais e à forma como gerem o preciosíssimo tempo de que dispomos no planeta, depois da desova).

Sabendo, contudo, que ficaram empancados na afirmação supra, que passo a citar (infiram que tipo de “pessoa” é esta, que se cita a si mesma e, não bastando a fatuidade, cita uma passagem de um texto mais adiante no mesmo texto. Enfim, fica à vossa consideração!): plural justeza do vosso lamento.

Aferida que está a antecipada merdeza do post, falta um segundo carácter mérdico para obtermos o tal, supracitado (duas vezes que este gajo se cita no mesmo texto e vocês a aturar isto. Este Moyle está-me a parecer um sapo na época do acasalamento, isto é, anda demasiado inchado) plural. Depois de tão grande intróito, tão útil como um Alka-Seltzer em Mogadíscio, voltemos aos três pressupostos do primeiro parágrafo. Estes são, na realidade, três fracções de uma mesma equação, partilhando de um mesmo denominador: merda.

Qual a relação entre uma instituição bancária, um laxante e o Manuel Vilarinho? É, muito simplesmente, a merda.

Imagino que a todos tenha já chegado a maldição do anúncio do Santander, onde se ouve gritar e cantar (?), ad nauseam, o enervante refrão do duo Ashford & Simpson solid as a rock. Ora, quando o stress do quotidiano diário do dia-a-dia não nos permite uma alimentação equilibrada, com a quantidade exigível de fibras, o que nos acontece nos íntimos momentos no trono de cerâmica? Creio que solid as a rock terá um metatexto facilmente apreensível pelos doutos moyleitores e fica, assim, estabelecida a situação do Santander no esquema deste post. Aqui entra, precisamente, o laxante, pois não se acredita que a insistente rodagem de anúncios ao Dulcolax seja uma coincidência. Depois de tudo aquilo a que temos assistido no sistema bancário, só massivas doses de laxante, injectado pelos bancos centrais, permitiram desbloquear tanta… asneira. Mas voltando ao Dulcolax. O próprio nome do medicamento resulta algo ambíguo. Se o sufixo –lax nos remete de forma óbvia para o seu efeito, o prefixo dulco levanta algumas dúvidas. Dulco provém do radical Dulce, a palavra latina para doce. Ora, serão os comprimidos meramente rebuçadinhos doces? Será, ao invés, o seu efeito potenciador de uma mais doce experiência no acto de castigar a cerâmica? Dúvidas… quem já tiver tomado que se pronuncie mas aposto que não há um esfíncter, depois da insistente campanha do Santander, que não esteja à beira da depressão, a sofrer por antecipação, e a rezar pela segunda hipótese.

Onde entra Manuel Vilarinho no meio desta… bem… como dizê-lo… no meio desta… hummmm… desta merda toda, vá? Para Manuel Vilarinho é fácil achar-se no meio de tanta… atenção. Para tal, basta-lhe abrir a boca. Apesar de não ser caso único no panorama nacional, parece, no entanto, ter sido abençoado pela dádiva da verborreia, isto é, diarreia verbal. Vilarinho teve, pelo menos, o condão de retratar aquilo que cada um de nós pensa das suas declarações, o que não costuma acontecer em casos semelhantes.

Falta-nos, ainda, a conclusão, o que é apropriado de um modo muito escatológico. Publicidade, declarações públicas de Manuel Vilarinho, moylices. Sabendo que abusou um bocado de vocês neste post, o Moyle pede-vos que passem uma borracha, ou melhor, um papel, de preferência com folha dupla, ou melhor ainda, uma toalhita Kandoo sobre o que acabaram de ler.



6 comentários:

Teté disse...

Por acaso, de início, pensei: "o que é que o Moyle vai fazer com três temáticas tão desinteressantes?"

E não me surpreendi, ao perceber que os temas estavam inevitavelmente encadeados por um pensamento moylístico arrasador e racional! :)

Gostei especialmente daquela imagem do Alka-Seltzer em Mogadíscio, muito elucidativa! Embora o doce laxante também tenha a sua piada... :D

Moyle disse...

«pensamento arrasador e racional»... não mereço :)

percebo por que gostaste porque devem ser as únicas passagens que se aproveitam. ahah

bjs

Pedro Correia ou Poeta Acácio disse...

Boas carissímo Moyle!!! Depois da leitura desta posta ficam duas observações:

- A equação: Laxante, Instituição Bancária e Manuel Vilarinho, é mesmo igual a merda (como se quis demonstrar) e penso que não há mesmo nada mais a acrescentar... a não ser Governo;
- A partir de agora vou começar a usar a expressão castigar a cerâmica quando me quiser referir ao acto cagar! xD

Um grande abraço!

TENHO DITO

Treze disse...

Qual m****, qual quê! Tanta informação num só texto? Nem pensar! Só o Moyle para relacionar o aparentemente irrelacionável :D
Excelentemente divertido!

E só para tua informação, não afirmei "que merda de post" após a primeira frase. Foi qualquer coisa tipo "o que é que aí vem..."

Moyle disse...

Poeta,

Óptimo regresso e um abraço também para ti

Moyle disse...

Treze,

bom, eu pelo-me por ter razão mas foi muito agradável não ter desta vez :)