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O Alto, O Forte e o Moyle
Depois de não comparecer numa escola em Lisboa por motivos inadiáveis que não tiveram qualquer relação com a pequena manifestação que os alunos dessa escola preparam para receber o Presidente da República, Cavaco Silva foi passear para o Norte do país num, imagine-se, Roteiro da Juventude!
Continuemos com uma dúvida.
Então o nosso Presidente surpreendeu-se com os últimos números do Desemprego em Portugal? E, vejam lá, o Moyle que estava perfeitamente convencido de que o Sr. Silva era, além de reconhecido génio da banalidade, um Mago da Economia.
Não admira que o nosso Pastel de Belém atire para o ar platitudes enquanto o país vai lentamente ao fundo. A sua excelência presidencial isso não interessa verdadeiramente, ou não fosse ele Cavaco.
O Moyle não sabe se se deve sentir muito confortável com uma ministra da agricultura que tem fé que chova em Breve.
Por um lado, põe-se obrigatoriamente a questão de ter fé ser pré-requisito para funções ministeriais. Se assim fosse, todas as avós da aldeia onde o Moyle se desenvolveu enquanto o portento intelectual que todos podem apreciar - já deixando de parte a inefável beleza exterior que espalha por onde quer que esteja - eram potenciais ministeriáveis, porque mais fé do que aquelas velhotas tinham só um sportinguista acreditar que com o Sá Pinto a coisa vá mesmo ser diferente. Coisa que se presume não haver em grande quantidade.
Por outro lado, não menos imperiosamente se põe o problema de chover em breve. Mas que interessa ao Moyle que chova em Breve se é Portugal que está a entrar num período de seca? Não era mais importante ter fé que chovesse em Portugal do que em Breve, seja lá isso onde for?
Nisto da chuva como em tudo o que envolva fé, a racionalidade tem um papel a todos os níveis secundário. Faz sentido a fé da ministra de que chova em Breve porque chover em Portugal está mais que visto que nada feito. Mas pior que a seca que nos dão estes governantes, com a sua conversa fiada de que se aproveita tanto como de um champô anti-queda no distante reino de Alopécia, a seca meteorológica que nos assombra de momento é mesmo preocupante.
Mas nestas coisas há que também reservar uma palavrinha fofa para o alvo das nossas atenções e, neste caso específico, para a superhipermegaultraministra Cristas. Na realidade não podemos deixar de lembrar que o mote que orienta este governo é o de cortar no uso de dinheiros públicos que tenham utilidade para resolver os problemas dos cidadãos. Ter fé que chova fica bem mais barato do que dar prossecução aos planos de irrigação do Alqueva, ou do que a construção de barragens para armazenamento de recursos hídricos para consumo - para hidroeléctricas a coisa arranja-se porque, lá está, os benefícios são mais óbvios para empresas do que para cidadãos - construção de redes de transvase entre bacias hidrográficas para desencravar regiões mais expostas à seca, et caetera. Não é só por capricho que o Moyle lembra estas hipóteses, é mais por uma minudência, um pormenor, uma paneleirice mínima e que se calhar nem sequer tem aqui grande cabimento mas cá vai: é que nessas regiões vivem pessoas! Bom, mas adiantando caminho na mal-amanhada tentativa de entrelaçar o texto com a imagem que o coroa. Ter fé remete-nos, necessária e obrigatoriamente, para um tipo de vivência de cariz religioso. Não está em causa, neste particular, a necessária laicidade exigida a um Estado de gente razoavelmente normal e em posse de um mínimo de faculdades intelectuais, pois a experiência de tipo religioso é individual e não pública. Não deixa de ser interessante, no entanto, que a vivência religiosa remeta, necessariamente, para uma experiência do tipo extático, ou seja, um transe, ou seja, uma alienação da realidade sensorial e física semelhante à conseguida pelo uso de substâncias estupefacientes. Sim, perceberam bem, o Moyle acha que a nossa ministra da agricultura deve andar a fumar daquelas "coisas que fazem rir". Entende-se, honestamente, entende-se. A nossa fofinha ministra não está assim tão preocupada com a questão da seca porque essas mesmas "coisas que fazem rir" normalmente provêm - diz-se o que o Moyle não sabe destas coisas nem é de intrigas - de regiões do globo de climas desérticos, ou semidesérticos. Enquanto não chover... olhem, paciência.
O melhor da democracia é a liberdade em sentido lato e a liberdade de expressão em particular. É a liberdade de expressão que nos permite localizar os imbecis, por um lado, e, se esperarmos o tempo suficiente, os xicos espertos, melhor ou pior intencionados.
São duas palavrinhas apenas, mas um magnífico exercício de contorcionismo político, a ser consolidado pelos boys do regime e pelas putas que, semana após semana, vendem a sua opinião para justificar a mudança de direcção dos cata-ventos governamentais.
Todos já vimos, em documentários sobre vida selvagem, as mudanças de direcção estonteantes de que os leporídeos são capazes quando perseguidos. Portanto, não nos devemos surpreender com as capacidades de flexibilidade do nosso Primeiro Leporídeo.
Mário Soares não podia aguentar mais. Estava tão cheio, mas mesmo tão cheio dele mesmo que teve que "extravasar-se", em público ainda por cima. Afinal de contas, o senhor molestador de reptéis testunídeos, estava na linha da frente aquando das anteriores ajudas externas a Portugal, então responsabilidade do FMI.
Como não há duas sem três, embora o Moyle nunca tenha ouvido falar de pessoas que tenham dado três tiros na cabeça - dois é vulgar e sabido -, o nosso Geochelone Masthodon quis confirmar o vox pop e chamar a si o protagonismo da chegada da Troika a Portugal e, com ela, a terceira ajuda(!?) externa em pouco mais de três décadas.
Pensemos em dois minúsculos pormenores, coisas de lana caprina na realidade. Se ninguém - tirando a CIP - está contente com a presença da Troika em Portugal, por que raio de razão está o senhor Soares tão interessado em assumir protagonismo por isso?
O segundo pormenor prende-se com uma certa visão da imagem de Sócrates como um herói quixotesco. Lutador incansável nunca rendido, nem sequer às evidências, antes enxotado iniquamente. Porquê este branqueamento e, ao mesmo tempo, perfilhamento político de Sócrates?
O senhor Soares não devia andar a dar conferência em universidades sobre como resistir primeiro a fascistas e depois a comunistas? Ou a explicar se lhe doeu muito ser usado por Sócrates para tirar o tapete ao potencialmente incómodo Alegre na primeira eleição do passivo Cavaco? Ou se colaborou voluntariamente nessa manobra? Ou talvez a detalhar o financiamento da Fundação Soares em tempos de austeridade? Tantas coisas giras para Soares fazer e ele anda a decidir o futuro do país sem legítimo mandato eleitoral?
O Moyle não percebe nada destas coisas, mas de uma coisa percebe, da necessidade imperiosa de "extravasamento" quando se sente um inchaço incómodo e não se tem um "Pankreoflat drg x 60" à mão de semear.
O Presidente da República não pode comparecer numa escola em Lisboa por imponderáveis impedimentos improrrogáveis e impossíveis de imputar à impudência imprecatória dos impulsivos e impacientes impúberes em implexo com a impante e imperiosa imprensa. Ou seja, não pode comparecer porque ficou pendurado!
Percebe-se a preocupação do ilustríssimo ex-líder da JSD, que agora mui ilustremente nos primeira, com o facto de não ser suficientemente compensado pela gigantesca tarefa que desempenha. Compreende-se. Independentemente de se concordar, ou não, o facto é que desmantelar todo um Estado construído ao longo de 30 anos - o qual, ainda por cima, parece que é morbidamente obeso - é uma tarefa claramente de Hércules. Quer dizer, se considerarmos as notícias de nomeações lautamente remuneradas (com e sem subsídios de férias de Natal), mais do que de Hércules, a tarefa do nosso ilustre Primeiro é de Sísifo.
Depois do histriónico episódio da insuficiência alimentar de um idiota, depois do clamor de miséria abjecta por parte da nossa muito particular múmia - o que não se entende muito bem porque as múmias egípcias têm as mesmas ligaduras milhares de anos e não reclamam por falta de rendimentos para suprir as despesas - , temos agora o pungente lamento do lagomorfo. Portugal é uma vil madrasta para os seus maiores. Portugal é desgraçada mãe por ter nestes os seus maiores. Bom, cada país tem o que merece, soe-se dizer.
Não deixa de ser estranho, no entanto, ficar a pairar a possibilidade - real ou imaginária interessa pouco porque a essa mesma distinção não se aplica à informação que este e todos os governos anteriores patrocinam - de dificuldades do primeiro de São Bento em se auto-sustentar, devido à parcimónia dos recursos auferidos a título retributivo. E estranho porquê? É estranho, verdadeiramente, porque neste mesmo governo existe um ministro - cuja real utilidade seria discutível se tivéssemos ponta por onde pegar em tal discussão - e que se chama Relvas.
Ora, se o nosso Primeiro se chama Coelho; se o nosso Primeiro é adjunticizado por um ministro que não se sabe para que serve e que se chama Relvas; se o nosso Primeiro está, ainda que imaginariamente, em risco de não assegurar a sua própria subsistência por anorexia do Primeiro salário; então, se tudo isto se verifica, o Coelho pode comer o Relvas. E é um Coelho bem burro se o não fizer porque poucas vezes vi Relvas tão viçosas e lustrosas (pelo menos na televisão).
Se calhar devíamos começar a pensar em criar uma subscrição pública para alimentar o senhor Silva e a sua mulher, a senhora Silva.
Assim como o senhor Silva tem permitido e até patrocinado uma prestação de apoio social pública em moldes de caridadezinha para com os desgraçadinhos, se calhar devíamos pensar em abrir os nossos bolsos à caridadezinha para com este filantropo patriota, que abdicou de um salário de mais de 6 mil euros em nome da solidariedade nacional, apenas para agora arriscar-se a passar fome. Vejam bem, passar fome em nome de todos nós.
É absolutamente desumano terem feito o palácio presidencial tão perto dos Pastéis de Belém quando o senhor presidente não tem dinheiro nem para uma carcaçazinha com manteiga. É tortura gratuita.
Imaginem o nosso desgraçado chefe de estado a receber outros chefes de estado, anafados e com possibilidade de repetirem o prato principal quantas vezes quiserem, enquanto ele fraqueja nas magras canetas. É tenebroso e revoltante os portugueses, enquanto povo, não se comiserarem da desgraça de um concidadão.
Há quem aponte, com alguma justeza, que o senhor Silva deveria ter poupado enquanto era mais novo. É verdade, aceita-se. Mas vejam, quem é que imaginaria que, décadas depois, as migalhas de bolo-rei que se deixaram descuidadamente escapar pelas boca fora e roupa abaixo fariam tanta falta? Não é incúria, é mero azar.
Como o senhor Silva insiste em referir-se à legítima esposa com a elegantíssima e pós-moderna fórmula «a minha mulher», o Moyle não tem qualquer dúvida sobre quem, na realidade manda lá em casa. Por esse motivo, pede-se ao Zé Povinho que encaminhe os 5 euritos que puder dispensar à senhora Silva, que ela tem pinta de ser quem trata do orçamento doméstico do casal de silvas.
Há um
fenómeno curioso que se verifica em algumas zonas do país que o Moyle se escusa
de precisar por razões óbvias de não ferir susceptibilidades eventuais mas que
são a zona norte atlântica, norte interior e faixa atlântica entre ambas.
É ainda
possível que o mesmo fenómeno seja mais abrangente territorialmente. Contudo, a
actualmente circunscrita experiência do Moyle em termos de fruição paisagística
deste país à beira e mal plantado não lhe permite não se referir por prurido a
outras zonas de ocorrência fenoménica do aspecto que será clarificado no
próximo parágrafo, mas referindo-as ainda assim.
Consiste o
anunciado fenómeno na multiplicação dentro e fora de localidades - notando-se
embora uma maior recorrência dentro ou nas imediações de núcleos populacionais
- em zonas rurais e em zonas de perfil urbano - notando-se embora uma maior
recorrência em zonas rurais ou periurbanas - de umas hieráticas figuras
femininas que passam os seus dias à beira da estrada.
Para maior
precisão e melhor compreensão do fenómeno esclareça-se que estas figuras
femininas, que passam os seus dias à beira da estrada, trajam normalmente
vestidos de cores claras e deixam-se estar ali em pé, em exposição a todos os
tipos de olhares - os quais seria fastidioso e inconsequente elencar - quer do
povo autóctone quer de transeuntes.
Escusado
será dizer que não serão todas as mulheres, ou gente no geral, a ter estômago
para fazer da beira da estrada a sua ocupação diária, mas o facto é que este
fenómeno é bastante amplo e abrangente nas tais regiões do país que
naturalmente não se precisam mas sendo a norte litoral, a norte interior e a
faixa geográfica entre ambas.
Outra
curiosidade é o facto de, em muitos casos, estas senhoras não estarem expostas
à inclemência dos elementos abrigando-se nuns pequenos alpendres, ou
barraquinhas extremamente simples com quatro colunas e um tecto aparentemente
construídas propositadamente para proteger estas personagens de apanhar secas e
de precipitações de vária sorte. É que quando se passa de carro rotineiramente
por certas estradas lá estão elas, sempre nos mesmos locais precisos, faça
chuva ou faça sol.
O Moyle
imagina que estejam a pensar na falta de notabilidade da constatação de
existirem senhoras de saias que levam o seu dia-a-dia na beira da estrada, em
locais escolhidos, e que estejam a pensar ainda que essa existência nada tem de
fenomenal.
Na
realidade, o fenómeno não é propriamente esse, embora se compreenda que esta
treta que têm estado a ler seja equívoca nesse sentido. O fenómeno é na
realidade que, em certas zonas do país, que não se identificam aqui por
pruridos de bom-senso mas que são as zonas mais a norte do país, a estas
senhoras de beira da estrada se chamam nossas senhoras.
Como grande apreciador daqueles desafios-corrente entre blogs - tanto que já respondeu à astronómica quantidade de 1 desafio (proposto pela Teté) - o Moyle responde hoje ao desafio proposto pelo Johnny no Val'nada Inc.
Consiste a proposta em divulgar cinco músicas que tenhamos descoberto em 2011 (editadas ou não nesse ano).
Naturalmente e como em qualquer boa corrente das que circulam pelas internétes, o Moyle sugere a todos que participem.
Adverte contudo que, caso não alinhem, serão violentamente fustigados por apocalípticas diarreias nos momentos mais inoportunos [deseja o Moyle que seja a meio de uma Eucaristia, numa fila das finanças quando só faltar uma senha para a vossa vez e a fila atrás de vocês tiver mais de 50 metros, ou ao minuto 90+3 da final da Liga dos Campeões, precisamente quando com 0-0 o Cardozo vai marcar um penalti a favor do Benfica. Não há garantias de que isto venha a suceder mas desejar-vos tais tragédias não custa nada.]
Aqui vai a lista, então. Como é óbvio, nenhuma destas músicas saiu em 2011, acho que nenhuma saiu neste século e uma delas nem sequer no anterior, mas o Moyle tem o seu próprio ritmo e lá para 2021 descobrirá o que saiu este ano. Mas sem garantias, ainda assim!
1 - Decomposing Composers - Michael Palin (Monty Python)
2 - Surfin' Bird - The Trashmen
3 - Vesti la Giubba [Pagliacci] - Ruggero Leoncavallo
4 - When the Tigers Broke Free - Pink Floyd
5 - Ain't no Grave - Johnny Cash
O Moyle não é detentor de nenhuns direitos de autor sobre os vídeos publicados. O único mérito do Moyle é aqui é precisamente... nenhum.
Enquanto o Estado Social é despudoradamente desmantelado. Enquanto a bovinidade cívica da sociedade portuguesa aplaude as facadas que a sangram.
Enquanto a polícia espanca cidadãos com a conivência do Poder político e, naturalmente, a mando deste. Enquanto a democracia é lenta mas inexoravelmente subvertida.
Enquanto vemos a soberania nacional ser esvaziada por aqueles que mais defendem a soberania nacional. Enquanto se admitem mudar a lei fundamental portuguesa para agradar a franco-germânicos. Enquanto cínicas prostitutas impunes sob o capote partidário mandam portugueses sair do seu próprio país. Enquanto vampiros a coberto da imunidade partidária advogam que o salário mínimo não é assim tão baixo. Enquanto se sacam milhares de milhões de euros dos fundos de pensões para mascarar agendas políticas. Enquanto se agrava o jugo fiscal cidadãos para ceder à chantagem de quem tem o Estado nas mãos.
Enquanto "fugas de informação" de medidas repugnantes são veiculadas para a comunicação social. Enquanto se gerem politicamente tais "fugas" de acordo com as reacções sociais [ou a sua falta] registadas. Enquanto 1000€ são sinónimo de riqueza criminosa embora não se taxem mais-valias na bolsa. Enquanto se permite que crianças saiam ignorantes da escola pública financiando-se antes a escola privada. Enquanto se encafuam dezenas de putos numa sala de creche e se compram carros de luxo para ministros. Enquanto é cortado o financiamento das universidades ao mesmo tempo que se chora por inovação. Enquanto se pagam sujos negócios submarinos e fecham urgências por servirem velhos que não contribuem. Enquanto poupanças de emigrantes são sordidamente desejados mas se encerram serviços diplomáticos. Enquanto taxas moderadoras são aumentadas mas cidadãos morrem em ambulâncias.
Enquanto todas estas merdas se passam, Paulo Portas, o amigo dos pobres, o amante dos camponeses, o paladino dos reformados, o campeão dos miseráveis, o príncipe dos pescadores, o beijador de peixeiras e regateiras está, afinal, no sétimo céu, como o anjinho que é!
O Moyle não sabe se se lembram do ainda candidato a candidato Passos Coelho andar a inventar obras filosóficas. Caso se lembrem, parabéns, caso não se lembrem, parabéns!
De qualquer maneira, em vez de inventar filosofias fenomenológicas, Passos Coelho devia era ler as Confissões de Santo Agostinho, para aprender alguma coisa sobre o Tempo, nomeadamente o 'Tempo de se pôr a andar das nossas vidas'.
Segundo a
especiosa jóia que nos governa os bolsos, o Estado
Social é um sucesso. Tem, segundo a pessoa inteligente, culta, honesta e
extremamente competente que preside ao Ministério das Finanças e, desse modo, a
todos os ministérios, muito mais benefícios que custos. Talvez por isso, o
corte brutal nas áreas sociais do Estado. Excepto na segurança interna, claro
está.
O Moyle nem
vai comentar o facto de se reduzir um conceito ideológico, político e
filosófico complexo e denso como o de “Estado Social” a um mero somatório de
custos, benefícios e a um maniqueísta sucesso ou insucesso. O senhor é
tecnocrata, homem de acção e, portanto, pensamentos de profundidade não só são inúteis
como desaconselhados. Até porque em vez de se pensar deve-se andar a fazer
coisas. A dar uso à competência técnica e tal. Com certeza e faz favor! Se
estiver a incomodar, o Moyle arreda-se.
No entanto -
até porque tem que haver sempre uma adversativa que muito inocente e pobremente
tenta criar em vós, ilustres leitores, uma ilusória sensação de surpresa - será
mesmo que o Estado Social é um sucesso?
É com o peito
em sangue que o Moyle levanta uma, ainda que ridícula, dúvida sobre a afirmação
da mundi luminar que nos ministeria
as finanças. Compreendam que não é por mal, é para somente exaltar mais
fortemente o brilho da preciosa pérola que amorosa e paternalmente nos aligeira
o peso das algibeiras. E bem sabemos como há problemas cervicais em Portugal
por excesso de peso nos bolsos. É um doce, o nosso Gasparzinho. Mas
continuemos.
Pensando em
Estado Social pensamos em alfabetização. Segundo uma fonte
insuspeita, quase 1 milhão de portugueses não sabem ler nem escrever. Bom,
mas estes deve ser um aspecto marginal. Afinal temos que esperar que os velhos
morram e tal para a taxa melhorar. Muito pouco o Estado Social pode fazer neste
aspecto. Ao menos, valha-nos isso, os que aprenderam a ler e a escrever
aprenderam bem e são gente culta e instruída. Ou talvez nem por isso.
Bem, se calhar
é precipitado começar a louvar o sucesso do Estado Social na garantia de toda a
sociedade a uma educação básica e secundário eficazes e elevatórias do nível
cultural, social e cívico da população. Mas não queremos com isto apoucar a
radiosa afirmação da estrela do Norte do nº1 da Avenida Infante D. Henrique.
Muito pelo contrário.
Saltemos até à
saúde para louvar o brilhante papel do Estado Social no acesso de todos os
portugueses a cuidados de saúde. Realce para a generalização dos médicos de
família a todas as famílias portugueses. Ou melhor, a quase
todas segundo o governo. Bom, se calhar ainda há coisas a fazer na saúde,
mas a oferta de intervenções cirúrgicas é verdadeiramente exemplar. Ou… se
calhar, nem
tanto.
Justiça. A
Justiça é sempre uma boa forma de aferir do avanço civilizacional de uma
sociedade e, nesse aspecto, Portugal dá cartas. Nomeadamente na capacidade de
responder rapidamente e com justiça aos problemas dos cidadãos. Os tribunais
portugueses são um caso extraordinário com uma eficiência a toda a prova com
apenas dois
milhões de processos… atrasados?! Bem, a justiça é lenta mas funciona, como
se viu na… Casa Pia, BPN, Freeport, Submarinos e Face Oculta! Pormenores. Deixemo-los em paz.
Pensemos na
redistribuição da riqueza. Além dos serviços prestados pelo Estado, é a partir
da distribuição equitativa da riqueza que se afere a efectiva pujança da
intervenção social do estado e no caso português não há dúvidas quando sabemos
que o número de portugueses pobres se cifra nuns marginais… 20%!?
Bom, mas todo o país é pobre. Os portugueses são pobres mas a distribuição de
riqueza é justa, certo?
Eh pá, o Moyle
já não sabe se o Estado Social será um sucesso assim tão retumbante. Mas, com
tão graves insuficiências, o que levará o competentíssimo e imarcescível Vítor
Gaspar a fazer uma afirmação destas? De certeza que este paladino da verdade e
da justiça não nos iria mentir… Que estará mal nesta paisagem? Dúvidas,
dúvidas, dúvidas…
O Moyle
saúda-se a si próprio por este muito bem-vindo regresso às questões
desportivas.
Foram de facto
um fim e um início de semana emocionantes desportivamente. No sábado houve
lugar ao estrangulamento de um - aparentemente - felídeo de médias proporções
com os vermelhos a prosseguirem um périplo de “matar um leão por dia” para
conseguirem levar a bom porto os seus intentos. Nenhuma novidade,
portanto.
Após a refrega
futebolística houve lugar a fogueira na bancada. Foi fofo mas talvez a
despropósito, arriscaria o Moyle. Por um lado já é tarde para o S. Martinho. É
demasiado cedo para os santos populares. Estando boa parte dos moços daquele
sector das bancadas com cachecóis a tapar a cara e com gorros, frio supõe-se
que não teriam. Como se justifica a fogueirola? Bem, o Moyle arriscaria fome.
Resta aqui, contudo uma dificuldade. Se fizeram a fogueira por fome não
calcularam bem a coisa porque o porco já tinha levado com um espeto, sim, mas
do outro lado da vedação, por um lado, e do outro lado das leis da gravitação,
por outro [não esquecer que o relvado fica ligeiramente abaixo da bancada
calcinada]. Foi uma fumarola pífia porque não puderam grelhar lá grande coisa.
No domingo a
emoção continuou, com o dragão a treinar o treinador que ainda está a aprender
a treinar o seu dragão. Um dos aspectos a melhorar é uma minudência. Ainda
assim, na medida em que o diabo está nos detalhes, não de todo despicienda. No
centro de estágio monocromático azul e branco, durante a semana, se calhar
seria aconselhável começar fazer durar os treinos 90m, ou mais. O sistema
actual de se treinar durante 85m apenas poderá eventualmente tornar-se
aborrecido. Depois do jogo, houve lugar ao espancamento habitual do repórter de
serviço e voilá, temos os adeptos
portistas mais descansados com o regresso à normalidade.
Deixando o
fim-de-semana e saltando para o início da dita, realce para a notícia de que os
espectáculos de índole pornográfica e obscena serão taxados a 23% e os bilhetes
para assistir a jogos de futebol também, de acordo com a lei do Orçamento de
Estado em apreço e discussão nos dias que correm.
Duas ou três
palavrinhas: uma, duas… três... Já está. Agora mudando novamente para o assunto
do parágrafo anterior, mudando-se, para tal, de parágrafo para o seguinte.
Não se discute
a bondade da ideia que altera a tributação em sede de IVA dos bilhetes de
futebol, equiparando-os a espectáculos pornográficos e obscenos, até pela
proximidade entre ambos. Os sportinguistas saíram f***dos do estádio da Luz e o
repórter da TVI saiu com a tromba f***da do estádio do Dragão.
Embora não se
discuta quer a necessidade como o a propósito desta medida fiscal que equipara
as duas formas de entretenimento, há no entanto algumas espinhas a esburgar. Qual
é a vantagem de subir o IVA nos bilhetes de um jogo de futebol entre o Paços de
Ferreira e o União de Leiria? Ou entre num Portimonense contra o Beira-Mar? 23%
de 0 é igual a 6% de 0. Se, por outro lado os estádios têm já tão pouca gente,
esta medida, naturalmente engordadora dos bilhetes ou emagrecedora dos
proventos dos clubes, afastará ainda mais os poucos adeptos que ainda
comparecem.
Naturalmente
que o futebol é um negócio e não deve ter regalias só porque sim, mas os clubes
têm camadas etárias inferiores de competição, em vários desportos, que mantêm
ocupados putos em actividades saudáveis e pedagógicas, como as desportivas. Sem
receitas, sendo já magras as que recebem da bilheteira, poder-se-á pôr em causa
uma função social que o Estado não têm a mínima hipótese de sequer equiparar.
Quando as
camadas jovens dos clubes desportivos começarem a definhar, o Moyle sugere-lhes
que se dediquem a outra actividade equiparada em termos fiscais. Os
espectáculos pornográficos e obscenos. Pressupõe actividade física, mas uma
mais agradável que andar a correr para trás e para a frente. É mais provável
ouvir ofegos do que urros ululantes. Exige alguma coordenação psico-motora mas
tem a vantagem de ser mais fácil atingir o estatuto de “atleta profissional”.
Pornografia é o futuro. Se pensarmos bem nisso, a
pornografia gera mais dividendos aos Estados Unidos do que o futebol a
Portugal. Só precisamos de começar a realocar recursos, nomeadamente recursos
humanos, e teremos meio caminho andado para aumentar as exportações.