2/16/2012

Bullying em Belém


O Presidente da República não pode comparecer numa escola em Lisboa por imponderáveis impedimentos improrrogáveis e impossíveis de imputar à impudência imprecatória dos impulsivos e impacientes impúberes em implexo com a impante e imperiosa imprensa. Ou seja, não pode comparecer porque ficou pendurado!

2/13/2012

Down the Rabbit-Hole


Percebe-se a preocupação do ilustríssimo ex-líder da JSD, que agora mui ilustremente nos primeira, com o facto de não ser suficientemente compensado pela gigantesca tarefa que desempenha. Compreende-se. Independentemente de se concordar, ou não, o facto é que desmantelar todo um Estado construído ao longo de 30 anos - o qual, ainda por cima, parece que é morbidamente obeso - é uma tarefa claramente de Hércules. Quer dizer, se considerarmos as notícias de nomeações lautamente remuneradas (com e sem subsídios de férias de Natal), mais do que de Hércules, a tarefa do nosso ilustre Primeiro é de Sísifo.
Depois do histriónico episódio da insuficiência alimentar de um idiota, depois do clamor de miséria abjecta por parte da nossa muito particular múmia - o que não se entende muito bem porque as múmias egípcias têm as mesmas ligaduras milhares de anos e não reclamam por falta de rendimentos para suprir as despesas - , temos agora o pungente lamento do lagomorfo. Portugal é uma vil madrasta para os seus maiores. Portugal é desgraçada mãe por ter nestes os seus maiores. Bom, cada país tem o que merece, soe-se dizer.
Não deixa de ser estranho, no entanto, ficar a pairar a possibilidade - real ou imaginária interessa pouco porque a essa mesma distinção não se aplica à informação que este e todos os governos anteriores patrocinam - de dificuldades do primeiro de São Bento em se auto-sustentar, devido à parcimónia dos recursos auferidos a título retributivo. E estranho porquê? É estranho, verdadeiramente, porque neste mesmo governo existe um ministro - cuja real utilidade seria discutível se tivéssemos ponta por onde pegar em tal discussão - e que se chama Relvas.
Ora, se o nosso Primeiro se chama Coelho; se o nosso Primeiro é adjunticizado por um ministro que não se sabe para que serve e que se chama Relvas; se o nosso Primeiro está, ainda que imaginariamente, em risco de não assegurar a sua própria subsistência por anorexia do Primeiro salário; então, se tudo isto se verifica, o Coelho pode comer o Relvas. E é um Coelho bem burro se o não fizer porque poucas vezes vi Relvas tão viçosas e lustrosas (pelo menos na televisão).

1/21/2012

Obit anus, abit onus


Se calhar devíamos começar a pensar em criar uma subscrição pública para alimentar o senhor Silva e a sua mulher, a senhora Silva. 
Assim como o senhor Silva tem permitido e até patrocinado uma prestação de apoio social pública em moldes de caridadezinha para com os desgraçadinhos, se calhar devíamos pensar em abrir os nossos bolsos à caridadezinha para com este filantropo patriota, que abdicou de um salário de mais de 6 mil euros em nome da solidariedade nacional, apenas para agora arriscar-se a passar fome. Vejam bem, passar fome em nome de todos nós.
É absolutamente desumano terem feito o palácio presidencial tão perto dos Pastéis de Belém quando o senhor presidente não tem dinheiro nem para uma carcaçazinha com manteiga. É tortura gratuita.
Imaginem o nosso desgraçado chefe de estado a receber outros chefes de estado, anafados e com possibilidade de repetirem o prato principal quantas vezes quiserem, enquanto ele fraqueja nas magras canetas. É tenebroso e revoltante os portugueses, enquanto povo, não se comiserarem da desgraça de um concidadão.
Há quem aponte, com alguma justeza, que o senhor Silva deveria ter poupado enquanto era mais novo. É verdade, aceita-se. Mas vejam, quem é que imaginaria que, décadas depois, as migalhas de bolo-rei que se deixaram descuidadamente escapar pelas boca fora e roupa abaixo fariam tanta falta? Não é incúria, é mero azar.
Como o senhor Silva insiste em referir-se à legítima esposa com a elegantíssima e pós-moderna fórmula «a minha mulher», o Moyle não tem qualquer dúvida sobre quem, na realidade manda lá em casa. Por esse motivo, pede-se ao Zé Povinho que encaminhe os 5 euritos que puder dispensar à senhora Silva, que ela tem pinta de ser quem trata do orçamento doméstico do casal de silvas.

1/12/2012

Lost Highway


Há um fenómeno curioso que se verifica em algumas zonas do país que o Moyle se escusa de precisar por razões óbvias de não ferir susceptibilidades eventuais mas que são a zona norte atlântica, norte interior e faixa atlântica entre ambas.
É ainda possível que o mesmo fenómeno seja mais abrangente territorialmente. Contudo, a actualmente circunscrita experiência do Moyle em termos de fruição paisagística deste país à beira e mal plantado não lhe permite não se referir por prurido a outras zonas de ocorrência fenoménica do aspecto que será clarificado no próximo parágrafo, mas referindo-as ainda assim.
Consiste o anunciado fenómeno na multiplicação dentro e fora de localidades - notando-se embora uma maior recorrência dentro ou nas imediações de núcleos populacionais - em zonas rurais e em zonas de perfil urbano - notando-se embora uma maior recorrência em zonas rurais ou periurbanas - de umas hieráticas figuras femininas que passam os seus dias à beira da estrada.
Para maior precisão e melhor compreensão do fenómeno esclareça-se que estas figuras femininas, que passam os seus dias à beira da estrada, trajam normalmente vestidos de cores claras e deixam-se estar ali em pé, em exposição a todos os tipos de olhares - os quais seria fastidioso e inconsequente elencar - quer do povo autóctone quer de transeuntes.
Escusado será dizer que não serão todas as mulheres, ou gente no geral, a ter estômago para fazer da beira da estrada a sua ocupação diária, mas o facto é que este fenómeno é bastante amplo e abrangente nas tais regiões do país que naturalmente não se precisam mas sendo a norte litoral, a norte interior e a faixa geográfica entre ambas.
Outra curiosidade é o facto de, em muitos casos, estas senhoras não estarem expostas à inclemência dos elementos abrigando-se nuns pequenos alpendres, ou barraquinhas extremamente simples com quatro colunas e um tecto aparentemente construídas propositadamente para proteger estas personagens de apanhar secas e de precipitações de vária sorte. É que quando se passa de carro rotineiramente por certas estradas lá estão elas, sempre nos mesmos locais precisos, faça chuva ou faça sol.
O Moyle imagina que estejam a pensar na falta de notabilidade da constatação de existirem senhoras de saias que levam o seu dia-a-dia na beira da estrada, em locais escolhidos, e que estejam a pensar ainda que essa existência nada tem de fenomenal.
Na realidade, o fenómeno não é propriamente esse, embora se compreenda que esta treta que têm estado a ler seja equívoca nesse sentido. O fenómeno é na realidade que, em certas zonas do país, que não se identificam aqui por pruridos de bom-senso mas que são as zonas mais a norte do país, a estas senhoras de beira da estrada se chamam nossas senhoras.

1/09/2012

Cantares ao Desafio

Como grande apreciador daqueles desafios-corrente entre blogs - tanto que já respondeu à astronómica quantidade de 1 desafio (proposto pela Teté) - o Moyle responde hoje ao desafio proposto pelo Johnny no Val'nada Inc.
Consiste a proposta em divulgar cinco músicas que tenhamos descoberto em 2011 (editadas ou não nesse ano). 
Naturalmente e como em qualquer boa corrente das que circulam pelas internétes, o Moyle sugere a todos que participem. 
Adverte contudo que, caso não alinhem, serão violentamente fustigados por apocalípticas diarreias nos momentos mais inoportunos [deseja o Moyle que seja a meio de uma Eucaristia, numa fila das finanças quando só faltar uma senha para a vossa vez e a fila atrás de vocês tiver mais de 50 metros, ou ao minuto 90+3 da final da Liga dos Campeões, precisamente quando com 0-0 o Cardozo vai marcar um penalti a favor do Benfica. Não há garantias de que isto venha a suceder mas desejar-vos tais tragédias não custa nada.]
Aqui vai a lista, então. Como é óbvio, nenhuma destas músicas saiu em 2011, acho que nenhuma saiu neste século e uma delas nem sequer no anterior, mas o Moyle tem o seu próprio ritmo e lá para 2021 descobrirá o que saiu este ano. Mas sem garantias, ainda assim!

1 - Decomposing Composers - Michael Palin (Monty Python)

2 - Surfin' Bird - The Trashmen

3 - Vesti la Giubba [Pagliacci] - Ruggero Leoncavallo

4 - When the Tigers Broke Free - Pink Floyd

5 - Ain't no Grave - Johnny Cash

O Moyle não é detentor de nenhuns direitos de autor sobre os vídeos publicados. O único mérito do Moyle é aqui é precisamente... nenhum.

12/20/2011

Anjo da Guarda


Vou passar esta quadra, ou terça, ou quina, ou tanto faz, muito mais descansado. Eu sei que temos um anjo a tomar conta de nós.

12/15/2011

12/12/2011

As Portas do Céu



Enquanto Portugal se desagrega socialmente. 
Enquanto o Estado Social é despudoradamente desmantelado. 
Enquanto a bovinidade cívica da sociedade portuguesa aplaude as facadas que a sangram.
Enquanto a polícia espanca cidadãos com a conivência do Poder político e, naturalmente, a mando deste.
Enquanto a democracia é lenta mas inexoravelmente subvertida.
Enquanto vemos a soberania nacional ser esvaziada por aqueles que mais defendem a soberania nacional.
Enquanto se admitem mudar a lei fundamental portuguesa para agradar a franco-germânicos.
Enquanto cínicas prostitutas impunes sob o capote partidário mandam portugueses sair do seu próprio país.
Enquanto vampiros a coberto da imunidade partidária advogam que o salário mínimo não é assim tão baixo.
Enquanto se sacam milhares de milhões de euros dos fundos de pensões para mascarar agendas políticas.
Enquanto se agrava o jugo fiscal cidadãos para ceder à chantagem de quem tem o Estado nas mãos.
Enquanto "fugas de informação" de medidas repugnantes são veiculadas para a comunicação social.
Enquanto se gerem politicamente tais "fugas" de acordo com as reacções sociais [ou a sua falta] registadas.
Enquanto 1000€ são sinónimo de riqueza criminosa embora não se taxem mais-valias na bolsa.
Enquanto se permite que crianças saiam ignorantes da escola pública financiando-se antes a escola privada.
Enquanto se encafuam dezenas de putos numa sala de creche e se compram carros de luxo para ministros.
Enquanto é cortado o financiamento das universidades ao mesmo tempo que se chora por inovação.
Enquanto se pagam sujos negócios submarinos e fecham urgências por servirem velhos que não contribuem.
Enquanto poupanças de emigrantes são sordidamente desejados mas se encerram serviços diplomáticos.
Enquanto taxas moderadoras são aumentadas mas cidadãos morrem em ambulâncias.


Enquanto todas estas merdas se passam, Paulo Portas, o amigo dos pobres, o amante dos camponeses, o paladino dos reformados, o campeão dos miseráveis, o príncipe dos pescadores, o beijador de peixeiras e regateiras está, afinal, no sétimo céu, como o anjinho que é!

12/07/2011

A Extrema-Unção

Aquilo que Vítor Gaspar vê como uma bênção, o resto do país percebe como a extrema-unção.

12/06/2011

A Fenomenologia do Ser(vo)


O Moyle não sabe se se lembram do ainda candidato a candidato Passos Coelho andar a inventar obras filosóficas. Caso se lembrem, parabéns, caso não se lembrem, parabéns!
De qualquer maneira, em vez de inventar filosofias fenomenológicas, Passos Coelho devia era ler as Confissões de Santo Agostinho, para aprender alguma coisa sobre o Tempo, nomeadamente o 'Tempo de se pôr a andar das nossas vidas'.

12/02/2011

Ave Mundi Luminar



Segundo a especiosa jóia que nos governa os bolsos, o Estado Social é um sucesso. Tem, segundo a pessoa inteligente, culta, honesta e extremamente competente que preside ao Ministério das Finanças e, desse modo, a todos os ministérios, muito mais benefícios que custos. Talvez por isso, o corte brutal nas áreas sociais do Estado. Excepto na segurança interna, claro está.
O Moyle nem vai comentar o facto de se reduzir um conceito ideológico, político e filosófico complexo e denso como o de “Estado Social” a um mero somatório de custos, benefícios e a um maniqueísta sucesso ou insucesso. O senhor é tecnocrata, homem de acção e, portanto, pensamentos de profundidade não só são inúteis como desaconselhados. Até porque em vez de se pensar deve-se andar a fazer coisas. A dar uso à competência técnica e tal. Com certeza e faz favor! Se estiver a incomodar, o Moyle arreda-se.
No entanto - até porque tem que haver sempre uma adversativa que muito inocente e pobremente tenta criar em vós, ilustres leitores, uma ilusória sensação de surpresa - será mesmo que o Estado Social é um sucesso?
É com o peito em sangue que o Moyle levanta uma, ainda que ridícula, dúvida sobre a afirmação da mundi luminar que nos ministeria as finanças. Compreendam que não é por mal, é para somente exaltar mais fortemente o brilho da preciosa pérola que amorosa e paternalmente nos aligeira o peso das algibeiras. E bem sabemos como há problemas cervicais em Portugal por excesso de peso nos bolsos. É um doce, o nosso Gasparzinho. Mas continuemos.
Pensando em Estado Social pensamos em alfabetização. Segundo uma fonte insuspeita, quase 1 milhão de portugueses não sabem ler nem escrever. Bom, mas estes deve ser um aspecto marginal. Afinal temos que esperar que os velhos morram e tal para a taxa melhorar. Muito pouco o Estado Social pode fazer neste aspecto. Ao menos, valha-nos isso, os que aprenderam a ler e a escrever aprenderam bem e são gente culta e instruída. Ou talvez nem por isso.
Bem, se calhar é precipitado começar a louvar o sucesso do Estado Social na garantia de toda a sociedade a uma educação básica e secundário eficazes e elevatórias do nível cultural, social e cívico da população. Mas não queremos com isto apoucar a radiosa afirmação da estrela do Norte do nº1 da Avenida Infante D. Henrique. Muito pelo contrário.
Saltemos até à saúde para louvar o brilhante papel do Estado Social no acesso de todos os portugueses a cuidados de saúde. Realce para a generalização dos médicos de família a todas as famílias portugueses. Ou melhor, a quase todas segundo o governo. Bom, se calhar ainda há coisas a fazer na saúde, mas a oferta de intervenções cirúrgicas é verdadeiramente exemplar. Ou… se calhar, nem tanto.
Justiça. A Justiça é sempre uma boa forma de aferir do avanço civilizacional de uma sociedade e, nesse aspecto, Portugal dá cartas. Nomeadamente na capacidade de responder rapidamente e com justiça aos problemas dos cidadãos. Os tribunais portugueses são um caso extraordinário com uma eficiência a toda a prova com apenas dois milhões de processos… atrasados?! Bem, a justiça é lenta mas funciona, como se viu na… Casa Pia, BPN, Freeport, Submarinos e Face Oculta! Pormenores. Deixemo-los em paz.
Pensemos na redistribuição da riqueza. Além dos serviços prestados pelo Estado, é a partir da distribuição equitativa da riqueza que se afere a efectiva pujança da intervenção social do estado e no caso português não há dúvidas quando sabemos que o número de portugueses pobres se cifra nuns marginais… 20%!? Bom, mas todo o país é pobre. Os portugueses são pobres mas a distribuição de riqueza é justa, certo?
Eh pá, o Moyle já não sabe se o Estado Social será um sucesso assim tão retumbante. Mas, com tão graves insuficiências, o que levará o competentíssimo e imarcescível Vítor Gaspar a fazer uma afirmação destas? De certeza que este paladino da verdade e da justiça não nos iria mentir… Que estará mal nesta paisagem? Dúvidas, dúvidas, dúvidas…

11/30/2011

Pornografia e Bolas



O Moyle saúda-se a si próprio por este muito bem-vindo regresso às questões desportivas.
Foram de facto um fim e um início de semana emocionantes desportivamente. No sábado houve lugar ao estrangulamento de um - aparentemente - felídeo de médias proporções com os vermelhos a prosseguirem um périplo de “matar um leão por dia” para conseguirem levar a bom porto os seus intentos. Nenhuma novidade, portanto.
Após a refrega futebolística houve lugar a fogueira na bancada. Foi fofo mas talvez a despropósito, arriscaria o Moyle. Por um lado já é tarde para o S. Martinho. É demasiado cedo para os santos populares. Estando boa parte dos moços daquele sector das bancadas com cachecóis a tapar a cara e com gorros, frio supõe-se que não teriam. Como se justifica a fogueirola? Bem, o Moyle arriscaria fome. Resta aqui, contudo uma dificuldade. Se fizeram a fogueira por fome não calcularam bem a coisa porque o porco já tinha levado com um espeto, sim, mas do outro lado da vedação, por um lado, e do outro lado das leis da gravitação, por outro [não esquecer que o relvado fica ligeiramente abaixo da bancada calcinada]. Foi uma fumarola pífia porque não puderam grelhar lá grande coisa.
No domingo a emoção continuou, com o dragão a treinar o treinador que ainda está a aprender a treinar o seu dragão. Um dos aspectos a melhorar é uma minudência. Ainda assim, na medida em que o diabo está nos detalhes, não de todo despicienda. No centro de estágio monocromático azul e branco, durante a semana, se calhar seria aconselhável começar fazer durar os treinos 90m, ou mais. O sistema actual de se treinar durante 85m apenas poderá eventualmente tornar-se aborrecido. Depois do jogo, houve lugar ao espancamento habitual do repórter de serviço e voilá, temos os adeptos portistas mais descansados com o regresso à normalidade.
Deixando o fim-de-semana e saltando para o início da dita, realce para a notícia de que os espectáculos de índole pornográfica e obscena serão taxados a 23% e os bilhetes para assistir a jogos de futebol também, de acordo com a lei do Orçamento de Estado em apreço e discussão nos dias que correm.
Duas ou três palavrinhas: uma, duas… três... Já está. Agora mudando novamente para o assunto do parágrafo anterior, mudando-se, para tal, de parágrafo para o seguinte.
Não se discute a bondade da ideia que altera a tributação em sede de IVA dos bilhetes de futebol, equiparando-os a espectáculos pornográficos e obscenos, até pela proximidade entre ambos. Os sportinguistas saíram f***dos do estádio da Luz e o repórter da TVI saiu com a tromba f***da do estádio do Dragão.
Embora não se discuta quer a necessidade como o a propósito desta medida fiscal que equipara as duas formas de entretenimento, há no entanto algumas espinhas a esburgar. Qual é a vantagem de subir o IVA nos bilhetes de um jogo de futebol entre o Paços de Ferreira e o União de Leiria? Ou entre num Portimonense contra o Beira-Mar? 23% de 0 é igual a 6% de 0. Se, por outro lado os estádios têm já tão pouca gente, esta medida, naturalmente engordadora dos bilhetes ou emagrecedora dos proventos dos clubes, afastará ainda mais os poucos adeptos que ainda comparecem.
Naturalmente que o futebol é um negócio e não deve ter regalias só porque sim, mas os clubes têm camadas etárias inferiores de competição, em vários desportos, que mantêm ocupados putos em actividades saudáveis e pedagógicas, como as desportivas. Sem receitas, sendo já magras as que recebem da bilheteira, poder-se-á pôr em causa uma função social que o Estado não têm a mínima hipótese de sequer equiparar.
Quando as camadas jovens dos clubes desportivos começarem a definhar, o Moyle sugere-lhes que se dediquem a outra actividade equiparada em termos fiscais. Os espectáculos pornográficos e obscenos. Pressupõe actividade física, mas uma mais agradável que andar a correr para trás e para a frente. É mais provável ouvir ofegos do que urros ululantes. Exige alguma coordenação psico-motora mas tem a vantagem de ser mais fácil atingir o estatuto de “atleta profissional”.
 Pornografia é o futuro. Se pensarmos bem nisso, a pornografia gera mais dividendos aos Estados Unidos do que o futebol a Portugal. Só precisamos de começar a realocar recursos, nomeadamente recursos humanos, e teremos meio caminho andado para aumentar as exportações.

11/29/2011

Post(e) 504

Bom, caros e fofinhos amigos, eis-nos aqui a comemorar mais uma data sonora de 500 post(e)s no Moyle. É costume celebrar os números redondos, nomeadamente as centenas inteiras mas o Moyle não é dessas coisas e de seguir a maioria, gostando de afirmar solenemente a sua individualidade e diferença idiossincrática.
A celebração do post(e) 504 não tem nada a ver com o facto de o Moyle ter deixado passar despercebido o número 500. Não tem mesmo nada a ver com esquecimentos. É uma questão de individualização militante.

11/25/2011

Santíssima Produtividade

Em nome da santíssima produtividade defende-se tudo em mais alguma coisa. Nomeadamente, defende-se que aqueles que usam os seus direitos inalienáveis são maus patriotas.
Podemos admitir que a greve é uma coisa estúpida. É verdade! Nomeadamente as greves de um dia! Porque os regimes estão adaptados a esta e outras formas de luta dos trabalhadores. Honestamente os sindicatos têm uma imaginação limitada e bastante inócua nos dias que correm. Alguém dever-lhes-ia dizer que o século XIX já passou. Há um século atrás! Mas continuando. De uma maneira, ou de outra, a greve é um direito.
O governo actual, tanto quanto foi dado a entender ao Moyle hoje - em que não leu, nem viu, nem ouviu notícias (greve é greve), não se meteu na idiotice de anunciar valores na casa de 1/10 em relação às estrututas sindicais. No entanto, não se coibiu de vir, basicamente, dizer que todos têm que trabalhar porque não é com folgas a meio da semana que se resolvem os problemas da nação.
As folgas não resolvem nada, mas a noção de produtividade destes economistas de trazer por casa também não! Já aborrece um bocadinho a culpa ser sempre do Moyle, vossa e de todas as pessoas que trabalham, de uma maneira geral. 
E que tal se considerássemos que os portugueses, em Portugal, não produzem mais porque o trabalho, em Portugal, não vale uma merda! Se déssemos um bocadinho, pequeno que fosse, de atenção a esta ideia peregrina, talvez as medidas políticas fossem um bocadinho menos absurdas, gravosas e incompreensíveis.
Em nome da produtividade, o Moyle estará amanhã na Gulbenkian para apreciar a exposição sobre a Perspectiva das Coisas.
Até ao próximo post. Portem-se bem e sejam fofos para os vossos patrões. A vossa vida depende disso!


11/23/2011

Teatro dos Sem Sonhos



Toda a gente fala de economia, desemprego, emigração, zonas de conforto, Troika, austeridade, impostos, vida acima das possibilidades, renegociações, prazos, dívida, greve, sindicatos, orçamento, inflação, finança, PIB, bancos, subsídio de férias, salário mínimo, médio e máximo, aldrabices políticas, etc..
Antes deste governo, toda a gente falava de economia, desemprego, emigração, zonas de conforto, Troika, austeridade, impostos, vida acima das possibilidades, renegociações, prazos, dívida, greve, sindicatos, orçamento, inflação, finança, PIB, bancos, subsídio de férias, salário mínimo, médio e máximo, aldrabices políticas, etc..
Curiosamente, ninguém reclama do desmantelamento meticuloso e aparentemente inapelável de um serviço de saúde igualitário e acessível a todos os portugueses, mesmo que ganhem os relativamente abonados salários mínimos.
Ninguém parece muito preocupado com o corte de verbas para financiamento do Ensino Superior ao mesmo que aumenta imenso o financiamento das instituições privadas de ensino e se afirma, impudicamente, que só cresceremos economicamente através de mais-valias económicas resultantes do aumento da competitividade de base tecnológica das nossas empresas.
Alguém reparou que, do acordado com a troika, a Educação e a Saúde viram os cortes do financiamento públicos aumentados algumas 10 vezes? Terão reparado no facto seguinte: se, para cumprir os acordos assumidos internacionalmente, o governo português cortou 10 vezes mais na Educação e na Saúde, onde diabos terá deixado de cortar? Se repararam ninguém pareceu preocupar-se por aí além.
De igual modo, quando foi eliminado o ministério da cultura, alguém notou? Não. Queixaram-se meia dúzia de mamões que se dizem artistas e intelectuais e vivem impunemente à custa de subsídios pagos por todos através do erário público, mas esses nem contam.
Teatro? Há que deixar à iniciativa privada e à criatividade financiada pela publicidade. Note-se o brilhante trabalho de desenvolvimento das artes dramáticas em Portugal levado a cabo pela TVI e pela SIC. C’um raio, se até ganham prémios internacionais.  Deixemos o teatro para os espectáculos de fim de trimestre nas escolas, um pouco por todo o país. De qualquer modo, as escolas têm que servir para alguma coisa.
Pouca gente notou, então, quando foi anunciada a eliminação do ministério da cultura. Os que notaram – excluindo aqui os referidos mamões que se auto-intitulam artistas – acalmaram-se pois haveria uma secretaria de estado da cultura [mais ou menos a mesma coisa] à frente da qual estaria uma personalidade insuspeita em termos culturais. Do mal, o menos, pensaram.
Há coisas que, no entanto, são curiosas. Se Francisco José Viegas foi genericamente aceite, ou não muito atacado, vá, como insuspeita personalidade de cultura… ou melhor, se Francisco José Viegas é uma personalidade da cultura, como raio se pôs a jeito para fazer parte de uma fantochada de cultura em Portugal?
Talvez fosse o momento de se assumir que, não sendo uma ditadura totalitária, o estado português não tem nada que intervir na produção cultural do país. Mas se assim é, para que raio se mantém um espectro de incentivo estatal à produção cultural? E se Francisco José Viegas era aceite como sendo uma pessoa de cultura e da cultura, porque carga de água se pôs a jeito para servir [a falta de] interesses culturais governamentais?
Paradoxos? Naaaaaaaaaaaa, não engulam essa. Coincidências? Pfffffffffff, muito menos. Estranho? Siiiiimmmmmmmmmmmmmm, sem margem para dúvida! Mas, enfim, ninguém parece preocupar-se por aí além. Se calhar quem não se preocupa é que tem razão. Preocupar-nos para quê? Pensar é estar doente dos olhos, afirmava o pastor. Vejamos passar a vida e não deixemos que a vida passe por nós. No fim morremos todos. Para quê enervarmo-nos?

11/22/2011

Como Treinares o Teu dragão


Até parece mal que o Moyle não se refira ao desporto-rei há já tanto tempo. Indecente, verdadeiramente indecente esta ausência. É que tem sido sempre mais do mesmo: política, palermices avulsas, palermices políticas, políticas e políticos palermas, tudo isto embrulhado em parvoíce e literariamente muito mal amanhado. Já faltava uma mudançazinha, ainda que episódica, de tema e de assunto, embora o mau amanho literário seja para manter.
Não só o Moyle e os seus leitores estão desesperados por uma pequena mudança, mas também o treinador do Ftólcuporto anda pelas ruas da amargura anelando por uma mudançazinha na sua equipa, nomeadamente que a mesma jogue bem, um joguito que seja. Aqui temos, já mudámos de tema, para o futebol, e de assunto, para o Ftólcuporto.
No princípio da época, carregadinho de modesta cagança, Vítor Pereira atirava para o ar, sem ninguém lhe perguntar nada, que “esperava não estragar o potencial que tinha entre mãos”. O que é que lhe aconteceu? Tal como a primeira experiência onanista de Eduardo Mãos de Tesoura, correu-lhe tudo tragicamente mal, acabando por estropiar dolorosamente o tal potencial que “tinha entre mãos”.

11/21/2011

Darwinismo Patronal vs Lamarckismo Operário



Portugal é o palco de um conflito insanável, brutal, doloroso. Dois opositores brutais, cruéis, monstruosos, bestiais, digladiam-se nesta arena ajardinada à beira mal plantada. O sangue corre em golfadas oceânicas, encarnadas torrentes de horror. Horror tão inefável e horrendo como a quantidade de advérbios de modo que o Moyle usará desnecessariamente neste post.
Bom, mas o Moyle estava a brincar. De certa forma, estava a iludir os caríssimos leitores de maneira a que estes pensassem que iam embarcar numa qualquer épica aventura. Mea culpa, assume o Moyle contritamente. Como punição, o Moyle aceita que cortem as unhas dos pés enquanto lerem estas tretas, ou muito prosaicamente levem o portátil para o w.c., no caso terem ficado mesmo muito ofendidos com a brincadeirinha insolente do primeiro parágrafo.
O Moyle estava a enveredar no parágrafo inicial por uma visão tremendista de um facto natural, tão natural como a vontade mictar quando se visita uma catarata. Quer dizer, uma catarata mas daquelas em que há muita água e barulho e spray e ficamos com a fronha toda encharcada e tal. Esta clarificação torna-se necessária porque parece que há outras cataratas em que, em vez de ficarmos com o trombil encharcado e os óculos a precisar de limpa pára-brisas, ficamos com os olhos cheios de leite e não vemos absolutamente nadinha. Enfim, mas divagamos bizarramente…
O conflito que se vive em Portugal é um conflito natural pela sobrevivência e só nesse aspecto é especificamente brutal. Quer dizer, tão brutal como só a Natureza, naturalmente, consegue ser. Maniqueistamente, reduzamos este choque brutal a dois contendores.
De um lado temos a classe trabalhadora, espécie geralmente menor em termos de qualidades intrínsecas mas mais numerosa em termos do número de efectivos que compõem a sua população. Têm um quadro comportamental efectivamente típico de presas e comportam-se, normalmente, como bovinos.
Do outro lado, temos a classe patronal. Um número de espécimes obviamente mais pequeno, mas tipicamente predadores. Mais subtis, mais agressivos, mais inteligentes, de uma rapacidade voraz, alimentam-se alarvemente de trabalhadores. Normalmente organizam-se em aglomerações, a que a biologia apelida por “empresas”. E aqui notamos uma particularidade evolutiva porque, ao contrário de muitos outros predadores, este não são gregários, nem trabalham em equipa, mas reúnem-se e congregam-se temporariamente de forma a articular as razias junto da bovina classe trabalhadora.
No actual contexto de transformação do biótipo, ambas os contendores lutam arduamente até à morte pela própria sobrevivência.
Eis-nos portanto num ponto em que precisamos de ferramentas epistemológicas que nos permitam compreender e explicar racionalmente este mundo cão em que vivemos actualmente. Como reduzimos a nossa sociedade a dois irredutíveis grupos de animais, os que comem e os que são comidos, talvez seja avisado recorrermos, facciosamente, simploriamente, incoerentemente e de forma falaciosa intelectualmente, a teorias biologistas.
Consideremos, de uma perspectiva lamarckista, a classe das presas, isto é os trabalhadores. Vejamos a primeira lei de Lamarck, a de uso e desuso dos órgãos. Os animais da classe trabalhadora deixaram, há já algum tempo, de usar os órgãos que tinham antigamente ao seu dispor para afrontar os ataques dos predadores patronais. Segundo Lamarck, tal significa que tais órgãos definham, atrofiam, até que perdem qualquer utilidade e finalmente desaparecem. Ora, como o meio ambiente hostil da democracia actual não incentiva grandemente ao uso dos órgãos de autodefesa dos animais trabalhadores, estes têm tendido ao descrito estiolamento.
Saltemos para a segunda lei de Lamarck, a lei dos caracteres adquiridos. De acordo com esta lei - precisamente aquela que ditou o desprestígio de Lamarck perante o triunfo da selecção natural darwinista - as alterações sofridas pelos organismos ao longo da vida são transferidas geneticamente para a sua descendência. Aplicando-a empiricamente às bestas em análise temos que as constantes amputações de direitos e de dignidade social dos trabalhadores tendem a ser passadas por estes aos descendentes. Estes desenvolvem-se sem direitos e dignidade e, na realidade, não lhes fazem aparentemente falta nenhuma. De certa forma era como virmos agora lamentar termos nascido sem escamas dorsais salientes. Além de não fazerem sentido em nós, mamíferos, faria com que dificilmente usássemos mochilas e aí vinha a ruína dos parques de campismo (e sim, é só para isso que verdadeiramente servem as costas e as mochilas).
De um ponto de vista darwiniano, a sobrevivência das espécies pressupõe que estas sejam capazes de, no seu interior, gerar alguma diversidade genética que, mais tardiamente, será o ponto de partida da selecção natural pelo meio social, em termos de evolução. Concretizando, o meio social dominado por predadores empresariais favoreceu a sobrevivência [selecção natural] dos espécimes da classe trabalhadora mais dóceis, com maior tolerância à dor no dobrar da cerviz, menos críticos e mais dormentes, mais eficientes em termos energéticos - capazes de comer menos e de, mesmo assim, debitarem continuamente energia laboral [variação], que naturalmente passam estas características às gerações seguintes [hereditariedade], num esforço, sempre incentivado pelo meio, de prolongamento do servilismo da espécie.
Tem havido, ao longo das décadas que entremeiam o desenvolvimento destas teorias e a actualidade, um aproveitamento do discurso conceptual e corpus metodológico das ciências naturais para operacionalizar uma renovação das ciências sociais. Desesperadamente, estas ansiavam pela legitimidade intelectual que a postura mentalmente cientifista de Oitocentos atribuía apenas à aquisição que fosse mensurável da realidade e uma construção racionalista do conhecimento.
Desenvolveram-se visões de darwinismo social que pretendiam explicar a Sociedade e resolver problemas sociais através da aplicação da selecção natural aos grupos humanos. Contextualmente aqui se insere a afirmação de um dos elementos destacados da rapace classe patronal de que apenas os mais fortes sobreviverão depois desta crise.
Embora a 2ª lei de Lamarck não tenha sido viável cientificamente, sobrepujada pelo vigor explicativo da selecção natural darwinista, o lamarckismo não perde completamente a sua força. Na realidade, a lei do uso e do desuso dos órgãos (1ª lei) não é desprovida de qualidades, mesmo em socialmente. A falta de uso dos órgãos de protecção dos trabalhadores apesar de ter vindo a provocar a atrofia e estiolamento dos mesmos, ainda não significou o seu completo desaparecimento. É que se, por um lado, o desuso destes órgãos provoca o seu definhamento, por outro lado, é precisamente a inverificabilidade da 2ª lei que nos deve dar o alento a esperarmos melhorias das gerações vindouras.
Na realidade, os caracteres adquiridos – leia-se a bovinidade social e política da espécie trabalhadora – não se transmitem geneticamente – leia-se socialmente – às gerações descendentes. Daí advém, precisamente, que algum definhamento desses órgãos numa geração não significa o completo desprovimento dos mesmos por parte das gerações seguintes. Embora por questões de conforto e manutenção de status quo os predadores sempre tenham considerado as presas lamarckicamente, lembra o Moyle que essa consideração não é cientificamente válida e que, numa visão darwinistamente amigável, arriscam-se os predadores empresariais a serem brutalmente violados pelas presas trabalhadoras. Mas isto socialmente e economicamente, claramente.