12/07/2011

A Extrema-Unção

Aquilo que Vítor Gaspar vê como uma bênção, o resto do país percebe como a extrema-unção.

12/06/2011

A Fenomenologia do Ser(vo)


O Moyle não sabe se se lembram do ainda candidato a candidato Passos Coelho andar a inventar obras filosóficas. Caso se lembrem, parabéns, caso não se lembrem, parabéns!
De qualquer maneira, em vez de inventar filosofias fenomenológicas, Passos Coelho devia era ler as Confissões de Santo Agostinho, para aprender alguma coisa sobre o Tempo, nomeadamente o 'Tempo de se pôr a andar das nossas vidas'.

12/02/2011

Ave Mundi Luminar



Segundo a especiosa jóia que nos governa os bolsos, o Estado Social é um sucesso. Tem, segundo a pessoa inteligente, culta, honesta e extremamente competente que preside ao Ministério das Finanças e, desse modo, a todos os ministérios, muito mais benefícios que custos. Talvez por isso, o corte brutal nas áreas sociais do Estado. Excepto na segurança interna, claro está.
O Moyle nem vai comentar o facto de se reduzir um conceito ideológico, político e filosófico complexo e denso como o de “Estado Social” a um mero somatório de custos, benefícios e a um maniqueísta sucesso ou insucesso. O senhor é tecnocrata, homem de acção e, portanto, pensamentos de profundidade não só são inúteis como desaconselhados. Até porque em vez de se pensar deve-se andar a fazer coisas. A dar uso à competência técnica e tal. Com certeza e faz favor! Se estiver a incomodar, o Moyle arreda-se.
No entanto - até porque tem que haver sempre uma adversativa que muito inocente e pobremente tenta criar em vós, ilustres leitores, uma ilusória sensação de surpresa - será mesmo que o Estado Social é um sucesso?
É com o peito em sangue que o Moyle levanta uma, ainda que ridícula, dúvida sobre a afirmação da mundi luminar que nos ministeria as finanças. Compreendam que não é por mal, é para somente exaltar mais fortemente o brilho da preciosa pérola que amorosa e paternalmente nos aligeira o peso das algibeiras. E bem sabemos como há problemas cervicais em Portugal por excesso de peso nos bolsos. É um doce, o nosso Gasparzinho. Mas continuemos.
Pensando em Estado Social pensamos em alfabetização. Segundo uma fonte insuspeita, quase 1 milhão de portugueses não sabem ler nem escrever. Bom, mas estes deve ser um aspecto marginal. Afinal temos que esperar que os velhos morram e tal para a taxa melhorar. Muito pouco o Estado Social pode fazer neste aspecto. Ao menos, valha-nos isso, os que aprenderam a ler e a escrever aprenderam bem e são gente culta e instruída. Ou talvez nem por isso.
Bem, se calhar é precipitado começar a louvar o sucesso do Estado Social na garantia de toda a sociedade a uma educação básica e secundário eficazes e elevatórias do nível cultural, social e cívico da população. Mas não queremos com isto apoucar a radiosa afirmação da estrela do Norte do nº1 da Avenida Infante D. Henrique. Muito pelo contrário.
Saltemos até à saúde para louvar o brilhante papel do Estado Social no acesso de todos os portugueses a cuidados de saúde. Realce para a generalização dos médicos de família a todas as famílias portugueses. Ou melhor, a quase todas segundo o governo. Bom, se calhar ainda há coisas a fazer na saúde, mas a oferta de intervenções cirúrgicas é verdadeiramente exemplar. Ou… se calhar, nem tanto.
Justiça. A Justiça é sempre uma boa forma de aferir do avanço civilizacional de uma sociedade e, nesse aspecto, Portugal dá cartas. Nomeadamente na capacidade de responder rapidamente e com justiça aos problemas dos cidadãos. Os tribunais portugueses são um caso extraordinário com uma eficiência a toda a prova com apenas dois milhões de processos… atrasados?! Bem, a justiça é lenta mas funciona, como se viu na… Casa Pia, BPN, Freeport, Submarinos e Face Oculta! Pormenores. Deixemo-los em paz.
Pensemos na redistribuição da riqueza. Além dos serviços prestados pelo Estado, é a partir da distribuição equitativa da riqueza que se afere a efectiva pujança da intervenção social do estado e no caso português não há dúvidas quando sabemos que o número de portugueses pobres se cifra nuns marginais… 20%!? Bom, mas todo o país é pobre. Os portugueses são pobres mas a distribuição de riqueza é justa, certo?
Eh pá, o Moyle já não sabe se o Estado Social será um sucesso assim tão retumbante. Mas, com tão graves insuficiências, o que levará o competentíssimo e imarcescível Vítor Gaspar a fazer uma afirmação destas? De certeza que este paladino da verdade e da justiça não nos iria mentir… Que estará mal nesta paisagem? Dúvidas, dúvidas, dúvidas…

11/30/2011

Pornografia e Bolas



O Moyle saúda-se a si próprio por este muito bem-vindo regresso às questões desportivas.
Foram de facto um fim e um início de semana emocionantes desportivamente. No sábado houve lugar ao estrangulamento de um - aparentemente - felídeo de médias proporções com os vermelhos a prosseguirem um périplo de “matar um leão por dia” para conseguirem levar a bom porto os seus intentos. Nenhuma novidade, portanto.
Após a refrega futebolística houve lugar a fogueira na bancada. Foi fofo mas talvez a despropósito, arriscaria o Moyle. Por um lado já é tarde para o S. Martinho. É demasiado cedo para os santos populares. Estando boa parte dos moços daquele sector das bancadas com cachecóis a tapar a cara e com gorros, frio supõe-se que não teriam. Como se justifica a fogueirola? Bem, o Moyle arriscaria fome. Resta aqui, contudo uma dificuldade. Se fizeram a fogueira por fome não calcularam bem a coisa porque o porco já tinha levado com um espeto, sim, mas do outro lado da vedação, por um lado, e do outro lado das leis da gravitação, por outro [não esquecer que o relvado fica ligeiramente abaixo da bancada calcinada]. Foi uma fumarola pífia porque não puderam grelhar lá grande coisa.
No domingo a emoção continuou, com o dragão a treinar o treinador que ainda está a aprender a treinar o seu dragão. Um dos aspectos a melhorar é uma minudência. Ainda assim, na medida em que o diabo está nos detalhes, não de todo despicienda. No centro de estágio monocromático azul e branco, durante a semana, se calhar seria aconselhável começar fazer durar os treinos 90m, ou mais. O sistema actual de se treinar durante 85m apenas poderá eventualmente tornar-se aborrecido. Depois do jogo, houve lugar ao espancamento habitual do repórter de serviço e voilá, temos os adeptos portistas mais descansados com o regresso à normalidade.
Deixando o fim-de-semana e saltando para o início da dita, realce para a notícia de que os espectáculos de índole pornográfica e obscena serão taxados a 23% e os bilhetes para assistir a jogos de futebol também, de acordo com a lei do Orçamento de Estado em apreço e discussão nos dias que correm.
Duas ou três palavrinhas: uma, duas… três... Já está. Agora mudando novamente para o assunto do parágrafo anterior, mudando-se, para tal, de parágrafo para o seguinte.
Não se discute a bondade da ideia que altera a tributação em sede de IVA dos bilhetes de futebol, equiparando-os a espectáculos pornográficos e obscenos, até pela proximidade entre ambos. Os sportinguistas saíram f***dos do estádio da Luz e o repórter da TVI saiu com a tromba f***da do estádio do Dragão.
Embora não se discuta quer a necessidade como o a propósito desta medida fiscal que equipara as duas formas de entretenimento, há no entanto algumas espinhas a esburgar. Qual é a vantagem de subir o IVA nos bilhetes de um jogo de futebol entre o Paços de Ferreira e o União de Leiria? Ou entre num Portimonense contra o Beira-Mar? 23% de 0 é igual a 6% de 0. Se, por outro lado os estádios têm já tão pouca gente, esta medida, naturalmente engordadora dos bilhetes ou emagrecedora dos proventos dos clubes, afastará ainda mais os poucos adeptos que ainda comparecem.
Naturalmente que o futebol é um negócio e não deve ter regalias só porque sim, mas os clubes têm camadas etárias inferiores de competição, em vários desportos, que mantêm ocupados putos em actividades saudáveis e pedagógicas, como as desportivas. Sem receitas, sendo já magras as que recebem da bilheteira, poder-se-á pôr em causa uma função social que o Estado não têm a mínima hipótese de sequer equiparar.
Quando as camadas jovens dos clubes desportivos começarem a definhar, o Moyle sugere-lhes que se dediquem a outra actividade equiparada em termos fiscais. Os espectáculos pornográficos e obscenos. Pressupõe actividade física, mas uma mais agradável que andar a correr para trás e para a frente. É mais provável ouvir ofegos do que urros ululantes. Exige alguma coordenação psico-motora mas tem a vantagem de ser mais fácil atingir o estatuto de “atleta profissional”.
 Pornografia é o futuro. Se pensarmos bem nisso, a pornografia gera mais dividendos aos Estados Unidos do que o futebol a Portugal. Só precisamos de começar a realocar recursos, nomeadamente recursos humanos, e teremos meio caminho andado para aumentar as exportações.

11/29/2011

Post(e) 504

Bom, caros e fofinhos amigos, eis-nos aqui a comemorar mais uma data sonora de 500 post(e)s no Moyle. É costume celebrar os números redondos, nomeadamente as centenas inteiras mas o Moyle não é dessas coisas e de seguir a maioria, gostando de afirmar solenemente a sua individualidade e diferença idiossincrática.
A celebração do post(e) 504 não tem nada a ver com o facto de o Moyle ter deixado passar despercebido o número 500. Não tem mesmo nada a ver com esquecimentos. É uma questão de individualização militante.

11/25/2011

Santíssima Produtividade

Em nome da santíssima produtividade defende-se tudo em mais alguma coisa. Nomeadamente, defende-se que aqueles que usam os seus direitos inalienáveis são maus patriotas.
Podemos admitir que a greve é uma coisa estúpida. É verdade! Nomeadamente as greves de um dia! Porque os regimes estão adaptados a esta e outras formas de luta dos trabalhadores. Honestamente os sindicatos têm uma imaginação limitada e bastante inócua nos dias que correm. Alguém dever-lhes-ia dizer que o século XIX já passou. Há um século atrás! Mas continuando. De uma maneira, ou de outra, a greve é um direito.
O governo actual, tanto quanto foi dado a entender ao Moyle hoje - em que não leu, nem viu, nem ouviu notícias (greve é greve), não se meteu na idiotice de anunciar valores na casa de 1/10 em relação às estrututas sindicais. No entanto, não se coibiu de vir, basicamente, dizer que todos têm que trabalhar porque não é com folgas a meio da semana que se resolvem os problemas da nação.
As folgas não resolvem nada, mas a noção de produtividade destes economistas de trazer por casa também não! Já aborrece um bocadinho a culpa ser sempre do Moyle, vossa e de todas as pessoas que trabalham, de uma maneira geral. 
E que tal se considerássemos que os portugueses, em Portugal, não produzem mais porque o trabalho, em Portugal, não vale uma merda! Se déssemos um bocadinho, pequeno que fosse, de atenção a esta ideia peregrina, talvez as medidas políticas fossem um bocadinho menos absurdas, gravosas e incompreensíveis.
Em nome da produtividade, o Moyle estará amanhã na Gulbenkian para apreciar a exposição sobre a Perspectiva das Coisas.
Até ao próximo post. Portem-se bem e sejam fofos para os vossos patrões. A vossa vida depende disso!


11/23/2011

Teatro dos Sem Sonhos



Toda a gente fala de economia, desemprego, emigração, zonas de conforto, Troika, austeridade, impostos, vida acima das possibilidades, renegociações, prazos, dívida, greve, sindicatos, orçamento, inflação, finança, PIB, bancos, subsídio de férias, salário mínimo, médio e máximo, aldrabices políticas, etc..
Antes deste governo, toda a gente falava de economia, desemprego, emigração, zonas de conforto, Troika, austeridade, impostos, vida acima das possibilidades, renegociações, prazos, dívida, greve, sindicatos, orçamento, inflação, finança, PIB, bancos, subsídio de férias, salário mínimo, médio e máximo, aldrabices políticas, etc..
Curiosamente, ninguém reclama do desmantelamento meticuloso e aparentemente inapelável de um serviço de saúde igualitário e acessível a todos os portugueses, mesmo que ganhem os relativamente abonados salários mínimos.
Ninguém parece muito preocupado com o corte de verbas para financiamento do Ensino Superior ao mesmo que aumenta imenso o financiamento das instituições privadas de ensino e se afirma, impudicamente, que só cresceremos economicamente através de mais-valias económicas resultantes do aumento da competitividade de base tecnológica das nossas empresas.
Alguém reparou que, do acordado com a troika, a Educação e a Saúde viram os cortes do financiamento públicos aumentados algumas 10 vezes? Terão reparado no facto seguinte: se, para cumprir os acordos assumidos internacionalmente, o governo português cortou 10 vezes mais na Educação e na Saúde, onde diabos terá deixado de cortar? Se repararam ninguém pareceu preocupar-se por aí além.
De igual modo, quando foi eliminado o ministério da cultura, alguém notou? Não. Queixaram-se meia dúzia de mamões que se dizem artistas e intelectuais e vivem impunemente à custa de subsídios pagos por todos através do erário público, mas esses nem contam.
Teatro? Há que deixar à iniciativa privada e à criatividade financiada pela publicidade. Note-se o brilhante trabalho de desenvolvimento das artes dramáticas em Portugal levado a cabo pela TVI e pela SIC. C’um raio, se até ganham prémios internacionais.  Deixemos o teatro para os espectáculos de fim de trimestre nas escolas, um pouco por todo o país. De qualquer modo, as escolas têm que servir para alguma coisa.
Pouca gente notou, então, quando foi anunciada a eliminação do ministério da cultura. Os que notaram – excluindo aqui os referidos mamões que se auto-intitulam artistas – acalmaram-se pois haveria uma secretaria de estado da cultura [mais ou menos a mesma coisa] à frente da qual estaria uma personalidade insuspeita em termos culturais. Do mal, o menos, pensaram.
Há coisas que, no entanto, são curiosas. Se Francisco José Viegas foi genericamente aceite, ou não muito atacado, vá, como insuspeita personalidade de cultura… ou melhor, se Francisco José Viegas é uma personalidade da cultura, como raio se pôs a jeito para fazer parte de uma fantochada de cultura em Portugal?
Talvez fosse o momento de se assumir que, não sendo uma ditadura totalitária, o estado português não tem nada que intervir na produção cultural do país. Mas se assim é, para que raio se mantém um espectro de incentivo estatal à produção cultural? E se Francisco José Viegas era aceite como sendo uma pessoa de cultura e da cultura, porque carga de água se pôs a jeito para servir [a falta de] interesses culturais governamentais?
Paradoxos? Naaaaaaaaaaaa, não engulam essa. Coincidências? Pfffffffffff, muito menos. Estranho? Siiiiimmmmmmmmmmmmmm, sem margem para dúvida! Mas, enfim, ninguém parece preocupar-se por aí além. Se calhar quem não se preocupa é que tem razão. Preocupar-nos para quê? Pensar é estar doente dos olhos, afirmava o pastor. Vejamos passar a vida e não deixemos que a vida passe por nós. No fim morremos todos. Para quê enervarmo-nos?

11/22/2011

Como Treinares o Teu dragão


Até parece mal que o Moyle não se refira ao desporto-rei há já tanto tempo. Indecente, verdadeiramente indecente esta ausência. É que tem sido sempre mais do mesmo: política, palermices avulsas, palermices políticas, políticas e políticos palermas, tudo isto embrulhado em parvoíce e literariamente muito mal amanhado. Já faltava uma mudançazinha, ainda que episódica, de tema e de assunto, embora o mau amanho literário seja para manter.
Não só o Moyle e os seus leitores estão desesperados por uma pequena mudança, mas também o treinador do Ftólcuporto anda pelas ruas da amargura anelando por uma mudançazinha na sua equipa, nomeadamente que a mesma jogue bem, um joguito que seja. Aqui temos, já mudámos de tema, para o futebol, e de assunto, para o Ftólcuporto.
No princípio da época, carregadinho de modesta cagança, Vítor Pereira atirava para o ar, sem ninguém lhe perguntar nada, que “esperava não estragar o potencial que tinha entre mãos”. O que é que lhe aconteceu? Tal como a primeira experiência onanista de Eduardo Mãos de Tesoura, correu-lhe tudo tragicamente mal, acabando por estropiar dolorosamente o tal potencial que “tinha entre mãos”.

11/21/2011

Darwinismo Patronal vs Lamarckismo Operário



Portugal é o palco de um conflito insanável, brutal, doloroso. Dois opositores brutais, cruéis, monstruosos, bestiais, digladiam-se nesta arena ajardinada à beira mal plantada. O sangue corre em golfadas oceânicas, encarnadas torrentes de horror. Horror tão inefável e horrendo como a quantidade de advérbios de modo que o Moyle usará desnecessariamente neste post.
Bom, mas o Moyle estava a brincar. De certa forma, estava a iludir os caríssimos leitores de maneira a que estes pensassem que iam embarcar numa qualquer épica aventura. Mea culpa, assume o Moyle contritamente. Como punição, o Moyle aceita que cortem as unhas dos pés enquanto lerem estas tretas, ou muito prosaicamente levem o portátil para o w.c., no caso terem ficado mesmo muito ofendidos com a brincadeirinha insolente do primeiro parágrafo.
O Moyle estava a enveredar no parágrafo inicial por uma visão tremendista de um facto natural, tão natural como a vontade mictar quando se visita uma catarata. Quer dizer, uma catarata mas daquelas em que há muita água e barulho e spray e ficamos com a fronha toda encharcada e tal. Esta clarificação torna-se necessária porque parece que há outras cataratas em que, em vez de ficarmos com o trombil encharcado e os óculos a precisar de limpa pára-brisas, ficamos com os olhos cheios de leite e não vemos absolutamente nadinha. Enfim, mas divagamos bizarramente…
O conflito que se vive em Portugal é um conflito natural pela sobrevivência e só nesse aspecto é especificamente brutal. Quer dizer, tão brutal como só a Natureza, naturalmente, consegue ser. Maniqueistamente, reduzamos este choque brutal a dois contendores.
De um lado temos a classe trabalhadora, espécie geralmente menor em termos de qualidades intrínsecas mas mais numerosa em termos do número de efectivos que compõem a sua população. Têm um quadro comportamental efectivamente típico de presas e comportam-se, normalmente, como bovinos.
Do outro lado, temos a classe patronal. Um número de espécimes obviamente mais pequeno, mas tipicamente predadores. Mais subtis, mais agressivos, mais inteligentes, de uma rapacidade voraz, alimentam-se alarvemente de trabalhadores. Normalmente organizam-se em aglomerações, a que a biologia apelida por “empresas”. E aqui notamos uma particularidade evolutiva porque, ao contrário de muitos outros predadores, este não são gregários, nem trabalham em equipa, mas reúnem-se e congregam-se temporariamente de forma a articular as razias junto da bovina classe trabalhadora.
No actual contexto de transformação do biótipo, ambas os contendores lutam arduamente até à morte pela própria sobrevivência.
Eis-nos portanto num ponto em que precisamos de ferramentas epistemológicas que nos permitam compreender e explicar racionalmente este mundo cão em que vivemos actualmente. Como reduzimos a nossa sociedade a dois irredutíveis grupos de animais, os que comem e os que são comidos, talvez seja avisado recorrermos, facciosamente, simploriamente, incoerentemente e de forma falaciosa intelectualmente, a teorias biologistas.
Consideremos, de uma perspectiva lamarckista, a classe das presas, isto é os trabalhadores. Vejamos a primeira lei de Lamarck, a de uso e desuso dos órgãos. Os animais da classe trabalhadora deixaram, há já algum tempo, de usar os órgãos que tinham antigamente ao seu dispor para afrontar os ataques dos predadores patronais. Segundo Lamarck, tal significa que tais órgãos definham, atrofiam, até que perdem qualquer utilidade e finalmente desaparecem. Ora, como o meio ambiente hostil da democracia actual não incentiva grandemente ao uso dos órgãos de autodefesa dos animais trabalhadores, estes têm tendido ao descrito estiolamento.
Saltemos para a segunda lei de Lamarck, a lei dos caracteres adquiridos. De acordo com esta lei - precisamente aquela que ditou o desprestígio de Lamarck perante o triunfo da selecção natural darwinista - as alterações sofridas pelos organismos ao longo da vida são transferidas geneticamente para a sua descendência. Aplicando-a empiricamente às bestas em análise temos que as constantes amputações de direitos e de dignidade social dos trabalhadores tendem a ser passadas por estes aos descendentes. Estes desenvolvem-se sem direitos e dignidade e, na realidade, não lhes fazem aparentemente falta nenhuma. De certa forma era como virmos agora lamentar termos nascido sem escamas dorsais salientes. Além de não fazerem sentido em nós, mamíferos, faria com que dificilmente usássemos mochilas e aí vinha a ruína dos parques de campismo (e sim, é só para isso que verdadeiramente servem as costas e as mochilas).
De um ponto de vista darwiniano, a sobrevivência das espécies pressupõe que estas sejam capazes de, no seu interior, gerar alguma diversidade genética que, mais tardiamente, será o ponto de partida da selecção natural pelo meio social, em termos de evolução. Concretizando, o meio social dominado por predadores empresariais favoreceu a sobrevivência [selecção natural] dos espécimes da classe trabalhadora mais dóceis, com maior tolerância à dor no dobrar da cerviz, menos críticos e mais dormentes, mais eficientes em termos energéticos - capazes de comer menos e de, mesmo assim, debitarem continuamente energia laboral [variação], que naturalmente passam estas características às gerações seguintes [hereditariedade], num esforço, sempre incentivado pelo meio, de prolongamento do servilismo da espécie.
Tem havido, ao longo das décadas que entremeiam o desenvolvimento destas teorias e a actualidade, um aproveitamento do discurso conceptual e corpus metodológico das ciências naturais para operacionalizar uma renovação das ciências sociais. Desesperadamente, estas ansiavam pela legitimidade intelectual que a postura mentalmente cientifista de Oitocentos atribuía apenas à aquisição que fosse mensurável da realidade e uma construção racionalista do conhecimento.
Desenvolveram-se visões de darwinismo social que pretendiam explicar a Sociedade e resolver problemas sociais através da aplicação da selecção natural aos grupos humanos. Contextualmente aqui se insere a afirmação de um dos elementos destacados da rapace classe patronal de que apenas os mais fortes sobreviverão depois desta crise.
Embora a 2ª lei de Lamarck não tenha sido viável cientificamente, sobrepujada pelo vigor explicativo da selecção natural darwinista, o lamarckismo não perde completamente a sua força. Na realidade, a lei do uso e do desuso dos órgãos (1ª lei) não é desprovida de qualidades, mesmo em socialmente. A falta de uso dos órgãos de protecção dos trabalhadores apesar de ter vindo a provocar a atrofia e estiolamento dos mesmos, ainda não significou o seu completo desaparecimento. É que se, por um lado, o desuso destes órgãos provoca o seu definhamento, por outro lado, é precisamente a inverificabilidade da 2ª lei que nos deve dar o alento a esperarmos melhorias das gerações vindouras.
Na realidade, os caracteres adquiridos – leia-se a bovinidade social e política da espécie trabalhadora – não se transmitem geneticamente – leia-se socialmente – às gerações descendentes. Daí advém, precisamente, que algum definhamento desses órgãos numa geração não significa o completo desprovimento dos mesmos por parte das gerações seguintes. Embora por questões de conforto e manutenção de status quo os predadores sempre tenham considerado as presas lamarckicamente, lembra o Moyle que essa consideração não é cientificamente válida e que, numa visão darwinistamente amigável, arriscam-se os predadores empresariais a serem brutalmente violados pelas presas trabalhadoras. Mas isto socialmente e economicamente, claramente.

11/15/2011

Não! Estão enganados, não é erro ortográfico!

Esta figurinha de meia tigela vem sugerir uma sublevação militar em Portugal. Este merdas, que contribuiu fortemente para destruir a viabilidade da anterior sublevação militar, vem dar-se ares de defensor da democracia.
Podia parecer que o Moyle tinha acordado mal disposto e com vontade de destilar bílis e tinha apanhado este triste a jeito e feito dele vítima de males alheios. Podia parecer isso. Mas não!
Este gajo anda há mais de 30 anos a mugir a vaca de resistente anti-salazarista e de coordenador de operações na revolta militar do 25 de Abril. Mesmo nessa altura, em que fez o que pôde e o que não pôde para entregar o poder roubado a um tiranete a outros que tais, e desde então não fez a ponta de um corno em prol da democracia. 
Apesar do que [não] fez em prol da democracia, teve mesmo direito a enrolar-se escabrosamente com a Julie Sergeant, quando verdadeiros heróis da revolução tiveram direito a merdosos e de gosto duvidoso bustos sujeitos à diarreia de pombos. Onde está a justiça nisto? Que moral tem este merdas para vir sugerir revoluções, ou algo que se pareça? 
Se bem me recordo, embora não tenha idade para tal, este gajo esteve por detrás de um movimento, extraordinariamente democrático, que limpou o sebo a dúzia e meia de gajos - dos quais um puto de 4 meses - rebentou com bancos, casas privadas e carros em plena via pública. 
Venham as lições de democraticidade, que estamos ansiosos por elas. Vindas de um gajo que, se não fosse a maneira portuguesa de fazer as coisas, ou melhor, a maneira portuguesa de não fazer as coisas, estaria por agora a sair da pildra. Mas percebe-se. Portugal é um país evoluído, culto, inteligente, avançado e respeitador das liberdades individuais, nomeadamente a de opinião. 
Se o líder de um grupo de ideológicos ladrões de bancos, estava por detrás do assassinato de gente porque não concordava com a opinião política deles, tudo bem. Tem direito à opinião dele, não há prisão para ninguém e não se fala mais disso. 
Mas além de tudo isso, que não cheira efectivamente bem, há mais qualquer coisa que, por seu turno, não soa bem nesta história de revoltas militares e tal. 
Expliquem-me isto se souberem, mas quem raio é o idiota que vem anunciar nos meios de comunicação social uma revolução? Talvez por deficiente entendimento, admite-se, mas o Moyle estava sob a convicção de que sublevações, revoltas e revoluções eram preparadas em segredo, de forma a garantir a sua eficácia a coberto do efeito surpresa. E aqui reside um dilema difícil de resolver. Vamos ver.
Será Otelo Saraiva de carvalho efectivamente um converso à democracia? Será na realidade um génio da estratégia? Ou tivemos uma sorte descomunal em '74 quando este badamerdas estava à frente da coordenação da insurreição militar?
Anunciar previamente a possibilidade de um levantamento militar poderia ser, por um lado, um golpe de mestre em termos estratégicos. O regime democrático prepara-se e antecipa o golpe pondo-se a jeito para o aparar e defender-se em seguida. Deste prisma, teríamos um Otelo efectiva e finalmente convertido à causa democrática, pondo ao serviço desta a sua argúcia estratégica. 
Por outro lado, anunciando a possibilidade de uma nova insurreição militar, para se dar ares de uma grandeza snob, nascida de frustrações passadas, acaba por esvaziar essa hipótese para um futuro imediato porque toda a gente ficou a saber entretanto de que esse acontecimento seria viável. Esta tese, redundaria na pura sorte como explicação para o sucesso táctico dos militares em '74, pois um idiota destes teria sempre conseguido estragar uma boa organização.
Mas há ainda uma 3ª hipótese, a mais dramática de todas. Carvalho incentiva a revolta dos militares para os poderes públicos civis pensarem que já não serão apanhados de surpresa e que qualquer acontecimento desse tipo é inviável e, quando o vento mediático deixar a poeira assentar e toda a sociedade repousar numa artificial sensação se segurança, PUMBA! temos a revolução.
Embora perturbadora, esta última hipótese não se coloca, parece ao Moyle. Na realidade, um gajo que andou a mandar tiros nas pernas a monstruosos empresários que não conseguiam pagar salários, fazia rebentar carros em vias públicas repletas de perigosíssimos e insidiosos civis desarmados e assaltava bancos pelo mero apelo ideológico até pode ser um Rambo, mas um Rambo sem M. 

11/10/2011

O Espectro da Impotência Socialista


Toda a inflamação em redor da eleição do secretário-geral socialista há uns meses, toda a crispação entre os intervenientes nesse tipo de disputas políticas, todo o empolamento mediático a que teve direito, toda a hipertrofia mediática em redor da sucessão de Sócrates... todas estas tretas, poderiam fazer crer que o Partido Socialista estava vivo, forte, rijo. Poderia parecer que o socialismo em Portugal estava dotado de uma erecção política monstruosa, pulsátil de ideias, mantida em riste e intimidantemente apontada ao governo tricolor (leia-se: laranja, amarelo e azul). 
Mas não! A erecção socialista revelou-se pífia, de uma flacidez ideológica confrangedora. 
É certo que o socialismo português foi fortemente esgalhado pelo anterior líder. Igualmente factual é que, mesmo nessa altura, não viveu de potência ideológica, resultando a performance política de uma espécie de medicamentos. Ou seja, o Viagra político do PS foi um certo carisma de Sócrates e a sua aldrabice pegada, ambos em posologias generosas. Mas continuando.
Todos em coro fizeram o funeral político a Sócrates, que foi ler Schopenhauer para Paris, e fez muito bem que isto por aqui é uma piolheira. Todos, fora mas também dentro do PS, foram lestos em lamentar o rasto de destruição que o covilharuco deixara no partido e os anticorpos que gerara numa sociedade portuguesa que estava um pouco sentida, e talvez mesmo aborrecida, por ser constante e permanentemente aldrabada. 
Nesse sentido, António José Seguro prometia (mas só pelas razões apontadas no primeiro parágrafo, porque pela elevação e densidade ideológica da discussão com Francisco Assis tivemos uma amostra do preciso contrário) devolver a tesão ideológica e política ao PS. Fazer circular de novo o sangue da democracia social, assente num Estado que serve a sociedade através da economia.
No fim de contas o que temos? 
Temos, por um lado, a sociedade portuguesa ardendo em desejo a pedir vigor ao PS e, por outro lado, calhou-nos um António José Seguro a sancionar toda e qualquer merda, por mais indecente, indecorosa, injusta e mesmo ilegal, que o PSD/CDS aprove. Isto é, temos o PS de Seguro sem tusa, mole e flácido, que discute muito mas que no fundo não desenvolve porque continua com medo de fantasmas.

11/09/2011

Fronhas


Começa a ser já cansativo pela recorrência com que é repetida a constatação da desfaçatez com que os nossos governantes se dirigem ao eleitorado e à opinião pública. Embora comece já a cansar tamanha repetição o Moyle, sempre dado ao absurdo e com pouca sensibilidade para o bom senso, volta a repisar essa mesma questão.
O Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, o ilustríssimo Sr. Dr. Miguel Relvas, afirmou ontem que o actual Orçamento de Estado não tem almofada para poupar os contribuintes à guilhotinagem dos seus subsídios de férias e de natal.
Apelativa imagem, a da almofada não deixando de ser, no entanto, curiosa a sua escolha para figurar num discurso de um ministro da República. De facto, causa alguma estranheza a inexistência de almofadas orçamentais para os trabalhadores que poupem um trambolhão aos contribuintes ao mesmo tempo que as tetas da infeliz República continuam plenas para alimentar mamões que acumulam pensões, recebem subsídios de deslocação e gerem empresas públicas que dão prejuízos avultados.
Se tudo isto é importante, talvez até nem seja. O que não podem negar ao Moyle é que tudo isto é muito curisoso.

11/07/2011

Democracia-cristã com e sem espinhas


O Moyle homenageia hoje uma das figuras centrais da nossa governação, a ministra da Agricultura, Ambiente, Mar e Ordenamento do Território. 
Poucos se darão conta de que, num mundo de tubarões, faz uma gigantesca falta uma sereia que anime as hordas de eleitores.
Dito isto, o Moyle reitera que faz falta uma sereia bela, esbelta, interessante, apelativa que anime o eleitorado visualmente, porque a parte de cantar para distrair está mais que atingida.

11/04/2011

Peso Pesado Político Português


Tornou-se já uma referência recorrente no discurso político nesta adorável e improvável terreola, a menção às gorduras do Estado. De facto, se escreverem a expressão «gorduras do Estado» no Google [eu filtrei a busca aplicando a opção 'notícias'], por exemplo, aparecer-vos-ão instantaneamente (0,09 segundos no meu caso) centenas de resultados (206 no meu caso).
Este é um assunto interessante. Se não for um assunto interessante, será certamente um assunto curioso. Se nem um assunto curioso for, é sem dúvida um assunto. Mas adiante.
A relação do Estado com a gordura é ambígua. Por um lado, o Ministério da Educação corta no investimento e desprestigia o Desporto Escolar. Transmite desta forma que não cede a demagogias externas. Nomeadamente, a que considera existir um problema de obesidade infantil em Portugal. Este é, portanto, um mito conspirativo inventado pela OCDE para prejudicar a economia nacional, oxidando a imagem pública dos comerciantes de guloseimas que, num laivo de genial empreendedorismo, abrem os seus estabelecimentos junto a escolas, e da poderosíssima indústria da refinação açucareira nacional.
Por outro lado, o próprio Estado vive uma aflitiva situação de obesidade mórbida, tendo neste momento mais tecido adiposo do que muscular, faltando-lhe ossatura estrutural que sustente tamanho peso e, bem pior que tudo isso - se alguém não se pode levantar pode bem viver sentado, deitado ou reclinado - a gordura acumulado no Estado português já começou, há bastante tempo, a ocupar o lugar daquilo que deveria ser o "cérebro" nacional. 
Quando a metáfora organicista começar a chatear avisem, está bem fofinhos?
Sabendo nós, Moyle inclusive, que os políticos portugueses têm sempre razão. Na realidade,  o que de negativo acontece ao país tem sempre origem exógena, naquela gigantesca conspiração de judeus sionistas, alta finança, maçonaria e Vaticano - sendo sempre fofinho da nossa parte fazermos uma remissão para a imprensa humorística, como o Avante!. Sabendo nós, como sabemos, que os políticos portugueses têm sempre razão, se eles dizem que o Estado está Gordo - não é apenas roliço, anafado, gorducho, forte, ou outros eufemismos - como um pote de banhas obesos e nojento, nós acreditamos.
Portanto [pode-se usar um portanto para iniciar um parágrafo?], o Moyle está disposto a apoiar o emagrecimento radical que falece ao nosso país sugerindo que comecemos, precisamente, pela eliminação das camadas adiposas acumuladas e que entravam o bom funcionamento do resto do organismo nacional. 
Que tal começarmos por excisar, ainda que a pedrada, as lípidas inutilidades que se acumulam no topo da cúpula política e partidária do nosso país? Uma lipoaspiração à base de paulada! 
Tal como naquele concurso abjecto transmitido pela SIC, o mote poderia ser o mesmo: Ganha quem perde! Se estas bolas de sebo que nos governam se perdessem, que ganharia seríamos todos nós.

10/28/2011

Chupistas e Cães Danados


Era uma vez uma meiga donzela.
Uma donzela presa num terrível dilema.
Um terrível dilema de amor.
Um amor nascido sob um terrível plenilúnio.
Um plenilúnio que gesta não só um monstro.
Um monstro é gerado e um não-ser.
Um não-ser espectral e feito de vácuo.
Um vácuo asmático que caminha e suga ao ser a sua chama.
Uma chama que nos olhos lhe inflama um incêndio.
Um incêndio também rasga o peito ao monstro.
Um monstro terrível, lupino, de ígnea e sanguínea voracidade.
Uma voracidade de amar até à consumição.
Uma consumição e um vazio que devem ser escolha.
Uma escolha da meiga donzela num dilema.
Um dilema que não é o da própria donzela.
Uma donzela incapaz de fugir ao infortúnio.
Um infortúnio sob o espectro do terrível plenilúnio.



P.S. (O não-ser chupista todos conhecem, o monstro voraz da direita é o chefe dos lobos da CIP [eu pus este PS porque se visse a imagem dele em qualquer lado não o conheceria, não é por duvidar da vossa capacidade de actualização em relação aos figurões que mandam em nós e nos comem vivos].)

10/25/2011

Eros Laranja e Psique Estranja


É tremendo o fascínio que une os chefes de governo portugueses à líder alemã. Apesar do nome da teutónica figura, de certo que não é no seu temperamento angelical, na doçura da sua fala, no seu ameno rosto que se alicerça tão elevada torre de fascínio.
Talvez seja pelo exuberante par de mamas que ostenta a chanceler, quando em vestido de cerimónia, que entrevemos um arremedo de compreensão desta estranha e algo tétrica atracção. Afinal de contas, não é à toa que os chefes de governo portugueses são chefes de governo e portanto movidos por altíssima rotação de cariz sexual, como se nota pelo gigantesco número de cidadãos e cidadãs que sodomizam infatigavelmente, a cada decreto-lei; e não é à toa que são portugueses, logo machos latinos que se pelam por um par de lácteas tetas – citando o imortal e zarolho vate.
Deve ser por ser português mas não chefe de governo que o Moyle não compreende esta obsessão com a ampla donzela teutónica. Mas voltemos ao tema em apreço e às possibilidades alegóricas das figuras mitológicas escolhidas, potencialidades que, sem dúvida, o Moyle desbaratará e, com elas, o vosso tempo.
Não é de estranhar a identificação dos Primeiros-ministros com a divindade helénica de Eros. Na verdade, os líderes lusos mostram-se sempre langorosos, apaixonados, empenhados em criar o amor e a concórdia entre os homens. Naturalmente, esse amor desencadeia sempre violentos acessos de fúria sexual relativamente aos traseiros dos eleitores mas, relativamente a outros líderes políticos e tubarões económicos, é setinhas para aqui e suspiros e promessas de beijos para ali, e etc.
Passando uma vista de olhos transversal pelo mito de Eros e Psique de Apuleio, ficamos a saber que a proverbial soberba de Eros, que despeja setinhas para seu próprio divertimento e independentemente das conveniências amorosas dos visados pelos seus disparos, se vira contra ele, acabando a alada amorosa divindade arqueira por sair, literalmente, queimada da relação com Psique. A coisa é mais complicada do que isto mas isso não interessa nada porque de qualquer maneira acabaria por estragar a [pouca] piada que o conceito imanente a este post e à imagem podem ter à partida.
Aqui, no castigo à soberba de Eros, reside a ligação, ténue admite-se, à imagem que sobreleva este texto. Apesar da mãozinha marota que gentilmente aperta o mamilo de Psique, apesar das juras de amor eterno que indubitavelmente debita em indómitas torrentes apaixonadas, reparem bem na imagem e vejam quem, neste casal, fica com o pacote alçado à disposição do destino [e notemos que o Destino é mais forte que os deuses, para os gregos clássicos] e quem tem na mão a flecha destinada a ser espetada.
Já não é a primeira vez que acontece, e não será a última – o tempo circular clássico assim o dita – que apesar de se contentar com apalpar as mamas às Psique alemã, o Eros português é que acaba por ver o rabinho posto à prova, acabando por levar por “ele” acima a seta que supostamente deveria atirar.

8/21/2011

D. Pixote e S. Xupança


O duo dinâmico da nossa governança é um moço que se diz dado a perseguir ideais grandiosos e nobres e tudo e mais alguma coisa. No entanto, desde o início da demanda, o que mais tem feito é contar-nos histórias de épicos e medonhos e sangrentos combates contra... moinhos de vento, fantasmas e espectros. E mesmo assim já conseguiu enfardar um banano na pança!
A outra metade desta dupla destruidora vai andando assim mais na sombra - quer-se dizer, não é ele que tem a obrigação de dar a fronha - mas a maior parte da história acaba por passar por ele. Nomeadamente a parte relativa à xupança de "contribuições" aos "contribuintes".

Estas duas palavras são maravilhosas, se pensarmos bem nelas. Já reparam como "contribuição" transmite uma ideia de colaboração, de ajuda, de voluntarismo? Então, por que diabo a maior parte dos "contribuintes" se sente delapidado quando "contribui"? Não há por aqui, no meio destas moitas, um oxímoro qualquer escondido? A associação entre política e linguística é um vasto e maravilhoso prado à espera de fortes mãos que o amanhem, fecundem e dele colham saborosos frutos de sabedoria.

Era para brincar com a imagem e já fiz dois posts num. Nada mau.

8/03/2011

Kwan Dao Fiscal


Aqui vai uma homenagem ao nosso melhor amigo nos próximos quatro anos. Já tinha falado antes do Passinhos de Lagomorfo, mas é esta personagem que manda mesmo em todos os ministérios.