11/04/2011

Peso Pesado Político Português


Tornou-se já uma referência recorrente no discurso político nesta adorável e improvável terreola, a menção às gorduras do Estado. De facto, se escreverem a expressão «gorduras do Estado» no Google [eu filtrei a busca aplicando a opção 'notícias'], por exemplo, aparecer-vos-ão instantaneamente (0,09 segundos no meu caso) centenas de resultados (206 no meu caso).
Este é um assunto interessante. Se não for um assunto interessante, será certamente um assunto curioso. Se nem um assunto curioso for, é sem dúvida um assunto. Mas adiante.
A relação do Estado com a gordura é ambígua. Por um lado, o Ministério da Educação corta no investimento e desprestigia o Desporto Escolar. Transmite desta forma que não cede a demagogias externas. Nomeadamente, a que considera existir um problema de obesidade infantil em Portugal. Este é, portanto, um mito conspirativo inventado pela OCDE para prejudicar a economia nacional, oxidando a imagem pública dos comerciantes de guloseimas que, num laivo de genial empreendedorismo, abrem os seus estabelecimentos junto a escolas, e da poderosíssima indústria da refinação açucareira nacional.
Por outro lado, o próprio Estado vive uma aflitiva situação de obesidade mórbida, tendo neste momento mais tecido adiposo do que muscular, faltando-lhe ossatura estrutural que sustente tamanho peso e, bem pior que tudo isso - se alguém não se pode levantar pode bem viver sentado, deitado ou reclinado - a gordura acumulado no Estado português já começou, há bastante tempo, a ocupar o lugar daquilo que deveria ser o "cérebro" nacional. 
Quando a metáfora organicista começar a chatear avisem, está bem fofinhos?
Sabendo nós, Moyle inclusive, que os políticos portugueses têm sempre razão. Na realidade,  o que de negativo acontece ao país tem sempre origem exógena, naquela gigantesca conspiração de judeus sionistas, alta finança, maçonaria e Vaticano - sendo sempre fofinho da nossa parte fazermos uma remissão para a imprensa humorística, como o Avante!. Sabendo nós, como sabemos, que os políticos portugueses têm sempre razão, se eles dizem que o Estado está Gordo - não é apenas roliço, anafado, gorducho, forte, ou outros eufemismos - como um pote de banhas obesos e nojento, nós acreditamos.
Portanto [pode-se usar um portanto para iniciar um parágrafo?], o Moyle está disposto a apoiar o emagrecimento radical que falece ao nosso país sugerindo que comecemos, precisamente, pela eliminação das camadas adiposas acumuladas e que entravam o bom funcionamento do resto do organismo nacional. 
Que tal começarmos por excisar, ainda que a pedrada, as lípidas inutilidades que se acumulam no topo da cúpula política e partidária do nosso país? Uma lipoaspiração à base de paulada! 
Tal como naquele concurso abjecto transmitido pela SIC, o mote poderia ser o mesmo: Ganha quem perde! Se estas bolas de sebo que nos governam se perdessem, que ganharia seríamos todos nós.

10/28/2011

Chupistas e Cães Danados


Era uma vez uma meiga donzela.
Uma donzela presa num terrível dilema.
Um terrível dilema de amor.
Um amor nascido sob um terrível plenilúnio.
Um plenilúnio que gesta não só um monstro.
Um monstro é gerado e um não-ser.
Um não-ser espectral e feito de vácuo.
Um vácuo asmático que caminha e suga ao ser a sua chama.
Uma chama que nos olhos lhe inflama um incêndio.
Um incêndio também rasga o peito ao monstro.
Um monstro terrível, lupino, de ígnea e sanguínea voracidade.
Uma voracidade de amar até à consumição.
Uma consumição e um vazio que devem ser escolha.
Uma escolha da meiga donzela num dilema.
Um dilema que não é o da própria donzela.
Uma donzela incapaz de fugir ao infortúnio.
Um infortúnio sob o espectro do terrível plenilúnio.



P.S. (O não-ser chupista todos conhecem, o monstro voraz da direita é o chefe dos lobos da CIP [eu pus este PS porque se visse a imagem dele em qualquer lado não o conheceria, não é por duvidar da vossa capacidade de actualização em relação aos figurões que mandam em nós e nos comem vivos].)

10/25/2011

Eros Laranja e Psique Estranja


É tremendo o fascínio que une os chefes de governo portugueses à líder alemã. Apesar do nome da teutónica figura, de certo que não é no seu temperamento angelical, na doçura da sua fala, no seu ameno rosto que se alicerça tão elevada torre de fascínio.
Talvez seja pelo exuberante par de mamas que ostenta a chanceler, quando em vestido de cerimónia, que entrevemos um arremedo de compreensão desta estranha e algo tétrica atracção. Afinal de contas, não é à toa que os chefes de governo portugueses são chefes de governo e portanto movidos por altíssima rotação de cariz sexual, como se nota pelo gigantesco número de cidadãos e cidadãs que sodomizam infatigavelmente, a cada decreto-lei; e não é à toa que são portugueses, logo machos latinos que se pelam por um par de lácteas tetas – citando o imortal e zarolho vate.
Deve ser por ser português mas não chefe de governo que o Moyle não compreende esta obsessão com a ampla donzela teutónica. Mas voltemos ao tema em apreço e às possibilidades alegóricas das figuras mitológicas escolhidas, potencialidades que, sem dúvida, o Moyle desbaratará e, com elas, o vosso tempo.
Não é de estranhar a identificação dos Primeiros-ministros com a divindade helénica de Eros. Na verdade, os líderes lusos mostram-se sempre langorosos, apaixonados, empenhados em criar o amor e a concórdia entre os homens. Naturalmente, esse amor desencadeia sempre violentos acessos de fúria sexual relativamente aos traseiros dos eleitores mas, relativamente a outros líderes políticos e tubarões económicos, é setinhas para aqui e suspiros e promessas de beijos para ali, e etc.
Passando uma vista de olhos transversal pelo mito de Eros e Psique de Apuleio, ficamos a saber que a proverbial soberba de Eros, que despeja setinhas para seu próprio divertimento e independentemente das conveniências amorosas dos visados pelos seus disparos, se vira contra ele, acabando a alada amorosa divindade arqueira por sair, literalmente, queimada da relação com Psique. A coisa é mais complicada do que isto mas isso não interessa nada porque de qualquer maneira acabaria por estragar a [pouca] piada que o conceito imanente a este post e à imagem podem ter à partida.
Aqui, no castigo à soberba de Eros, reside a ligação, ténue admite-se, à imagem que sobreleva este texto. Apesar da mãozinha marota que gentilmente aperta o mamilo de Psique, apesar das juras de amor eterno que indubitavelmente debita em indómitas torrentes apaixonadas, reparem bem na imagem e vejam quem, neste casal, fica com o pacote alçado à disposição do destino [e notemos que o Destino é mais forte que os deuses, para os gregos clássicos] e quem tem na mão a flecha destinada a ser espetada.
Já não é a primeira vez que acontece, e não será a última – o tempo circular clássico assim o dita – que apesar de se contentar com apalpar as mamas às Psique alemã, o Eros português é que acaba por ver o rabinho posto à prova, acabando por levar por “ele” acima a seta que supostamente deveria atirar.

8/21/2011

D. Pixote e S. Xupança


O duo dinâmico da nossa governança é um moço que se diz dado a perseguir ideais grandiosos e nobres e tudo e mais alguma coisa. No entanto, desde o início da demanda, o que mais tem feito é contar-nos histórias de épicos e medonhos e sangrentos combates contra... moinhos de vento, fantasmas e espectros. E mesmo assim já conseguiu enfardar um banano na pança!
A outra metade desta dupla destruidora vai andando assim mais na sombra - quer-se dizer, não é ele que tem a obrigação de dar a fronha - mas a maior parte da história acaba por passar por ele. Nomeadamente a parte relativa à xupança de "contribuições" aos "contribuintes".

Estas duas palavras são maravilhosas, se pensarmos bem nelas. Já reparam como "contribuição" transmite uma ideia de colaboração, de ajuda, de voluntarismo? Então, por que diabo a maior parte dos "contribuintes" se sente delapidado quando "contribui"? Não há por aqui, no meio destas moitas, um oxímoro qualquer escondido? A associação entre política e linguística é um vasto e maravilhoso prado à espera de fortes mãos que o amanhem, fecundem e dele colham saborosos frutos de sabedoria.

Era para brincar com a imagem e já fiz dois posts num. Nada mau.

8/03/2011

Kwan Dao Fiscal


Aqui vai uma homenagem ao nosso melhor amigo nos próximos quatro anos. Já tinha falado antes do Passinhos de Lagomorfo, mas é esta personagem que manda mesmo em todos os ministérios.

7/31/2011

A Mão que Embala o Berço


Já repararam que o Paulo Portas nunca anda nas bocas do mundo, mediático, quando desempenha cargos públicos? Não acham isso curioso, sobretudo depois das insinuações de Ana Gomes há uns meses?
Com tanta viagem do nosso actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Moyle até se sente mais seguro. Quase tão seguro como o próprio ministro embalado nas mãos da comunicação social. Melhor, o Moyle sente-se tão descansado neste momento em Portugal que vai passar uns dias ao Luxemburgo. É sempre bonito visitar o 3º Mundo, para aferir da sorte que temos por cá.



Ficam agendadas algumas publicações nestas próximas semanas mas, na medida em que não terei acesso à internet, os comentários e as visitas às vossas excelsas criações bloguísticas ficarão para finais de Agosto. Claro que isto fica sem efeito se aparecer nas notícias entretanto a queda de alguma avião e tal.

7/14/2011

Os Imortais IV


Lembram-se dos Imortais? Não, nada disso. Não são esses, esses, esses ou esses, nem - valha-nos o Santíssimo - esses, sequer esses.
Os Imortais de que vos fala o Moyle, caso não - "Oh suprema afronta", estejais recordados são, para nossa grande miséria, este, este e ainda este.
Vamos lá ver, então. Isto não é apenas um paroxístico exercício de exponencial sadismo em que um Moyle vestido de metafórico cabedal preto vos faz sofrer horrores com um gato-de-nove-rabos figurativo.
Notem que os nove rabos correspondem, curiosamente [ou não!], ao número de hiperligações dos primeiros dois parágrafos. No entanto, tirando a choca da Mafalda Veiga, o castigo miserável que o Moyle vos impõe é lembrar-vos dos últimos três links. Não só das figuras referidas nos posts hiperligados, mas da lamentável e deprimente prosa moyleana desses mesmos posts.
Mas adiante que a prosa vai extensa. Há já algum tempo que a descoberta de Imortais entre figuras públicas portuguesas estava tão adormecida como um vulcão islandês.
Tivemos algumas confirmações de anti-imortalidade no mundo do espectáculo, da política, dos negócios, e uma dúvida pendente [sim, é mesmo à Sónia Brasão a referência aqui], mas detecções de imortais... népias, nicles, nadinha este tempo todo. Até que...
Na segunda-feira, o Moyle deslocou-se à capital da antiga região da Estremadura, conquistada em 1147 pelo conde portucalense Afonso, filho do conde borgonhês Henrique e da princesa leonesa Teresa. Em português medieval escrevia-se Tareja e, sabendo nós que o J é um letra abichanada que dá para os dois lados, por um lado vogal e por outro consoante, não deixa de ser engraçado chamar Tareia à senhora. But I digress...
Estávamos, portanto, em Lisboa. A ida a Lisboa prendia-se com a vontade de ir, por um lado e muito naturalmente, larear a pevide, ou "laurear a pubide" como se diz um pouco por todo o lado e tem muito maior impacto quando pretendemos demonstrar o comportamento de "correr o cão", "vadiar", "passarinhar", tanto faz, e, por outro lado, fazer de conta que essa vadiagem servia para qualquer coisa na prática, dando-se ares de intelectual, apreciador de alta cultura, das artes, tanto faz. A ida recaiu, obviamente, num museu, neste caso no Museu Calouste Gulbenkian. Se não souberem, este Gulbenkian era um arménio, nascido na Turquia, com nacionalidade britânica, negócios no Iraque e no Panamá, que morreu em Portugal e está enterrado em França.
Meus amigos e fiéis leitores, foi ali precisamente, no museu da fundação criada por um arménio, nascido na Turquia, com nacionalidade britânica, negócios no Iraque e no Panamá, que morreu em Portugal e está enterrado em França, que o Moyle descobriu provas da existência de mais um Imortal entre nós.
Reparem na imagem publicada acima, um quadro do pintor Pascal-Adolphe-Jean Dagnan-Bouveret, de 1887, com o título Les Bretonnes au Pardon. Além do estilo naturalista, com laivos de academismo e realismo, o que nos interessa é o pormenor da terceira senhora a contar da direita para a esquerda, aquela coradinha sentada que é, na realidade, a única virada completamente para o observador.
Já reconheceram o zombeteiro, apesar da travestimento? É ele mesmo, coisinhas ricas, muito bem! É o fedorento felídeo televisivo Ricardo Araújo Pereira [RAP daqui para a frente].
Ao contrário dos anteriores imortais detectados pelo Moyle, este tem a vantagem de alegrar um pouco o pessoal com zombarias, momices e outros regabofes. Muitos dos quais, à custa das deprimências provocadas pelos outros imortais. Contudo, as coisas podem não ser assim tão simples.
Estaremos perante uma trupe de palhaços que não morrem? Será que os outros fazem parte do mesmo sketch e nós é que não nos apercebemos? Eles metem os pés pelas mãos politicamente e esta moça "goza" com eles fazendo os outros rir? Se assim não fosse, porque estaria RAP vestido de mulher na Bretanha do século XIX, numa festa religiosa?
Ou será uma coisa pior?
Estaremos perante uma conspiração de imortais para nos sugar a energia, a vida e a paciência, sendo que as palermices de RAP servem apenas para mascarar as malfeitorias dos outros imortais convenientemente encostados ao mundo da política? Quantos mais haverá por aí?
Antes de dar em maluco, a tentar atar pontas de congeminações conspirativas, o Moyle vai deixar a questão por aqui. Fornece-vos as provas e pistas. O resto... o resto está fora das suas mãos. Pensem por vocês, está nas vossas.

7/10/2011

A Última Fronteira

Parece que a Maria José foi empurrar nogueiras para cima. Bom, é a vida e, como se costuma dizer, estar vivo nunca acabou bem para ninguém.
De qualquer maneira, mais do que uma predisposição para a horizontalidade, ou mesmo o abandono da criatividade na escolha das máscaras de Carnaval, este episódio na vida da Maria é o abrir de portas para novas oportunidades [vantagens de quem é católico].
Já estou a imaginar a antiga deputada independente/do CDS/do PSD, a partir do seu jazigo, a começar por baixo, fazendo-se notada reclamando melhores guarnições funerárias para os defuntos que não têm mais que uma campazinha rasa com saibro e uma tabuleta metálica com o número de talhão a branco.
Quando achar que os que não têm velas nem flores estiverem do seu lado, disputará a liderança do seu talhão, depois da sua álea para, finalmente, tentar governar toda a necrópole. No entanto, dificilmente chegará à liderança, acabando por, certo e sabido, acusar os seus cadavéricos concorrentes à liderança de assaltar o poder.
De qualquer maneira, estará destinada a fazer parte de uma agremiação minoritária dentro do espectro funerário. Mais dia menos dia, em reuniões sepulcrais, acabará por chamar palhaço a um qualquer expirado que não concorde com ela.

7/07/2011

O Génio da Banalidade

Como fica sempre bem citar gajos mortos, aqui fica uma homenagem à feliz pérola de Saramago sobre Cavaco Silva, esse autor de refinadas pérolas.




Eu dei conta que a Maria José foi empurrar nogueiras para cima. Fica para brevemente.
Link

7/02/2011

John Player Special

Compreende-se, muito naturalmente, que o Primeiro-Ministro se esteja a cagar para o Natal.

Não é nada de especial na realidade, pois até o yours truly não se pode considerar grande fã dessa época do ano. Ainda assim, o Moyle acredita que a razão de fundo é outra, tendo muito pouco a ver com a prevenção de uma situação de incumprimento de metas financeiras em que ainda nem sequer estamos. Mas enfim, cortes abruptos na despesa e caldos de galinha...

Voltando ao que dizíamos, o Moyle suspeita que o nosso actual Primeiro-Ministro não é um "gajo do Natal". Não parece mesmo ser a cara do fulano. Na realidade, o nosso Primeiro tem Páscoa escrita all over his face. Porque será? De onde virá esta convicção moylémica?

À falta de melhor justificação, deve ser por o Chefe do Governo se chamar Coelho!

6/25/2011

тройка 三人 ثلاثي トリオ ত্রয়ী

Vamos lá ver se o néctar dos deuses, que as duas principais personagens da nossa governação partilham nos dias que correm, não avinagra por circunstâncias de maior, ou menor nobreza.

6/16/2011

A Reforma Agrária (Agora em Tons de Laranja)

É impressão do Moyle ou o rei da nossa República não fez a extremidade de uma haste de bovino [ou outro gado qualquer] para tornar verdadeiramente competitiva e moderna a agricultura nacional e agora, que tecnicamente não devia mandar, parece o rei Formoso a tentar obrigar a populaça a dar à enxada? Infelizmente, não o vejo a ameaçar com nova Lei das Sesmarias, isto é, se não trabalhas a terra ficas sem ela para quem a trabalhar. Achou por bem não. Na certa ainda o tomavam por um mini Estaline, em vez de um saudosista monárquico neomedievalizante.
Não foi este reizinho, este farol da nossa tristeza, que apostou, do alto da sua economia, num tipo de crescimento económico baseado no consumo, num país que não produz? O abandono dos campos não é do tempo desta lumen mundi? Não foi a nossa algarvia Estrela de Belém que construiu milhares de quilómetros de estradas, cuja qualidade de concepção e construção está à vista nas reparações de que necessitam já neste momento e nas centenas de fatalidades rodoviárias, mas estruturas de irrigação fundamentais para a agricultura népias? O projecto hidro-agrícola do Alqueva - entre outros que continuam a ver passar o padeiro - foi terminado sob a magnânima égide deste mago da governação?
De onde raio vem a autoridade para certas pessoas falarem em certas coisas e fazerem certas sugestões? Mas atenção, se Cavaco Silva admitir que in illo tempore fez bosta - daquela que agora se recomenda seja produzida em grande escala para adubar os campos que pretende cheios - e agora é que sabe isso e pretende contribuir para a correcção desses erros com bons e humildes conselhos/sugestões, já tem o voto do Moyle nas próximas presidenciais. Mas só se Cavaco Silva reconhecer isso com estas palavrinhas aqui escritas!
E sim, o Moyle sabe que o nosso actual presidente não pode concorrer três vezes seguidas, mas votaria nele na mesma.


Lei das Sesmarias, 1375

[fl. 1] Exordio da ordinhaçom da lavoira
[P]or que segundo diserom os antigos sabedores antre todalas artes e obras da policia e regimento do mundo nom foi achada nenhua melhor que a agricultura e per fecto e per razom natural se mostra que ela he maijs proveitosa e necessaria pera a vida dos homens e das animalias que Deus criou pera serviço do homem e aynda pera gaanhar e aver algo sem pecado e
com homrra e boa fama. E oolhando em esta razom nos Dom Fernando pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve e conseijrando commo per todalas partes dos nossos regnos ha defalicimento do pam e da cevada de que antre todalas terras e provincias do mundo soya seer muij abastada, e essas cousas som postas em tamanha carestia que aquelles que ham de manteer fazemda ou stado de qualquer graao de homrra nom podem chegar a aver essas cousas sem muij gram desbarato do que ham. Esguardando como antre todalas razoes per que este defalicimento e carestia vem a maijs certa e special he per mingua das lavras que os homens leyxam e se partem delas entendendo em outras obras e em outros mesteres que nom som tam profeitosos pera o bem comum. E as terras e herdades que soyam a seer lavradas e sementadas e que som convenhavijs pera dar pam e os outros fruitos por que se os poboos ham de manteer som desemparadas e deitadas em resios sem prol e com gram dapno dos poboos. Porem avendo sobresto nosso acordo e conselho com o Ifante Dom Joham nosso irmaao e com o Comde Dom Joham Afomso e com os outros prelados e prior do Hospital e e meestres da cavalaria e com os outros fidalgos e cidadaãos e homens boos dos nossos regnos que pera esto e peraoutras cousas do nosso serviço e prol dos dictos nossos regnos mandamos chamar pera se poer em esto remedio qual perteencia pera aver na terra avondamento das dictas cousas.

Ordinhaçom de como as herdades seia[m] lavradas

[S]tabelecemos e hordinhamos e mandamos que todolos que ham herdades suas proprias ou teverem emprazadas ou aforadas ou per outra qualquer guisa ou titolo per que ajam derecto em essas herdades, sejam costranjudos pera as lavrar e semear, e se o senhor das herdades per ssi nom poder lavrar todalas herdades que ouver por seerem muijtas ou em muitas desvairadas comarcas ou el for enbargado per alghua lijdema razom per que as nom possa per ssi lavrar todas, lavre parte delas per ssij hu el quiser e lhij mais prouguer quanto lavrar poder sem grande seu dapno e com meor seu encarrego a bem vista a detreminhaçom daquelles a que pera esto for dado poder. E [fl. 1v] as maijs faça lavrar per outrem ou as de a lavrador que as lavre e semee per sa parte ou penssom certa ou a foro asi como se melhor poder fazer de guisa que as herdades que som pera dar pam sejam todas lavradas aprofeitadas e sementadas compridamente commo for mester ou de cevada ou de milho per qual for e que maijs fruito e melhor possa dar em seus tempos e sazoes aguisadas. E outrossi sejam costranjudos pera averem e teerem cada huum tamtos boys pera lavrar quantos forem mester pera a lavoira segundo a quantia das herdades que ouver com as outras cousas que aa lavoira perteencerem.

Dos bois

[E] por que pode acontecer que aquelles que ham de seer costranjudos pera lavrarem e teerem bois pera a lavoira nom os poderam achar4 pera os comprar se nom por muij grandes preços maijs que o que valeriam aguisadamente. Teemos por bem e mandamos que sejam costranjudos aquelles que os teverem pera vender pera os darem aaquelles que os mester ouverem e os ham de teer por preços aguisados segundo for taussado per as justiças dos logares ou per aquelles que forem postos por veedores pera esto. E mandamos que pera comprar os bois e as outras cousas que som perteencentes pera a lavoira e outrossy pera começar de lavrar e aprofeitar as herdades que forem pera lavrar seja asignaado certo tempo aos que o de fazer ouverem que o façam e compram so[b] certa pea que sobresto seja posta. E se os senhores das herdades per sa negrigencia nom quiserem comprir todo esto que nos he ordinhado nem quiserem lavrar nem aproveitar essas herdades per si ou per outrem como dicto he as justiças dos logares ou aquelles a quem pera esto for dado poder dem essas herdades a quem as lavre e semeem por certo tempo e por penssom ou parte certa. E o senhor da herdade nom a possa filhar per ssi nem tolher durando o dicto tempo aa qual a quem assi for dada. E essa parte ou penssom que o lavrador ouver de dar seja pera o bem do Comum em cujo termho essas herdades jouverem. Mais nom seja dada nem despesa em nenhum huso se nom per nosso special mandado.

Dos mancebos e servidores

[O]utrossy por que os que soyam a seer lavradores e forom e os outros que ham razom de o seer. E os que teem herdades pera lavrar se scusam da lavoira por que dizem que nom podem aver mancebos que lhes fazem mester pera esto. E a muijtos daquelles que husavaom de lavrar e que serviam no mester da lavoira leixarom esse mester da lavoira e colherom se delles aos paaços dos ricos homens e fidalgos por haverem vivenda maijs folgada e mais solta e por filharem o alheo sem receo e delles por muij [fl. 2] grandes soldadas que lhes davam por servirem em outros autos e mesteres nom tam profeitosos commo he a lavoira. E outros que som perteencentes pera servir no mester da lavoira nom querem servir em ela e husam doutros oficios e mesteres de que se aa terra nom segue tamanha prol. E muijtos que andam vaadios per a terra chamandosse criados e scudeiros ou moços nossos ou do Ifante ou dalghum dos comdes ou doutros poderosos e homrrados por seerem coutados e defesos da Justiça nos maaes e forças e maleficios que fezerem nom vivendo na nossa mercee nem com nenhuum dos sobredictos. E alghuuns que se lançam a pedir smollas nom querendo fazer outro serviço e catam outras muijtas maneiras e aazos pera viverem ociosos e sem afam e nom servirem. E alghuuns filham avitos como de religiom e vivem apartadamente fazendo congregaçom, contra defensom de derecto nom entrando nem seendo professos em nenhua e de nenhua das ordees religiosas stabeleçudas e aprovadas pela Sancta Egreja nom fazendo nem husando de fazer alghua obra profeitosa ao bem do Comum e so fegura de religiosos e de sancta vida andam pelas terras e logares pedindo e juntando algo e enduzendo muitos que se juntem a elles e per seu enduzimento leixam os mesteres e obras de que husam e vam star e amdar com elles nom fazendo outro serviço nem outra obra de proveito. Porem teemos por bem e mandamos que todolos que forom ou soyam a seer lavradores e outrossy os filhos e netos dos lavradores e todolos outros moradores assi nas cidades e villas como de fora delas que ouverem de seu meor quantia de quinhentas libras quanto quer que seia meos dessa quantia de quinhentas libras e que nom ajam nem huse de tam proveitoso mester pera o Comum per que de razom e de derecto deva a seeer scusado de lavrar ou servir na lavoira, ou nom viver continoadamente com tal pessoa que o meresca e o aja mester pera obra de serviço profeitoso que todos e cada huum destes susodictos sejam costranjudos pera lavrar e husar do dicto mester e oficio da lavoira. E se nom teverem herdades suas que per ssi queiram e possam lavrar sejam costranjudos e apermados pera viverem com aquelles que os mester ouverem pera as lavoiras [fl. 2v] e os servham e ajudem a fazer essa obra de lavoira por soldada e preço aguisado segundo he taussado pelas ordinhaçoes que sobre esto som fectas ou segundo taussarem e alvidrarem aquelles que pera esto forem postos em cada huum logar. E qual quer que der ao mancebo ou aaquel que ouver de servir maijs que aquelo que for taussado pelos regedores dos logares ou por aquelles a quem pera esto for dado poder pague cinquoenta libras por a primeira vez e por a segunda cento e os que fazem lavra d’hi endeante pague essa quantia e demais seja lhj stranhado com pea de justiça como aaquel que quebranta leij e vai comtra mandado de seu rei. E estas penas sejam metudas em renda pera o bem do Comum e mandamos que quaes quer que acharem andar chamandosse nossos ou da Reinha ou do Ifante ou de qual quer outro que nom seja conhoçudo notoriamente por daquel de que se chama sejam logo presos e recadados pelas justiças dos logares pera se saber como e porque maneira vivem e as obras que fazem e de que husam. E se certidom nom mostrarem commo vivem e andam per recado certo ou por serviço daquelles cujos disserem que som que sejam costranjudos pera servir e se sevir nom quiserem sejam açoutados e todavia costranjudos pera servir por sas soldadas e taussadas commo dicto he.


Dos pedintes e religiosos

[E] por que a vida dos homens nom deve seer ociosa e a smolla nom deve soer dada se nom aaquel que per ssij nom pode gaanhar nem merecer per serviço de seu corpo porque se mantenha e segundo o dicto dos sabedores e dos sanctos doctores maijs justa cousa he de castigar o pedinte sem necessidade e que pode scusar de pedir fazendo alghua outra obra proveitosa que de lhi dar a smolla que deve soer dada a outros pobres que nom podem fazer a obra de serviço, porem mandamos que quaes quer que assi forem achados assi homens como molheres que andam allotando e pedindo nom husando de outro mester sejam vistos e catados per as justiças de cada huum logar e se acharem que som taaes e de taaes corpos e de tal hidade que possam servir em alghuum mester ou obra de serviço, posto que em alghua parte dos membros corporaaes sejam menguados po (sic) com toda essa [fl. 3] mengua podem fazer alghuum qual quer serviço sejam costranjudos pera servirem aquelas obras que as dictas justiças ou aquelles que pera esto forem postos virem que podem servir, por seu mantimento e por sa soldada segundo entendem que o podem merecer de guisa que nenhuum no nosso senhorio nom viva sem mester ou sem obra de serviço e de proveito. E aquelles que acharem andar ou viverem em avito de religiosos, que nom som professos, d’alghua das ordees aprovadas, como suso dicto he, digam lhes e mandem que vaam lavrar e husar do mester da lavoira fazendo sse lavradores per ssi se o fazer poderem e quiserem ou se nom que servham aos outros lavradores no mester da lavoira. E costrangam nos pera elo, sem outro meijo. E os que servir nom quiserem nem obrar do mester lhes mandarem, des que lhes for mandado que servham e obrem do dicto mester quaes quer que sejam das condiçoes suso dictas. Sejam açoutados por a primeira vez e costranjudos toda guisa pera servir e se d’hi endeante servir nom quiserem sejam açoutados com pregom e deitados fora de nossos regnos. E aquelles que forem achados tam fracos ou velhos ou doentes per tal guisa que nom possam fazer nenhua obra de serviço ou alghuuns envergonhados que ja fossem homrados e caerom em mijngua e pobreza de guisa que nom podem scusar de pedir smollas e nom som pera servir a outrem, dem lhes as justiças alvaraaes per que possam pedir sas smollas seguramente. E qual quer homen ou molher que acharem amdar pedindo sem recado ou sem alvara de justiça dem lhe a pea suso dicta. E pera se comprirem e poerem em obra estas cousas que assi per nos som ordinhadas teemos por bem e mandamos que em cada hua cidade e villa de cada hua comarca e provincia das correiçoes sejam postos dous homens boos dos melhores cidadaaos que em essas cidades e villas ouver os quaes ajam de saber e veer todas herdades que ha em cada hua comarca que som pera dar pam e nom som lavradas e façam que sejam lavradas e aprofeitadas pera pam e ajam poder pera costranger os senhores delas que lavrem ou façam lavrar e semear pela guisa que suso scripto e hordinhado he. E por que os senhores das herdades nom as querem dar a outros que as lavrem se nom por grandes penssoes ou por muij grandes rendas e os lavradores ou aquelles que as ouverem de lavrar [fl. 3v] nom as querem filhar se nom por muij pequenos preços ou muij pequenas quantias ou perventura sem nenhuum encarrego de dar penssom nem parte aos senhores dessas herdades. Porem e por nom averem ocasiom ou aazo nenhua das partes de se scusar e as herdades nom ficarem por lavrar teemos por bem e mandamos que estes dous homes boos que assi forem scolheitos commo dicto he em caso que se as partes nom possam avijr taussem e alvidrem quantia ou tamanha parte ou penssom os lavradores dem aos senhores das herdades e possam costranger e costrangam assi os senhores das herdades que as dem como os lavradores que as filhem pela stimaçom e taussaçom que assi fezerem e se perventura estes dous homes boos antre si forem em desvairo sobre a stimaçom ou taussaçom que ham de fazer, entom seja dado huum homem por terceiro pelo juiz do logar pera partir o desvairo que for antre os dous e comcordar no maijs ygual, segundo entender e compra se e aguarde sse o que per os dous em esta razom for comcordado. E se os senhores das herdades esto nom quiserem comsentir e comtra ello forem ou enbargarem per qualquer maneira per seu poderio percam essas herdades, e des entom sejam aplicadas ao Comum pera sempre e a renda delas seja filhada e recebuda pera a prol do comum do logar em cujo termho essas herdades jouverem.

Dos veedores e dos que ham de costranger pera servir

[O]utrossi teemos por bem e mandamos que os sobredictos homes boos que forem postos em cada huum logar do nosso senhorio enqueiram e sabham logo e assi adeante pelos tempos quaes e quantos som os que vivem e moram em esses logares assi naturaes delles como outros quaes quer que hi chegarem ou veherem de fora parte e que nom som meesteiraaees nem vivem per certos mesteres necessarios pera prol comunal ou nom viverem com alghuuns taaes que os merescam e os ajam mester pera os servirem. E outrossi dos mendigantes e dos outros que andam em avito de religiom. E esto meesmo seja manda[do] aos vintaneiros que som postos por guardadores das freeguesias e das [fl. 4] ruas e praças que dem recado a estes sobredictos dous homes de todalas pessoas que acharem e souberem cada huum em sa freeguesia rua ou praça da condiçom sobredicta per nomina que faça delles pera seerem costranjudos pera lavrar e semear pam na terra que lhes for dada per essa justiça e se nom poderem ou nom quiserem per si manteer lavoira, dem nos a quem os ouver mester pera lavrar e semear pam e nom pera outro mester nos logares e comarca hu ouver herdades e lavoiras de pam ou pera o lavor das vinhas, hu ouver vinhas, e a lavoira do pam defaleçer aaqual nossa entemçom he de acorrermos primeiro por a rrazom suso expressa por que nos movemos a fazer esta ordinhaçom. E taussem a esses mançebos e servidores seus preços e soldas aguisadas que ajam d’aver segundo ja suso dissemos. Po (sic) teemos por bem que nos logares hu se sempre costumou d’aver gaanha dinheiros10 e se nom podem scusar, que leixem tantos quantos pera esso forem necessarios per numero certo. E todolos outros que forem perteencentes pera servir sejam costranjudos pera o mester e oficio da lavoira pela guisa que dicto avemos. E pera esto que assi ordinhamos e mandamos fazer por serviço de Deus e prol de todos os do nosso senhorio nom seer torvado nem enbargado per nenhuum. Stabellecemos e mandamos que qualquer e de qualquer stado e condiçom que seja que per seu poderio e sem razom derecta defender ou enbargar per qualquer maneira fora de juizo alghuum daquelles que mandamos per esta ordinhaçom costranjer ou que forem costranjudos per aquelles a quem pera esto for dado poder ou oficio pera nom servirem, ou nom obrarem em aquelo que lhes for mandado que paguem a nos, se for fidalgo, quinhentas libras cada vez que o fezer, ou tentar de fazer e seja logo per esse fecto sem outra sentença de juizo sterrado do logar hu morar, e saya sse logo d’hi sem outro mandado e donde quer que nos stevermos a sex legoas e se fidalgo nom for, que pague trezentas libras e aja a dicta pena do dicto degredo. E sejam logo penhorados e costraanjudos e vendudos seus bees por a dicta quantia per a guisa que he per nos mandado que se vendam por as outras nossas dividas. E as justiças dos logares e outrossi aquelles a quem for dado poder pera comprir esto que per nos aqui he ordinhado o façam saber ao nosso sacador e ao nosso almoxarife [fl. 4v] e scrivam dos nossos derectos pera mandarem costranjer por as dictas quantias e se o nom fezerem ou forem em ello negligentes que esses juizes e veedores as paguem a nos em dobro.

Dos gaados

[O]utrossi por que alghuuns dos que heram lavradores e outros muijtos que poderiam seer se quisessem compram e gaanham grandes manadas e somas de gaados e os tragem e governam pelas coutadas e herdades alheas e compram as hervas e pacigoos dos senhores das herdades de que esses senhores das herdades ham algo. E esses senhores dos gaados vendem o sterco desses gaados e ham por ele algo e por esta razom huuns e os outros, assi os senhores das herdades como os dos gaados nom curam de lavrar e aprofeitar as herdades. Porem defendemos e mandamos que daqui adeante nom sofram nem consentam a nenhuum que aja nem traga gaados seus nem d’outrem, se nom for lavrador, ou nom mantever lavoira, ou for mançebo de lavrador que more com esse lavrador, pera o serviço da lavoira, ou pera guarda de seus gaados, ou outras obras perteencentes ao dicto mester da lavoira, e os que manteverem lavoira, ou quiserem seer lavradores e lavrarem herdade sua, ou d’outrem, ou viverem com esses lavradores, ou que manteverem lavra per esse mester da lavoira commo dicto he possam aver e trager gaados quantos lhes comprirem e mester ouverem pera seus mantijmentos e sostijmento de sas lavoiras aguisadamente sem pea e sem outro enbargo. E qual quer que do dia da publicaçom desta nossa ordinhaçom a tres meses ouver ou trouver gaados, se nom lavrar e semear herdade, se tempo e sazom for de lavoira e sementeira, ou se tempo nom for de lavrar e se nom obligar, com cauçom suficiente pera lavrar e semear ao tempo ou sazom convenhavijl pera elo, filhando logo, ou asignaando alghua herdade que pera o primeiro tempo que se siguir da lavoira aja de lavrar, perca todo o gaado que d’hi endeante trouver e ouver e seja lhj todo filhado pera o comum do logar hu esto acontecer e qual quer que o acusar e mostrar aja pera si o terço e esse gaado que assi for [fl. 5] filhado por do comum nom sejam desbarado nem despeso sem nosso special mandado se nom nos lavores e obras das fortelezas e reparamentos desses logares.

Dos mercadores
[C]omo a nos fosse denunciado per os concelhos e per os mercadores e per outros muijtos da nossa terra que muijtos mercadores doutras naçooes stranhas vivem e stam nos nossos regnos e som exemptos dos encarregos do comum e do nosso serviço e que pooem as mercadorias e cousas que tragem a este regno em qual monta e qual valia querem e compram e mandam comprar per todalas partes do regno as que acha na terra muij refeçes e tiram e levam as nossas moedas pera fora dos nossos regnos contra a nossa defesa e acrecentam em seus algos e requezas que enviam pera outras partes d’outros senhorios. E os mercadores nossos naturaaes que ham de sosteer os dictos encarregos do nosso serviço e do comum nom podem, antre [e]lles gaanhar nem fazer sa prol. E commo esto meesmo fosse per vezes dicto e denunciado aos reis que ante nos forom e mostrado o dapno que por esto os do regno recebiam e nom foi sobresto posto remedio. Esguardando nos que quanto compre ao nosso stado e ao bem publico dos nossos subgeitos seerem ricos e abastados que tanto maijs devemos e somos theudos de oolhar por prol dos nossos naturaaes, que dos stranhos e aredar aquelo per que lhes pode seer enbargado de fazer sa prol e acrecentar em seus algos. Porem com conselho da nossa corte e do Ifante Dom Joham nosso irmaao e do Comde Dom Joham Afomso e prior do Hospital e dos prelados e meesteres da cavalaria e dos outros fidalgos e cidadãos da nossa terra que sobre esto mandamos chamar. Ordinhamos e mandamos e defendemos que nenhuum mercador de fora dos nossos regnos nom compre per ssi nem per outrem nenhuum aver de peso, nem comesinho, salvo pera seu mantijmento, nem moeda, nem metal, nem nenhua outra mercadoria e nenhuum logar dos nossos regnos fora da cidade de Lixboa nem dem seus dinheiros a outros da nossa terra pera comprarem nenhuas mercadorias [fl. 5v] fora da dicta cidade e defendemos a todolos nossos naturaaes que nom filhem seus dinheiros nem outro seu aver per nenhuum titolo ou fegura de nenhuum comtrauto nem per outra maneira d’engano pera mercarem ou venderem fora da dicta cidade, salvo vinhos ou fruijta, ou sal, que outorgamos que possam comprar no nosso regno do Algarve e nos outros portos e logares do nosso regno em que nom he defeso pera costume antigo pera carregar e levar pera qualquer parte quiserem. E se aalem desto fezerem ou contra esto forem per qualquer maneira. Esses mercadores percam todo o que assi derem. E a qual quer que
filhar dinheiros ou outro aver dos ditos mercadores stranhos pera mercar, ou negociar em prol desses mercadores fora da dicta cidade, perca todolos bees que ouveer e sejam pera a coroa do regno. E el moira porem. E mandamos que na dicta cidade de Lixboa e nos portos dela os dictos mercadores possam comprar quaes quer mercadorias e empregar seus averes e os possam carregar e levar fora da nossa terra, salvo aquelles averes e cousas que per nos e per os reis nossos antecessores som defesas e vedadas que nom sejam tiradas do regno e mandamos que aquelles que passarem esto que per nos he defeso e ordinhado ou contra elo forem percam todolos bees que ouverem e lhes forem achados no nosso senhorio e sejam aplicados a nos. E os corpos stem obligados pera lhes seer stranhado com pea qual nossa mercee for. E mandamos que as justiças e veedores e vereadores dos logares aguardem e façam comprir e aguardar todo esto que per nos aqui he ordinhado e defeso. E se o contrairo fezerem ou em elo forem negligentes que percam todos os oficios e todolos bees que ouverem e sejam pera a coroa do regno. E outrossi mandamos aos nossos meirinhos e corregedores que requeiram e sabham pela guisa que fazem e compram aquelo que lhes per nos he mandado pera lhes darem a pea sobredicta se acharem que o nom aguardam ou em elo forem negligentese nos façam saber o que sobre todo obrarem e fezerem so pena dos oficios e dos corpos. [fl. 6]

Publicaçom de Saanctarem

[E]ra de mil e quatrocentos e treze annos vinte e sex dias de Maio, em Sanctarem, presentes Afomso Dominguez e Lourenço Gonçalvez vassallos d’el rey e do seu conselho e Gil Annes vassallo e sobrejuiz d’el rei na casa do civel e que tinha entom o seelo da dicta casa, e Joham Lourenço vassallo d’el rei e juiz por el na dicta villa e Gonçallo Dominguez procurador do dicto conçelho e presentes outros muitos homens boos que pera esto forom chamados e juntados no alpender do moesteiro de Sam Domingos forom publicadas e leudas per mim Gonçalo Perez scrivam da chançellaria estas ordinhaçoes suso scriptas. E logo per o dicto Afomso Dominguez foi mandado da parte do dicto senhor ao dicto juiz que com acordo dos vereadores e homes boos da dicta villa posesse homes boos e exsecutores certos pera fazer e comprir estas cousas que nas dictas ordinhaçooes he contheudo e per o dicto senhor mandado. E que esse juiz as fezesse comprir e aguardar em todo so[b] as peas em elas contheudas. Eu dicto Gonçalo Perez esta publicaçom screvi per mandado do dicto Afomso Dominguez vassallo e do Conselho do dicto Senhor

Publicaçom de Coimbra
[E]ra de mil e quatrocentos e treze anos primeiro dia de Junho na cidade de Coimbra presentes Gil Annes vassallo d’el rei e sobre juiz na casa do civel e Corregedor em essa casa e na dicta cidade e Gonçallo Migueeiz ouvidor do crime e Gonçale Annes sobrejuiz e Gonçalo Martinz procurador nos fectos d’ el rei e Afomso Martinz Alvernaz juiz por esse senhor na dicta cidade e outros muitos homens boos chamados e juntados pera esto forom publicadas e leudas estas ordinhaçoes suso scriptas. Eu Steve Annes scrivam da chançellaria da dicta casa esto screvi. Egidius Johanis

6/09/2011

Casta Diva


O Moyle não pode, nem deve, nem quer, tecer considerações e fazer julgamentos de valor sobre a mais recente diatribe da praça pública do burgo luso. Tal como a Assunção Cristas para a comunicação social, o Moyle não vai comentar o caso das insinuações de Ana Gomes, do PS, sobre o líder do CDS-PP, Paulo Portas. E, tal como Assunção Cristas para a comunicação social, o Moyle não vai comentar dizendo algumas coisas que irão aparecer, sensivelmente, no parágrafo seguinte.
É extraordinariamente português, demasiado português até, atirar postas de pescada para o ar e quem quiser que as apanhe. Desta vez a, volta e meia, envolvida em bate-bocas através dos media Ana Gomes atirou umas postas de pescada para o ar sobre o idoneidade de Paulo Portas. Não só sobre o Paulinho das Feiras, mas sobre potenciais consequências negativas que poderiam advir para a imagem internacional de Portugal no caso de certos comportamentos do Paulinho das Varinas virem a lume durante a sua magistratura enquanto Ministro.
Ana Gomes ainda atirou, juntamente com as postas de pescada, umas pedras de sal, para tapar os olhos ao pessoal que tentasse agarrar as ditas postas. Falou em submarinos, em desinformação no imbróglio da Casa Pia e tretas assim.
Mas o Moyle sabe que a Ana Gomes sabe que o Moyle sabe que a Ana Gomes sabe que o Moyle e todos nós sabemos que, ao chamar a atenção para a idoneidade do senhor da farta cabeleira que lidera o CDS, a Ana Gomes não se estava apenas, nem sequer sobretudo, a referir a casos públicos, ou de actuação pública, do Sr. Sorriso Colgate que manda no PP. Daí a referência ao Strauss-Kahn e a um escândalo de vida privada que tem embaraçado internacionalmente a França.
Foi com pena, mas mesmo muita pena, que o Moyle ouviu as declarações de Ana Gomes, sem que estas elaborassem para além de meramente atirar umas postas de pescada para o ar.
O Moyle não quer entrar aqui numa fruste discussão sobre o apropriado da intervenção de Ana Gomes, sobre o bom gosto e o bom senso. Isso interessa pouco e é matéria para mesa de café, editoriais, tribunais e Prós e Contras. O Moyle quer deixar, isso sim, bem vincada aqui uma forte convicção de que nunca se verificará com o dilecto amigo do Manuel Monteiro o "Efeito Strauss-Kahn".
O Moyle acredita piamente, e até ao fim do mundo, de que nunca ouviremos o Paulinho que mandará no próximo governo metido num escândalo que envolva umA empregadA de hotel, umA secretáriA, ou assim.

6/08/2011

Till We Have Faces

Não percebo o porquê de tanta agitação com os pepinos, as alfaces, as courgettes e os rebentos de soja.
Nós por cá há tantas décadas governados por nabos e ainda por aqui andamos.
Alarmistas!

6/06/2011

Adeus Sr. Engenheiro. Mande saudades... que não deixa nenhumas!

E o grande vencedor da noite foi o esperado. Felicitações ao Paulo Pedro Aníbal Portas Coelho Silva. Parece um nome da realeza, pelo menos na extensão, mas não se entusiasmem muito. É tudo uma questão de moscas e etc.

6/04/2011

A Campanha Eleitoral em Odores


Sendo hoje o dia de reflexão que precede o sufrágio, o Moyle achou por bem reflectir um bocadinho sobre as particularidades da campanha eleitoral.
Sabemos que, na linha daquilo a que temos vindo a ser habituados, o nível e a elevação da campanha não foram exemplares. A discussão de ideias perdeu, novamente, o prélio para as acusações, as "bocas" de parte a parte, as tricas e as intrigas.
Vimos novamente confirmado o nível dos protagonistas da nossa cena política, levando os mais fatalistas a reforçar o seu argumento de que cada povo tem os políticos e a democracia que merece.
No entanto, nem tudo foi mau nesta campanha eleitoral. Como diria Eric Draven, Can't rain all the time. O Moyle detectou um aspecto em que a campanha foi interessante e para a qual, ao contrário do que diz respeito a ideias políticas decentes, o PS contribuiu forte e validamente. Refere-se o Moyle, portanto, aos odores.
Se pensarmos em arruadas partidárias e comícios de rua - que parecem ser a única maneira de se fazer campanha neste país - de que forma associaremos as várias forças partidárias a odores? No caso do CDS-PP, os aromas predominantes serão, obrigatoriamente, a peixe. Não a um peixe especificamente mas a bancas de peixe, o que significa uma miríade olfactiva infinitamente mais complexa do que os meros seres ictiológicos individualmente permitiriam.
Já numa demonstração de rua do Bloco de Esquerda, naturalmente e sem surpresas, o aroma mais fortemente sensível será o de "chocolate de Marrocos", chamon, ganzas. Como lhe quiserem chamar.
Já o Partido Comunista estimula de outra maneira o bulbus olfactorius. Embora seja possível encontrar, aqui e além, um toquezinho de haxixe, sobretudos na secção J dos comícios, o mais provável é cheirar a suor e ressentimento, misturados com pó de metal, ferodo queimado e, mesmo, farelo.
Os comícios do PSD, ou do PPD/PSD (depende um bocado de quem está a referir-se ao partido ser o Santana Lopes), são fáceis de reconhecer. Cheiram a puros charutos Habanos, importados da Costa Rica e a Chanel nº5.
Resta-nos o PS - a não ser que o tribunal de Oeiras venha obrigar o Moyle a descrever aromaticamente uma arruada do PCTP/MRPP e um comício de Garcia Pereira. Se for o caso, o Moyle cumprirá com a ordem judicial sem qualquer prurido caracterizando-os como cheirando a esturro e a inutilidade - que, corrijam o Moyle se estiver errado, não tinha um cheiro particular que o distinguisse dos restantes. Não se pretende com isto dizer que o Partido Socialista de Sócrates não tem definição ideológica, sendo os odores uma metáfora. O certo é que a amálgama de pessoas tornava o ar confuso e pouco explícito olorosamente falando.
Este ano, nesta campanha, o PS conseguiu dar o passo que lhe faltava para se definir aromaticamente. Registou-se, praticamente, uma revolução olorosa de tendência oriental. Foi uma agradável novidade o cheirinho a canela e, acima de tudo, a chamuças que passou a preencher a digressão do PS por todo o país.

5/26/2011

Bruno Mars Sucks! ... Big Time!

Além do pouco tempo, a criatividade tem andado extremamente deprimida e, por isso, as ideias que normalmente fluem do Moyle como cinzas de um vulcão islandês, ou euros dos bolsos da Troika, estão tão secas como as praias do Aral. Daí que a única maneira de resolver o prolongado silêncio fosse picturalmente.
Quando voltar, logo atendo às vossas reacções à masterpiece moylística. Se forem a Salamanca chamem. O Moyle promete que não vos ignora discretamente.

5/17/2011

There's No Core... Like Hardcore

Tem um irmão que comenta Vico, Joaquim de Fiore, Santo Agostinho, Hegel, Walter Benjamin [embora este nem tanto] e por aí fora, e depois a única linguagem que o Sr. Catroga encontra é esta?
Dada maneira como articula as palavras, parece ao Moyle que, na realidade, o putativo próximo ministro das Finanças tem mesmo um problema de pentelhos [aparece assim escrito no Priberam, é assim que aparece aqui no Moyle]!
Que foi?
Que caras indignadas são essas?
É preciso o Moyle iniciar uma carreira política para ter direito ao mau gosto?

5/11/2011

لا يخلي الحرباء عن ساق شجرة حتى يمسك بساق شجرة أخرى

Quando o governo caiu, o Moyle chalaceou a situação mas, ao mesmo tempo, alertando para a circunstância de que a queda não significava a morte da personagem maior das nossas misérias presentes. Como num thriller, esperava, aparentemente moribundo, que os seus incautos inumadores se distraíssem com festejos e exéquias para os apanhar desprevenidos. E conseguiu!
Longe de morto, Sócrates, num passe de mágica, saltou do féretro para nos obsequiar com os seus habituais dotes de malabarismo.
Já repararam naquelas filas do aeroporto que obrigam os utentes a serpentear longos metros em pouco espaço? Não acham extraordinariamente irritante estar o aeroporto completamente vazio e aquela infernal maquinação nos obrigar a dar voltinhas e mais voltinhas como se fôssemos borboletas paneleiras numa prova de natação masculina? Vamos aqui discutir - embora não haja grande coisa a debater - sobre esta simples medida de gestão das multidões e de racionalização da circulação de muita gente em espaços limitados.
Essas "serpentinas" de peões que nos fazem caminhar 50 metros, para percorrer um percurso de 3 metros, levantam aspectos extremamente interessantes. Se calhar não são muito interessantes, mas apetece ao Moyle que seja.
O que impede alguém de fazer o seu percurso a direito? É que o percurso a percorrer é circunscrito por meras fitas que, convenhamos, não impediriam alguém de seguir em frente se assim lhe aprouvesse.
Na realidade, podemos analisar a coisa de duas perspectivas. Ou somos uma cambada de bovinos, mansos, que segue para onde lhe mandam ir! Ou, somos incorrigivelmente cepos e labregos sem civismo que, sem uma indicação de como nos devemos comportar, amassamos tudo e todo aquele que se nos meter no caminho! (Naturalmente, trazer o civismo à colação faria sentido, mas o Moyle não o fará. Precisamente por isso. Por fazer sentido! Viva o maniqueísmo!)
Fazendo aqui um salto lógico digno de um escolástico medieval. Não estaremos nós, nas eleições que se aproximam, parados diante do dilema de como negociar o travessia de um destes labirintos fátuos de fitinhas, como há nos aeroportos?
Por um lado conformamo-nos a percorrer ordeiramente o caminho que nos traçam, independentemente de ser necessário ou não? Ou, como vândalos sedentos de violar matronas romanas, vamos a direito e cortamos caminho pelos pseudo-obstáculos que nos põem à frente?
É um dilema, efectivamente. É que, se como uma pessoa normal, o Moyle ainda chamasse para aqui o civismo, estaríamos na presença de um verdadeiro trilema! Bom, mas antes que pareça que o Moyle está a falar de coisas sérias, deixemo-nos de tretas!
De qualquer maneira, o Disco Riscado (9.5.2011), que se apressaram a anunciar como morto, está bem vivinho de Pinto de Sousa - Costuma-se dizer Vivinho da Silva, mas o Moyle decidiu fazer algo mais original com o este tão enraizado brasileirismo. E os outros que fazem, dão-lhe música de fundo para a voz de cana rachada que se continua a impor centésima a centésima nas intenções de voto!

5/02/2011

Les Misérables

Esta semana começou estranha. Ao deslocar-se para o local em que passa algum tempo para ser remunerado, o Moyle ligou a TSF - comme d'habitude - a apanhou uma notícia a meio em que se dizia que tinha sido encontrado o corpo parcialmente desfigurado.
O Moyle pensou: encontrado? parcialmente desfigurado? C'um caraças, nem sabia que a Manuela Ferreira Leite estava perdida.
Enfim, não era nada disso, naturalmente. Parece que deram a comer chumbo aquecido a Osama bin Laden e ele mostrou-se alérgico. Ok, barbas por barbas, antes o bin Laden que o Pai Natal, mas continuando.
O que é verdadeiramente giro é a convicção do Moyle de que morreram por alergia a chumbo duas pessoas com nomes extraordinariamente parecidos, o que é uma coincidência notável. Nas notícias têm anunciado incansavelmente a morte de bin Laden, mas, por outro lado, nos fóruns [eu sei que o plural de forum, em latim, é fora, mas para não parece que se concentra demasiado em paneleirices optou-se pelo plural em português corrente] quer da TSF, quer da SICNotícias, curiosamente, todos os participantes parecem plenamente convictos de que quem morreu foi um senhor chamado Binde Ladém. E esta, hein?
Bom, mas deixemos estas palermices e vejamos outras parvoíces, como a da imagem seguinte retirada de uma daquelas correntes de prosperidade e dinheiro com que me atafulham, de tempos a tempos, o mail.
Ora, embora este cromo trabalhe na mesma cidade em que o Moyle habita, o vosso caro bloguista quer, desde já, demarcar-se das mentecaptices proferidas por aquele. Podia dar-se o caso de ser qualquer miasma que ascendesse das cristalinas águas do Mondego, mas não. Este senhor é estúpido por conta própria.
Confessa-vos o Moyle que nunca tinha ouvido falar na personagem até a Ipsis chamar atenção para esta aventesma [no post de 30.04.11], que dá pelo nome de Idiota Leite de Campos - e se não dá, devia dar - e para as suas alucinações demenciais.
Não discutindo a premissa de que todos devíamos pagar 42% sobre, pelo menos, €10.000 de rendimentos brutos, o Moyle gostaria de saber onde é que este génio da fiscalidade imagina que os portugueses que vivem na miséria e os portugueses que não existem - sim, porque se quem ganha €1000 é miserável, quem ganha o salário mínimo não existe - vão buscar a casa, a roupa lavada, a instrução dos filhos e a saúde.

Mais do que nunca, o problema de Portugal não é a existência de 20% da população que vive abaixo, ou no limiar da pobreza - o que era de esperar que um fiscalista duplamente doutorado soubesse - o problema desta santa parvónia são os pobres, sim, mas os pobres de espírito. Tendo a mania que são iluminados pela graça divina, julgam que vivem acima de uma qualquer piolheira na qual, curiosamente, são eles os parasitas.