É tremendo o
fascínio que une os chefes de governo portugueses à líder alemã. Apesar do nome
da teutónica figura, de certo que não é no seu temperamento angelical, na
doçura da sua fala, no seu ameno rosto que se alicerça tão elevada torre de
fascínio.
Talvez seja
pelo exuberante par de mamas que ostenta a chanceler, quando em vestido de
cerimónia, que entrevemos um arremedo de compreensão desta estranha e algo
tétrica atracção. Afinal de contas, não é à toa que os chefes de governo
portugueses são chefes de governo e portanto movidos por altíssima rotação de
cariz sexual, como se nota pelo gigantesco número de cidadãos e cidadãs que
sodomizam infatigavelmente, a cada decreto-lei; e não é à toa que são
portugueses, logo machos latinos que se pelam por um par de lácteas tetas –
citando o imortal e zarolho vate.
Deve ser por
ser português mas não chefe de governo que o Moyle não compreende esta obsessão
com a ampla donzela teutónica. Mas voltemos ao tema em apreço e às
possibilidades alegóricas das figuras mitológicas escolhidas, potencialidades
que, sem dúvida, o Moyle desbaratará e, com elas, o vosso tempo.
Não é de
estranhar a identificação dos Primeiros-ministros com a divindade helénica de
Eros. Na verdade, os líderes lusos mostram-se sempre langorosos, apaixonados,
empenhados em criar o amor e a concórdia entre os homens. Naturalmente, esse
amor desencadeia sempre violentos acessos de fúria sexual relativamente aos
traseiros dos eleitores mas, relativamente a outros líderes políticos e
tubarões económicos, é setinhas para aqui e suspiros e promessas de beijos para
ali, e etc.
Passando uma
vista de olhos transversal pelo mito de Eros e Psique de Apuleio, ficamos a
saber que a proverbial soberba de Eros, que despeja setinhas para seu próprio
divertimento e independentemente das conveniências amorosas dos visados pelos
seus disparos, se vira contra ele, acabando a alada amorosa divindade arqueira
por sair, literalmente, queimada da relação com Psique. A coisa é mais
complicada do que isto mas isso não interessa nada porque de qualquer maneira
acabaria por estragar a [pouca] piada que o conceito imanente a este post e à imagem podem ter à partida.
Aqui, no
castigo à soberba de Eros, reside a ligação, ténue admite-se, à imagem que
sobreleva este texto. Apesar da mãozinha marota que gentilmente aperta o mamilo
de Psique, apesar das juras de amor eterno que indubitavelmente debita em
indómitas torrentes apaixonadas, reparem bem na imagem e vejam quem, neste
casal, fica com o pacote alçado à disposição do destino [e notemos que o
Destino é mais forte que os deuses, para os gregos clássicos] e quem tem na mão
a flecha destinada a ser espetada.
Já não
é a primeira vez que acontece, e não será a última – o tempo circular clássico
assim o dita – que apesar de se contentar com apalpar as mamas às Psique alemã,
o Eros português é que acaba por ver o rabinho posto à prova, acabando por
levar por “ele” acima a seta que supostamente deveria atirar.