7/02/2011

John Player Special

Compreende-se, muito naturalmente, que o Primeiro-Ministro se esteja a cagar para o Natal.

Não é nada de especial na realidade, pois até o yours truly não se pode considerar grande fã dessa época do ano. Ainda assim, o Moyle acredita que a razão de fundo é outra, tendo muito pouco a ver com a prevenção de uma situação de incumprimento de metas financeiras em que ainda nem sequer estamos. Mas enfim, cortes abruptos na despesa e caldos de galinha...

Voltando ao que dizíamos, o Moyle suspeita que o nosso actual Primeiro-Ministro não é um "gajo do Natal". Não parece mesmo ser a cara do fulano. Na realidade, o nosso Primeiro tem Páscoa escrita all over his face. Porque será? De onde virá esta convicção moylémica?

À falta de melhor justificação, deve ser por o Chefe do Governo se chamar Coelho!

6/25/2011

тройка 三人 ثلاثي トリオ ত্রয়ী

Vamos lá ver se o néctar dos deuses, que as duas principais personagens da nossa governação partilham nos dias que correm, não avinagra por circunstâncias de maior, ou menor nobreza.

6/16/2011

A Reforma Agrária (Agora em Tons de Laranja)

É impressão do Moyle ou o rei da nossa República não fez a extremidade de uma haste de bovino [ou outro gado qualquer] para tornar verdadeiramente competitiva e moderna a agricultura nacional e agora, que tecnicamente não devia mandar, parece o rei Formoso a tentar obrigar a populaça a dar à enxada? Infelizmente, não o vejo a ameaçar com nova Lei das Sesmarias, isto é, se não trabalhas a terra ficas sem ela para quem a trabalhar. Achou por bem não. Na certa ainda o tomavam por um mini Estaline, em vez de um saudosista monárquico neomedievalizante.
Não foi este reizinho, este farol da nossa tristeza, que apostou, do alto da sua economia, num tipo de crescimento económico baseado no consumo, num país que não produz? O abandono dos campos não é do tempo desta lumen mundi? Não foi a nossa algarvia Estrela de Belém que construiu milhares de quilómetros de estradas, cuja qualidade de concepção e construção está à vista nas reparações de que necessitam já neste momento e nas centenas de fatalidades rodoviárias, mas estruturas de irrigação fundamentais para a agricultura népias? O projecto hidro-agrícola do Alqueva - entre outros que continuam a ver passar o padeiro - foi terminado sob a magnânima égide deste mago da governação?
De onde raio vem a autoridade para certas pessoas falarem em certas coisas e fazerem certas sugestões? Mas atenção, se Cavaco Silva admitir que in illo tempore fez bosta - daquela que agora se recomenda seja produzida em grande escala para adubar os campos que pretende cheios - e agora é que sabe isso e pretende contribuir para a correcção desses erros com bons e humildes conselhos/sugestões, já tem o voto do Moyle nas próximas presidenciais. Mas só se Cavaco Silva reconhecer isso com estas palavrinhas aqui escritas!
E sim, o Moyle sabe que o nosso actual presidente não pode concorrer três vezes seguidas, mas votaria nele na mesma.


Lei das Sesmarias, 1375

[fl. 1] Exordio da ordinhaçom da lavoira
[P]or que segundo diserom os antigos sabedores antre todalas artes e obras da policia e regimento do mundo nom foi achada nenhua melhor que a agricultura e per fecto e per razom natural se mostra que ela he maijs proveitosa e necessaria pera a vida dos homens e das animalias que Deus criou pera serviço do homem e aynda pera gaanhar e aver algo sem pecado e
com homrra e boa fama. E oolhando em esta razom nos Dom Fernando pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve e conseijrando commo per todalas partes dos nossos regnos ha defalicimento do pam e da cevada de que antre todalas terras e provincias do mundo soya seer muij abastada, e essas cousas som postas em tamanha carestia que aquelles que ham de manteer fazemda ou stado de qualquer graao de homrra nom podem chegar a aver essas cousas sem muij gram desbarato do que ham. Esguardando como antre todalas razoes per que este defalicimento e carestia vem a maijs certa e special he per mingua das lavras que os homens leyxam e se partem delas entendendo em outras obras e em outros mesteres que nom som tam profeitosos pera o bem comum. E as terras e herdades que soyam a seer lavradas e sementadas e que som convenhavijs pera dar pam e os outros fruitos por que se os poboos ham de manteer som desemparadas e deitadas em resios sem prol e com gram dapno dos poboos. Porem avendo sobresto nosso acordo e conselho com o Ifante Dom Joham nosso irmaao e com o Comde Dom Joham Afomso e com os outros prelados e prior do Hospital e e meestres da cavalaria e com os outros fidalgos e cidadaãos e homens boos dos nossos regnos que pera esto e peraoutras cousas do nosso serviço e prol dos dictos nossos regnos mandamos chamar pera se poer em esto remedio qual perteencia pera aver na terra avondamento das dictas cousas.

Ordinhaçom de como as herdades seia[m] lavradas

[S]tabelecemos e hordinhamos e mandamos que todolos que ham herdades suas proprias ou teverem emprazadas ou aforadas ou per outra qualquer guisa ou titolo per que ajam derecto em essas herdades, sejam costranjudos pera as lavrar e semear, e se o senhor das herdades per ssi nom poder lavrar todalas herdades que ouver por seerem muijtas ou em muitas desvairadas comarcas ou el for enbargado per alghua lijdema razom per que as nom possa per ssi lavrar todas, lavre parte delas per ssij hu el quiser e lhij mais prouguer quanto lavrar poder sem grande seu dapno e com meor seu encarrego a bem vista a detreminhaçom daquelles a que pera esto for dado poder. E [fl. 1v] as maijs faça lavrar per outrem ou as de a lavrador que as lavre e semee per sa parte ou penssom certa ou a foro asi como se melhor poder fazer de guisa que as herdades que som pera dar pam sejam todas lavradas aprofeitadas e sementadas compridamente commo for mester ou de cevada ou de milho per qual for e que maijs fruito e melhor possa dar em seus tempos e sazoes aguisadas. E outrossi sejam costranjudos pera averem e teerem cada huum tamtos boys pera lavrar quantos forem mester pera a lavoira segundo a quantia das herdades que ouver com as outras cousas que aa lavoira perteencerem.

Dos bois

[E] por que pode acontecer que aquelles que ham de seer costranjudos pera lavrarem e teerem bois pera a lavoira nom os poderam achar4 pera os comprar se nom por muij grandes preços maijs que o que valeriam aguisadamente. Teemos por bem e mandamos que sejam costranjudos aquelles que os teverem pera vender pera os darem aaquelles que os mester ouverem e os ham de teer por preços aguisados segundo for taussado per as justiças dos logares ou per aquelles que forem postos por veedores pera esto. E mandamos que pera comprar os bois e as outras cousas que som perteencentes pera a lavoira e outrossy pera começar de lavrar e aprofeitar as herdades que forem pera lavrar seja asignaado certo tempo aos que o de fazer ouverem que o façam e compram so[b] certa pea que sobresto seja posta. E se os senhores das herdades per sa negrigencia nom quiserem comprir todo esto que nos he ordinhado nem quiserem lavrar nem aproveitar essas herdades per si ou per outrem como dicto he as justiças dos logares ou aquelles a quem pera esto for dado poder dem essas herdades a quem as lavre e semeem por certo tempo e por penssom ou parte certa. E o senhor da herdade nom a possa filhar per ssi nem tolher durando o dicto tempo aa qual a quem assi for dada. E essa parte ou penssom que o lavrador ouver de dar seja pera o bem do Comum em cujo termho essas herdades jouverem. Mais nom seja dada nem despesa em nenhum huso se nom per nosso special mandado.

Dos mancebos e servidores

[O]utrossy por que os que soyam a seer lavradores e forom e os outros que ham razom de o seer. E os que teem herdades pera lavrar se scusam da lavoira por que dizem que nom podem aver mancebos que lhes fazem mester pera esto. E a muijtos daquelles que husavaom de lavrar e que serviam no mester da lavoira leixarom esse mester da lavoira e colherom se delles aos paaços dos ricos homens e fidalgos por haverem vivenda maijs folgada e mais solta e por filharem o alheo sem receo e delles por muij [fl. 2] grandes soldadas que lhes davam por servirem em outros autos e mesteres nom tam profeitosos commo he a lavoira. E outros que som perteencentes pera servir no mester da lavoira nom querem servir em ela e husam doutros oficios e mesteres de que se aa terra nom segue tamanha prol. E muijtos que andam vaadios per a terra chamandosse criados e scudeiros ou moços nossos ou do Ifante ou dalghum dos comdes ou doutros poderosos e homrrados por seerem coutados e defesos da Justiça nos maaes e forças e maleficios que fezerem nom vivendo na nossa mercee nem com nenhuum dos sobredictos. E alghuuns que se lançam a pedir smollas nom querendo fazer outro serviço e catam outras muijtas maneiras e aazos pera viverem ociosos e sem afam e nom servirem. E alghuuns filham avitos como de religiom e vivem apartadamente fazendo congregaçom, contra defensom de derecto nom entrando nem seendo professos em nenhua e de nenhua das ordees religiosas stabeleçudas e aprovadas pela Sancta Egreja nom fazendo nem husando de fazer alghua obra profeitosa ao bem do Comum e so fegura de religiosos e de sancta vida andam pelas terras e logares pedindo e juntando algo e enduzendo muitos que se juntem a elles e per seu enduzimento leixam os mesteres e obras de que husam e vam star e amdar com elles nom fazendo outro serviço nem outra obra de proveito. Porem teemos por bem e mandamos que todolos que forom ou soyam a seer lavradores e outrossy os filhos e netos dos lavradores e todolos outros moradores assi nas cidades e villas como de fora delas que ouverem de seu meor quantia de quinhentas libras quanto quer que seia meos dessa quantia de quinhentas libras e que nom ajam nem huse de tam proveitoso mester pera o Comum per que de razom e de derecto deva a seeer scusado de lavrar ou servir na lavoira, ou nom viver continoadamente com tal pessoa que o meresca e o aja mester pera obra de serviço profeitoso que todos e cada huum destes susodictos sejam costranjudos pera lavrar e husar do dicto mester e oficio da lavoira. E se nom teverem herdades suas que per ssi queiram e possam lavrar sejam costranjudos e apermados pera viverem com aquelles que os mester ouverem pera as lavoiras [fl. 2v] e os servham e ajudem a fazer essa obra de lavoira por soldada e preço aguisado segundo he taussado pelas ordinhaçoes que sobre esto som fectas ou segundo taussarem e alvidrarem aquelles que pera esto forem postos em cada huum logar. E qual quer que der ao mancebo ou aaquel que ouver de servir maijs que aquelo que for taussado pelos regedores dos logares ou por aquelles a quem pera esto for dado poder pague cinquoenta libras por a primeira vez e por a segunda cento e os que fazem lavra d’hi endeante pague essa quantia e demais seja lhj stranhado com pea de justiça como aaquel que quebranta leij e vai comtra mandado de seu rei. E estas penas sejam metudas em renda pera o bem do Comum e mandamos que quaes quer que acharem andar chamandosse nossos ou da Reinha ou do Ifante ou de qual quer outro que nom seja conhoçudo notoriamente por daquel de que se chama sejam logo presos e recadados pelas justiças dos logares pera se saber como e porque maneira vivem e as obras que fazem e de que husam. E se certidom nom mostrarem commo vivem e andam per recado certo ou por serviço daquelles cujos disserem que som que sejam costranjudos pera servir e se sevir nom quiserem sejam açoutados e todavia costranjudos pera servir por sas soldadas e taussadas commo dicto he.


Dos pedintes e religiosos

[E] por que a vida dos homens nom deve seer ociosa e a smolla nom deve soer dada se nom aaquel que per ssij nom pode gaanhar nem merecer per serviço de seu corpo porque se mantenha e segundo o dicto dos sabedores e dos sanctos doctores maijs justa cousa he de castigar o pedinte sem necessidade e que pode scusar de pedir fazendo alghua outra obra proveitosa que de lhi dar a smolla que deve soer dada a outros pobres que nom podem fazer a obra de serviço, porem mandamos que quaes quer que assi forem achados assi homens como molheres que andam allotando e pedindo nom husando de outro mester sejam vistos e catados per as justiças de cada huum logar e se acharem que som taaes e de taaes corpos e de tal hidade que possam servir em alghuum mester ou obra de serviço, posto que em alghua parte dos membros corporaaes sejam menguados po (sic) com toda essa [fl. 3] mengua podem fazer alghuum qual quer serviço sejam costranjudos pera servirem aquelas obras que as dictas justiças ou aquelles que pera esto forem postos virem que podem servir, por seu mantimento e por sa soldada segundo entendem que o podem merecer de guisa que nenhuum no nosso senhorio nom viva sem mester ou sem obra de serviço e de proveito. E aquelles que acharem andar ou viverem em avito de religiosos, que nom som professos, d’alghua das ordees aprovadas, como suso dicto he, digam lhes e mandem que vaam lavrar e husar do mester da lavoira fazendo sse lavradores per ssi se o fazer poderem e quiserem ou se nom que servham aos outros lavradores no mester da lavoira. E costrangam nos pera elo, sem outro meijo. E os que servir nom quiserem nem obrar do mester lhes mandarem, des que lhes for mandado que servham e obrem do dicto mester quaes quer que sejam das condiçoes suso dictas. Sejam açoutados por a primeira vez e costranjudos toda guisa pera servir e se d’hi endeante servir nom quiserem sejam açoutados com pregom e deitados fora de nossos regnos. E aquelles que forem achados tam fracos ou velhos ou doentes per tal guisa que nom possam fazer nenhua obra de serviço ou alghuuns envergonhados que ja fossem homrados e caerom em mijngua e pobreza de guisa que nom podem scusar de pedir smollas e nom som pera servir a outrem, dem lhes as justiças alvaraaes per que possam pedir sas smollas seguramente. E qual quer homen ou molher que acharem amdar pedindo sem recado ou sem alvara de justiça dem lhe a pea suso dicta. E pera se comprirem e poerem em obra estas cousas que assi per nos som ordinhadas teemos por bem e mandamos que em cada hua cidade e villa de cada hua comarca e provincia das correiçoes sejam postos dous homens boos dos melhores cidadaaos que em essas cidades e villas ouver os quaes ajam de saber e veer todas herdades que ha em cada hua comarca que som pera dar pam e nom som lavradas e façam que sejam lavradas e aprofeitadas pera pam e ajam poder pera costranger os senhores delas que lavrem ou façam lavrar e semear pela guisa que suso scripto e hordinhado he. E por que os senhores das herdades nom as querem dar a outros que as lavrem se nom por grandes penssoes ou por muij grandes rendas e os lavradores ou aquelles que as ouverem de lavrar [fl. 3v] nom as querem filhar se nom por muij pequenos preços ou muij pequenas quantias ou perventura sem nenhuum encarrego de dar penssom nem parte aos senhores dessas herdades. Porem e por nom averem ocasiom ou aazo nenhua das partes de se scusar e as herdades nom ficarem por lavrar teemos por bem e mandamos que estes dous homes boos que assi forem scolheitos commo dicto he em caso que se as partes nom possam avijr taussem e alvidrem quantia ou tamanha parte ou penssom os lavradores dem aos senhores das herdades e possam costranger e costrangam assi os senhores das herdades que as dem como os lavradores que as filhem pela stimaçom e taussaçom que assi fezerem e se perventura estes dous homes boos antre si forem em desvairo sobre a stimaçom ou taussaçom que ham de fazer, entom seja dado huum homem por terceiro pelo juiz do logar pera partir o desvairo que for antre os dous e comcordar no maijs ygual, segundo entender e compra se e aguarde sse o que per os dous em esta razom for comcordado. E se os senhores das herdades esto nom quiserem comsentir e comtra ello forem ou enbargarem per qualquer maneira per seu poderio percam essas herdades, e des entom sejam aplicadas ao Comum pera sempre e a renda delas seja filhada e recebuda pera a prol do comum do logar em cujo termho essas herdades jouverem.

Dos veedores e dos que ham de costranger pera servir

[O]utrossi teemos por bem e mandamos que os sobredictos homes boos que forem postos em cada huum logar do nosso senhorio enqueiram e sabham logo e assi adeante pelos tempos quaes e quantos som os que vivem e moram em esses logares assi naturaes delles como outros quaes quer que hi chegarem ou veherem de fora parte e que nom som meesteiraaees nem vivem per certos mesteres necessarios pera prol comunal ou nom viverem com alghuuns taaes que os merescam e os ajam mester pera os servirem. E outrossi dos mendigantes e dos outros que andam em avito de religiom. E esto meesmo seja manda[do] aos vintaneiros que som postos por guardadores das freeguesias e das [fl. 4] ruas e praças que dem recado a estes sobredictos dous homes de todalas pessoas que acharem e souberem cada huum em sa freeguesia rua ou praça da condiçom sobredicta per nomina que faça delles pera seerem costranjudos pera lavrar e semear pam na terra que lhes for dada per essa justiça e se nom poderem ou nom quiserem per si manteer lavoira, dem nos a quem os ouver mester pera lavrar e semear pam e nom pera outro mester nos logares e comarca hu ouver herdades e lavoiras de pam ou pera o lavor das vinhas, hu ouver vinhas, e a lavoira do pam defaleçer aaqual nossa entemçom he de acorrermos primeiro por a rrazom suso expressa por que nos movemos a fazer esta ordinhaçom. E taussem a esses mançebos e servidores seus preços e soldas aguisadas que ajam d’aver segundo ja suso dissemos. Po (sic) teemos por bem que nos logares hu se sempre costumou d’aver gaanha dinheiros10 e se nom podem scusar, que leixem tantos quantos pera esso forem necessarios per numero certo. E todolos outros que forem perteencentes pera servir sejam costranjudos pera o mester e oficio da lavoira pela guisa que dicto avemos. E pera esto que assi ordinhamos e mandamos fazer por serviço de Deus e prol de todos os do nosso senhorio nom seer torvado nem enbargado per nenhuum. Stabellecemos e mandamos que qualquer e de qualquer stado e condiçom que seja que per seu poderio e sem razom derecta defender ou enbargar per qualquer maneira fora de juizo alghuum daquelles que mandamos per esta ordinhaçom costranjer ou que forem costranjudos per aquelles a quem pera esto for dado poder ou oficio pera nom servirem, ou nom obrarem em aquelo que lhes for mandado que paguem a nos, se for fidalgo, quinhentas libras cada vez que o fezer, ou tentar de fazer e seja logo per esse fecto sem outra sentença de juizo sterrado do logar hu morar, e saya sse logo d’hi sem outro mandado e donde quer que nos stevermos a sex legoas e se fidalgo nom for, que pague trezentas libras e aja a dicta pena do dicto degredo. E sejam logo penhorados e costraanjudos e vendudos seus bees por a dicta quantia per a guisa que he per nos mandado que se vendam por as outras nossas dividas. E as justiças dos logares e outrossi aquelles a quem for dado poder pera comprir esto que per nos aqui he ordinhado o façam saber ao nosso sacador e ao nosso almoxarife [fl. 4v] e scrivam dos nossos derectos pera mandarem costranjer por as dictas quantias e se o nom fezerem ou forem em ello negligentes que esses juizes e veedores as paguem a nos em dobro.

Dos gaados

[O]utrossi por que alghuuns dos que heram lavradores e outros muijtos que poderiam seer se quisessem compram e gaanham grandes manadas e somas de gaados e os tragem e governam pelas coutadas e herdades alheas e compram as hervas e pacigoos dos senhores das herdades de que esses senhores das herdades ham algo. E esses senhores dos gaados vendem o sterco desses gaados e ham por ele algo e por esta razom huuns e os outros, assi os senhores das herdades como os dos gaados nom curam de lavrar e aprofeitar as herdades. Porem defendemos e mandamos que daqui adeante nom sofram nem consentam a nenhuum que aja nem traga gaados seus nem d’outrem, se nom for lavrador, ou nom mantever lavoira, ou for mançebo de lavrador que more com esse lavrador, pera o serviço da lavoira, ou pera guarda de seus gaados, ou outras obras perteencentes ao dicto mester da lavoira, e os que manteverem lavoira, ou quiserem seer lavradores e lavrarem herdade sua, ou d’outrem, ou viverem com esses lavradores, ou que manteverem lavra per esse mester da lavoira commo dicto he possam aver e trager gaados quantos lhes comprirem e mester ouverem pera seus mantijmentos e sostijmento de sas lavoiras aguisadamente sem pea e sem outro enbargo. E qual quer que do dia da publicaçom desta nossa ordinhaçom a tres meses ouver ou trouver gaados, se nom lavrar e semear herdade, se tempo e sazom for de lavoira e sementeira, ou se tempo nom for de lavrar e se nom obligar, com cauçom suficiente pera lavrar e semear ao tempo ou sazom convenhavijl pera elo, filhando logo, ou asignaando alghua herdade que pera o primeiro tempo que se siguir da lavoira aja de lavrar, perca todo o gaado que d’hi endeante trouver e ouver e seja lhj todo filhado pera o comum do logar hu esto acontecer e qual quer que o acusar e mostrar aja pera si o terço e esse gaado que assi for [fl. 5] filhado por do comum nom sejam desbarado nem despeso sem nosso special mandado se nom nos lavores e obras das fortelezas e reparamentos desses logares.

Dos mercadores
[C]omo a nos fosse denunciado per os concelhos e per os mercadores e per outros muijtos da nossa terra que muijtos mercadores doutras naçooes stranhas vivem e stam nos nossos regnos e som exemptos dos encarregos do comum e do nosso serviço e que pooem as mercadorias e cousas que tragem a este regno em qual monta e qual valia querem e compram e mandam comprar per todalas partes do regno as que acha na terra muij refeçes e tiram e levam as nossas moedas pera fora dos nossos regnos contra a nossa defesa e acrecentam em seus algos e requezas que enviam pera outras partes d’outros senhorios. E os mercadores nossos naturaaes que ham de sosteer os dictos encarregos do nosso serviço e do comum nom podem, antre [e]lles gaanhar nem fazer sa prol. E commo esto meesmo fosse per vezes dicto e denunciado aos reis que ante nos forom e mostrado o dapno que por esto os do regno recebiam e nom foi sobresto posto remedio. Esguardando nos que quanto compre ao nosso stado e ao bem publico dos nossos subgeitos seerem ricos e abastados que tanto maijs devemos e somos theudos de oolhar por prol dos nossos naturaaes, que dos stranhos e aredar aquelo per que lhes pode seer enbargado de fazer sa prol e acrecentar em seus algos. Porem com conselho da nossa corte e do Ifante Dom Joham nosso irmaao e do Comde Dom Joham Afomso e prior do Hospital e dos prelados e meesteres da cavalaria e dos outros fidalgos e cidadãos da nossa terra que sobre esto mandamos chamar. Ordinhamos e mandamos e defendemos que nenhuum mercador de fora dos nossos regnos nom compre per ssi nem per outrem nenhuum aver de peso, nem comesinho, salvo pera seu mantijmento, nem moeda, nem metal, nem nenhua outra mercadoria e nenhuum logar dos nossos regnos fora da cidade de Lixboa nem dem seus dinheiros a outros da nossa terra pera comprarem nenhuas mercadorias [fl. 5v] fora da dicta cidade e defendemos a todolos nossos naturaaes que nom filhem seus dinheiros nem outro seu aver per nenhuum titolo ou fegura de nenhuum comtrauto nem per outra maneira d’engano pera mercarem ou venderem fora da dicta cidade, salvo vinhos ou fruijta, ou sal, que outorgamos que possam comprar no nosso regno do Algarve e nos outros portos e logares do nosso regno em que nom he defeso pera costume antigo pera carregar e levar pera qualquer parte quiserem. E se aalem desto fezerem ou contra esto forem per qualquer maneira. Esses mercadores percam todo o que assi derem. E a qual quer que
filhar dinheiros ou outro aver dos ditos mercadores stranhos pera mercar, ou negociar em prol desses mercadores fora da dicta cidade, perca todolos bees que ouveer e sejam pera a coroa do regno. E el moira porem. E mandamos que na dicta cidade de Lixboa e nos portos dela os dictos mercadores possam comprar quaes quer mercadorias e empregar seus averes e os possam carregar e levar fora da nossa terra, salvo aquelles averes e cousas que per nos e per os reis nossos antecessores som defesas e vedadas que nom sejam tiradas do regno e mandamos que aquelles que passarem esto que per nos he defeso e ordinhado ou contra elo forem percam todolos bees que ouverem e lhes forem achados no nosso senhorio e sejam aplicados a nos. E os corpos stem obligados pera lhes seer stranhado com pea qual nossa mercee for. E mandamos que as justiças e veedores e vereadores dos logares aguardem e façam comprir e aguardar todo esto que per nos aqui he ordinhado e defeso. E se o contrairo fezerem ou em elo forem negligentes que percam todos os oficios e todolos bees que ouverem e sejam pera a coroa do regno. E outrossi mandamos aos nossos meirinhos e corregedores que requeiram e sabham pela guisa que fazem e compram aquelo que lhes per nos he mandado pera lhes darem a pea sobredicta se acharem que o nom aguardam ou em elo forem negligentese nos façam saber o que sobre todo obrarem e fezerem so pena dos oficios e dos corpos. [fl. 6]

Publicaçom de Saanctarem

[E]ra de mil e quatrocentos e treze annos vinte e sex dias de Maio, em Sanctarem, presentes Afomso Dominguez e Lourenço Gonçalvez vassallos d’el rey e do seu conselho e Gil Annes vassallo e sobrejuiz d’el rei na casa do civel e que tinha entom o seelo da dicta casa, e Joham Lourenço vassallo d’el rei e juiz por el na dicta villa e Gonçallo Dominguez procurador do dicto conçelho e presentes outros muitos homens boos que pera esto forom chamados e juntados no alpender do moesteiro de Sam Domingos forom publicadas e leudas per mim Gonçalo Perez scrivam da chançellaria estas ordinhaçoes suso scriptas. E logo per o dicto Afomso Dominguez foi mandado da parte do dicto senhor ao dicto juiz que com acordo dos vereadores e homes boos da dicta villa posesse homes boos e exsecutores certos pera fazer e comprir estas cousas que nas dictas ordinhaçooes he contheudo e per o dicto senhor mandado. E que esse juiz as fezesse comprir e aguardar em todo so[b] as peas em elas contheudas. Eu dicto Gonçalo Perez esta publicaçom screvi per mandado do dicto Afomso Dominguez vassallo e do Conselho do dicto Senhor

Publicaçom de Coimbra
[E]ra de mil e quatrocentos e treze anos primeiro dia de Junho na cidade de Coimbra presentes Gil Annes vassallo d’el rei e sobre juiz na casa do civel e Corregedor em essa casa e na dicta cidade e Gonçallo Migueeiz ouvidor do crime e Gonçale Annes sobrejuiz e Gonçalo Martinz procurador nos fectos d’ el rei e Afomso Martinz Alvernaz juiz por esse senhor na dicta cidade e outros muitos homens boos chamados e juntados pera esto forom publicadas e leudas estas ordinhaçoes suso scriptas. Eu Steve Annes scrivam da chançellaria da dicta casa esto screvi. Egidius Johanis

6/09/2011

Casta Diva


O Moyle não pode, nem deve, nem quer, tecer considerações e fazer julgamentos de valor sobre a mais recente diatribe da praça pública do burgo luso. Tal como a Assunção Cristas para a comunicação social, o Moyle não vai comentar o caso das insinuações de Ana Gomes, do PS, sobre o líder do CDS-PP, Paulo Portas. E, tal como Assunção Cristas para a comunicação social, o Moyle não vai comentar dizendo algumas coisas que irão aparecer, sensivelmente, no parágrafo seguinte.
É extraordinariamente português, demasiado português até, atirar postas de pescada para o ar e quem quiser que as apanhe. Desta vez a, volta e meia, envolvida em bate-bocas através dos media Ana Gomes atirou umas postas de pescada para o ar sobre o idoneidade de Paulo Portas. Não só sobre o Paulinho das Feiras, mas sobre potenciais consequências negativas que poderiam advir para a imagem internacional de Portugal no caso de certos comportamentos do Paulinho das Varinas virem a lume durante a sua magistratura enquanto Ministro.
Ana Gomes ainda atirou, juntamente com as postas de pescada, umas pedras de sal, para tapar os olhos ao pessoal que tentasse agarrar as ditas postas. Falou em submarinos, em desinformação no imbróglio da Casa Pia e tretas assim.
Mas o Moyle sabe que a Ana Gomes sabe que o Moyle sabe que a Ana Gomes sabe que o Moyle e todos nós sabemos que, ao chamar a atenção para a idoneidade do senhor da farta cabeleira que lidera o CDS, a Ana Gomes não se estava apenas, nem sequer sobretudo, a referir a casos públicos, ou de actuação pública, do Sr. Sorriso Colgate que manda no PP. Daí a referência ao Strauss-Kahn e a um escândalo de vida privada que tem embaraçado internacionalmente a França.
Foi com pena, mas mesmo muita pena, que o Moyle ouviu as declarações de Ana Gomes, sem que estas elaborassem para além de meramente atirar umas postas de pescada para o ar.
O Moyle não quer entrar aqui numa fruste discussão sobre o apropriado da intervenção de Ana Gomes, sobre o bom gosto e o bom senso. Isso interessa pouco e é matéria para mesa de café, editoriais, tribunais e Prós e Contras. O Moyle quer deixar, isso sim, bem vincada aqui uma forte convicção de que nunca se verificará com o dilecto amigo do Manuel Monteiro o "Efeito Strauss-Kahn".
O Moyle acredita piamente, e até ao fim do mundo, de que nunca ouviremos o Paulinho que mandará no próximo governo metido num escândalo que envolva umA empregadA de hotel, umA secretáriA, ou assim.

6/08/2011

Till We Have Faces

Não percebo o porquê de tanta agitação com os pepinos, as alfaces, as courgettes e os rebentos de soja.
Nós por cá há tantas décadas governados por nabos e ainda por aqui andamos.
Alarmistas!

6/06/2011

Adeus Sr. Engenheiro. Mande saudades... que não deixa nenhumas!

E o grande vencedor da noite foi o esperado. Felicitações ao Paulo Pedro Aníbal Portas Coelho Silva. Parece um nome da realeza, pelo menos na extensão, mas não se entusiasmem muito. É tudo uma questão de moscas e etc.

6/04/2011

A Campanha Eleitoral em Odores


Sendo hoje o dia de reflexão que precede o sufrágio, o Moyle achou por bem reflectir um bocadinho sobre as particularidades da campanha eleitoral.
Sabemos que, na linha daquilo a que temos vindo a ser habituados, o nível e a elevação da campanha não foram exemplares. A discussão de ideias perdeu, novamente, o prélio para as acusações, as "bocas" de parte a parte, as tricas e as intrigas.
Vimos novamente confirmado o nível dos protagonistas da nossa cena política, levando os mais fatalistas a reforçar o seu argumento de que cada povo tem os políticos e a democracia que merece.
No entanto, nem tudo foi mau nesta campanha eleitoral. Como diria Eric Draven, Can't rain all the time. O Moyle detectou um aspecto em que a campanha foi interessante e para a qual, ao contrário do que diz respeito a ideias políticas decentes, o PS contribuiu forte e validamente. Refere-se o Moyle, portanto, aos odores.
Se pensarmos em arruadas partidárias e comícios de rua - que parecem ser a única maneira de se fazer campanha neste país - de que forma associaremos as várias forças partidárias a odores? No caso do CDS-PP, os aromas predominantes serão, obrigatoriamente, a peixe. Não a um peixe especificamente mas a bancas de peixe, o que significa uma miríade olfactiva infinitamente mais complexa do que os meros seres ictiológicos individualmente permitiriam.
Já numa demonstração de rua do Bloco de Esquerda, naturalmente e sem surpresas, o aroma mais fortemente sensível será o de "chocolate de Marrocos", chamon, ganzas. Como lhe quiserem chamar.
Já o Partido Comunista estimula de outra maneira o bulbus olfactorius. Embora seja possível encontrar, aqui e além, um toquezinho de haxixe, sobretudos na secção J dos comícios, o mais provável é cheirar a suor e ressentimento, misturados com pó de metal, ferodo queimado e, mesmo, farelo.
Os comícios do PSD, ou do PPD/PSD (depende um bocado de quem está a referir-se ao partido ser o Santana Lopes), são fáceis de reconhecer. Cheiram a puros charutos Habanos, importados da Costa Rica e a Chanel nº5.
Resta-nos o PS - a não ser que o tribunal de Oeiras venha obrigar o Moyle a descrever aromaticamente uma arruada do PCTP/MRPP e um comício de Garcia Pereira. Se for o caso, o Moyle cumprirá com a ordem judicial sem qualquer prurido caracterizando-os como cheirando a esturro e a inutilidade - que, corrijam o Moyle se estiver errado, não tinha um cheiro particular que o distinguisse dos restantes. Não se pretende com isto dizer que o Partido Socialista de Sócrates não tem definição ideológica, sendo os odores uma metáfora. O certo é que a amálgama de pessoas tornava o ar confuso e pouco explícito olorosamente falando.
Este ano, nesta campanha, o PS conseguiu dar o passo que lhe faltava para se definir aromaticamente. Registou-se, praticamente, uma revolução olorosa de tendência oriental. Foi uma agradável novidade o cheirinho a canela e, acima de tudo, a chamuças que passou a preencher a digressão do PS por todo o país.

5/26/2011

Bruno Mars Sucks! ... Big Time!

Além do pouco tempo, a criatividade tem andado extremamente deprimida e, por isso, as ideias que normalmente fluem do Moyle como cinzas de um vulcão islandês, ou euros dos bolsos da Troika, estão tão secas como as praias do Aral. Daí que a única maneira de resolver o prolongado silêncio fosse picturalmente.
Quando voltar, logo atendo às vossas reacções à masterpiece moylística. Se forem a Salamanca chamem. O Moyle promete que não vos ignora discretamente.

5/17/2011

There's No Core... Like Hardcore

Tem um irmão que comenta Vico, Joaquim de Fiore, Santo Agostinho, Hegel, Walter Benjamin [embora este nem tanto] e por aí fora, e depois a única linguagem que o Sr. Catroga encontra é esta?
Dada maneira como articula as palavras, parece ao Moyle que, na realidade, o putativo próximo ministro das Finanças tem mesmo um problema de pentelhos [aparece assim escrito no Priberam, é assim que aparece aqui no Moyle]!
Que foi?
Que caras indignadas são essas?
É preciso o Moyle iniciar uma carreira política para ter direito ao mau gosto?

5/11/2011

لا يخلي الحرباء عن ساق شجرة حتى يمسك بساق شجرة أخرى

Quando o governo caiu, o Moyle chalaceou a situação mas, ao mesmo tempo, alertando para a circunstância de que a queda não significava a morte da personagem maior das nossas misérias presentes. Como num thriller, esperava, aparentemente moribundo, que os seus incautos inumadores se distraíssem com festejos e exéquias para os apanhar desprevenidos. E conseguiu!
Longe de morto, Sócrates, num passe de mágica, saltou do féretro para nos obsequiar com os seus habituais dotes de malabarismo.
Já repararam naquelas filas do aeroporto que obrigam os utentes a serpentear longos metros em pouco espaço? Não acham extraordinariamente irritante estar o aeroporto completamente vazio e aquela infernal maquinação nos obrigar a dar voltinhas e mais voltinhas como se fôssemos borboletas paneleiras numa prova de natação masculina? Vamos aqui discutir - embora não haja grande coisa a debater - sobre esta simples medida de gestão das multidões e de racionalização da circulação de muita gente em espaços limitados.
Essas "serpentinas" de peões que nos fazem caminhar 50 metros, para percorrer um percurso de 3 metros, levantam aspectos extremamente interessantes. Se calhar não são muito interessantes, mas apetece ao Moyle que seja.
O que impede alguém de fazer o seu percurso a direito? É que o percurso a percorrer é circunscrito por meras fitas que, convenhamos, não impediriam alguém de seguir em frente se assim lhe aprouvesse.
Na realidade, podemos analisar a coisa de duas perspectivas. Ou somos uma cambada de bovinos, mansos, que segue para onde lhe mandam ir! Ou, somos incorrigivelmente cepos e labregos sem civismo que, sem uma indicação de como nos devemos comportar, amassamos tudo e todo aquele que se nos meter no caminho! (Naturalmente, trazer o civismo à colação faria sentido, mas o Moyle não o fará. Precisamente por isso. Por fazer sentido! Viva o maniqueísmo!)
Fazendo aqui um salto lógico digno de um escolástico medieval. Não estaremos nós, nas eleições que se aproximam, parados diante do dilema de como negociar o travessia de um destes labirintos fátuos de fitinhas, como há nos aeroportos?
Por um lado conformamo-nos a percorrer ordeiramente o caminho que nos traçam, independentemente de ser necessário ou não? Ou, como vândalos sedentos de violar matronas romanas, vamos a direito e cortamos caminho pelos pseudo-obstáculos que nos põem à frente?
É um dilema, efectivamente. É que, se como uma pessoa normal, o Moyle ainda chamasse para aqui o civismo, estaríamos na presença de um verdadeiro trilema! Bom, mas antes que pareça que o Moyle está a falar de coisas sérias, deixemo-nos de tretas!
De qualquer maneira, o Disco Riscado (9.5.2011), que se apressaram a anunciar como morto, está bem vivinho de Pinto de Sousa - Costuma-se dizer Vivinho da Silva, mas o Moyle decidiu fazer algo mais original com o este tão enraizado brasileirismo. E os outros que fazem, dão-lhe música de fundo para a voz de cana rachada que se continua a impor centésima a centésima nas intenções de voto!

5/02/2011

Les Misérables

Esta semana começou estranha. Ao deslocar-se para o local em que passa algum tempo para ser remunerado, o Moyle ligou a TSF - comme d'habitude - a apanhou uma notícia a meio em que se dizia que tinha sido encontrado o corpo parcialmente desfigurado.
O Moyle pensou: encontrado? parcialmente desfigurado? C'um caraças, nem sabia que a Manuela Ferreira Leite estava perdida.
Enfim, não era nada disso, naturalmente. Parece que deram a comer chumbo aquecido a Osama bin Laden e ele mostrou-se alérgico. Ok, barbas por barbas, antes o bin Laden que o Pai Natal, mas continuando.
O que é verdadeiramente giro é a convicção do Moyle de que morreram por alergia a chumbo duas pessoas com nomes extraordinariamente parecidos, o que é uma coincidência notável. Nas notícias têm anunciado incansavelmente a morte de bin Laden, mas, por outro lado, nos fóruns [eu sei que o plural de forum, em latim, é fora, mas para não parece que se concentra demasiado em paneleirices optou-se pelo plural em português corrente] quer da TSF, quer da SICNotícias, curiosamente, todos os participantes parecem plenamente convictos de que quem morreu foi um senhor chamado Binde Ladém. E esta, hein?
Bom, mas deixemos estas palermices e vejamos outras parvoíces, como a da imagem seguinte retirada de uma daquelas correntes de prosperidade e dinheiro com que me atafulham, de tempos a tempos, o mail.
Ora, embora este cromo trabalhe na mesma cidade em que o Moyle habita, o vosso caro bloguista quer, desde já, demarcar-se das mentecaptices proferidas por aquele. Podia dar-se o caso de ser qualquer miasma que ascendesse das cristalinas águas do Mondego, mas não. Este senhor é estúpido por conta própria.
Confessa-vos o Moyle que nunca tinha ouvido falar na personagem até a Ipsis chamar atenção para esta aventesma [no post de 30.04.11], que dá pelo nome de Idiota Leite de Campos - e se não dá, devia dar - e para as suas alucinações demenciais.
Não discutindo a premissa de que todos devíamos pagar 42% sobre, pelo menos, €10.000 de rendimentos brutos, o Moyle gostaria de saber onde é que este génio da fiscalidade imagina que os portugueses que vivem na miséria e os portugueses que não existem - sim, porque se quem ganha €1000 é miserável, quem ganha o salário mínimo não existe - vão buscar a casa, a roupa lavada, a instrução dos filhos e a saúde.

Mais do que nunca, o problema de Portugal não é a existência de 20% da população que vive abaixo, ou no limiar da pobreza - o que era de esperar que um fiscalista duplamente doutorado soubesse - o problema desta santa parvónia são os pobres, sim, mas os pobres de espírito. Tendo a mania que são iluminados pela graça divina, julgam que vivem acima de uma qualquer piolheira na qual, curiosamente, são eles os parasitas.

4/29/2011

Amanita muscaria


Como o tema é chato, optei por misturar imagem e texto.
Por um lado, mesmo que estes dois dessem - que não dão - material para um texto de jeito, restava ainda o facto de ser quântica a possibilidade do Moyle escrever um texto de jeito.
Por outro lado, só as carantonhas destas duas aventesmas sem nada a distrair, um texto nomeadamente, poderia tornar-se numa experiência jungiana para vocês e o Moyle nutre uma profunda simpatia por vós.
Fica isto, então!

3/31/2011

Δεῖμος καὶ Φόβος


Se o Coelhinho da Páscoa pensa que vai ter uma vida santa bem que pode tirar o pompom que tem como cauda da chuva, porque isso não acontecerá. Haverá sempre algum espectro em seu redor. Seja o espectro do eng§@*+ro Sócrates que o irá atormentar na pré-campanha, na campanha e na pós-campanha - até porque os truques políticos serão semelhantes e o eng§@*+ro quererá, naturalmente, defender os seus direitos de autor -, seja o fantasma mor da múmia de Belém, que nos assombra a todos e, cheira ao Moyle, ao Coelhinho em particular.
O Moyle vai ali num instante a Poitiers, ver como funcionam os países a sério. Pelo menos até Domingo não deverá ser assombrado por todos estes tristes espectros [leiam estas quatro palavras em voz alta muito rápido, que é giro].

3/23/2011

Dead Man Walking

Mamã - Olha-me esses joelhos todos esfolados. Ai, acuda-me o São Bentinho da Porta Aberta. Mas que raio se passou?
Menino Governo - Caí!
Mamã - Como é isso aconteceu?
Menino Governo - Foi a brincar com os outros meninos!
Mamã - O qu'é qu'eu te disse? Mas o qu'é qu'eu te disse?
Menino Governo - Eu sei, mamã...
Mamã - Não é eu sei, nem deixo de saber. Vais-me dizer, palavra por palavra, o qu'é qu'eu te disse!
Menino Governo - Disseste para não andar a brincar com os outros meninos porque ia-me aleijar.
Mamã - Pois disse! Foi isso mesmo que eu disse! Mas como é que te aleijaste?
Menino Governo - Estávamos a puxar uma corda, eles de um lado e eu do ou...
Mamã - Mas olha-me que estúpido, oh valha-me Sant'antoninho. Eles todos a puxarem ao mesmo tempo, estava-se mesmo a ver que te desviraram e arrojaram pelo chão fora! És tão burrinho, graças ao Senhor.
Menino Governo - Mas oh mãe, eles não me ganharam.
Mamã - Não te ganharam? Não te ganharam? Atão como é que esfacelaste os joelhos todos dessa maneira?
Menino Governo - Oh, foi a corda que partiu!

3/22/2011

Dia a Seguir ao da Árvore


Muito bem, como anteontem foi o equinócio da Primavera, hoje é o dia depois do dia da árvore. Por falta de árvore em condições, comemoramos com três cepos. Só para compensar.

3/19/2011

Golf(p)e de Estado

Já toda a gente está ao corrente da elevadíssima qualidade dos nossos políticos. Até aqui, nada de novo. No entanto, não deixa de surpreender a criatividade e imaginação com que esses mesmos políticos se desenrascam quando têm que justificar as antológicas ideias de ciência política e de arte governativa que depois de regularmente evacuadas nos atiram para cima.
Agora foi o génio que decidiu a tributação do Golfe com taxa de IVA reduzida, ou seja, 6%. Faz sentido tributar uma actividade desportiva em apenas 6% quando muitos produtos alimentares são tributados a 23%. É um país de gordos e, caso não saibam, a esperança média de vida está, pela primeira vez desde o cheiro a Revolução Industrial - sim, porque em Portugal não se pode falar em Revolução Industrial mas sim em vapores da mesma, já que Industrial e Portugal são termos mutuamente exclusivos, embora rimantes -, em movimento descendente.
Pode-se argumentar, embora pareça ao Moyle que tal fosse um mero exercício de demagogia e maus-fígados, que se o objectivo é melhorar o nível físico e de saúde do país, faria mais sentido tributar menos onerosamente os ginásios. Ou ainda, se quisermos ser mesmo mesquinhos reverter medidas como a extinção do Desporto Escolar. Estas duas possibilidades sustentar-se-iam, de forma naturalmente sofística, com a argumentação de que, desta forma, se obteriam mais e melhores resultados em termos de saúde pública porque tanto os ginásios como o Desporto Escolar abrangeriam uma maior franja demográfica.
Mas este tipo de conversa, ou pseudo-argumentação, não nos deixemos comer por lorpas, é tão capciosa como considerarmos uma boa ideia vender Indulgências em Wittenberg, ou esperar inteligência do Pedro Marques Lopes.
Estas possibilidades argumentativas são falaciosas e mal-intencionadas porquê? São muito fáceis de determinar em termos de origem ideológica: são atoardas de Direita. O Governo actual é, muito clara e obviamente, Socialista, de esquerda, de uma esquerda pura e humanista, preocupada com valores e com o Homem.

[advérbio de modo, aqui, só para começar a frase] que as motivações de um governo verdadeiramente de esquerda, filiado na matriz Fraternidade, herdada dos revolucionários franceses, são mais abrangentes que as da Direita, baseadas no mote Liberdade, nascido desse mesmo episódio revoulcionário matricial, mas que beneficia unicamente uma burguesia pretensiosa, opressiva e vampírica que vive apenas de e para despudoradamente sugar o sangue da classe proletária.
Quem, no nosso país, mais precisa de emagrecer? São esses mesmos que todos nós conhecemos, os fat cats, administradores, gestores, antigos ministros e secretários de Estado, tornados CEO's, BBC's, CFC's e LCD's, que gordurosamente se enchem como nababos sobrevalorizados em funções de utilidade duvidosa. São estes gajos todos que engordam perigosamente, até porque todos os outros não têm assim tanto para comer como isso.
Agora, se este pequeno grupo de pançudos tem engordado, embora à custa de todos os outros, é natural que seja este grupo o mais necessitado de exercício físico. Logo, nada como incentivá-los a tal prática baixando os custos do desporto preferencial desta maralha, isto é, o golfe. Portanto, em vez de demagogias, típicas de Direita, não há como adaptar as soluções aos problemas, sem desperdícios, sem populismos, com eficácia e assertividade, o que é típico do nosso governo de Esquerda.
Há que proteger estas elites que, no fundo, são responsáveis pela belíssimo e felicíssimo momento em que nos encontramos enquanto país, cultura, sociedade e economia. Ninguém se pode arriscar, neste momento, a que esta gente morra toda e deixe incompleta a obra magnífica que conseguiram em transformar este país num país rico, moderno, que serve de modelo e exemplo a todo o mundo desenvolvido, em vias de desenvolvimento, subdesenvolvido e à Madeira.
Já imaginaram se tudo o que é gestor e administrador público, ex-ministros e ex-secretários de Estado, quadros de administração intermédia de nomeação política, morressem agora de doenças relacionadas com excesso gordura? O que seria do nosso país?
Além do mais, o golfe é uma indústria em expansão que dizem valer 500 milhões de euros para a economia nacional, e contra isso o Desporto Escolar não tem nada a dizer porque só acrescenta despesa e nenhum ganho. O que ganha um país em evitar que os putos que passam o dia a enfardar bollycaos e gomas pratiquem desporto? Mas com o golfe ganha 500 milhões! Temos que ter atenção a estas minudências.


Se repararem bem, o PSD não é quem mais reclama das medidas do PS. Resulta bastante óbvio que, tal como metade dos manifestantes em Lisboa no passado dia 12 de Março de 2011, o líder do PSD está, neste preciso momento, em estágio. Tem a sorte de estar a aprender com um dos melhores. Portanto, e na medida em que esse estágio está em vias de terminar, não lhe convém protestar ou reclamar muito com quem lhe está a ensinar os ossos do ofício e a abrir caminho para mais do mesmo.
Os partidos mais pequenos falam alto, protestam, indignam-se, como se calhar a maior parte da população deveria fazer, mas é só porque já sabem que não governarão. Caso tivessem a mínima concepção de que o poderiam fazer, os protestos seriam menos veementes, mais condescendentes e ligeiramente menores em sonoridade e indignação.
Pelo menos para já, este é um jogo que tem sido jogado a dois, o actual golfista tem preparado as tacadas do próximo. Veremos quanto tempo dura e quando é que o Zé Povinho exige dar também umas tacadas de IVA reduzido.
O Moyle não acha grande piada ao Golfe. É um desporto violento, rápido e extremamente agressivo fisicamente, mas para ver o Zé Povinho à tacada até assinaria a SPORTTV Golfe.

3/09/2011

Ca(ro) Da(ta) Ver(mibus)

Antes de mais, o Moyle deve penitenciar-se por vos sujeitar a mais uma bonecada da treta, em vez da prosa épica que vos faz regressar aqui.
Talvez o mal-estar generalizado que se faz sentir nos últimos tempos contribua para essa dificuldade do Moyle.
O presidente tomou posse. O mesmo presidente. Aquele que estava antes, está lá de novo. A economia anda por baixo, as finanças por cima (mas em mau), o emprego é cada vez mais uma variável... Mas nada disto interessa muito. É claro que 8 pontos eram muitos, mas 11 são demais.
Enquanto durar este "mal de vivre", o mais certo é que sejam estas bonecadas a disfarçar as insuficiências moylísticas em termos de criatividade.

3/05/2011

Unleash the Kraken!!!!


Como começa o fim de semana de Carnaval, nada como um coelho que se prepara para voar. Ou, pelo menos, está convencido disso...

3/02/2011

Les Pêcheurs de Perles



Nós ouvimos falar um.
Depois, ouvimos responder o outro.
Fala novamente o um.
Replica o outro.
E, enquanto falam um com o outro, tanto o um, como o outro, estão a falar consigo próprios.

2/26/2011