4/29/2011

Amanita muscaria


Como o tema é chato, optei por misturar imagem e texto.
Por um lado, mesmo que estes dois dessem - que não dão - material para um texto de jeito, restava ainda o facto de ser quântica a possibilidade do Moyle escrever um texto de jeito.
Por outro lado, só as carantonhas destas duas aventesmas sem nada a distrair, um texto nomeadamente, poderia tornar-se numa experiência jungiana para vocês e o Moyle nutre uma profunda simpatia por vós.
Fica isto, então!

3/31/2011

Δεῖμος καὶ Φόβος


Se o Coelhinho da Páscoa pensa que vai ter uma vida santa bem que pode tirar o pompom que tem como cauda da chuva, porque isso não acontecerá. Haverá sempre algum espectro em seu redor. Seja o espectro do eng§@*+ro Sócrates que o irá atormentar na pré-campanha, na campanha e na pós-campanha - até porque os truques políticos serão semelhantes e o eng§@*+ro quererá, naturalmente, defender os seus direitos de autor -, seja o fantasma mor da múmia de Belém, que nos assombra a todos e, cheira ao Moyle, ao Coelhinho em particular.
O Moyle vai ali num instante a Poitiers, ver como funcionam os países a sério. Pelo menos até Domingo não deverá ser assombrado por todos estes tristes espectros [leiam estas quatro palavras em voz alta muito rápido, que é giro].

3/23/2011

Dead Man Walking

Mamã - Olha-me esses joelhos todos esfolados. Ai, acuda-me o São Bentinho da Porta Aberta. Mas que raio se passou?
Menino Governo - Caí!
Mamã - Como é isso aconteceu?
Menino Governo - Foi a brincar com os outros meninos!
Mamã - O qu'é qu'eu te disse? Mas o qu'é qu'eu te disse?
Menino Governo - Eu sei, mamã...
Mamã - Não é eu sei, nem deixo de saber. Vais-me dizer, palavra por palavra, o qu'é qu'eu te disse!
Menino Governo - Disseste para não andar a brincar com os outros meninos porque ia-me aleijar.
Mamã - Pois disse! Foi isso mesmo que eu disse! Mas como é que te aleijaste?
Menino Governo - Estávamos a puxar uma corda, eles de um lado e eu do ou...
Mamã - Mas olha-me que estúpido, oh valha-me Sant'antoninho. Eles todos a puxarem ao mesmo tempo, estava-se mesmo a ver que te desviraram e arrojaram pelo chão fora! És tão burrinho, graças ao Senhor.
Menino Governo - Mas oh mãe, eles não me ganharam.
Mamã - Não te ganharam? Não te ganharam? Atão como é que esfacelaste os joelhos todos dessa maneira?
Menino Governo - Oh, foi a corda que partiu!

3/22/2011

Dia a Seguir ao da Árvore


Muito bem, como anteontem foi o equinócio da Primavera, hoje é o dia depois do dia da árvore. Por falta de árvore em condições, comemoramos com três cepos. Só para compensar.

3/19/2011

Golf(p)e de Estado

Já toda a gente está ao corrente da elevadíssima qualidade dos nossos políticos. Até aqui, nada de novo. No entanto, não deixa de surpreender a criatividade e imaginação com que esses mesmos políticos se desenrascam quando têm que justificar as antológicas ideias de ciência política e de arte governativa que depois de regularmente evacuadas nos atiram para cima.
Agora foi o génio que decidiu a tributação do Golfe com taxa de IVA reduzida, ou seja, 6%. Faz sentido tributar uma actividade desportiva em apenas 6% quando muitos produtos alimentares são tributados a 23%. É um país de gordos e, caso não saibam, a esperança média de vida está, pela primeira vez desde o cheiro a Revolução Industrial - sim, porque em Portugal não se pode falar em Revolução Industrial mas sim em vapores da mesma, já que Industrial e Portugal são termos mutuamente exclusivos, embora rimantes -, em movimento descendente.
Pode-se argumentar, embora pareça ao Moyle que tal fosse um mero exercício de demagogia e maus-fígados, que se o objectivo é melhorar o nível físico e de saúde do país, faria mais sentido tributar menos onerosamente os ginásios. Ou ainda, se quisermos ser mesmo mesquinhos reverter medidas como a extinção do Desporto Escolar. Estas duas possibilidades sustentar-se-iam, de forma naturalmente sofística, com a argumentação de que, desta forma, se obteriam mais e melhores resultados em termos de saúde pública porque tanto os ginásios como o Desporto Escolar abrangeriam uma maior franja demográfica.
Mas este tipo de conversa, ou pseudo-argumentação, não nos deixemos comer por lorpas, é tão capciosa como considerarmos uma boa ideia vender Indulgências em Wittenberg, ou esperar inteligência do Pedro Marques Lopes.
Estas possibilidades argumentativas são falaciosas e mal-intencionadas porquê? São muito fáceis de determinar em termos de origem ideológica: são atoardas de Direita. O Governo actual é, muito clara e obviamente, Socialista, de esquerda, de uma esquerda pura e humanista, preocupada com valores e com o Homem.

[advérbio de modo, aqui, só para começar a frase] que as motivações de um governo verdadeiramente de esquerda, filiado na matriz Fraternidade, herdada dos revolucionários franceses, são mais abrangentes que as da Direita, baseadas no mote Liberdade, nascido desse mesmo episódio revoulcionário matricial, mas que beneficia unicamente uma burguesia pretensiosa, opressiva e vampírica que vive apenas de e para despudoradamente sugar o sangue da classe proletária.
Quem, no nosso país, mais precisa de emagrecer? São esses mesmos que todos nós conhecemos, os fat cats, administradores, gestores, antigos ministros e secretários de Estado, tornados CEO's, BBC's, CFC's e LCD's, que gordurosamente se enchem como nababos sobrevalorizados em funções de utilidade duvidosa. São estes gajos todos que engordam perigosamente, até porque todos os outros não têm assim tanto para comer como isso.
Agora, se este pequeno grupo de pançudos tem engordado, embora à custa de todos os outros, é natural que seja este grupo o mais necessitado de exercício físico. Logo, nada como incentivá-los a tal prática baixando os custos do desporto preferencial desta maralha, isto é, o golfe. Portanto, em vez de demagogias, típicas de Direita, não há como adaptar as soluções aos problemas, sem desperdícios, sem populismos, com eficácia e assertividade, o que é típico do nosso governo de Esquerda.
Há que proteger estas elites que, no fundo, são responsáveis pela belíssimo e felicíssimo momento em que nos encontramos enquanto país, cultura, sociedade e economia. Ninguém se pode arriscar, neste momento, a que esta gente morra toda e deixe incompleta a obra magnífica que conseguiram em transformar este país num país rico, moderno, que serve de modelo e exemplo a todo o mundo desenvolvido, em vias de desenvolvimento, subdesenvolvido e à Madeira.
Já imaginaram se tudo o que é gestor e administrador público, ex-ministros e ex-secretários de Estado, quadros de administração intermédia de nomeação política, morressem agora de doenças relacionadas com excesso gordura? O que seria do nosso país?
Além do mais, o golfe é uma indústria em expansão que dizem valer 500 milhões de euros para a economia nacional, e contra isso o Desporto Escolar não tem nada a dizer porque só acrescenta despesa e nenhum ganho. O que ganha um país em evitar que os putos que passam o dia a enfardar bollycaos e gomas pratiquem desporto? Mas com o golfe ganha 500 milhões! Temos que ter atenção a estas minudências.


Se repararem bem, o PSD não é quem mais reclama das medidas do PS. Resulta bastante óbvio que, tal como metade dos manifestantes em Lisboa no passado dia 12 de Março de 2011, o líder do PSD está, neste preciso momento, em estágio. Tem a sorte de estar a aprender com um dos melhores. Portanto, e na medida em que esse estágio está em vias de terminar, não lhe convém protestar ou reclamar muito com quem lhe está a ensinar os ossos do ofício e a abrir caminho para mais do mesmo.
Os partidos mais pequenos falam alto, protestam, indignam-se, como se calhar a maior parte da população deveria fazer, mas é só porque já sabem que não governarão. Caso tivessem a mínima concepção de que o poderiam fazer, os protestos seriam menos veementes, mais condescendentes e ligeiramente menores em sonoridade e indignação.
Pelo menos para já, este é um jogo que tem sido jogado a dois, o actual golfista tem preparado as tacadas do próximo. Veremos quanto tempo dura e quando é que o Zé Povinho exige dar também umas tacadas de IVA reduzido.
O Moyle não acha grande piada ao Golfe. É um desporto violento, rápido e extremamente agressivo fisicamente, mas para ver o Zé Povinho à tacada até assinaria a SPORTTV Golfe.

3/09/2011

Ca(ro) Da(ta) Ver(mibus)

Antes de mais, o Moyle deve penitenciar-se por vos sujeitar a mais uma bonecada da treta, em vez da prosa épica que vos faz regressar aqui.
Talvez o mal-estar generalizado que se faz sentir nos últimos tempos contribua para essa dificuldade do Moyle.
O presidente tomou posse. O mesmo presidente. Aquele que estava antes, está lá de novo. A economia anda por baixo, as finanças por cima (mas em mau), o emprego é cada vez mais uma variável... Mas nada disto interessa muito. É claro que 8 pontos eram muitos, mas 11 são demais.
Enquanto durar este "mal de vivre", o mais certo é que sejam estas bonecadas a disfarçar as insuficiências moylísticas em termos de criatividade.

3/05/2011

Unleash the Kraken!!!!


Como começa o fim de semana de Carnaval, nada como um coelho que se prepara para voar. Ou, pelo menos, está convencido disso...

3/02/2011

Les Pêcheurs de Perles



Nós ouvimos falar um.
Depois, ouvimos responder o outro.
Fala novamente o um.
Replica o outro.
E, enquanto falam um com o outro, tanto o um, como o outro, estão a falar consigo próprios.

2/26/2011

2/24/2011

De Correctione Rusticorum


O Moyle não tem muito para dizer. Vem aqui hoje só para descomentar as palavras de Francisco Louçã que afirmou, algo despudoradamente que tem uma paciência evangélica para Sócrates.
A pergunta que se impõe aqui é muito simples: E quem é que tem paciência para estas reverendíssimas eminências todas? Esta espécie de santinhos de madeira carunchosa, ou daqueles monges ocos com cordelito, que se vendiam nas feiras antigamente.
A última vez que o Moyle verificou, nós éramos o Zé Povinho, não o Job Povinho!

2/20/2011

Shema Yisrael Adonai Eloheinu


Em tempos de optimismo e de descontracção espiritual, como os que vivemos, é nossa obrigação postar algumas oferendas nos altares de Mnemósina.

Não é apenas quando vierem - e um dia virão, acreditem. Apesar de neste momento nos parecerem improváveis, longínquos e apenas uma sombra de ameaça eventual de um sonho mau. - os tempos negros de desespero, de incerteza e dúvida, que devemos lembrar que houve tempos bons, positivos e de confiança num futuro melhor.

Em memória de tempos tão confiantes, bonançosos e de inabalável esperança no futuro da Humanidade, como uma oração a Clio, o Moyle traz-vos hoje a lembrança do Renascimento pós-medieval. Rosa nascida no deserto, o Renascimento esconde mais que a revalorização de cânones estéticos e técnicos da Antiguidade latino-helénica.

O Renascimento assistiu ao surgimento de uma nova filosofia, positiva, confiante, de descoberta do Homem, do Universo e do futuro: o Humanismo. Hoje, vivemos tempos semelhantes, de crescimento material e espiritual que, agora sabemos, serão infinitos.

Dos tempos de Maquiavel, Pico della Mirandola, Copérnico, Bramante, surgiu a bela imagem que vos trago, de André Vesálio, pai da Anatomia Moderna. Imagem poderosa, mais do que apenas um desenho técnico de Medicina, mostra-nos o Homem a ponderar-se a si próprio, a ponderar a finitude da Vida, a ponderar a inevitabilidade da Morte e a ponderar a transitoriedade do Poder.

2/11/2011

É meio quilo de anti-matéria, fáxavôr!

Aqui fica o penhorado agradecimento do Moyle às dezenas de milhares de europeus que agonizaram e morreram de malária no século XIX. Sem vocês, o gin tónico nunca teria sido inventado. Bem hajam!

2/03/2011

Dupla Exodontia ao Poder!



Quando os nossos políticos falam, os meus olhos deliram de possibilidades e, embora a habilidade seja franciscana de meios, as intenções são jesuíticas de grandiosidade.
Permitem-me as circunstâncias que ouça bastante rádio e, como só ouço a TSF (às vezes a R.R.C. quando joga a Briosa), as notícias sobre política nacional são inevitáveis. É giro porque, indo de carro, sem mais nada a distrair (como por exemplo as fronhas dos protagonistas, se estivesse a ver tv), as palavras ditas ganham outra dimensão, transformam-se em imagens. Claro que, provavelmente, não seriam as imagens que os emissores das mensagens orais pretenderiam mas, ainda assim, imagens que, do meu ponto de vista, são mais interessantes.
Portanto, e sem maior digressão, apresento aqui os meus agradecimentos à TSF por ter tornado as minhas, por vezes monótonas viagens, mais interessantes esta semana, transmitindo as palavras de Passos Coelho sobre a miopia política do Governo e sobre a salvação messiânica que tem programada para a nossa linda República, do pântano em que está atolada.

1/24/2011

Quis custodiet ipsos custodes?


Bem-vindos ao novo ano! Como ainda não tinha tido, ou fabricado, a oportunidade de vos desejar um ano pleno de estupidez de que vos possais rir e escarnecer com gosto e vontade, gargalhando fortemente até terdes o externo afectado de dormência, aqui fica esse desejo.

Um mês e meio depois da última idiotice aqui plantada, eis-me de novo aqui a malbaratar o pouco tempo que, por uma força suprema que não existe, nos é concedido quando somos paridos. Muitas coisas se foram passando entretanto, entre elas um ano, inclusivamente. De qualquer forma, isso acontece todos os anos e interessa pouco porque, para o ano, natural e redundantemente, há mais uma passagem dessas.

Antes de passarmos às eleições, cuja campanha me abstive de comentar para não influenciar as centenas de milhares de milhões de leitores deste blogue (vêem a consideração que tenho por vós os 4?), temos aqui outras miudezas a amanhar primeiramente.

Parece que morreu um colunista. Percebe-se todo o circo mediático em redor deste passamento porque fazer colunas é uma arte em vias de extinção. Apesar de toda a evolução técnica e estética e do passar dos milénios, a aplicação de colunas às construções continua insubstituível em termos de bom-gosto arquitectónico. Em vez dos monos actuais, não seria uma agradável "novidade" termos edifícios públicos dóricos, com interiores jónicos e, mesmo coríntios (embora este último estilo já tenda um bocadinho para o abichanamento). Além deste falecimento, parece que um jovem modelo perdeu a cabeça por uma qualquer razão. É natural que aconteça, para se subir na carreira de modelo deve ser preciso estar-se disponível a engolir muita coisa. Naturalmente, enervou-se o pobre! Até admira não acontecer com maior frequência.

Outra acontecência foi o revolucionário momento em que uma mulher grávida pariu. Realmente, a julgar pelo peso nas notícias e nos comentários, era de esperar que a criança fosse fruto de uma nova consubstanciação do Espírito Santo, mas não. A criança é filha do Yannick que joga no Zbordéng. Parece que o pormenor que se destaca é o nome do rebento do casal. Eu não percebo tanta celeuma. A menina chama-se Lyonce, da parte do pai (daí o timbre guineense do nome), e Viiktórya, da parte da mãe (daí o timbre idiótico da grafia). Convenhamos ainda que Viiktórya não podia ser da parte do pai. Basta lembrar o clube de futebol em que o progenitor joga para percebermos que não há afinidade possível.

Não deixando, ainda, o futebol de parte - é terreno tão fértil para acontecimentos como o estrume para cogumelos - só uma pequena anotação para chamar a vossa atenção para a data em que os órgão demissionários do Zbordéng deixarão o exercício de funções: 14 de Fevereiro! Pode ter passado despercebido à maioria mas ao Moyle não. Querem maior demonstração de amor ao clube? Melhor prenda para o Dia dos Namorados do que porem-se a andar da direcção do clube? Se houvesse um botãozinho para tal, por debaixo da direcção do Zbordéng, o Moyle clicaria !

Estou muito entusiasmado com o nosso país. Eu sei que é contra-corrente, mas não posso deixar de me sentir assim. Reparem, pela cagagésima vez este ano, caíram as temperaturas e nas nossas magníficas cidades o que se faz? Criam-se planos de contingência para os sem-abrigo! Atentem na beleza, muito pouco habitual note-se, no altruísmo, no desprendimento, no amor pela humanidade desta ideia! Faz-me sentir bem comigo mesmo pertencer a esta sociedade. Está muito frio? Está um frio excepcional? Há pessoas sem casa? Há pessoas que dormem nos pórticos de prédios e por debaixo de viadutos? Cria-se um plano de contingência! Atira-se-lhes mais um cobertor para esta semaninha extra e não se interfere nas escolhas de vida das pessoas. Este sim, é um país, uma sociedade, uma mentalidade verdadeiramente humanista! Não tem o mesmo élan que o hábito português de pôr um sinalinho na beira da estrada a indicar «Pavimento Degradado», em vez de reparar o asfalto, mas, ainda assim, é efectivamente belo, nesta época de exploração do Homem, pelo Homem e pelo Estado, este amor pela Humanidade. Não se lhes dá o peixe, nem a cana de pesca, nem se lhes ensina a pescar. Dá-se-lhes um cheirinho a peixe para não se interferir com sua a voluntária escolha de passar fome à beira de um rio!

Mas há mais motivos para me sentir satisfeito connosco. Ao mesmo tempo em que se anuncia grandiloquentemente a necessidade da violência de obrigar, imagine-se obrigar, as nossas crianças a serem mais magras, corta-se o financiamento do desporto escolar. Há esperança, efectivamente, nos nossos decisores políticos. Faz algum sentido forçar crianças - Oh, Senhor, as crianças - a serem mais magras? Mas que descriminação era esta? Cada um não tem direito de acumular os centímetros de perímetro que quiser? O Estado tem alguma coisa que intervir nos direitos das famílias de alargar a sua prole? Medidas como esta de exterminar a prática desportiva das escolas é de um respeito pela sociedade difícil de quantificar/qualificar pela grandeza dos valores intrínsecos.

Além disso, e ainda na escola, fazia algum sentido pagar salários e exigir à sociedade que alombasse com as despesas de milhares de professores de Educação Visual e Tecnológica quando em 500 anos tivemos meia-dúzia de artistas em condições (e maior parte estudou no estrangeiro)? Claro que não! Se aparecesse um génio, mesmo um génio daqueles geniais, qualquer caixa de bolachas e cisco de carvão seriam suficientes para expressar a sua genialidade. Além disso, o paint no Magalhães tem tintas e pincéis que cheguem para a putalhada riscanhar, sem gastar mais que umas voltitas no contador de electricidade. Professores de EVT? Nababos lautamente remunerados e sem utilidade aparente. Mas de que serve desenvolver competências de coordenação psicomotora fina, desenvolver aptidões estéticas e conhecer o potencial plástico e técnico de vários materiais? De qualquer maneira, para trabalhar em fábricas, carregar materiais de construção, repor pacotes de massa e latas de atum num hipermercado, atender telefones num call center, para que servem essas tretas todas?

Voltando ao tema que nos junta aqui hoje, as eleições presidenciais! A campanha eleitoral correu bem. Quer dizer, correu dentro do nível que se esperava levando em linha de conta a matéria-prima. De qualquer maneira, devemos ter em atenção que estavam reunidas condições privilegiadas para abandalhar a campanha. Para tal, basta verificarmos o potencial chalacístico dos nomes dos candidatos.

Vejam a quantidade de piadas e trocadilhos a que se prestam nomes como Cavaco, Alegre, Nobre, Defensor de Moura, Coelho. Mas enfim, nada disso me pareceu seriamente aproveitado. No que toca a marisco, há algum mais Nobre, mas o Cavaco terá sempre Defensor nas classes populares, até porque marisco e Coelho à caçador deixam sempre o povo Alegre. E o Francisco Lopes? É do PC, e não é preciso dizer mais nada. Isto é só um exemplo, fraquinho até, do potencial que estes candidatos apresentavam à partida mas, enfim, ninguém pareceu com vontade de chegar-se à frente. O que diz bem do interesse despertado por esta campanha.

Mas o mais interessante destas eleições são as analogias onanísticas. Estes candidatos passaram a campanha a dissertarem para si próprios, o que, sem grande risco de esticar muito a corda na interpretação dos factos, podemos considerar como masturbação intelectual. Mas não vejam nesta associação moylística do prélio eleitoral à gloriosa arte de auto-consolo simplesmente como os delírios troantes de lunático varrido, ou constante idiossincrática destes exercícios escritos de vacuidade esquizofrénica. Não, não o façam. Foi o próprio candidato vencedor que se referiu às eleições presidenciais como masturbação, e fê-lo em termos inequívocos quando referiu «Foram cinco contra um»! Ora, todos sabemos o que significa o velho jogo autogratificante do "cinco contra um". Não há aqui qualquer tipo de dúvidas!

Resta ao Moyle, esclarecidas as dúvidas, um problema. Se as eleições nacionais foram um massivo exercício de estimulação masturbatória, por que raio de razão não sentiu o Moyle qualquer tipo de satisfação?


12/06/2010

Uma Epopeia Labrega

Ontem, Domingo, o Moyle sentiu-se mais completo, mais pessoa, mais tudo.
Pela primeira vez na sua vida, o Moyle foi ao centro comercial, a um Domingo, de fato de treino. Foi uma sensação cuja tradução verbal se torna extremamente complicada por um tornado de sentimentos cruzados que tornam as torrentes na Madeira como o suave murmurar de um regato na Primavera.
Ao Domingo, num centro de comercial, de fato de treino... Foi épico!

11/30/2010

Quem é Quem?

Primeiro é o André quem tem a mania que é o José! Agora, é o José que tem a mania que é o Jorge! Afinal em que ficamos? E ninguém quer ser o Paulo? Pobrezinho!
[Fácil de digerir, até acredito, mas quando for ao trono de cerâmica há-de-lhe causar um mau bocado ao esfíncter!]

11/28/2010

Ecce Cromo


Digam lá o que disserem, Jesus não podia ser um gajo muito esperto. Então, com 33 anos, na flor da idade e no auge das capacidades físicas não se põe na alheta para fora de uma Judeia mortinha por lhe acertar o passo? Isto é de um tipo minimamente atento?
Que faz a personagem? Deixa-se agarrar que nem um papalvo, leva pancadaria de criar bicho e, depois de lhe terem estropiado a fronha é que ele se põe a andar. Mas não foi logo, apenas 3 dias depois, ou seja, quando já tinha o trombil a parecer a parte de trás de um acidente ferroviário.
Quando parecia que a coisa estava resolvida, águas passadas e tal, o nabo, que não tem outro nome, o que é que faz? Pumba, vai-se enfiar outra vez no meio dos judeus. Sabem o que lhe aconteceu não sabem? Naturalmente, aquilo que se esperava.
Mas custa muito a este gajo, isto é Jesus (para quem entretanto se perdeu no meio desta extraordinária peça de prosa), perceber que os judeus lhe vão esgadanhar a fuça de cada vez que ele lá puser os pés? Já agora, mas que raio têm os judeus contra o nome Jesus? Ou não será do nome?
Depois, o Mel Gibson é que era anti-semita e tal. Desta vez não havia romanos e os judeus , sem ajuda, afiambraram, ainda assim, Jesus.



(Esta notazinha serve aqui para vos informar de que o Moyle está consciente de parecer bastante primário ao comentar as acontecências da religião avermelhada fixado apenas num alvo. Mas notem bem - ou não fosse isto uma nota. Qual é o nome desse alvo? Ora, precisamente, o nome é Jesus, o triste, pobre e burro que se ofereceu para expiar as culpas dos outros todos. Meus lindos, ele é que quis, opções de vida, enfim, e quem é o Moyle para as desrespeitar?)

11/16/2010

Idiotas (versão Beta 2.0)


Lembram-se do "Tron"? Eu tenho uma vaga mas impressiva recordação desse filme. Os efeitos especiais marcaram-me e demoraram muito tempo a ser suplantados na minha imaginação. E lembram-se daquela corrida de motas virtuais em que um contendor tenta encurralar o outro com o rasto da sua deslocação, sendo que ambos apenas se podem deslocar em ângulos rectos a uma velocidade absolutamente sideral? Antologia, meus caros. Essa sequência é de antologia!
O enredo desenvolve-se entre a virtualidade real e a realidade virtual, em que os seres humanos acabam digitalizados para o interior de um programa informático, desenvolvendo-se em ambiente de software a luta de um tipo qualquer pela reparação da injustiça que lhe foi feita, numa primeira fase, evoluindo, depois, para uma luta contra a inteligência artificial pelo Bem Comum e pela Humanidade. Tudo isto dentro de uns fatos justinhos - e uns capacetes muito à frente - com umas linhas que brilhavam hipnoticamente, como as meias brancas de um labrego numa discoteca de gosto duvidoso.
Ora bem, a virtualização da realidade e a necessidade de derivar para o mundo do software para resolver coisas quando não se tem capacidade virtual de realização, fez-me lembrar um pouco a nossa situação em termos de poder executivo [não digo em termos políticos porque, por questões de defeito profissional, a palavra "Política" é eivada de uma dignidade implícita que não quero conspurcar].
Todos têm reparado na constante softwarização da nossa política. É o governo electrónico, são os comentários presidenciais aos debates no Parlamento através do Facebook, é a twitterização da oposição laranja e por aí fora.
Ora, na comparação entre o filme, e o conceito, "Tron" com as nossas lideranças, o filme de 1982 sai a perder. Sai a perder, nomeadamente, em prestígio por ter sido usado em tal comparação. No entanto, apesar das quase três décadas de diferença, acaba por ganhar em sofisticação, em inteligência e, também, na qualidade do argumento e dos actores. É que, e vós bem o sabeis, para os actores, filme e argumento actuais começa a haver muito pouca pachorra, por muitos efeitos especiais e realizações virtuais para virtualizações da realidade que sejam usados. Pobres de nós, em vez de um "Tron" tivemos direito a uns poucos de Cromos!

11/10/2010

Chagas no Advento

Expliquem aqui uma coisinha se souberem, porque eu faltei à catequese. Quer dizer, não faltei sempre mas a maior parte das vezes não ouvi nada.
Como é possível que, ainda antes do Advento, Jesus já tenha 5 chagas. Os estigmas não são atributo da Páscoa? E afinal, o ano passado gajo era Deus e este ano é outra vez um menino Jesus?
Bem, se querem que lhes diga, deixem lá isso. Na realidade, parece-me que tenho andado a procurar informar-me no local errado. Tenho que deixar de ler "A Bola", o "Record" e "O Jogo". Vou assinar o "Amigo do Povo"!
De qualquer modo, nestas coisas da religião é melhor não pensar muito no assunto. É que, vai-se a ver e pimba, é um dogma. E, como sabemos, os dogmas não se discutem, aceitam-se...