
O Moyle vai ali num instante a Poitiers, ver como funcionam os países a sério. Pelo menos até Domingo não deverá ser assombrado por todos estes tristes espectros [leiam estas quatro palavras em voz alta muito rápido, que é giro].
Os autores abdicam de todas as responsabilidades sobre os conteúdos presentes neste blog... Porque não passam de tretas, por muito que desejem e achem o contrário. Não abdicamos, contudo, de todos e quaisquer direitos sobre esses mesmos conteúdos que se encontram protegidos pelas Leis de Protecção da Propriedade Intelectual em vigor (excepto na China e na Madeira). Assinado: O Alto, O Forte e o Moyle

Mamã - Olha-me esses joelhos todos esfolados. Ai, acuda-me o São Bentinho da Porta Aberta. Mas que raio se passou?
Pode-se argumentar, embora pareça ao Moyle que tal fosse um mero exercício de demagogia e maus-fígados, que se o objectivo é melhorar o nível físico e de saúde do país, faria mais sentido tributar menos onerosamente os ginásios. Ou ainda, se quisermos ser mesmo mesquinhos reverter medidas como a extinção do Desporto Escolar. Estas duas possibilidades sustentar-se-iam, de forma naturalmente sofística, com a argumentação de que, desta forma, se obteriam mais e melhores resultados em termos de saúde pública porque tanto os ginásios como o Desporto Escolar abrangeriam uma maior franja demográfica.

Antes de mais, o Moyle deve penitenciar-se por vos sujeitar a mais uma bonecada da treta, em vez da prosa épica que vos faz regressar aqui.Em tempos de optimismo e de descontracção espiritual, como os que vivemos, é nossa obrigação postar algumas oferendas nos altares de Mnemósina.
Não é apenas quando vierem - e um dia virão, acreditem. Apesar de neste momento nos parecerem improváveis, longínquos e apenas uma sombra de ameaça eventual de um sonho mau. - os tempos negros de desespero, de incerteza e dúvida, que devemos lembrar que houve tempos bons, positivos e de confiança num futuro melhor.
Em memória de tempos tão confiantes, bonançosos e de inabalável esperança no futuro da Humanidade, como uma oração a Clio, o Moyle traz-vos hoje a lembrança do Renascimento pós-medieval. Rosa nascida no deserto, o Renascimento esconde mais que a revalorização de cânones estéticos e técnicos da Antiguidade latino-helénica.
O Renascimento assistiu ao surgimento de uma nova filosofia, positiva, confiante, de descoberta do Homem, do Universo e do futuro: o Humanismo. Hoje, vivemos tempos semelhantes, de crescimento material e espiritual que, agora sabemos, serão infinitos.
Dos tempos de Maquiavel, Pico della Mirandola, Copérnico, Bramante, surgiu a bela imagem que vos trago, de André Vesálio, pai da Anatomia Moderna. Imagem poderosa, mais do que apenas um desenho técnico de Medicina, mostra-nos o Homem a ponderar-se a si próprio, a ponderar a finitude da Vida, a ponderar a inevitabilidade da Morte e a ponderar a transitoriedade do Poder.
Bem-vindos ao novo ano! Como ainda não tinha tido, ou fabricado, a oportunidade de vos desejar um ano pleno de estupidez de que vos possais rir e escarnecer com gosto e vontade, gargalhando fortemente até terdes o externo afectado de dormência, aqui fica esse desejo.
Um mês e meio depois da última idiotice aqui plantada, eis-me de novo aqui a malbaratar o pouco tempo que, por uma força suprema que não existe, nos é concedido quando somos paridos. Muitas coisas se foram passando entretanto, entre elas um ano, inclusivamente. De qualquer forma, isso acontece todos os anos e interessa pouco porque, para o ano, natural e redundantemente, há mais uma passagem dessas.
Antes de passarmos às eleições, cuja campanha me abstive de comentar para não influenciar as centenas de milhares de milhões de leitores deste blogue (vêem a consideração que tenho por vós os 4?), temos aqui outras miudezas a amanhar primeiramente.
Parece que morreu um colunista. Percebe-se todo o circo mediático em redor deste passamento porque fazer colunas é uma arte em vias de extinção. Apesar de toda a evolução técnica e estética e do passar dos milénios, a aplicação de colunas às construções continua insubstituível em termos de bom-gosto arquitectónico. Em vez dos monos actuais, não seria uma agradável "novidade" termos edifícios públicos dóricos, com interiores jónicos e, mesmo coríntios (embora este último estilo já tenda um bocadinho para o abichanamento). Além deste falecimento, parece que um jovem modelo perdeu a cabeça por uma qualquer razão. É natural que aconteça, para se subir na carreira de modelo deve ser preciso estar-se disponível a engolir muita coisa. Naturalmente, enervou-se o pobre! Até admira não acontecer com maior frequência.
Outra acontecência foi o revolucionário momento em que uma mulher grávida pariu. Realmente, a julgar pelo peso nas notícias e nos comentários, era de esperar que a criança fosse fruto de uma nova consubstanciação do Espírito Santo, mas não. A criança é filha do Yannick que joga no Zbordéng. Parece que o pormenor que se destaca é o nome do rebento do casal. Eu não percebo tanta celeuma. A menina chama-se Lyonce, da parte do pai (daí o timbre guineense do nome), e Viiktórya, da parte da mãe (daí o timbre idiótico da grafia). Convenhamos ainda que Viiktórya não podia ser da parte do pai. Basta lembrar o clube de futebol em que o progenitor joga para percebermos que não há afinidade possível.
Não deixando, ainda, o futebol de parte - é terreno tão fértil para acontecimentos como o estrume para cogumelos - só uma pequena anotação para chamar a vossa atenção para a data em que os órgão demissionários do Zbordéng deixarão o exercício de funções: 14 de Fevereiro! Pode ter passado despercebido à maioria mas ao Moyle não. Querem maior demonstração de amor ao clube? Melhor prenda para o Dia dos Namorados do que porem-se a andar da direcção do clube? Se houvesse um botãozinho para tal, por debaixo da direcção do Zbordéng, o Moyle clicaria
!
Estou muito entusiasmado com o nosso país. Eu sei que é contra-corrente, mas não posso deixar de me sentir assim. Reparem, pela cagagésima vez este ano, caíram as temperaturas e nas nossas magníficas cidades o que se faz? Criam-se planos de contingência para os sem-abrigo! Atentem na beleza, muito pouco habitual note-se, no altruísmo, no desprendimento, no amor pela humanidade desta ideia! Faz-me sentir bem comigo mesmo pertencer a esta sociedade. Está muito frio? Está um frio excepcional? Há pessoas sem casa? Há pessoas que dormem nos pórticos de prédios e por debaixo de viadutos? Cria-se um plano de contingência! Atira-se-lhes mais um cobertor para esta semaninha extra e não se interfere nas escolhas de vida das pessoas. Este sim, é um país, uma sociedade, uma mentalidade verdadeiramente humanista! Não tem o mesmo élan que o hábito português de pôr um sinalinho na beira da estrada a indicar «Pavimento Degradado», em vez de reparar o asfalto, mas, ainda assim, é efectivamente belo, nesta época de exploração do Homem, pelo Homem e pelo Estado, este amor pela Humanidade. Não se lhes dá o peixe, nem a cana de pesca, nem se lhes ensina a pescar. Dá-se-lhes um cheirinho a peixe para não se interferir com sua a voluntária escolha de passar fome à beira de um rio!
Mas há mais motivos para me sentir satisfeito connosco. Ao mesmo tempo em que se anuncia grandiloquentemente a necessidade da violência de obrigar, imagine-se obrigar, as nossas crianças a serem mais magras, corta-se o financiamento do desporto escolar. Há esperança, efectivamente, nos nossos decisores políticos. Faz algum sentido forçar crianças - Oh, Senhor, as crianças - a serem mais magras? Mas que descriminação era esta? Cada um não tem direito de acumular os centímetros de perímetro que quiser? O Estado tem alguma coisa que intervir nos direitos das famílias de alargar a sua prole? Medidas como esta de exterminar a prática desportiva das escolas é de um respeito pela sociedade difícil de quantificar/qualificar pela grandeza dos valores intrínsecos.
Além disso, e ainda na escola, fazia algum sentido pagar salários e exigir à sociedade que alombasse com as despesas de milhares de professores de Educação Visual e Tecnológica quando em 500 anos tivemos meia-dúzia de artistas em condições (e maior parte estudou no estrangeiro)? Claro que não! Se aparecesse um génio, mesmo um génio daqueles geniais, qualquer caixa de bolachas e cisco de carvão seriam suficientes para expressar a sua genialidade. Além disso, o paint no Magalhães tem tintas e pincéis que cheguem para a putalhada riscanhar, sem gastar mais que umas voltitas no contador de electricidade. Professores de EVT? Nababos lautamente remunerados e sem utilidade aparente. Mas de que serve desenvolver competências de coordenação psicomotora fina, desenvolver aptidões estéticas e conhecer o potencial plástico e técnico de vários materiais? De qualquer maneira, para trabalhar em fábricas, carregar materiais de construção, repor pacotes de massa e latas de atum num hipermercado, atender telefones num call center, para que servem essas tretas todas?
Voltando ao tema que nos junta aqui hoje, as eleições presidenciais! A campanha eleitoral correu bem. Quer dizer, correu dentro do nível que se esperava levando em linha de conta a matéria-prima. De qualquer maneira, devemos ter em atenção que estavam reunidas condições privilegiadas para abandalhar a campanha. Para tal, basta verificarmos o potencial chalacístico dos nomes dos candidatos.
Vejam a quantidade de piadas e trocadilhos a que se prestam nomes como Cavaco, Alegre, Nobre, Defensor de Moura, Coelho. Mas enfim, nada disso me pareceu seriamente aproveitado. No que toca a marisco, há algum mais Nobre, mas o Cavaco terá sempre Defensor nas classes populares, até porque marisco e Coelho à caçador deixam sempre o povo Alegre. E o Francisco Lopes? É do PC, e não é preciso dizer mais nada. Isto é só um exemplo, fraquinho até, do potencial que estes candidatos apresentavam à partida mas, enfim, ninguém pareceu com vontade de chegar-se à frente. O que diz bem do interesse despertado por esta campanha.
Mas o mais interessante destas eleições são as analogias onanísticas. Estes candidatos passaram a campanha a dissertarem para si próprios, o que, sem grande risco de esticar muito a corda na interpretação dos factos, podemos considerar como masturbação intelectual. Mas não vejam nesta associação moylística do prélio eleitoral à gloriosa arte de auto-consolo simplesmente como os delírios troantes de lunático varrido, ou constante idiossincrática destes exercícios escritos de vacuidade esquizofrénica. Não, não o façam. Foi o próprio candidato vencedor que se referiu às eleições presidenciais como masturbação, e fê-lo em termos inequívocos quando referiu «Foram cinco contra um»! Ora, todos sabemos o que significa o velho jogo autogratificante do "cinco contra um". Não há aqui qualquer tipo de dúvidas!
Resta ao Moyle, esclarecidas as dúvidas, um problema. Se as eleições nacionais foram um massivo exercício de estimulação masturbatória, por que raio de razão não sentiu o Moyle qualquer tipo de satisfação?


Expliquem aqui uma coisinha se souberem, porque eu faltei à catequese. Quer dizer, não faltei sempre mas a maior parte das vezes não ouvi nada.