
Esta pessoa - parece-me que podemos partir deste ponto, embora uma postura tendencialmente relativista me impeça frequentemente afirmações de carácter dogmático e absolutista -, Ricardo Gonçalves, foi eleita deputada à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Braga, sendo, portanto, uma das excelsas e digníssimas pessoas que representam a nação na casa da democracia - hoje estou um mãos largas nas certezas.
Não é a primeira vez que esta personag..., personalidade chama a atenção do Moyle. Mas depois de acalmada a tempestade, dissiparam-se os epítetos trocados e voltou tudo à aurea mediocritas costumeira. Mas, montado no seu corcel negro, este defensor dos fracos oprimidos irrompeu novamente com a sua capa negra esvoaçante e revolteando na brisa da desgraça para lançar o grito de revolta pela miséria que é forçada a todos os eleitores e, de entre estes, à mais desgraçada de todas as castas, os intocáveis vestidos pelo opróbrio, um grupo isolado votado ao ostracismo pela petulante sociedade dos nossos dias: os deputados. Depois de denunciar a escravatura em que os deputados são mantidos, recebendo uns miseráveis 3708€ de salário base que foram escandalosamente estropiados em nome da nossa opulenta economia, este cruzado da Justiça voltou a surpreender o mundo com a denúncia da fome.
Como podemos nós evoluir enquanto regime político, sociedade e economia se as pessoas que são brutalmente empurradas para a tomada de decisões são depois mantidas num estado de subnutrição permanente. Nós, enquanto cidadãos ricos e opulentos do alto dos nossos salários médios, devemos deixar as nossas opíparas orgias de desperdício por um momento e procurar nas nossas consciências as migalhas que reponham a justiça, a humanidade, em suma, a democracia.













