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O Alto, O Forte e o Moyle
O Governo anunciou mais uma vez a suspensão das obras do TGV entre Lisboa e o Poceirão. O mais giro não é construir uma linha de caminho-de-ferro que liga uma capital europeia ao um fim do mundo em Portugal. Um qualquer cu do mundo em Portugal tem mérito suficiente para ser ligado a Madrid que, talvez não saibam, é uma cidade cheia de espanhóis. Não, o mais giro é outra coisa.
O mais curioso é que ao mesmo tempo que anuncia a suspensão de uma obra, o Governo anuncia o lançamento dessa obra umas semanas depois. Já não é a primeira vez, suspeito que não será a última. E devo dizer que é absolutamente amoroso do Governo de fazer isso. Porquê?
Este cancela e anuncia de novo, cancela e anuncia de novo prmanentes conduzem o Moyle à segura conclusão de que este é o Governo que, desde que há democracia, mais fez pela inclusão das pessoas que sofrem de desafios psíquicos. Nunca os doentes de esquizofrenia, bipolaridade e maníacos compulsivos viram a sua condição tão defendida pelos poderes responsáveis perante a sociedade.
É linda, é fofa e, acima de tudo, bastante democrática, esta forma de discriminação positiva que divulga e esclarece ao mundo o sofrimento dos patológicos da bipolaridade. Em nome de todos nós, os que têm que atar os sapatos, desatá-los apenas para apenas os reapertar novamente, e recomeçam sucessivamente, e contam todos os palitos do chão quando a porcaria do paliteiro cai, de todos nós que não pisamos os intervalos entre os azulejos e para quem a calçada à portuguesa é um pesadelo, muito obrigado senhor engen... engen... pois... senhor Primeiro-Ministro.
Embora o título deste post deixe suspeitar uma óbvia, e lógica, conexão com o pequeno solavanco que afectou, por estes dias, o Processo Casa Pia no seu glorioso caminho para a prescrição, o tema é outro.
Todos os anos, fatal como o destino, certo como a diarreia segue de perto um paquistanês, inevitável como um mineiro chileno ir passar este ano à terra, exacto como um aumento de impostos no ano a seguir às eleições, tal como as folhas vermelhecem no Outono, temos o início das aulas. A imagem tem a ver com isso mesmo e pretende homenagear o amor... deixem-me expressar isto em condições, o AMOR que o nosso Primeiro e a nossa da Educação, ministros isto é, têm pelas crianças da sua terra. É com as pontas dos dedos embargadas pela emoção, e digitando afastado do teclado para não o danificar com o sal das minhas lágrimas, que vejo como os pequenitos deste país de gente triste, pobre, estúpida, e mais coisas bonitas e pitorescas, são acarinhados por este casalinho político de autênticos e inefáveis Pater e Mater Patriae (ou coisa que valha). Quem está preocupado com a luz dos olhos da nossa pobre nação acima de qualquer outro considerando merece a nossa estima, o nosso apreço, o nosso louvor e a nossa homenagem, ainda que esta seja tão hunilde e bruta como a presente. Fosse eu um poeta e far-lhes-ia um epitáfio tão bonito.
A imagem está um bocadito mal amanhada, admito, mas também, nestas coisas do Freeport , em particular, e da Justiça, em geral, tudo está um bocado mal amanhado (e cheira pior que o local de nascimento do Jean-Baptiste Grenouille). [Não considerem a referência literária absolutamente gratuita, tanto quanto desnecessária]. Se isto de ser Procurador Geral da República não der para os gastos, Pinto Monteiro pode ir sempre para Drag Queen. Rainha por rainha, estas últimas terão mais poder que a de Inglaterra...
Todos conhecem a história da galinha dos ovos de ovo - nos países anglo-saxónicos é uma gansa mas a treta é a mesma. O que poucos sabem é que dos ovos postos pela galinha, antes do trágico epílogo, um quedou-se escondido, vindo a eclodir num frango caríssimo.
Ainda fiz uma pesquisa de imagens que pudesse estragar para comentar a ida do João Moutinho do Zbordéng para o Ftólcuporto. Apesar de ter encontrado algumas com um certo potencial, acabei por achar que não valia a pena. De facto, a transferência sintetiza-se muito facilmente com meia dúzia de palavras. Depois de mais uma pêra na auto-estima dos lagartos infligida por Pinto da Costa, o banana do presidente do clube tentou disfarçar o melão chamando maçã podre ao jogador.
Nunca repararam no génio de quem chamou à nossa selecção "Equipa das Quinas"? É que, mais cedo ou mais tarde, é isso mesmo que acontece, quinam sem ganhar nada. De qualquer maneira, pareceu-me de mau agoiro apodar a equipa portuguesa que participou no Mundial da África do Sul de "Navegadores", como A Bola fez. E de mau agoiro porquê? Porque, por um lado, pareceram sempre mais as Navegantes da Lua (série de desenhos animados que eu não via mas de que recordo a existência), isto é, umas bonequinhas vaidosas e histéricas que andam aos pulos contra os maus da fita, do que intrépidos homens do mar que vencem as dificuldades à custa de suor, sangue e coragem. O desfecho do mundial acaba por não ser, de todo, descabido. Se bem se lembram, de todos os países com História marítima, somos os únicos com literatura de tragédias náuticas. Tentaram fazer da participação portuguesa no Mundial de 2010 «Os Lusíadas», do Camões, mas acabou por resultar, como se esperava, «A História Trágico-Marítima», do Bernardo de Brito.
Para não parecer uma constatação genial mas post facto tenho a dizer em minha defesa que já tinha a imagem pronta antes do primeiro jogo, exceptuando a mudança nas fronhas das bonecas.
Olá fofinhos e fofinhas, coisinhas mais lindas, riquezas das vossas avós. Como têm passado? Benzinho? Eu sei que a dúvida vos assalta e têm vergonha de perguntar mas não se preocupem porque não me melindra nada que estejam todos nus ao computador a ler os posts do Moyle. Muito contra o seu timbre o Moyle viu-se esmagado pelos factos e obrigado a colocar aqui uma imagem que não da sua autoria. De qualquer modo, também nisto não há melindre, há que reconhecer o mérito e a qualidade independentemente da sua fonte. A imagem é uma fotografia a um lar para, a 3ª Idade, captada hoje por um telemóvel (o que estava à mão), numa avenida de Coimbra, à qual foram retirados apenas os números de telefone. Publicidade gratuita sim, mas com limites. E o que chama a atenção nesta pobremente tirada foto? Isso precisamente, o nome do estabelecimento de acolhimento a cidadãos que se confrontam com a proximidade do momento de unir permanentemente os tornozelos. Mas quem raio se lembra de chamar a um lar de 3ª Idade "Eterno Paraíso"? É que só podemos estar na presença de um génio de marketing. Ao fazer check in num destes sítios, realmente o "Paraíso" e o "Eterno" são o que menos passa pela cabeça das pessoas. Genial, brutalmente genial. E faz-nos pensar, que outras palavras podemos usar associadas a lares de 3ª Idade? Que nomes simpáticos e nada inconvenientes se escondem na parte de trás das vossas imaginações? O Moyle apontará um ou outro mas espera que vocês colaborem!
Lar de 3ª Idade "Perpétuo Descanso" Centro de Dia "Feliz Passagem" Centro de acolhimento de idosos "Repouso Perene"
Agora que toda a gente está focada no jogo de ténis contra a Coreia do Norte [Sim, leram bem, ténis. Afinal de contas ganhámos o set(e)!], o Moyle achou conveniente chamar a atenção para um acontecimento que aconteceu, isto é, o regresso do E.T. à nave-mãe. Não deve ficar por aqui, a chamada de atenção, mas sem compromisso.
A solidão preocupa-me. Não a minha solidão, obviamente, que tenho que afastar os fãs à paulada mas quais hidras isso apenas parece fazer com que se reproduzam, mas a solidão dos outros. E de todos os solitários e depressivos que existem, um grupo há que me aflige, os amidos. Os amidos não são solitários por opção. A sua jovialidade e alegria são contagiantes. Uma quase infantilidade inata, sincera e serena que comove até à inveja. De bem com a vida e o mundo, a solidão amídica é induzida. Induzida porquê e por quem? Vá-se lá saber os motivos de uma sociedade de invejosos, casmurros e empedernidos na sua cinza quotidiana. Os amidos são extremamente sociáveis e brincalhões mas têm sido barbaramente privados de contacto com a sua própria espécie. Daí a sua amargura e tristeza na qual se encontram mergulhados no umbrosa ténebra da solidão e da angústia. Para construção de um autocomprazimento frívolo e insensível, as pessoas apartam e estilhaçam amizades e arrasam relações, forçando os amidos a um celibato estéril e amargurado. A ditadura do espelho dos dias que correm mostra a sua verdadeira face de rolo compressor emocional que desbarata toda e qualquer possibilidade de uma normalidade relacional entre estes pobres polissacarídeos. Chegou o momento! É já tempo de dizermos basta! a este terrorismo institucionalizado. Fim ao bombardeamento mediático e completa aniquilação das possibilidades da felicidade entre amidos. O Moyle assume o seu papel e garante-vos que nunca,mas mesmo nunca, pede no restaurante só as batatas fritas, ou só o arroz, com o argumento abichanado de que «não se misturam amidos». Não terá nas suas mãos e na sua consciência amores de amidos perdidos e vidas polissacarídeas despedaçadas pela distância imposta por tiranos distantes, mimados e desrespeitosamente caprichosos. Juntai-vos ao Moyle e, quando chegarem as grelhadas mistas, os frangos de churrasco, etc., tanto faz, aceitai de bom grado batatas e arroz à mistura, assumi-o em voz alta e com orgulho. Vamos terminar com o drama dos amidos.
Deixem-me que vos diga uma coisinha. É certo que vivemos num Estado de direito democrático, moderno e, muito importantemente, laico. Não creio que a visita de Bento, jogador número XVI do Pescadores de Almas Futebol Clube, venha pôr em causa a laicidade tão arduamente conquistada - pela abençoada lambada arreada na padralhice - na I República. Na realidade, parece-me que não corremos o risco da confessionalização do Estado por o presidente da República receber o Führer do Vaticano como chefe de Estado e crente.
Nesta recepção, a cena que me impressionou verdadeiramente foi perceber que Cavaco, além de crente, é um gajo carregadinho de fé. Fé, mas não uma fé qualquer. Aquilo era mesmo fé, mas da boa. Não era fé dos chineses, nem da feira do Relógio. Era FÉ! De outra maneira não se compreende que ele tenha dado os netinhos a beijar ao patrão dos que recebem o senhor de joelhos.
Tirado este apontamento mais sério do peito, vamos às parvoíces.
Com tanta concentração de entusiasmo nos dias que correm, seja pelo campeonato das papoilas e respectiva voltinha de autocarro pelas avenidas e rotundas lisboetas, seja pelo Mundial e respectivas bandeirinhas que se adivinham por todo o lado, o Moyle esperou, muito honestamente, uma recepção a Bento XVI de tom muito mais futebolístico.
Digam-me muito honestamente, não estavam à espera de ver agitar cachecóis juntamente com aquelas bandeirinhas com a tromb…, fácies papal? É que toda a situação e o timing da visita estavam mesmo a anunciar e a pedi-las. Teria sido extraordinário dividir os fiéis em claques católicas -de um lado os Forza Giallobianca e do outro a Torcida Urbi et Orbi - a trocarem, ao despique, cânticos de incentivo ao pontifex maximus dos que servem o Senhor, de joelhos.
A palermice galopante do Moyle já imaginou:
«Allez, Luz do Mundo, Allez/ Allez, Luz do Mundo, Allez», com a tradicional música dos Pet Shop Boys, “Go West”.
Ou ainda:
«Viva o Papa/ Fiéis, Viva o Papa
Viva o Papa/ Fiéis, Viva o Papa», com a música do clássico “Guantanamera”
E ainda um clássico dos nossos estádios e brevemente basílicas:
filho de Deus allez, lá lá lá lá/ filho de Deus allez, lá lá lá lá
Eu só sei, que vim ver o Papa!
No entanto, o clima de crispação e a falta de fair pray [notem o nível deste trocadilho], acabariam por chegar também a estas claques, apesar de darem todas para o mesmo lado. Naturalmente, verificar-se-iam o arremesso de bombas de água benta e tochas de incenso. Em caso de as coisas chegarem a vias de facto, a intervenção dos stewards/Cavaleiros da Ordem de Cristo para restabelecer a paz e o amor fraterno deveria ser suficiente.