8/04/2010

Rainha de Copos

A imagem está um bocadito mal amanhada, admito, mas também, nestas coisas do Freeport , em particular, e da Justiça, em geral, tudo está um bocado mal amanhado (e cheira pior que o local de nascimento do Jean-Baptiste Grenouille).
[Não considerem a referência literária absolutamente gratuita, tanto quanto desnecessária].
Se isto de ser Procurador Geral da República não der para os gastos, Pinto Monteiro pode ir sempre para Drag Queen. Rainha por rainha, estas últimas terão mais poder que a de Inglaterra...

8/02/2010

Da Fealdade

Conhecendo os portugueses, agora que o senhor morreu é só uma questão de tempo até dizerem que ele era Bonyto.

7/21/2010

A Descendência da Galinha dos Ovos de Ouro


Todos conhecem a história da galinha dos ovos de ovo - nos países anglo-saxónicos é uma gansa mas a treta é a mesma. O que poucos sabem é que dos ovos postos pela galinha, antes do trágico epílogo, um quedou-se escondido, vindo a eclodir num frango caríssimo.

7/05/2010

Liga Tutti-Frutti

Ainda fiz uma pesquisa de imagens que pudesse estragar para comentar a ida do João Moutinho do Zbordéng para o Ftólcuporto. Apesar de ter encontrado algumas com um certo potencial, acabei por achar que não valia a pena. De facto, a transferência sintetiza-se muito facilmente com meia dúzia de palavras.
Depois de mais uma pêra na auto-estima dos lagartos infligida por Pinto da Costa, o banana do presidente do clube tentou disfarçar o melão chamando maçã podre ao jogador.

6/30/2010

Navegantes para a Rua


Nunca repararam no génio de quem chamou à nossa selecção "Equipa das Quinas"? É que, mais cedo ou mais tarde, é isso mesmo que acontece, quinam sem ganhar nada.
De qualquer maneira, pareceu-me de mau agoiro apodar a equipa portuguesa que participou no Mundial da África do Sul de "Navegadores", como A Bola fez. E de mau agoiro porquê? Porque, por um lado, pareceram sempre mais as Navegantes da Lua (série de desenhos animados que eu não via mas de que recordo a existência), isto é, umas bonequinhas vaidosas e histéricas que andam aos pulos contra os maus da fita, do que intrépidos homens do mar que vencem as dificuldades à custa de suor, sangue e coragem.
O desfecho do mundial acaba por não ser, de todo, descabido. Se bem se lembram, de todos os países com História marítima, somos os únicos com literatura de tragédias náuticas. Tentaram fazer da participação portuguesa no Mundial de 2010 «Os Lusíadas», do Camões, mas acabou por resultar, como se esperava, «A História Trágico-Marítima», do Bernardo de Brito.


Para não parecer uma constatação genial mas post facto tenho a dizer em minha defesa que já tinha a imagem pronta antes do primeiro jogo, exceptuando a mudança nas fronhas das bonecas.

6/26/2010

Ars Moriendi


Olá fofinhos e fofinhas, coisinhas mais lindas, riquezas das vossas avós. Como têm passado? Benzinho? Eu sei que a dúvida vos assalta e têm vergonha de perguntar mas não se preocupem porque não me melindra nada que estejam todos nus ao computador a ler os posts do Moyle.
Muito contra o seu timbre o Moyle viu-se esmagado pelos factos e obrigado a colocar aqui uma imagem que não da sua autoria. De qualquer modo, também nisto não há melindre, há que reconhecer o mérito e a qualidade independentemente da sua fonte.
A imagem é uma fotografia a um lar para, a 3ª Idade, captada hoje por um telemóvel (o que estava à mão), numa avenida de Coimbra, à qual foram retirados apenas os números de telefone. Publicidade gratuita sim, mas com limites.
E o que chama a atenção nesta pobremente tirada foto? Isso precisamente, o nome do estabelecimento de acolhimento a cidadãos que se confrontam com a proximidade do momento de unir permanentemente os tornozelos. Mas quem raio se lembra de chamar a um lar de 3ª Idade "Eterno Paraíso"? É que só podemos estar na presença de um génio de marketing. Ao fazer check in num destes sítios, realmente o "Paraíso" e o "Eterno" são o que menos passa pela cabeça das pessoas. Genial, brutalmente genial. E faz-nos pensar, que outras palavras podemos usar associadas a lares de 3ª Idade? Que nomes simpáticos e nada inconvenientes se escondem na parte de trás das vossas imaginações? O Moyle apontará um ou outro mas espera que vocês colaborem!

Lar de 3ª Idade "Perpétuo Descanso"
Centro de Dia "Feliz Passagem"
Centro de acolhimento de idosos "Repouso Perene"

Da Teté:
"A última viagem";

"Antes do além";

"Sol de pouca dura";

"'Tás aqui, 'tás no ir...";

"Sopas e descanso";

"Poiso derradeiro";

"O trilho do andarilho"

do Noya:
Paraíso na Terra Para Quem Não Tem Pachorra Para os Velhinhos Mas Que Ainda Assim Espera Que Pereçam o Quanto Antes Para Sacar Algum.

6/22/2010

Encontros Imediatos de 3ª Internacional

Agora que toda a gente está focada no jogo de ténis contra a Coreia do Norte [Sim, leram bem, ténis. Afinal de contas ganhámos o set(e)!], o Moyle achou conveniente chamar a atenção para um acontecimento que aconteceu, isto é, o regresso do E.T. à nave-mãe.

Não deve ficar por aqui, a chamada de atenção, mas sem compromisso.

6/14/2010

Big Bang

C'um raio, já não bastavam todos os problemas com que a África do Sul se debate, agora Cristiano Ronaldo quer explodir no Mundial.

5/24/2010

Un bel di vedremo

A solidão preocupa-me. Não a minha solidão, obviamente, que tenho que afastar os fãs à paulada mas quais hidras isso apenas parece fazer com que se reproduzam, mas a solidão dos outros. E de todos os solitários e depressivos que existem, um grupo há que me aflige, os amidos.
Os amidos não são solitários por opção. A sua jovialidade e alegria são contagiantes. Uma quase infantilidade inata, sincera e serena que comove até à inveja. De bem com a vida e o mundo, a solidão amídica é induzida. Induzida porquê e por quem? Vá-se lá saber os motivos de uma sociedade de invejosos, casmurros e empedernidos na sua cinza quotidiana.
Os amidos são extremamente sociáveis e brincalhões mas têm sido barbaramente privados de contacto com a sua própria espécie. Daí a sua amargura e tristeza na qual se encontram mergulhados no umbrosa ténebra da solidão e da angústia. Para construção de um autocomprazimento frívolo e insensível, as pessoas apartam e estilhaçam amizades e arrasam relações, forçando os amidos a um celibato estéril e amargurado. A ditadura do espelho dos dias que correm mostra a sua verdadeira face de rolo compressor emocional que desbarata toda e qualquer possibilidade de uma normalidade relacional entre estes pobres polissacarídeos.
Chegou o momento! É já tempo de dizermos basta! a este terrorismo institucionalizado. Fim ao bombardeamento mediático e completa aniquilação das possibilidades da felicidade entre amidos.
O Moyle assume o seu papel e garante-vos que nunca,mas mesmo nunca, pede no restaurante só as batatas fritas, ou só o arroz, com o argumento abichanado de que «não se misturam amidos». Não terá nas suas mãos e na sua consciência amores de amidos perdidos e vidas polissacarídeas despedaçadas pela distância imposta por tiranos distantes, mimados e desrespeitosamente caprichosos.
Juntai-vos ao Moyle e, quando chegarem as grelhadas mistas, os frangos de churrasco, etc., tanto faz, aceitai de bom grado batatas e arroz à mistura, assumi-o em voz alta e com orgulho. Vamos terminar com o drama dos amidos.

5/17/2010

Geração Coca-Cola

É com algum pesar que o Moyle confessa ter, finalmente, percebido o significado da expressão "Geração Coca-Cola".

5/12/2010

No Name Hóstias

Deixem-me que vos diga uma coisinha. É certo que vivemos num Estado de direito democrático, moderno e, muito importantemente, laico. Não creio que a visita de Bento, jogador número XVI do Pescadores de Almas Futebol Clube, venha pôr em causa a laicidade tão arduamente conquistada - pela abençoada lambada arreada na padralhice - na I República. Na realidade, parece-me que não corremos o risco da confessionalização do Estado por o presidente da República receber o Führer do Vaticano como chefe de Estado e crente.

Nesta recepção, a cena que me impressionou verdadeiramente foi perceber que Cavaco, além de crente, é um gajo carregadinho de fé. Fé, mas não uma fé qualquer. Aquilo era mesmo fé, mas da boa. Não era fé dos chineses, nem da feira do Relógio. Era FÉ! De outra maneira não se compreende que ele tenha dado os netinhos a beijar ao patrão dos que recebem o senhor de joelhos.

Tirado este apontamento mais sério do peito, vamos às parvoíces.

Com tanta concentração de entusiasmo nos dias que correm, seja pelo campeonato das papoilas e respectiva voltinha de autocarro pelas avenidas e rotundas lisboetas, seja pelo Mundial e respectivas bandeirinhas que se adivinham por todo o lado, o Moyle esperou, muito honestamente, uma recepção a Bento XVI de tom muito mais futebolístico.

Digam-me muito honestamente, não estavam à espera de ver agitar cachecóis juntamente com aquelas bandeirinhas com a tromb…, fácies papal? É que toda a situação e o timing da visita estavam mesmo a anunciar e a pedi-las. Teria sido extraordinário dividir os fiéis em claques católicas -de um lado os Forza Giallobianca e do outro a Torcida Urbi et Orbi - a trocarem, ao despique, cânticos de incentivo ao pontifex maximus dos que servem o Senhor, de joelhos.

A palermice galopante do Moyle já imaginou:

«Allez, Luz do Mundo, Allez/ Allez, Luz do Mundo, Allez», com a tradicional música dos Pet Shop Boys, “Go West”.

Ou ainda:

«Viva o Papa/ Fiéis, Viva o Papa

Viva o Papa/ Fiéis, Viva o Papa», com a música do clássico “Guantanamera”

E ainda um clássico dos nossos estádios e brevemente basílicas:

«Uma Cúria cristianíssima/ um’eucaristia fantástica

és tu a nossa Fé/ Filho de Deus allez

Tod’a ecúmen’a rezar/ Tod’a ecúmen’a rezar

filho de Deus allez, lá lá lá lá/ filho de Deus allez, lá lá lá lá

Eu só sei, que vim ver o Papa!

No entanto, o clima de crispação e a falta de fair pray [notem o nível deste trocadilho], acabariam por chegar também a estas claques, apesar de darem todas para o mesmo lado. Naturalmente, verificar-se-iam o arremesso de bombas de água benta e tochas de incenso. Em caso de as coisas chegarem a vias de facto, a intervenção dos stewards/Cavaleiros da Ordem de Cristo para restabelecer a paz e o amor fraterno deveria ser suficiente.

5/05/2010

Frostbite

Não ficaram com a sensação que o João Garcia tem andado um bocado de nariz empinado?

4/19/2010

Hamelin sem Ratos nem Flauta

Das teorias extraordinárias que existem, uma das mais extraordinárias é a biomusicologia. A biomusicologia é, na prática, um vasto somatório de conceitos, desde a mecânica quântica até à música, saladarrussamente amalgamados. No fundo, os biomusicólogos defendem a noção de que tudo o que existe é composto por partículas atómicas que, como todos sabemos, estão em movimento, sendo todos os seres vivos e não vivos influenciados, e influenciáveis, pela vibração do movimentos desses átomos. Ora, sendo a música uma combinação voluntária de vibrações, tudo o que existe - calhaus também porque os átomos que compõe os calhaus estão igualmente em movimento - é influenciado pelas vibrações musicais, de onde o conceito de biomusicologia.
À primeira vista, e não querendo negar à partida uma ciência que não conhece, o Moyle quase sucumbe à tentação de afirmar que, aos génios que desenvolveram esta pérola, fazia falta, precisamente, uma boa dose de vibração. Mas não vamos por aí, até porque o Moyle vivenciou uma experiência extraordinária, com a música como agente influenciador do comportamento.
Tudo sucedeu depois do yours truly ter ouvido uns trechozinhos de Wagner [mais que isso não, pois a paciência não dá para tudo], de forma totalmente alheada e inocente, naquela onda de "a música pela música" e tal. Então não é que o Moyle, e olhem que não vê a ponta de uma haste de alemão e mesmo de música percebe pouco, mal acabou a música, teve uma quase irreprimível vontade de comer salsichas e beber cerveja por canecas de litro? E o pior não é isso, o pior foi o ímpeto quase incontrolável de ir à procura de estudantes de Erasmus polacos para lhes invadir a casa.
Só vos digo uma coisa, ainda bem que não há nenhuma sinagoga aqui nas redondezas senão não sei o que poderia ter acontecido.

4/12/2010

Controlo de Proximidade

A vida doméstica tem um conjunto de particularidades desconcertantes. Das caliginosas profundezas do raciocínio emerge uma questão tão improvável quanto estarrecedora.
Tomemos o exemplo do controlo remoto. Este, normalmente pequeno, objecto foi concebido com a função de simplificar a vida doméstica, permitindo desempenhar certas funções à distância e com um nível de esforço mínimo, negligenciável até no conjunto dos nossos afazeres diários. Na prática, um controlo remoto, ou comando como normalmente lhe chamamos, desempenha a função que um escravo desempenharia, embora este com um muito maior custo em termos de recursos financeiros e de aprovação social, vá-se lá perceber porquê, no entanto.
O objectivo de um comando de televisão é mudar à distância o canal que se está a ver, ou aumentar o volume, ou tanto faz, evitando a nossa deslocação até ao aparelho televisivo propriamente dito. Ganha-se em conforto e em preguiça que, mãe de todos os vícios, deve ser respeitada como progenitora que é. A função e lógica inerentes ao funcionamento deste aparelho são, portanto, extremamente simples, ou seja, obter um resultado sem input de esforço. E é aqui, precisamente que reside a dúvida que me assalta as paradoxalmente cansadas e inactivas sinapses. Por que carga de água se põe o comando ao pé da televisão? Se temos que nos levantar para ir buscar o comando junto da tv, isso não anula o propósito da existência do comando, logo à partida? Se arrumar o comando junto da tv parece óbvio pela associação lógica de ideias - o comando da tv está junto... da tv, logicamente - na realidade é palerma porque se temos que ir ao pé da tv buscar o comando podemos mudar de canais, ajustar o volume, ou tanto faz.