Moyle: Eh pá, isso é mau. Que aconteceu?
W: Não faço a mínima. Só soube que tinha sido internado.
Moyle: Bem, deve ter caído do cavalo. Espero que não seja grave!
Os autores abdicam de todas as responsabilidades sobre os conteúdos presentes neste blog... Porque não passam de tretas, por muito que desejem e achem o contrário. Não abdicamos, contudo, de todos e quaisquer direitos sobre esses mesmos conteúdos que se encontram protegidos pelas Leis de Protecção da Propriedade Intelectual em vigor (excepto na China e na Madeira). Assinado: O Alto, O Forte e o Moyle

Até porque parece que não se ouve nada mais nos dias que correm, além do refrão «que perfeito coração», o Moyle acha tal repetição até à náusea extremamente ofensiva à memória do guarda-redes Robert Enke, que se autossuicidou a ele próprio há poucos dias. É que se a filha dele tivesse tido, lá está, um perfeito coração, todo o seu drama tinha sido evitado.
Há muitas coisas ligeiras e engraçadas sobre as quais deveria falar. Mas não me apetece.
Vou antes divagar (até porque não há motivos para ter pressa) sobre uma problemática extremamente traumática, cuja temática não apenas a gramática, mas também a matemática, uma postura antidogmática e toda a filosofia da Ática, poderão esclarecer.
Vivemos numa sociedade apática, burocrática na sua organização, dependente de uma cultura cinemática de divinização mediática da mediocridade. A ameaça autocrática está aí, à espreita em cada medida antidemocrática que a acrobática legislativa faz aprovar. Na assembleia, policromática na forma, mas acromática no conteúdo, catedrática e cerimoniática na imagem que transmite, o poder exerce-se de forma errática e, valham- nos todos os deuses, fleumática, sobre uma população asnática, de propensão dogmática e com uma preferência sintomática pela ostentação asiática de uma pseudoelite com uma atitude forçadamente dramática e apenas aparentemente diplomática. O topo desta hierarquia marasmática é ocupado não pelo primeiro cidadão, garantia sistemática da liberdade democrática, mas por uma múmia hierática, conivente com a desconstrução tecnocrática, levada a cabo pela camarilha socrática. A política é, por isso, uma actividade iniciática, encapotadamente aristocrática, que se esforça por criar uma aura simpática e empática, para com a mole, bovina e acromática na sua capacidade de escolha.
Esta é a realidade esquemática do nosso tempo, o zeitgeist para usar uma expressão idiomática, da pátria hanseática. Não é uma mera afirmação melodramática. É uma posição pragmática, que realça a mesquinhez estática que nos rodeia. Aqui no extremo da península eurasiática, desminta-o quem puder, vigora a lei selvática, situação paradigmática de uma gente reumática e neuropática.
Sem qualquer agenda programática nem nenhuma intenção enigmática o Moyle o diz. Apenas em tom de constatação opiniática. Talvez tudo isto que se observa não seja uma coisa negativa afinal, talvez seja meramente uma questão idiossincrática ou, quem sabe, psicossomática. Talvez seja da condição climática. Talvez excesso, talvez falta, de ligação informática. Possivelmente a portugalidade será demasiado beática, embora felizmente não teocrática. Talvez a visão portuguesa do mundo seja naturalmente psicopática. Talvez esta seja uma ideia simpática. Mas o Moyle não vai nisso. A verdade axiomática é que a falta de autoconfiança dos portugueses é automática, daí a sua dependência de qualquer figura vagamente carismática, de teatralidade operática e pronúncia enfática, mesmo que de qualquer treta, desde que pareça magistrática.
No entanto, nada disto interessa para o que nos trouxe aqui hoje. O problema é o conflito de gerações. Esse cancro que corrói o tecido social e a solidariedade pessoal. Já reparam que grande parte dos dantescos conflitos entre gerações poderia ser resolvida se os da geração anterior deixassem de usar a irritante expressão: “Ainda tu não eras nascido e já eu…”?
Mas que raio de conversa é esta? Isso é que é um cometimento homérico ter feito qualquer coisa antes de mim por ter nascido antes! No shit Sherlock! Enfim, o ressentimento que provoca nas gerações mais novas é tão grande que, menos de 10 anos depois de o ouvirem elas, as ouviremos repetir esta linha de raciocínio brilhante.
Qualquer dia vemos a putalhada da 1ª classe (agora é primeiro ano do ensino básico), a dizer para os da creche (agora já deve haver pré-escolas e coisas assim): - Quando tu nasceste já eu comia cereais de chocolate com leite!, e a multidão de comedores de Cerelac espantar-se-á em uníssono: - OHHHHH, de chocolate! Mais ridículo será ouvir um velhote de 90 anos a dizer a um de 80: - Quando tu nasceste, já eu comia broa com azeitonas ao almoço! Sabem lá estes cachopos o que era a vida!
Portanto, vejam lá se se deixam destas merdas porque este flagelo horrível, que nos consome enquanto sociedade, tem que terminar.
No Inverno todas as famílias portuguesas, que não podem financiar a aquisição do respectivo electrodoméstico, passam pelo mesmo drama: “Como secar a roupa?” A situação é grave pois a humidade na atmosfera, mesmo nos dias soalheiros, impede que a água se desaloje convenientemente das fibras têxteis. Mas o Moyle encontrou, finalmente, uma solução simples, relativamente barata e extremamente eficaz.
Quando confrontados com tal situação, o que há a fazer para secar infalivelmente a roupa é estendê-la em frente à televisão durante o programa de Marcelo Rebelo de Sousa. É garantido. Ou isso ou durante os jogos do Sporting. No entanto, como alguns destes passam apenas na Sporttv, a parte de ser barato diluir-se-ia um bocado.