10/14/2009

Conselhos Anti-Gripe para Vampiros

Os vampiros também são gente. Ninguém disse gente viva e, convenhamos, para mortos têm uma vitalidade surpreendente. Portanto, sem mais discussões, também são gente.

Agora que tirou isto do peito, o Moyle aproveita para denunciar o desprezo discriminatório generalizado que este grupo de… gente tem sofrido nos últimos tempos. Ou seja, em plena silly season grípica não haverá um cantinho que seja onde se possa encaixar uma publicidadezinha institucional com instruções para os vampiros evitarem ser contagiados pelo vírus H1N1?

Não obstante serem diferentes e terem hábitos à maioria estranhos, não quer isso significar tão gravosa diminuição no seu direito à consideração pública. Mas isto é uma democracia, ou não? [não respondam, a sério] Se até os militantes do MRPP têm direitos… Mas que é muito chato a campanha de prevenção do contágio não passar em horários úteis na tv, lá isso é! Mas o que é um “horário útil” de tv para um vampiro?

Ora bem, o horário de tv para um vampiro será, sempre, o que se estende nas últimas duas ou três horas prévias à alvorada. Se pensarem bem, a vampiragem também tem que fazer pela vida e, depois de se levantarem, crepúsculo bem firmado no horizonte, têm que se deslocar para os locais de labuta para assegurarem a sobrevivência. Ora, tal como a generalidade da população, depois de ganharem o dia [neste caso a noite] e antes de aterrarem para retemperar forças para o dia seguinte, deixam-se preguiçar um bocado, vegetando no sofá a ver tv, para pôr as notícias em dia e, se possível, desanuviarem um pouco. A essas horas da madrugada o que podem encontrar?

Madrugada dentro, os nossos canais são muito variados nas possibilidades de potencial entretenimento que oferecem. Assim, ao passo que a RTP aposta em novelas e televendas, a SIC e a TVI oferecem programas de vampirismo em directo, em que tentam sugar o sangue aos espectadores pelo telefone. Apesar da frequente exuberância das apresentadoras, esta programação é de um estio lamentável e notícias… nem vê-las. Só quando o sol nascer de novo. Só a RTP2 ainda oferece a Euronews mas, como sabemos, ver este programa para obter notícias é o mesmo que querer ver futebol e sintonizar o Sporting. Vale-lhes o Inverno, que amanhece mais tarde e dá para umas manhanzadas [equivalentes à nossas noitadas].

Deste modo, como hão os vampiros de se manter actualizados relativamente aos progressos da pandemia anunciada? Vêem-se aflitinhos, acreditem.

Bem, não cabe ao Moyle este tipo de funções, mas arriscará aqui alguns conselhos à vampiragem, com aplicação prática e tudo [para facilitar o entendimento aos “chupistas” com Necessidades Educativas Especiais].

COMPORTAMENTO DE RISCO 1:



Sentindo a aproximação de um espirro ou de um ataque de tosse, deve ser evitado, sempre que possível, colocar as mãos à frente da boca. O ideal é fazer-se munir de lenços de papel e, com eles então, proteger a emissão de agentes microbióticos potencialmente portadores do vector infeccioso.

Quando não há lenços de papel disponíveis, o ideal é espirrar, ou tossir, para a zona interior do cotovelo, como vemos o protagonista da imagem seguinte preparar-se para fazer, prevenindo-se, dessa forma, a difusão de agentes patogénicos.

COMPORTAMENTO SEGURO 1:



COMPORTAMENTO DE RISCO 2:



A higiene manual é extremamente importante pois o vírus H1N1 pode ser apanhado numa qualquer superfície mal limpa e, levando as mãos aos olhos e à boca, por exemplo, sem estarem propriamente lavadas, facilita-se a sua entrada na corrente sanguínea e a contaminação.

As mãos devem ser metodicamente lavadas e secas, sendo muito importante não fechar as torneiras com as mãos lavadas. Não havendo toalhas de papel – as preferíveis higienicamente falando – deixe secar as mãos e feche a torneira com a protecção da roupa, por exemplo.

COMPORTAMENTO SEGURO 2:



Finalmente, um conselho prático muito útil a todos os que partilham o modo de vida vampírico. Durante a alimentação, deve ter-se extremo cuidado em atacar a presa pelas costas pois, caso contrário, ela pode tossir ou espirrar directamente paras as suas vias respiratórias e, dessa forma, contaminá-lo. Preferível seria o consumo de unidades de sangue colhidas num qualquer banco de sangue. No entanto, compreende-se perfeitamente a resistência da maioria dos vampiros a esta possibilidade e não se insiste muito neste ponto, até porque o Moyle, por exemplo, também não gosta de comida fria.


COMPORTAMENTO DE RISCO 3:



COMPORTAMENTO SEGURO 3:



A prevenção é o melhor remédio.

Pode-se argumentar que os vampiros também podem ouvir rádio, ler jornais, vir à internet, etc., etc., etc., mas isso são golpes baixos para diminuir o brilho altruístico do Moyle.


10/12/2009

Périplo Eleitoral 2009: A Estupidez Que Se Impõe

Comentando, ainda que mal o faça, a série seguida de actos eleitorais, o Moyle gostaria de dizer que os portugueses não são, de todo, estúpidos. Mas não pode. Fiquemos antes por um, menos definitivo, não são estúpidos de todo.

10/08/2009

Porto de Calões

Há tanto tempo que nem ela se lembrará já disso, numa troca de comentários com a Teté, aqui no Moyle, falou-se, ou melhor, falou ela – por escrito está bem de ver – dos portugueses serem calões. O carácter calaceiro – expressão equivalente a calões que se usa em várias zonas do país - dos portugueses é, efectivamente, um facto histórico primordial na definição da nacionalidade portuguesa.

Na realidade, “calão” provém do latim Cale, que vocês reconhecerão como o nome latino da cidade de Gaia na margem sul do Douro, que era servida por um porto, que se desenvolveu como burgo na margem esquerda e daí obteve o nome, “Porto”. Os seus magros, por inexistentes, conhecimentos de latim permitem ao Moyle reconhecer, ainda que por invenção, em Cale um topónimo latino cujo radical é um étimo indo-europeu c’al, designativo do antónimo de movimento, de acção, que originará, por exemplo, as palavras calma e, o popular, calão.

O extremo ocidental da península foi a última região da Ibéria a ser conquistada pelos romanos. A literatura e historiografia nacionalistas atribuíam-no ao carácter belicoso e agressivo dos povos da Lusitânia e a um perfeitamente anacrónico sentimento protonacionalista. Na realidade, aos romanos não interessou mais cedo esta região porque não se passava por cá nada. Os povos da terra viviam da pastorícia e do saque e resistiam em extremo às inovações trazidas pelos romanos, a mais avançada civilização do tempo. Reconhecem alguma coisa? Precisamente, dedicarem-se à pastorícia significa que não se davam ao trabalho de agricultar o solo, limitando-se a esperar que as ovelhas os sustentassem naturalmente, e quanto ao saque, bem, é óbvio.

Ora, Portugal, precisamente o Porto de Cale, definiu-se como unidade política e administrativa durante o período medieval, no contexto da guerra contra os muçulmanos, tradicionalmente designada por Reconquista Cristã. Antes de reino, o território do nosso país era um condado que pertencia ao reino de Leão, sendo atribuída a sua administração e governo a um cavaleiro francês, cujo filho levará a cabo o esforço militar, político, económico e cultural para a sua ascensão à categoria de reino independente. Mas a primeira “capital” de D. Afonso Henriques foi Coimbra e não o norte do território de onde partia a guerra contra a mourama, o que nos levanta uma pista importante. O primeiro rei português, embora se intitulasse rex portugalensium, isto é, rei dos portugueses, afastou-se da região de Gaia e dos povos calenses, onde as intrigas da nobreza local e do clero para o controlarem ameaçavam os seus intuitos de edificação de um reino seu.

Basta vermos, que a parvoíce já vai longa, que de tempos a tempos a monarquia portuguesa sentiu a necessidade de combater o seu destino genético injectando-se com sangue novo, nomeadamente do norte da Europa para terem a certeza de purificarem a calaceirice que se entranhava no ácido desoxirribonucleico da linhagem régia. Os primeiros reis são de origem francesa, com casamentos com outras famílias europeias; no sobressalto dinástico do século XIV – lembre-nos que D. Fernando casara com uma portuguesa – nova injecção nórdica, com D. João I a casar com uma inglesa, e por aí adiante. Parece desnecessário continuar…

É claro que podemos trabalhar muito e esforçarmo-nos por mudar e melhorar, é certo que a discussão sobre o peso exercido por factores genéticos e ambientais no indivíduo continua em aberto, mas factos são factos e os portugueses são naturalmente calões. Está na sua génese biológica e cultural.

10/06/2009

Faena Budista

Agora que passou todo este tempo, se dissipou o fumo e assentou a poeira, podemos observar de maneira mais clara e objectiva o episódio tauromáquico de Manuel Pinho na Assembleia da República. Apesar de não ser de descartar a possibilidade de fazer umas piadas sobre a matéria, como, por exemplo, a bancada do PCP ter pegado de caras cada investida do governo, ou o Bernardino Soares ser o líder do Grupo Amador de Forcados do Politburo, a verdade é que todo este caso não é motivo para brincadeiras, muito pelo contrário.
O Moyle já se insurgiu mais que uma vez contra o fundamentalismo religioso que se vive neste país da Europa à beira mal plantado. A supremacia catolicista, apesar da suposta lei de liberdade religiosa e de separação entre Igreja e Estado, tem permitido vigorar um estado de coisas que nos deve preocupar por violar os nossos direitos quanto à opção religiosa, forçando-nos a aceitar, subliminarmente, uma escolha que deveria ser feita por nós.


Manuel Pinho foi demitido por assumir em público a sua opção por uma das religiões mais antigas da Humanidade, o budismo – não vamos discutir o facto de o budismo ser mais uma filosofia que uma crença religiosa. Há já muito tempo que o ex-ministro da Economia era acusado de ligeireza nos seus comentários e mesmo de um certo carácter simplório nas suas análises. Não podemos escamotear alguma verdade nesses, de outro modo, remoques, mas devemos lembrar que os budistas, fruto da meditação e de uma compreensão mais profunda sobre o tempo e mesmo sobre a natureza humana, tendem a relativizar aquilo que parece gravoso e definitivo. Os comentários de Pinho eram, efectivamente, fruto da sua sabedoria e da sua insistência em manter o optimismo perante questões apresentadas como armagedónicas mas que, como se começa a ver, nunca são definitivas.


Neste momento as imagens que vos trazemos começarão já a fazer algum sentido nas vossas cabeças. Na realidade, Manuel Pinho limitava-se a dizer à bancada comunista, a Bernardino Soares mais precisamente, para ter uma atitude mais descontraída, mais calma, mais relativista, no concernente aos assuntos que estavam em discussão usando um gesto que remetia, claramente, para o seu mentor espiritual e uma das personalidades mais consensuais do planeta, o Dalai Lama. E é um bom conselho se pensarmos bem no assunto, tendo em conta as estatísticas nacionais da hipertensão e das complicações cardíacas e doenças cardiovasculares, etc., etc., etc.
Tudo bem que um membro do governo não deve, devido precisamente à liberdade religiosa, andar a anunciar a sua opção mas, de qualquer modo, não pareceu ao Moyle tanto uma ingerência proselitista de Pinho mas antes um valioso conselho a um colega político mais novo, considerando certamente a sua saúde e bem-estar.
Pobre Pinho, injustiçado, foi demitido por respeitar a vida e se preocupar com a saúde de outros seres humanos, mesmo que comunistas – o que mostra bem o desprendimento dos budistas em relação às coisas do mundo. É a hipocrisia cristã a manifestar-se, alertando-nos, ao mesmo tempo, para a necessidade de termos cuidado pois qualquer dia põe-nos todos de joelhos a tomar “o corpo do Senhor” [agora leiam sem as aspas].

10/02/2009

Toponímia das Traseiras

Como se chama ao esfíncter de um cozinheiro homensexual passivo?

Olhão da Restauração!

9/30/2009

Apicultura Estival

Quer-se dizer! Quem foi o génio, a mente brilhante, a luz de Valinor, que decidiu que os lotes que constituem a estrutura básica de compartimentação do espaço nos parques de campismo se deveria chamar “alvéolo”?

Ora, uma pessoa passa o ano, como uma abelhinha obediente, a dar cabo do coirão para uma puta de uma rainha que só lhe deixa o mínimo para sobreviver e seguir trabalhando e quando, finalmente, chega a hora do seu, mais que merecido, período de repouso estival, no qual aproveita para se afastar no zumbido metálico e fumarento da colmeia para se aproximar da natureza, PUMBA, enfiam-no num alvéolo.

Mas esta gente nasceu estúpida ou torna-se estúpida? E será que treina para isso? Duvido, porque estupidez desta só pode ser natural, isto não se finge. Têm tanto de sensibilidade como um filme de Natal num orfanato.


PS - Este estilo enervado fica bem ao Moyle, não fica?

9/28/2009

Legislativas 2009: O Fim?

O Moyle, na sua inocência, rejubilava interiormente quando terminava uma telenovela, em qualquer canal de televisão. Era um momento de genuína alegria e pífia esperança. Na realidade, e aprendeu-o à sua própria custa, por cada telenovela que acaba, uma outra lhe toma imediatamente o lugar.
Na vida real como na ficção, a novela recomeça e, para não variar, com os mesmo actores a protagonizar o deprimente espectáculo, o homem perfeito; a vendedora arruinada de laranjas - cuja personagem talvez não dure muito porque parece estar na falência; o cupido que namorou todas as peixeiras e taxistas do país, preparando-se para continuar a mesma música que tem tocado; o surrealista magrito; e o profeta da perdição.
Uma nota positiva, no entanto. Em princípio, não vos devo chatear muito mais com estas figurinhas - a não ser que estejam mesmo a pedi-las [elas, porque vocês que são boas pessoas e não merecem tamanha crueldade e têm-na aturado].





9/25/2009

Mesas Eleitorais

Em conversa com O Forte, levantou-se uma questão extremamente pertinente em período eleitoral. Se há eleições há, obviamente, mesas eleitorais.
Apesar de saber que estão lá sempre aqueles zelosos 5 para garantir o decurso democrático do escrutínio, o Moyle sempre achou que era algum tipo de irmandade secreta a fazer aquele serviço, porque nunca conheceu ninguém que fosse lá bater o costado. Afinal, para vigiar urnas, era de esperar que fossem coveiros a desempenhar as funções. Mas não!
Para não destoar do elevado tom geral desta campanha, fica desde já aqui assente que pertencer-se a uma mesa eleitoral deve ser uma merda. Literalmente. O que se passa, afinal, numa mesa eleitoral? Temos 5 pessoas, sentadas, que passam o dia a fazer descargas? É impressão do Moyle ou isto é uma definição de sofrer de síndrome diarreico?


Romance Tórrido

Toda a gente diz que em simultâneo é mais intenso.

9/22/2009

Legislativas 2009: À Prova de Bala

Vocês não acham o Ricardo Costa, comentador de política na SIC, fofinho? A sério que não? O Moyle também não mas quem diz que Cavaco Silva é à prova de bala [sic] merece o nosso respeito, quanto mais não seja porque de certeza que há quem gostasse de pôr a teoria à prova.

9/18/2009

Black or White? Comprimido!

Durante anos discutiu-se se Michael Jackson seria preto ou branco. Os supremacistas brancos, cuja idiotice chega a sugerir aquele tipo de piedade que reservamos para os atrasados mentais, nunca aceitaram que Jackson fosse um dos seus. Os activistas negros, cuja estupidez nos inspira a complacência guardada para os néscios, repudiavam ao artista o fade out ao contrário que lhe levou a cor.

Apreciando as mais recentes notícias, excluindo as possibilidades de homicídio que não são definitivamente importantes para este caso, o Moyle deslindou, da aleatória massa noticiosa, o enquadramento etno-racial do quinamento do Rei da Pop. Este era, sem sombra de dúvida, branco. Sabem como o Moyle descobriu? Facilmente.

Michael Jackson morreu de sobremedicação, ou seja, pela entrada excessiva de medicamentos no seu sistema fisiológico. Ora, todos no planeta sabem que os pretos morrem por submedicação, isto é, por não terem acesso a medicamentos suficientes, integrando-se Jackson, inequivocamente, do outro lado da discussão.



P.S. – Se este blog fechar inesperadamente e o Moyle aparecer a abrir telejornais, ou houver em Coimbra motins e protestos por motivos raciais, dos idiotas referidos no primeiro parágrafo, mostrem este texto à bófia. Pode ser que explique alguma coisa.

P.P.S. – Se for só o Diogo Feyo a reclamar na televisão não vale a pena preocuparem-se.

9/16/2009

Legislativas 2009: Uma Animação

O Moyle prometeu que não chateava mais com a pré-campanha e vai cumprir. Vamos lá ver umas coisas sobre a campanha, propriamente dita.
Como vivemos num Portugal dos Pequeninos e como a campanha tem sido uma animação pegada, o Moyle congeminou um apelo à nostalgia através de uma representação gráfica dos líderes partidários em homenagem aos "bonecos" da sua infância. É claro que os critérios são indiscutíveis, pecando apenas o artista que enfeita sofrivelmente este blog por ter deixado de fora heróis tão importantes como a formiga "Ferdy", a bicharada toda da "Floresta Verde", o "Sports Billy", o "Gnomo David", os "Thundercats", o "Danger Mouse" e outros ilustríssimos representantes de uma época que nem o exagero em litros de cerveja conseguiu ainda dissipar.
Alguns certamente objectarão: - Atão e os Transformers? Não mereciam? - e têm na sua reclamação uma certa razão. No entanto, afigurou-se ao Moyle que a homenagem aos "Transformers" quedava algo redundante porque todos estes bonecos políticos são, ao fim e ao cabo, Transformers, bastando para tal terem assento governativo.


Ide e recordai.


Ide e recordai.


Ide e recordai.


Ide e recordai.


Ide e recordai.

PS: O Moyle resolveu assinar as imagens. Não fica grande coisa visualmente, mas garante-se a exclusividade do opróbrio. Não se pretende contribuir para a destruição da credibilidade dos incautos. Chamem-lhe altruísmo.

PPS: Os bonecos eram tão bons que é um bocado cruel pôr-lhes estas caras, mas o Moyle é assim, que se há-de fazer?

9/15/2009

O Que Tem o Ricardo Pereira na Cabeça III


Depois de excessiva procrastinação, eis o último episódio de uma trilogia que se poderia estender ad infinitum. Só em jeito de aparar putativo tiro pela culatra, o Moyle demarca-se de interpretações abusivas a que se prestará a comparação desta trilogia póstica com a parte do reclame de uma loja de electrodomésticos qualquer em que se diz que só essa loja sabe o que vai na cabeça dos portugueses.

9/08/2009

Pré-Campanha Eleitoral IV

Correndo o risco de parecer monótono e repetitivo, cá estamos de novo com a pré-campanha eleitoral. Bem sabe o Moyle que é sempre a mesma coisa e tal, chover no molhado, mais do mesmo daquela história de mudarem as moscas, e os políticos portugueses têm as mesmas coisas na cabeça que o Ricardo Pereira (cuja terceira parte da trilogia -nem por isso melhor que as anteriores - está pronta e segue dentro de momentos), etc., etc., etc... Sabe isso tudo mas, perdoem-lhe a fraqueza, não consegue resistir.
Enquanto cozinhava um belíssimo - não duvidem - jantar foi apanhando, esparsos e a espaços, alguns tópicos do debate entre o líder do Partido Comunista, o camarada Jerónimo de Sousa, e o líder do Centro Democrático Social/Partido Popular, o ... Paulo Portas [os de Direita estão desesperadamente a precisar de arranjar qualquer coisa para se chamarem uns aos outros]. Foi, antes de mais, um bom debate. Não sabe o Moyle se melhor se pior porque não viu nenhum dos outros, mas este foi um bom debate - esta repetição serve, igualmente, para vincar a comichão no pâncreas que o Moyle sente ao usar "bom" numa frase que se refira aos líderes políticos portugueses.
Vamos às coisas menos óbvias. Portugal é um sítio especial a todos os níveis. Estas duas figuras, o camarada e o ... outro [vêem como faz falta um "nome de guerra" ao gajos de Direita], são, clara e inequivocamente, a representação dos dois espectros mais afastados na política nacional. Até aqui tudo óbvio. O menos óbvio é o motivo pelo qual passaram os dois o cabo dos trabalhos para mostrarem que eram diferentes um do outro e que não defendiam os mesmos princípios. É por isso que o Moyle afirma a especialidade portuguesa. Como é que confunde um Partido Popular com um Partido Comunista? Não se confundem, claro. Excepto em Portugal.

Sabem quem abriu a boca hoje? Sabem? Sabem? O Moyle dá uma pista. Quem foi sentiu, agudamente, uma dor nos pés. E agora, já sabem? Claro, meus lindos e lindas, é isso mesmo, foi a Nelinha [usa-se este mui respeitoso e afectuoso diminutivo para homenagear o esforço da líder do PPD/PSD em querer parecer/ser a nossa mamã. Uma mãe dura, recta, honesta e rigorosa, ou seja, uma mãe das antigas - fica por se saber se também leva no trombil como as mães à antiga - mas, ainda assim, uma mãe.].
Voltando, um pouco, à confusão anterior, nunca tanto como hoje um líder do PPD/PSD se pareceu tanto, aos olhos do Moyle, com um deputado comunista, mais precisamente Bernardino Soares. Assim como Soares tinha dúvidas em ver na Coreia do Norte uma ditadura, Leite tem dúvidas em detectar qualquer "asfixia democrática" na Madeira. O Moyle aconselhá-la-ia a ir à Multiópticas aproveitar a campanha de desconto igual à idade, pois 80% de desconto não será nada de deitar fora e, está bom de ver, a Nelinha parece precisar, mas não o faz. Porquê?
Não contente com o que acabara de dizer, afinfa-lhe com outra grande pérola da sabedoria ocidental ao afirmar, com todas as letras, que a Madeira era um exemplo a seguir, no que foi rápida e exemplarmente apoiada por Alberto João Jardim. Ora bem, aqui temos uma questão interessante. Na realidade, Nelinha não vê mal nem precisa de óculos, muito pelo contrário. Nelinha está muito à frente e é, ela própria, o Plano Tecnológico de que falava o engenheiro - espera o Moyle não ser processado pela Ordem dos Engenheiros. A líder laranja vê para além das aparências, do óbvio, tem uma visão de tipo raio-X. Como isso não existe, apesar de apenas a muito relutantemente o Moyle aceitar que a Nelinha não veio de Kripton e é uma Super-Mulher, só podemos concluir que a Nelinha usa um desses telemóveis novos que permitem ver por debaixo da roupa, da pele, etc. É aí, por debaixo de tudo, que o governo da Madeira é paradigmático e um exemplo de democracia a seguir.

Finalmente, os suspeitos do costume. A pandilha de foliões da pasta da Educação voltou a abrir a matraca e, como é óbvio, não foi para dizer nada de proveito - no que tiveram a companhia dos génios que dirigem as estruturas sindicais da classe docente. Tudo funciona impecavelmente, sucesso esmagador atrás de sucesso esmagador, balanços extraordinariamente positivos, diminuição fenomenal no número de negativas e chumbos, tudo brilhante na actuação ministerial.
Resta aquele pormenorzinho de nem todos saberem ler nem escrever no 9º ano, mas, por um lado, isso não é grave pois agora têm mais três anos para compensar, por outro, a senhora Ministra está a pôr na ordem os verdadeiros responsáveis pelos sofrimentos dos alunos e dos pais.
Todos saberão que Apocalipse, do grego αποκάλυψις, significa Revelação. Os quatro cavaleiros do Educação em Portugal são, portanto, a Palavra, a Mensagem Divina, a Revelação do que estava escondido - nomeadamente no Sistema Nacional de Ensino chileno. Reverenciemo-los.