
Os autores abdicam de todas as responsabilidades sobre os conteúdos presentes neste blog... Porque não passam de tretas, por muito que desejem e achem o contrário. Não abdicamos, contudo, de todos e quaisquer direitos sobre esses mesmos conteúdos que se encontram protegidos pelas Leis de Protecção da Propriedade Intelectual em vigor (excepto na China e na Madeira). Assinado: O Alto, O Forte e o Moyle


Eu sei que tenho andado afastado e não tenho prestado o devido tributo aos vossos estaminezes. Prometo que tudo isso mudará brevemente. Entretanto, vou ver se apanho Gripe A ao Luxemburgo (e até lhes dou duas semanas para verem se me conseguem suinificar) e já volto (espero que não de nariz a pingar).Expliquem-me lá como é isto, se souberem.
Com tanta falta de camas, com macas nos corredores, com listas de espera de semanas, meses e anos, com dívidas às farmacêuticas, centros de saúde e hospitais a fechar, falta de equipamentos, de médicos especialistas, com enfermeiros no desemprego quando faltam no serviço de saúde, cada doente terá direito a ter um(a) acompanhante? Quem pagará aos prostitos e às prostitas? Havendo quartos com 3 doentes ao mesmo tempo, será adequada a presença de acompanhantes? E se algum deles apresentar objecções de consciência quanto a orgias, respeita-se a sua opinião mudando-o de quarto? Em termos médicos, será recomendável que os doentes, por definição enfraquecidos, tenham um(a) acompanhante?
E os/as pacientes que não pretenderam usufruir dos acompanhantes fornecidos pelo serviço e pretenderem os seus próprios? Há exclusividade? Havendo exclusividade, como reagirá a Igreja Católica a esta violação dos seus princípios sem prévia consulta? E a Soraia Chaves estará disponível como acompanhante?
Mas há ainda outro problema que se levanta no meio de toda esta questão. Como serão recrutados estes acompanhantes? Serão apanhados aí pela rua? Teremos ajustamentos directos ou concursos públicos? Haverá membros ligados aos “corredores do Poder” a, muito convenientemente, criar empresas de recrutamento de recursos humanos para depois serem os únicos preparados para poderem responder às necessidades dos concursos públicos? Quais serão os pré-requisitos necessários para se ser um(a) acompanhante?
Agradeço uma explicação da vossa parte, se puderem, porque apesar de reconhecer a necessidade de “companhia” de toda a humanidade, não me parece a coisa mais urgente num hospital português.
Laxante. Instituição Bancária. Manuel Vilarinho.
Sentindo-se inclinado a tentar a paciência dos leitores, o Moyle arriscou esta introdução, algo fragmentária (como se vê pela curteza e assertividade dos períodos), antecipando a natural e imediata reacção daqueles – vocês: Com tais três motes, este “post” vai ser uma merda.
Muito honestamente, há que reconhecer a plural justeza do vosso lamento. De facto, o Moyle não ousa o atrevimento de questionar a imaginada adjectivação a este post que se vai desenrolando numa direcção perfeitamente desnecessária, felicitando-vos, por um lado, pela perspicácia e, por outro, pela boa memória que vos levou a tal considerando apriorístico (resta aquela questãozinha do masoquismo que vos leva a regressar aqui, mas longe de mim tecer considerações que transpirassem, ainda que cobertas de Rexona, algo que soasse a qualquer tipo de censura às vossas escolhas pessoais e à forma como gerem o preciosíssimo tempo de que dispomos no planeta, depois da desova).
Sabendo, contudo, que ficaram empancados na afirmação supra, que passo a citar (infiram que tipo de “pessoa” é esta, que se cita a si mesma e, não bastando a fatuidade, cita uma passagem de um texto mais adiante no mesmo texto. Enfim, fica à vossa consideração!): plural justeza do vosso lamento.
Aferida que está a antecipada merdeza do post, falta um segundo carácter mérdico para obtermos o tal, supracitado (duas vezes que este gajo se cita no mesmo texto e vocês a aturar isto. Este Moyle está-me a parecer um sapo na época do acasalamento, isto é, anda demasiado inchado) plural. Depois de tão grande intróito, tão útil como um Alka-Seltzer em Mogadíscio, voltemos aos três pressupostos do primeiro parágrafo. Estes são, na realidade, três fracções de uma mesma equação, partilhando de um mesmo denominador: merda.
Qual a relação entre uma instituição bancária, um laxante e o Manuel Vilarinho? É, muito simplesmente, a merda.
Imagino que a todos tenha já chegado a maldição do anúncio do Santander, onde se ouve gritar e cantar (?), ad nauseam, o enervante refrão do duo Ashford & Simpson solid as a rock. Ora, quando o stress do quotidiano diário do dia-a-dia não nos permite uma alimentação equilibrada, com a quantidade exigível de fibras, o que nos acontece nos íntimos momentos no trono de cerâmica? Creio que solid as a rock terá um metatexto facilmente apreensível pelos doutos moyleitores e fica, assim, estabelecida a situação do Santander no esquema deste post. Aqui entra, precisamente, o laxante, pois não se acredita que a insistente rodagem de anúncios ao Dulcolax seja uma coincidência. Depois de tudo aquilo a que temos assistido no sistema bancário, só massivas doses de laxante, injectado pelos bancos centrais, permitiram desbloquear tanta… asneira. Mas voltando ao Dulcolax. O próprio nome do medicamento resulta algo ambíguo. Se o sufixo –lax nos remete de forma óbvia para o seu efeito, o prefixo dulco levanta algumas dúvidas. Dulco provém do radical Dulce, a palavra latina para doce. Ora, serão os comprimidos meramente rebuçadinhos doces? Será, ao invés, o seu efeito potenciador de uma mais doce experiência no acto de castigar a cerâmica? Dúvidas… quem já tiver tomado que se pronuncie mas aposto que não há um esfíncter, depois da insistente campanha do Santander, que não esteja à beira da depressão, a sofrer por antecipação, e a rezar pela segunda hipótese.
Onde entra Manuel Vilarinho no meio desta… bem… como dizê-lo… no meio desta… hummmm… desta merda toda, vá? Para Manuel Vilarinho é fácil achar-se no meio de tanta… atenção. Para tal, basta-lhe abrir a boca. Apesar de não ser caso único no panorama nacional, parece, no entanto, ter sido abençoado pela dádiva da verborreia, isto é, diarreia verbal. Vilarinho teve, pelo menos, o condão de retratar aquilo que cada um de nós pensa das suas declarações, o que não costuma acontecer em casos semelhantes.
Falta-nos, ainda, a conclusão, o que é apropriado de um modo muito escatológico. Publicidade, declarações públicas de Manuel Vilarinho, moylices. Sabendo que abusou um bocado de vocês neste post, o Moyle pede-vos que passem uma borracha, ou melhor, um papel, de preferência com folha dupla, ou melhor ainda, uma toalhita Kandoo sobre o que acabaram de ler.
Muito sinceramente, eu não me devia meter nestas coisas. Têm, no entanto, que compreender a minha situação. Quando uma personagem política nacional se assume como uma donzela, à qual se convida para um churrasco sendo ela o prato principal, o Moyle não o pode deixar passar em claro. Apesar do pouco interesse pelas guerrinhas entre borguinhões e armagnacs laranjas, esta era uma oportunidade cuja reificação imagética era imperdível.
Corre a informação de que Michael Jackson estava num buraco financeiro de 500 milhões de dólares. Ora, daqui a umas semanas, já pode fazer um remake do vídeo "Thriller" sem gastar um tostão em maquilhagem. É tudo lucro, portanto.
Bem sei que tenho andado afastado, quase um mês é muito tempo, mas, além do trabalho e das preocupações - com ou sem razão de ser - há uma latente crise de vontade e de criatividade que se instalou (percebam aqui a ironia na parte da criatividade). Espero que melhores dias regressem brevemente e o convívio com os moyleitores também.O Direito em Portugal é uma mariquice. Mariquice no sentido de Cláudio Ramos e não no sentido de ter a importância social do “Preço Certo”. O rabichismo legal é gritante e, no entanto, ninguém parece reparar. Valha-nos o Moyle para detectar estas coisas.
Por causa do enriquecimento ilícito, levantou-se uma enorme questão em redor do “ónus da prova”. Vejam este conceito lógico aplicado ao Direito, por exemplo. Tem um nome poderoso, sonante, másculo, imperativo até. Podia ser o nome, ou o título, de um imperador. Imaginem o arauto a anunciá-lo ao som de trombetas:
- Sua Majestade, o Ónus da Prova!
Ora, sabem o que pretendem fazer-lhe? Invertê-lo!
Isto começa a surpreender pouco nos dias que correm mas continua a indignar. Resta saber como se pretende obter esse efeito de inversão. Vão vestir o “ónus da prova” de látex rosa, ou veludo fuchsia? Fazer-lhe umas madeixas acobreadas no Eduardo Beauté? Inscrevê-lo como sócio do Sporting? Obrigá-lo a ver as fotos da operação às mamas da Maya? Apresentá-lo ao Goucha? Tudo isto encerra níveis perfeitamente inauditos de tortura que não podem ser tolerados, mesmo falando de um conceito jurídico.
Mas o arrebichanamento legal não termina por aqui, contudo. Outro exemplo gritante – e aqui gritante não relativo ao tom de voz do Paulo Portas nos debates quinzenais – é o que pretendem fazer ao Direito Penal, isto é, aplicar-lhe retroactividade. Com tanta coisa que podiam fazer ao Direito tinham que lhe dar actividade retro – que em latim significa atrás? Mas já não há decoro? Estamos entregues à bicharada, ou melhor, à bichanice, isto para não falar nos riscos que a retroactividade penal significa em termos de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Continuando assim, rapidamente será o Direito Penal a fazer aos cidadãos o que lhe querem fazer agora.