7/24/2009

Acompanhamento Hosputalar

Expliquem-me lá como é isto, se souberem.

Com tanta falta de camas, com macas nos corredores, com listas de espera de semanas, meses e anos, com dívidas às farmacêuticas, centros de saúde e hospitais a fechar, falta de equipamentos, de médicos especialistas, com enfermeiros no desemprego quando faltam no serviço de saúde, cada doente terá direito a ter um(a) acompanhante? Quem pagará aos prostitos e às prostitas? Havendo quartos com 3 doentes ao mesmo tempo, será adequada a presença de acompanhantes? E se algum deles apresentar objecções de consciência quanto a orgias, respeita-se a sua opinião mudando-o de quarto? Em termos médicos, será recomendável que os doentes, por definição enfraquecidos, tenham um(a) acompanhante?

E os/as pacientes que não pretenderam usufruir dos acompanhantes fornecidos pelo serviço e pretenderem os seus próprios? Há exclusividade? Havendo exclusividade, como reagirá a Igreja Católica a esta violação dos seus princípios sem prévia consulta? E a Soraia Chaves estará disponível como acompanhante?

Mas há ainda outro problema que se levanta no meio de toda esta questão. Como serão recrutados estes acompanhantes? Serão apanhados aí pela rua? Teremos ajustamentos directos ou concursos públicos? Haverá membros ligados aos “corredores do Poder” a, muito convenientemente, criar empresas de recrutamento de recursos humanos para depois serem os únicos preparados para poderem responder às necessidades dos concursos públicos? Quais serão os pré-requisitos necessários para se ser um(a) acompanhante?

Agradeço uma explicação da vossa parte, se puderem, porque apesar de reconhecer a necessidade de “companhia” de toda a humanidade, não me parece a coisa mais urgente num hospital português.

7/21/2009

Ad Rem

Laxante. Instituição Bancária. Manuel Vilarinho.

Sentindo-se inclinado a tentar a paciência dos leitores, o Moyle arriscou esta introdução, algo fragmentária (como se vê pela curteza e assertividade dos períodos), antecipando a natural e imediata reacção daqueles – vocês: Com tais três motes, este “post” vai ser uma merda.

Muito honestamente, há que reconhecer a plural justeza do vosso lamento. De facto, o Moyle não ousa o atrevimento de questionar a imaginada adjectivação a este post que se vai desenrolando numa direcção perfeitamente desnecessária, felicitando-vos, por um lado, pela perspicácia e, por outro, pela boa memória que vos levou a tal considerando apriorístico (resta aquela questãozinha do masoquismo que vos leva a regressar aqui, mas longe de mim tecer considerações que transpirassem, ainda que cobertas de Rexona, algo que soasse a qualquer tipo de censura às vossas escolhas pessoais e à forma como gerem o preciosíssimo tempo de que dispomos no planeta, depois da desova).

Sabendo, contudo, que ficaram empancados na afirmação supra, que passo a citar (infiram que tipo de “pessoa” é esta, que se cita a si mesma e, não bastando a fatuidade, cita uma passagem de um texto mais adiante no mesmo texto. Enfim, fica à vossa consideração!): plural justeza do vosso lamento.

Aferida que está a antecipada merdeza do post, falta um segundo carácter mérdico para obtermos o tal, supracitado (duas vezes que este gajo se cita no mesmo texto e vocês a aturar isto. Este Moyle está-me a parecer um sapo na época do acasalamento, isto é, anda demasiado inchado) plural. Depois de tão grande intróito, tão útil como um Alka-Seltzer em Mogadíscio, voltemos aos três pressupostos do primeiro parágrafo. Estes são, na realidade, três fracções de uma mesma equação, partilhando de um mesmo denominador: merda.

Qual a relação entre uma instituição bancária, um laxante e o Manuel Vilarinho? É, muito simplesmente, a merda.

Imagino que a todos tenha já chegado a maldição do anúncio do Santander, onde se ouve gritar e cantar (?), ad nauseam, o enervante refrão do duo Ashford & Simpson solid as a rock. Ora, quando o stress do quotidiano diário do dia-a-dia não nos permite uma alimentação equilibrada, com a quantidade exigível de fibras, o que nos acontece nos íntimos momentos no trono de cerâmica? Creio que solid as a rock terá um metatexto facilmente apreensível pelos doutos moyleitores e fica, assim, estabelecida a situação do Santander no esquema deste post. Aqui entra, precisamente, o laxante, pois não se acredita que a insistente rodagem de anúncios ao Dulcolax seja uma coincidência. Depois de tudo aquilo a que temos assistido no sistema bancário, só massivas doses de laxante, injectado pelos bancos centrais, permitiram desbloquear tanta… asneira. Mas voltando ao Dulcolax. O próprio nome do medicamento resulta algo ambíguo. Se o sufixo –lax nos remete de forma óbvia para o seu efeito, o prefixo dulco levanta algumas dúvidas. Dulco provém do radical Dulce, a palavra latina para doce. Ora, serão os comprimidos meramente rebuçadinhos doces? Será, ao invés, o seu efeito potenciador de uma mais doce experiência no acto de castigar a cerâmica? Dúvidas… quem já tiver tomado que se pronuncie mas aposto que não há um esfíncter, depois da insistente campanha do Santander, que não esteja à beira da depressão, a sofrer por antecipação, e a rezar pela segunda hipótese.

Onde entra Manuel Vilarinho no meio desta… bem… como dizê-lo… no meio desta… hummmm… desta merda toda, vá? Para Manuel Vilarinho é fácil achar-se no meio de tanta… atenção. Para tal, basta-lhe abrir a boca. Apesar de não ser caso único no panorama nacional, parece, no entanto, ter sido abençoado pela dádiva da verborreia, isto é, diarreia verbal. Vilarinho teve, pelo menos, o condão de retratar aquilo que cada um de nós pensa das suas declarações, o que não costuma acontecer em casos semelhantes.

Falta-nos, ainda, a conclusão, o que é apropriado de um modo muito escatológico. Publicidade, declarações públicas de Manuel Vilarinho, moylices. Sabendo que abusou um bocado de vocês neste post, o Moyle pede-vos que passem uma borracha, ou melhor, um papel, de preferência com folha dupla, ou melhor ainda, uma toalhita Kandoo sobre o que acabaram de ler.



7/15/2009

Gripe na Mona

Só muito de fugida, tempus fugit, um apontamentozinho para os desgraçados que estão pendurados em museus e galerias e nos quais ninguém pensa nestas horas de catástrofe.
Bonequinhos do património: o Moyle está convosco!

7/10/2009

Churrasco em Gaia

Muito sinceramente, eu não me devia meter nestas coisas. Têm, no entanto, que compreender a minha situação. Quando uma personagem política nacional se assume como uma donzela, à qual se convida para um churrasco sendo ela o prato principal, o Moyle não o pode deixar passar em claro. Apesar do pouco interesse pelas guerrinhas entre borguinhões e armagnacs laranjas, esta era uma oportunidade cuja reificação imagética era imperdível.
Façam um esforço comigo. Olhando para Luís Filipe Menezes, não conseguem ver uma menina pura, pré-adolescente, ainda sem mamas para encher uma armadura? Vejam lá bem! Não conseguem? O Moyle também não.
Vejamos de outro ângulo. Esqueçamos a parte da donzela pura e virginal e pensemos nas alucinações, no falar sozinha com Deus, no seu carácter Alexandrassolnádico, em suma, na malbatência paranóica. Por aí, já chegamos a algum lado? Eu também acho que sim. Assim como a Joaninha Tosta andou, no século XV, a abusar do "sangue de Cristo" de Bordéus, o Moyle crê que a proximidade das caves do generoso, em Gaia, começa a cobrar o seu preço ao senhor Menezes d'Arc. São os fumos, decerto.
No entanto, apesar da escolha de palavras parecer(?) infeliz, acaba por revelar algum conteúdo metatextual, isto é, a donzela de Orléans, foi uma heroína da Guerra dos Cem Anos e Menezes anda em guerra com uma centenária. É absolutamente incompreensível, e com isto me contradigo, como há quem não goste da política em Portugal.

7/06/2009

Black or White? Farrusco!

Ontem esteve um dia Michael Jackson. Começou muito negro e depois foi clareando com a chegada do crepúsculo.

PS: Eu sabia que conseguia inventar outra, mesmo que só em 2 dias.

6/26/2009

Black or White? Dead!

Corre a informação de que Michael Jackson estava num buraco financeiro de 500 milhões de dólares. Ora, daqui a umas semanas, já pode fazer um remake do vídeo "Thriller" sem gastar um tostão em maquilhagem. É tudo lucro, portanto.
Por outro lado, já que ele apenas veio uma vez a Portugal, quem não teve oportunidade de o ver ao vivo, pode sempre ir vê-lo ao morto. Não perde nada porque ele, mesmo antes de ir empurrar roseiras para cima, já parecia o Skeletor.

6/25/2009

Geologia Social-Democrata

Ainda na ordem do dia está a vitória do PPD/PSD nas eleições europeias. Muitos têm sido os comentadores e paineleiros afins que se têm dedicado a adiantar explicações e motivos para o resultado eleitoral do passado dia 7 de Junho mas o Moyle descobriu qual o factor de desequilíbrio que fez pender a balança eleitoral para o lado laranja.
O PSD conseguiu, pela primeira vez em muito tempo, fazer passar a mensagem de uma enorme coerência interna, facto ao qual os eleitores são extremamente sensíveis, e não é a Ciência Política que explica tal facto. Na realidade, só com um razoável conhecimento de Geologia e Paleontologia se compreende, na sua completude, os fundamentos dessa nova imagem.
Se repararmos bem nos protagonistas do PSD nesta ida à urnas, vemos que o partido laranja é liderado por alguém que nasceu no Ordovícico Médio, e o candidato tem a fisionomia de uma trilobite.
Se isto não é coerência, ninguém sabe verdadeiramente o que será.

6/22/2009

Saudades de Salazar VII

Bem sei que tenho andado afastado, quase um mês é muito tempo, mas, além do trabalho e das preocupações - com ou sem razão de ser - há uma latente crise de vontade e de criatividade que se instalou (percebam aqui a ironia na parte da criatividade). Espero que melhores dias regressem brevemente e o convívio com os moyleitores também.

6/04/2009

Variações Moylísticas Sobre Bloqueio Mental

Como é que vocês imaginam um “bloqueio mental”? O Moyle, fruto da sua complexa e intrincada personalidade, percebe-o de variadas formas.

Nos casos mais graves, o hiperbolismo congénito moylístico visualiza a coisa como uma sucessão de barricadas com arame farpado, bidões com qualquer coisa a arder dentro, gajos com armas a vigiar uma cancela que é um tubo às riscas vermelhas e brancas, que levanta com ajuda de um contrapeso numa das extremidades, para deixar passar as sinapses depois de devidamente identificadas pelas milícias neuronais. Esta situação é muito séria porque só uma revolução espiritual derruba o poder e restabelece a ordem psicológica.

Se estivermos a falar da classe política, o espírito mais escatológico tende a ver o bloqueio mental como uma bola de papel higiénico que impede a circulação dos pensamentos pelo cano da retrete abaixo. A solução para estes bloqueios nem sempre é simples e, em sintonia com os pensamentos que não fluem, pode dar merda. Como a experiência nos ensina, aqueles que se auto-proclamam “canalizadores de serviço” farão, como é hábito, pior e agravarão o entupimento/bloqueio.

Tecnocraticamente falando, um bloqueio mental sugere ao Moyle o congelamento do computador. Já aconteceu a todos de certeza. Está-se ali, parado, e, apesar de carregarmos em tudo quanto é tecla, as sinapses não desenvolvem. Neste caso a solução é razoavelmente simples, precisamos de um reboot. Recomenda-se que, com recurso à ingestão de uma quantidade exagerada de bebidas alcoólicas, provoquemos um crash no sistema e depois reiniciemos mais fresquinhos. Para todos aqueles que já têm a motherboard queimada… meus amigos, só com ajuda especializada é que lá vão.

A Ipsis sugere um outro tipo de bloqueio mental, o qual o Moyle também subscreve. É costumeiro e consiste em inscrever o Pin errado demasiadas vezes na nossa própria mona, bloqueando-lhe o funcionamento. É só uma questão de inserir o PUK. O problema, neste tipo de bloqueios, é que a maior parte das pessoas não conhece o seu código de desbloqueio PUK e ficam com o equipamento aparentemente em condições mas impossível de ser usado

5/13/2009

Rabichice Legal

O Direito em Portugal é uma mariquice. Mariquice no sentido de Cláudio Ramos e não no sentido de ter a importância social do “Preço Certo”. O rabichismo legal é gritante e, no entanto, ninguém parece reparar. Valha-nos o Moyle para detectar estas coisas.

Por causa do enriquecimento ilícito, levantou-se uma enorme questão em redor do “ónus da prova”. Vejam este conceito lógico aplicado ao Direito, por exemplo. Tem um nome poderoso, sonante, másculo, imperativo até. Podia ser o nome, ou o título, de um imperador. Imaginem o arauto a anunciá-lo ao som de trombetas:

- Sua Majestade, o Ónus da Prova!

Ora, sabem o que pretendem fazer-lhe? Invertê-lo!

Isto começa a surpreender pouco nos dias que correm mas continua a indignar. Resta saber como se pretende obter esse efeito de inversão. Vão vestir o “ónus da prova” de látex rosa, ou veludo fuchsia? Fazer-lhe umas madeixas acobreadas no Eduardo Beauté? Inscrevê-lo como sócio do Sporting? Obrigá-lo a ver as fotos da operação às mamas da Maya? Apresentá-lo ao Goucha? Tudo isto encerra níveis perfeitamente inauditos de tortura que não podem ser tolerados, mesmo falando de um conceito jurídico.

Mas o arrebichanamento legal não termina por aqui, contudo. Outro exemplo gritante – e aqui gritante não relativo ao tom de voz do Paulo Portas nos debates quinzenais – é o que pretendem fazer ao Direito Penal, isto é, aplicar-lhe retroactividade. Com tanta coisa que podiam fazer ao Direito tinham que lhe dar actividade retro – que em latim significa atrás? Mas já não há decoro? Estamos entregues à bicharada, ou melhor, à bichanice, isto para não falar nos riscos que a retroactividade penal significa em termos de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Continuando assim, rapidamente será o Direito Penal a fazer aos cidadãos o que lhe querem fazer agora.

5/11/2009

Reserva Natural de Luvas

Como não me saiu o euromilhões, dar-me-ia um jeitão aprovar um outlet.