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O Alto, O Forte e o Moyle
Corre a informação de que Michael Jackson estava num buraco financeiro de 500 milhões de dólares. Ora, daqui a umas semanas, já pode fazer um remake do vídeo "Thriller" sem gastar um tostão em maquilhagem. É tudo lucro, portanto. Por outro lado, já que ele apenas veio uma vez a Portugal, quem não teve oportunidade de o ver ao vivo, pode sempre ir vê-lo ao morto. Não perde nada porque ele, mesmo antes de ir empurrar roseiras para cima, já parecia o Skeletor.
Ainda na ordem do dia está a vitória do PPD/PSD nas eleições europeias. Muitos têm sido os comentadores e paineleiros afins que se têm dedicado a adiantar explicações e motivos para o resultado eleitoral do passado dia 7 de Junho mas o Moyle descobriu qual o factor de desequilíbrio que fez pender a balança eleitoral para o lado laranja. O PSD conseguiu, pela primeira vez em muito tempo, fazer passar a mensagem de uma enorme coerência interna, facto ao qual os eleitores são extremamente sensíveis, e não é a Ciência Política que explica tal facto. Na realidade, só com um razoável conhecimento de Geologia e Paleontologia se compreende, na sua completude, os fundamentos dessa nova imagem. Se repararmos bem nos protagonistas do PSD nesta ida à urnas, vemos que o partido laranja é liderado por alguém que nasceu no Ordovícico Médio, e o candidato tem a fisionomia de uma trilobite. Se isto não é coerência, ninguém sabe verdadeiramente o que será.
Bem sei que tenho andado afastado, quase um mês é muito tempo, mas, além do trabalho e das preocupações - com ou sem razão de ser - há uma latente crise de vontade e de criatividade que se instalou (percebam aqui a ironia na parte da criatividade). Espero que melhores dias regressem brevemente e o convívio com os moyleitores também.
Como é que vocês imaginam um “bloqueio mental”? O Moyle, fruto da sua complexa e intrincada personalidade, percebe-o de variadas formas.
Nos casos mais graves, o hiperbolismo congénito moylístico visualiza a coisa como uma sucessão de barricadas com arame farpado, bidões com qualquer coisa a arder dentro, gajos com armas a vigiar uma cancela que é um tubo às riscas vermelhas e brancas, que levanta com ajuda de um contrapeso numa das extremidades, para deixar passar as sinapses depois de devidamente identificadas pelas milícias neuronais. Esta situação é muito séria porque só uma revolução espiritual derruba o poder e restabelece a ordem psicológica.
Se estivermos a falar da classe política, o espírito mais escatológico tende a ver o bloqueio mental como uma bola de papel higiénico que impede a circulação dos pensamentos pelo cano da retrete abaixo. A solução para estes bloqueios nem sempre é simples e, em sintonia com os pensamentos que não fluem, pode dar merda. Como a experiência nos ensina, aqueles que se auto-proclamam “canalizadores de serviço” farão, como é hábito, pior e agravarão o entupimento/bloqueio.
Tecnocraticamente falando, um bloqueio mental sugere ao Moyle o congelamento do computador. Já aconteceu a todos de certeza. Está-se ali, parado, e, apesar de carregarmos em tudo quanto é tecla, as sinapses não desenvolvem. Neste caso a solução é razoavelmente simples, precisamos de um reboot. Recomenda-se que, com recurso à ingestão de uma quantidade exagerada de bebidas alcoólicas, provoquemos um crash no sistema e depois reiniciemos mais fresquinhos. Para todos aqueles que já têm a motherboard queimada… meus amigos, só com ajuda especializada é que lá vão.
A Ipsis sugere um outro tipo de bloqueio mental, o qual o Moyle também subscreve. É costumeiro e consiste em inscrever o Pin errado demasiadas vezes na nossa própria mona, bloqueando-lhe o funcionamento. É só uma questão de inserir o PUK. O problema, neste tipo de bloqueios, é que a maior parte das pessoas não conhece o seu código de desbloqueio PUK e ficam com o equipamento aparentemente em condições mas impossível de ser usado
O Direito em Portugal é uma mariquice. Mariquice no sentido de Cláudio Ramos e não no sentido de ter a importância social do “Preço Certo”. O rabichismo legal é gritante e, no entanto, ninguém parece reparar. Valha-nos o Moyle para detectar estas coisas.
Por causa do enriquecimento ilícito, levantou-se uma enorme questão em redor do “ónus da prova”. Vejam este conceito lógico aplicado ao Direito, por exemplo. Tem um nome poderoso, sonante, másculo, imperativo até. Podia ser o nome, ou o título, de um imperador. Imaginem o arauto a anunciá-lo ao som de trombetas:
- Sua Majestade, o Ónus da Prova!
Ora, sabem o que pretendem fazer-lhe? Invertê-lo!
Isto começa a surpreender pouco nos dias que correm mas continua a indignar. Resta saber como se pretende obter esse efeito de inversão. Vão vestir o “ónus da prova” de látex rosa, ou veludo fuchsia? Fazer-lhe umas madeixas acobreadas no Eduardo Beauté? Inscrevê-lo como sócio do Sporting? Obrigá-lo a ver as fotos da operação às mamas da Maya? Apresentá-lo ao Goucha? Tudo isto encerra níveis perfeitamente inauditos de tortura que não podem ser tolerados, mesmo falando de um conceito jurídico.
Mas o arrebichanamento legal não termina por aqui, contudo. Outro exemplo gritante – e aqui gritante não relativo ao tom de voz do Paulo Portas nos debates quinzenais – é o que pretendem fazer ao Direito Penal, isto é, aplicar-lhe retroactividade. Com tanta coisa que podiam fazer ao Direito tinham que lhe dar actividade retro – que em latim significa atrás? Mas já não há decoro? Estamos entregues à bicharada, ou melhor, à bichanice, isto para não falar nos riscos que a retroactividade penal significa em termos de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Continuando assim, rapidamente será o Direito Penal a fazer aos cidadãos o que lhe querem fazer agora.
É muito comum ouvir às pessoas a expressão «Dantes é que era bom!». De uma forma ou de outra, esta afirmação tem sido normalmente conotada com espíritos reaccionários [para usar uma linguagem do PREC], conservadores, incapazes de aceitar, pelo menos de bom grado, que as coisas mudam.
Como explicar, então, a permanência desta atitude se Tudo é devir, diz o Moyle citando Heráclito e alardeando a vastidão oceânica da sua cultura clássica? Podemos seguir várias direcções em busca de uma resposta e, para não variar muito em relação ao que é hábito, seguiremos algumas propositadamente escolhidas só para chegarmos à conclusão de que estão erradas e, com isso, exaltar com louvores a radiante sapiência desta vossa luz, que é o Moyle [convém esclarecer este ponto porque podiam entusiasmar-se e achar que a radiância era relativa ao vosso monitor e não ao justo brilho intelectual da pérola da cultura ocidental que escreve este blog]. Mas voltemos ao que interessa.
Poder-se-ia achar que as pessoas mantêm essa atitude saudosista e/ou revivalista por tomarem consciência da inexorabilidade do tempo, recordando-os, embora inconscientemente, de que estão mais perto de serem fertilizante de ciprestes. Por esse motivo, refugiam-se numa mítica “Idade de Ouro”, passada e irrecuperável, para não lidarem com o inevitável facto de não estarem a ficar mais novos. É esta uma argumentação simplória – não vou dizer idiota porque não quero faltar ao respeito a ninguém.
Sendo mais pragmáticos, podemos ver naquela afirmação a dificuldade que as pessoas mais velhas sentem em se adaptar ao presente, à aceleração dos dias, ao progresso tecnológico, à velocidade estonteante que o consumo material deu às modas, tendências, estéticas e comportamentos, que se sucedem caleidoscopicamente. O que estas pessoas temem não é o futuro mas um presente que sentem como instabilidade. Mais uma parvoíce pegada, feita para embrutecer as massas.
Se tentarmos ir mais fundo, ao núcleo da nossa matriz civilizacional, poderíamos enquadrar o «dantes é que era bom» na impressão duradoura deixada pelos relatos genesíacos de Adão e Eva no Eden, deixados por uma estrutura religiosa totalitarista e totalizante, intolerante e manipuladora. Antes do mal, do medo e da dor, ocorridos pela expulsão do casal maravilha da imprensa cor-de-rosa da antiguidade arcaica, é que era bom, ler-se-ia se alinhássemos por estas baboseiras judaico-cristãs. Acreditem que eu sei, é treta.
Se todas estas hipóteses, aparentemente congruentes e empiricamente justificáveis, lógicas e holísticas não explicam a perenidade da afirmação «Dantes é que era bom», que raio de explicação terá? É fácil. As pessoas dizem que «Dantes é que era bom» porque «Dantes é que era bom». Mas era mesmo. Atenção que o advérbio de tempo “dantes”, aqui, não significa os bolorentos que têm saudades de Oliveira Salazar, porque, para esses, o Moyle já tem apresentado algumas soluções com o título de “Saudades de Salazar”. Afilando o raciocínio com a Navalha de Ockham [mais uma vulgar demonstração de erudição, desta vez medievalista], devo lembrar-vos que a maior parte das vezes a resposta mais simples é, precisamente, a única que está certa.
Agora perguntam vocês: - Mas esperas mesmo que nós engulamos essas patranhas sem provas? Não, claro que o Moyle não espera isso. De facto ficaria muito desapontado convosco se não tivessem colocado esta questão, porque sabe que é o modernismo racionalista de matriz cartesiana o substrato da vossa intelectualidade [nesta passagem nota-se perfeitamente a vastidão de conhecimentos em filosofia moderna]. E, deixem que vos seja dito, mostram bastante sensatez nessa vossa atitude de “sem provas nada feito”.
Sabem como é que o Moyle chegou à sua brilhante conclusão? Através da simples observação dos factos puros e duros. O contacto com a realidade revelou-a na sua plenitude e simplicidade. Em vez de andar a ler as opiniões dos coetâneos de eras passadas, que são a realidade mastigada e cuspida em livros, o Moyle viu essa mesma realidade.
Vejam todas a imagens que o Moyle vos traz. Sendo de épocas, locais e civilizações diferentes, ampliou-se a qualidade e a significância da amostra, robustecendo-se, com isso, a profundidade da argumentação apresentada. Todas as múmias apresentadas nestas fotografias estão a rir descaradamente, ostentando largos e impudicos sorrisos de quem está contente com a vida. Como seria isto possível se não vivessem bem e felizes? Esta gente morreu toda a rir, como se vê pela forma como mostram todos os dentes ao mesmo tempo.
Sem prestações, sem poluição, sem Sócrates [aquele da… ai como é se chama aquilo… a… engenharia, dizem], sem sondagens, sem stress, sem insónias nem depressões, sem desemprego e com vinhaça à discrição (sem ser preciso pagar por uma garrafa o que custa uma pipa), com muita natureza ao vivo e a cores. A vida não seria fácil, claro que não, não podemos esquecer que não havia banho quente, tabaco enrolado, nem Sporttv, mas mesmo assim viver-se-ia numa pureza descontraída, sem a tirania do lucro e do crédito. Uma aurea mediocritas hedonista no seu esplendor.
[os balões de pensamento não são mais que uma livre interpretação dos sentimentos expressos pela fácies das múmias apresentadas, ou seja, a invasão da palermice do costume num texto, claramente, muito sério]