4/27/2009

Dantes É Que Era Bom

É muito comum ouvir às pessoas a expressão «Dantes é que era bom!». De uma forma ou de outra, esta afirmação tem sido normalmente conotada com espíritos reaccionários [para usar uma linguagem do PREC], conservadores, incapazes de aceitar, pelo menos de bom grado, que as coisas mudam.

Como explicar, então, a permanência desta atitude se Tudo é devir, diz o Moyle citando Heráclito e alardeando a vastidão oceânica da sua cultura clássica? Podemos seguir várias direcções em busca de uma resposta e, para não variar muito em relação ao que é hábito, seguiremos algumas propositadamente escolhidas só para chegarmos à conclusão de que estão erradas e, com isso, exaltar com louvores a radiante sapiência desta vossa luz, que é o Moyle [convém esclarecer este ponto porque podiam entusiasmar-se e achar que a radiância era relativa ao vosso monitor e não ao justo brilho intelectual da pérola da cultura ocidental que escreve este blog]. Mas voltemos ao que interessa.

Poder-se-ia achar que as pessoas mantêm essa atitude saudosista e/ou revivalista por tomarem consciência da inexorabilidade do tempo, recordando-os, embora inconscientemente, de que estão mais perto de serem fertilizante de ciprestes. Por esse motivo, refugiam-se numa mítica “Idade de Ouro”, passada e irrecuperável, para não lidarem com o inevitável facto de não estarem a ficar mais novos. É esta uma argumentação simplória – não vou dizer idiota porque não quero faltar ao respeito a ninguém.

Sendo mais pragmáticos, podemos ver naquela afirmação a dificuldade que as pessoas mais velhas sentem em se adaptar ao presente, à aceleração dos dias, ao progresso tecnológico, à velocidade estonteante que o consumo material deu às modas, tendências, estéticas e comportamentos, que se sucedem caleidoscopicamente. O que estas pessoas temem não é o futuro mas um presente que sentem como instabilidade. Mais uma parvoíce pegada, feita para embrutecer as massas.

Se tentarmos ir mais fundo, ao núcleo da nossa matriz civilizacional, poderíamos enquadrar o «dantes é que era bom» na impressão duradoura deixada pelos relatos genesíacos de Adão e Eva no Eden, deixados por uma estrutura religiosa totalitarista e totalizante, intolerante e manipuladora. Antes do mal, do medo e da dor, ocorridos pela expulsão do casal maravilha da imprensa cor-de-rosa da antiguidade arcaica, é que era bom, ler-se-ia se alinhássemos por estas baboseiras judaico-cristãs. Acreditem que eu sei, é treta.

Se todas estas hipóteses, aparentemente congruentes e empiricamente justificáveis, lógicas e holísticas não explicam a perenidade da afirmação «Dantes é que era bom», que raio de explicação terá? É fácil. As pessoas dizem que «Dantes é que era bom» porque «Dantes é que era bom». Mas era mesmo. Atenção que o advérbio de tempo “dantes”, aqui, não significa os bolorentos que têm saudades de Oliveira Salazar, porque, para esses, o Moyle já tem apresentado algumas soluções com o título de “Saudades de Salazar”. Afilando o raciocínio com a Navalha de Ockham [mais uma vulgar demonstração de erudição, desta vez medievalista], devo lembrar-vos que a maior parte das vezes a resposta mais simples é, precisamente, a única que está certa.

Agora perguntam vocês: - Mas esperas mesmo que nós engulamos essas patranhas sem provas? Não, claro que o Moyle não espera isso. De facto ficaria muito desapontado convosco se não tivessem colocado esta questão, porque sabe que é o modernismo racionalista de matriz cartesiana o substrato da vossa intelectualidade [nesta passagem nota-se perfeitamente a vastidão de conhecimentos em filosofia moderna]. E, deixem que vos seja dito, mostram bastante sensatez nessa vossa atitude de “sem provas nada feito”.

Sabem como é que o Moyle chegou à sua brilhante conclusão? Através da simples observação dos factos puros e duros. O contacto com a realidade revelou-a na sua plenitude e simplicidade. Em vez de andar a ler as opiniões dos coetâneos de eras passadas, que são a realidade mastigada e cuspida em livros, o Moyle viu essa mesma realidade.

Vejam todas a imagens que o Moyle vos traz. Sendo de épocas, locais e civilizações diferentes, ampliou-se a qualidade e a significância da amostra, robustecendo-se, com isso, a profundidade da argumentação apresentada. Todas as múmias apresentadas nestas fotografias estão a rir descaradamente, ostentando largos e impudicos sorrisos de quem está contente com a vida. Como seria isto possível se não vivessem bem e felizes? Esta gente morreu toda a rir, como se vê pela forma como mostram todos os dentes ao mesmo tempo.

Sem prestações, sem poluição, sem Sócrates [aquele da… ai como é se chama aquilo… a… engenharia, dizem], sem sondagens, sem stress, sem insónias nem depressões, sem desemprego e com vinhaça à discrição (sem ser preciso pagar por uma garrafa o que custa uma pipa), com muita natureza ao vivo e a cores. A vida não seria fácil, claro que não, não podemos esquecer que não havia banho quente, tabaco enrolado, nem Sporttv, mas mesmo assim viver-se-ia numa pureza descontraída, sem a tirania do lucro e do crédito. Uma aurea mediocritas hedonista no seu esplendor.




[os balões de pensamento não são mais que uma livre interpretação dos sentimentos expressos pela fácies das múmias apresentadas, ou seja, a invasão da palermice do costume num texto, claramente, muito sério]

4/22/2009

Bipolarismo em Taça V

Há quase dois meses o Moyle foi ao Museu-Colecção Berardo e os gajos tinham uma quantidade enorme de quadros por acabar. Hoje o Moyle vai lá de novo para ver se a empreitada está pronta e já se percebe alguma coisa daquilo. Enquanto isso, prometo-vos que esta é a penúltima tortura ao Cilinho.

4/21/2009

Casula de Vénus

Dom José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa, afirmou recentemente que o preservativo é uma forma falível de combater o vírus do Sida. Sem querer atirar mais gasolina para a fogueira, o Moyle vem aqui expressar a sua concordância.

De facto, melhor que preservativos, o ideal era, quando chegasse o momento de… coiso, embrulhar o zézinho [parece que há quem lhes chame assim] num Papa. Todos sabemos que o Papa é infalível.

4/17/2009

Jogar Bilhar com Carros

É extremamente curioso como está toda a gente extremamente ansiosa por se escapar ao português. Por dá cá aquela palha todos tentam enfiar uma palavra, expressão ou interjeição de outra língua, nomeadamente inglês, nas conversas, artigos de jornal, mesmo livros. Esta moda vai tão longe que mesmo o Moyle, que é um purista da língua portuguesa, como vocês os quatro já devem ter percebido, praticamente não faz outra coisa que não enfiar esses outsiders na nossa bela língua, right?

Enfim, este hábito que insidiosamente se infiltrou na sociedade portuguesa revela um pouco do zeitgeist em que estamos envolvidos e é o fait-divers que serve de mote ao assunto que nos trouxe aqui hoje.

Será que a expressão car-pooling é mesmo necessária? Não se pode dizer partilha de carro? Fazer uma vaquinha para a gasosa? Qualquer coisa deste género e genuinamente português, em termos linguísticos? Note-se que nada me move contra a utilização de expressões estrangeiras na nossa língua. Como raio poderia eu chamar ao croissant? Se não houvesse a expressão Mister como chamaríamos àquele senhor que orienta uma equipa de futebol? Nada em português substitui um dolce far niente, por exemplo. Mas car-pool?

Ou este texto - note-se que não usei post - é um Fehlleistung , ou a expressão car-pool é absolutamente desnecessária.

4/14/2009

Bipolarismo em Taça IV

Eu sei que já devem estar fartos de eu não deixar morrer a história do Lucílio Batista e do penalti na Taça da Liga mas têm que compreender que se não fossem as ironias hiperbólicas o Moyle não teria 1/5 da razão de ser (os outros 3/4 ainda não sei muito bem quais são mas não incluem matemática).
Sendo aclubístico, na medida em que precisa de liberdade para dizer de sua justiça, estes posts sobre o Cilinho e os lagartos não são de ressentimento nem de vingança. São hipérboles e nem sequer foi o Moyle que começou.

Ps: Ainda não é desta que acaba porque há mais.

3/28/2009

Expressões Idio... máticas

Pode dizer-se daquela gaja que saiu da churrascaria a correr para apanhar o autocarro que ia com o pito aos saltos!

3/26/2009

Bipolarismo em Taça II

A lagartagem, para lá de uma dúzia de motivos para estarem preocupados, tem agora um novo stress: como materializar a suprema vingança sobre o Cilinho Batista.
O Moyle materializa visualmente o resultado da viagem à cabeça de um lagarto [não foi fácil nem agradável mas, no meio do vácuo, lá estava esta imagem].

3/24/2009

Bipolarismo em Taça

Uma competição desportiva tem os atletas como principais protagonistas, certo? Errado. Não se esqueçam de quem são e onde vivem. O futebol português, particularmente, é um caso psiquiátrico, a um tempo, extremamente grave e, a outro, extremamente engraçado.
Jogou-se no sábado a final da Taça da Liga e temos dois ângulos de análise completamente opostos, maniqueísmo derivativo das sensações provocadas nos contendores pelo desfecho final.
Se já é um lugar-comum afirmar que em Portugal as coisas funcionam de maneira diferente, não é menos preciso tornar a afirmá-lo. Na realidade, o maniqueísmo pressupõe, metaforicamente, dois campos inconciliáveis e, aqui, reside a originalidade portuguesa. O maniqueísmo neste jardinzinho mal plantado tem três. Os uns não suportam os outros, e vice-versa, mas aproximam-se uns e outros para odiarem em conjunto aqueles.
Por maioria de razão, os extremos derivam quando toca ao rescaldo de uma final de qualquer competição desportiva. Uns perdem e deprimem, os outros ganham e exultam. Até aqui tudo normal. Agora entra a cambiante portuguesa. Tanto os que ganham como os que perdem não o fazem por mérito ou demérito, ganham ou perdem por intervenção divina da terceira equipa em campo. Sendo essa terceira equipa a verdadeira protagonista, é justo que seja sobre ela que recaia toda a atenção nos festejos e nos lamentos.



A lagartagem está unida para exorcizar (à martelada) os espíritos maus que assombram as suas potestáticas virtualidades futebolísticas. O concílio dos deuses está definitivamente contra os tristes de verde. Eles até têm lá a Matadinho, é certo, mas não chega aos calcanhares de uma Vénus que, essa sim, desbloqueia tudo o que burocracia divina contra a portuguesice. Os de Alvalade seguem, então, a sabedoria popular e estão a esforçar-se seriamente por matar o bicho, a ver se morre a peçonha.

Os depenados festejam com o herói da noite, exaltando-o pelo extraordinário desempenho nos penalties. É saudável ver que, neste mundo cão e ultracompetitivo, ainda há quem dê valor ao que realmente interessa, isto é, atribuir o mérito a quem o tem. O fair play inerente a esta magnanimidade das marias papoilas saltitantes faz antever um belíssimo futuro para este clube.

Dizendo a verdade, o futebol é tão fraquinho em Portugal que se não fossem os árbitros a loja já tinha fechado para balanço e é pena que mais ninguém dê conta desta singularidade. Seja como for, vamos ao que interessa, e o que interessa é, neste caso, dar a responsabilidade aos verdadeiros protagonistas, os árbitros.

3/23/2009

Diagnóstico Precoce de Castelo Branquismo

A rabichice está na ordem do dia. Já é assim há algum tempo mas, cada vez mais, há incontornáveis que não podemos, nem devemos - visto que vivemos numa sociedade inclusiva [exceptuando os ciganos de Barcelos] - escamotear.
De onde vem o arrebichanamento? Essa é a dúvida fulcral que assalta todos aqueles que pensam um bocadinho sobre o assunto e mesmo o Moyle, que não dedicou ao tema além dos minutos necessários para juntar as letras que estão a ler agora. Estabelecido que está que a rabetice não é uma doença, uma praga divina, devemos assumir [e nem se atrevam a segundas intenções com a palavra assumir] que se trata de uma tendência individual, enraízada na personalidade da pessoa desde a sua infância.
Ao tropeçar, virtualmente falando, na imagem que se segue, esta possibilidade ganha força. De facto, apenas dois motivos podem levar um gajo a fazer tal esgar perante uma tão bem compostinha glândula mamária:

Neste primeiro caso, o puto revela já os traços de bichanice que ostentará muito claramente quando for adulto e se filiar no CDS/PP.

O segundo motivo para tal reacção a tão camoniana teta só pode ser, longe de qualquer rabichice, provocada pelos laços sanguíneos que ligam os dois intervenientes [putos que apreciem em demasia devem começar a ser monitorizados imediatamente pela bófia para não se dar o caso de mais um Fritzl]. É óbvio que se não fosse a mama da mãe a reacção do puto não seria de todo esta - ao contrário do primeiro exemplo.

Concluindo, podem reparar que a profundidade desta reflexão decorre, como é muito óbvio, do interesse profundíssimo [profundidade apenas comparável com a do raciocínio lógico de um Paulo Bento] que o Moyle nutre por este assunto.

3/17/2009

Casaco de Peles


Depois desta nota introdutória, vamos lá ao assunto que nos trouxe aqui. Já alguma vez desfiaram bacalhau? Se nunca tiveram essa oportunidade o Moyle garante-vos que estão a perder uma actividade extraordinária, provavelmente só ao nível de pisar descalço pregos ferrugentos, sem o bónus da possibilidade de contrair tétano. Enfim, vamos antes ao que interessa.

A pele do bacalhau é extremamente resistente. Podemos puxar e puxar que aquilo nem se mexe. Este facto, per si, parece não ter grande importância mas isso apenas acontece porque nunca ninguém antes o viu pelo olhos do Moyle. Dadas as características de resistência e alguma elasticidade da pele do bacalhau, às quais se associam os mais que óbvios aspectos da impermeabilidade e isolamento térmico (para os mais distraídos o bacalhau é um peixe que vive no Atlântico Norte – precisamente na zona dos icebergues e tal), não seria uma boa ideia fazer casacos de pele de bacalhau?

Nós já apanhamos os bichos para os comer de 1001 maneiras e, ainda, para fazer óleo do fígado só para castigar os putos quando se portam menos de acordo com os parâmetros estabelecidos familiarmente, porque não valorizar ainda mais este recurso natural? Não é apenas uma questão económica. O que motiva o Moyle é, igualmente, a compaixão para com as vacas. Já viram que estes tristes animais são comidos, bebidos, vestidos e calçados e ainda vêem os cornos serem abotoados e feitos em pentes? É demasiada responsabilidade para um ruminante. Estando na altura de partilharmos o fardo, por que não o bacalhau?

AH e tal porque o cheiro a peixe e não sei quê mais…, é a reacção óbvia, mesmo lógica, a esta proposta. No entanto, deixem-me perguntar uma coisa: Quando vestem um casaco, usam uma carteira, etc., ficam a cheirar a estrume [não incluo botas e sapatos porque aí a coisa fia mais parecido com a voz do Nuno Guerreiro que é, como quem diz, mais fininho]? Não, claro que não! Então não devemos apriorizar esse aspecto quanto à pele do bacalhau.

Pensem nisso!

3/13/2009

Para o Menino Governo... Uma Salva de Palmas

É costume, quando as crianças fazem anos, comprar-se, ou fazer-se - conforme se seja prendado (a), ou não, em matérias gastronómicoculináriopasteleiras - um bolo de aniversário enfeitado com algo ou de que as crianças gostam ou fazem. Há bolos com reproduções de personagens dos desenhos animados, bolos que são campos de futebol. basquetebol, etc., bolos com bonequitos a fazerem ski e/ou a patinarem, enfim, toda uma panóplia de coisas que servem para desempoeirar o fundo das algibeiras.
Comemorou-se ontem, ou isso ou fui enganado, o 4º aniversário deste governo, data essa que o Moyle não poderia deixar passar em claro. Vai daí, congeminou um bolo de aniversário que reflectisse esta viçosa criança.
Parabéns ao Governo por este 4 anos.