3/17/2009

Casaco de Peles


Depois desta nota introdutória, vamos lá ao assunto que nos trouxe aqui. Já alguma vez desfiaram bacalhau? Se nunca tiveram essa oportunidade o Moyle garante-vos que estão a perder uma actividade extraordinária, provavelmente só ao nível de pisar descalço pregos ferrugentos, sem o bónus da possibilidade de contrair tétano. Enfim, vamos antes ao que interessa.

A pele do bacalhau é extremamente resistente. Podemos puxar e puxar que aquilo nem se mexe. Este facto, per si, parece não ter grande importância mas isso apenas acontece porque nunca ninguém antes o viu pelo olhos do Moyle. Dadas as características de resistência e alguma elasticidade da pele do bacalhau, às quais se associam os mais que óbvios aspectos da impermeabilidade e isolamento térmico (para os mais distraídos o bacalhau é um peixe que vive no Atlântico Norte – precisamente na zona dos icebergues e tal), não seria uma boa ideia fazer casacos de pele de bacalhau?

Nós já apanhamos os bichos para os comer de 1001 maneiras e, ainda, para fazer óleo do fígado só para castigar os putos quando se portam menos de acordo com os parâmetros estabelecidos familiarmente, porque não valorizar ainda mais este recurso natural? Não é apenas uma questão económica. O que motiva o Moyle é, igualmente, a compaixão para com as vacas. Já viram que estes tristes animais são comidos, bebidos, vestidos e calçados e ainda vêem os cornos serem abotoados e feitos em pentes? É demasiada responsabilidade para um ruminante. Estando na altura de partilharmos o fardo, por que não o bacalhau?

AH e tal porque o cheiro a peixe e não sei quê mais…, é a reacção óbvia, mesmo lógica, a esta proposta. No entanto, deixem-me perguntar uma coisa: Quando vestem um casaco, usam uma carteira, etc., ficam a cheirar a estrume [não incluo botas e sapatos porque aí a coisa fia mais parecido com a voz do Nuno Guerreiro que é, como quem diz, mais fininho]? Não, claro que não! Então não devemos apriorizar esse aspecto quanto à pele do bacalhau.

Pensem nisso!

3/13/2009

Para o Menino Governo... Uma Salva de Palmas

É costume, quando as crianças fazem anos, comprar-se, ou fazer-se - conforme se seja prendado (a), ou não, em matérias gastronómicoculináriopasteleiras - um bolo de aniversário enfeitado com algo ou de que as crianças gostam ou fazem. Há bolos com reproduções de personagens dos desenhos animados, bolos que são campos de futebol. basquetebol, etc., bolos com bonequitos a fazerem ski e/ou a patinarem, enfim, toda uma panóplia de coisas que servem para desempoeirar o fundo das algibeiras.
Comemorou-se ontem, ou isso ou fui enganado, o 4º aniversário deste governo, data essa que o Moyle não poderia deixar passar em claro. Vai daí, congeminou um bolo de aniversário que reflectisse esta viçosa criança.
Parabéns ao Governo por este 4 anos.

3/12/2009

Nasikabatrachus Sahyadrensis ou Um Amor Sem Limites

Uma coisa que me fez sempre um bocado de espécie foi a natureza da relação entre o Cocas e a Miss Piggy. Plenamente consciente de que esta é uma dúvida que assalta as pessoas, o Moyle decidiu intervir, pronunciando-se sobre a matéria.

Para todos aqueles que julgavam que a relação afectiva entre a rã e a porca protagonistas d’ Os Marretas não era possível biologicamente, desenganem-se. Para todos os outros que, admitindo uma relação afectiva, acreditaram tratar-se de uma forte amizade, espalharam-se ao comprido. Para, ainda, os que aceitaram o relacionamento entre os dois seres como amoroso, embora de um platonismo trovadoresco, estão a andar para trás.

O Moyle está em condições de vos assegurar que a relação entre o Cocas e a Piggy é de luxúria, de sexo excessivo e descontrolado, revelando uma paixão profunda e incondicional. Nunca se questionaram sobre qual seria o motivo de o Cocas ser tão etiopemente magrinho? A resposta reside precisamente no facto de a suína ser absolutamente insaciável em termos sexuais, o que, aliado à sua constituição física mais robusta, exige um esforço enorme ao pobre ranídeo. Mais um pormenor que contribuiu para o aspecto famélico do Cocas. Segundo a Ipsis, a Miss Piggy tem ar de quem fica por cima… O resto imaginem vocês …

Eu sei que vocês estão a pensar que eu só estou a aparvalhar com a palermice do costume, o que até seria sensato da vossa parte. No entanto, tenho provas do que estou a dizer. O tórrido casalinho tem gerado prole que, como não podia deixar de ser, reúne as características combinadas dos progenitores.

Nunca imaginaram como seriam os filhos do Cocas e da Miss Piggy? Agora também já não precisam de imaginar. Foram descobertos, por acaso, nas montanhas do Gates, na Índia, onde se esconderam dos olhos do mundo, com medo da incompreensão e do preconceito generalizado. Se perguntarem ao Moyle, ele acha muito bem que se escondam porque uma rã gorda com focinho de porco não é visão agradável para ninguém.

3/09/2009

Gente Estúpida

Há gente mesmo estúpida. Até aqui nada de novo. Lendo este blog vocês sabem automaticamente do que se está a falar. Mas deixemos de falar no Moyle.

Saiu há uns tempos no Público uma notícia que não surpreende absolutamente nada, ou seja, Portugal tem a mais alta taxa de suicídios da Europa Ocidental. Isto levanta algumas perguntas. Sendo este torrão da Europa à beira mal plantado um país maioritariamente católico e sendo o suicídio absolutamente interdito para a Igreja, como se justifica tal número? Talvez as recentes declarações de membros da hierarquia eclesiástica estejam a levar as pessoas ao desespero. Mas isso não é importante agora. O que interessa é mesmo a estupidez humana.

Se pensaram, depois deste parágrafo, que o Moyle iria gratuitamente chamar estúpidos aos suicidas desenganem-se. O Moyle não faria isso. Vai sim chamar gratuitamente estúpidos a todos aqueles que querem ser portugueses. Numa outra notícia recente, da qual não foi possível obter o link para vocês confirmarem (está aqui outro, mais antigo, mas relativo aos anos de análise da taxa de suicídios), o número de pedidos de nacionalidade portuguesa nunca foi tão elevado [mesmo descontando os jogadores da bola que têm a Selecção Nacional fisgada para assinarem com a Nike, ou assim].

Por maioria de razão, não é para ganhar dinheiro e fazerem uma vida mais desafogada que estes imigrantes vêm para Portugal. Se é por causa do sol, há mais países onde se está melhor e que têm mais sol. Comida? Não deve ser grande coisa porque os McDonalds estão sempre cheios. Bebida? Por aí já temos assunto, mas não me parece que alguém emigre só para beber. Os que eram capazes de fazer isso já cá vivem, os portugueses precisamente. Qual é a vantagem? Talvez seja uma daquelas coisas que só quem está de fora consegue ver. Enfim, por tudo isto, só a vontade de morrer é que explica alguém querer ser português.

Mas será que com tantos países no mundo só a nós é que calham os imigrantes com tendências suicidas? Se nem já os portugueses aguentam sê-lo e estão a quinar voluntariamente, o que leva estes infelizes a crer que conseguem? Só podem ser estúpidos. É a única explicação que o Moyle encontra, sinceramente.

3/03/2009

Enfardar Pequenos

Esta é a imagem da campanha dos mini gelados Magnum, pelos quais o Moyle nutre um simpático apreço, embora nada mais que isso. O que torna esta campanha tão interessante? Esta campanha é interessante pelo timing porque, caso tivesse sido lançada há uns anos atrás, seria um absoluto fiasco e daria origem a sérios problemas. Sabem porquê? Eu explico.
Leiam a mensagem contida naquela forma de gelado enquanto pensam no Carlos Cruz... o Moyle tem razão ou não tem? Claro que tem. E ter razão é melhor que uma caixa de Magnum.

[Não leiam em voz alta porque podem estar sob escuta e nem quero imaginar o que iriam passar para explicarem as vossas palavras]

3/02/2009

Canitos de Guerra

Portugal é um país à beira da guerra. Ainda ninguém deu conta porque não é o Portugal todo, pois tudo se passa no Reino dos Algarves, tendo até agora as coisas passado despercebidas na medida em que são muito poucos os que falam o dialecto local.
O conflito fronteiriço entre os concelhos de Loulé e de Faro está a uma curtíssima distância de resvalar para um cruento e sanguinário conflito a toda a escala.
O Moyle sabe que Sebastião Francisco Seruca Emídio, presidente do município louletano e, por inerência, das «Brigadas Negras para a Restituição do Arneiro», usurpado, segundo dizem, por Faro, declarou estar disposto a todos os sacrifícios, incluindo de sangue [sic] para reaver o coração de todo o concelho de Loulé, contra os porcos imperialistas da capital de distrito.
Já em Faro, José Apolinário Nunes Portada, líder do movimento integrista farense «Mártires Vermelhos de Arneiro», afirmou-se disposto a mandar para a morte os seus correligionários para expulsar os cães usurpadores [sic] de Loulé da referida localidade.
Ao mesmo tempo que se afiam podoas de um lado e forquilhas do outro, crescem as ameaças de guerra química, com os louletanos a terem comprado toneladas de feijão nas últimas semanas, que têm consumido em gigantescas feijoadas, e as peixeiras de Faro a guardarem tudo quanto é tripa de peixe para envenenar a rede de distribuição de água, o equipamento de transporte está a ser ultimado. Carros puxados a animais e tractores agrícolas farenses e bicicletas e motorizadas do lado de Loulé.
Os dois concelhos fazem apelo à mobilização das alianças militares com outros concelhos da região - Silves, Tavira e Lagoa já fizeram declarações públicas de apoio à causa louletana e repúdio ao imperialismo farense, ao passo que Faro conta com Albufeira e a faixa ocidental de S. Brás de Alportel como aliados estrategicamente preciosos, por estarem encravados mesmo no flanco louletano - e o clima de tensão vai crescendo para níveis não mais vistos desde a Guerra Fria.
Uma task force de mediação está já em marcha para solucionar o conflito sem arriscar a destruição massiva que se anuncia. Macário Correia, candidato do PSD à edilidade de Faro, mostrou não estar contaminado com o veneno que infecta os corações algarvios e, denotando uma extraordinária sensibilidade e bom senso, tem tentado mobilizar os sectores pacifistas da sociedade algarvia, para solucionar o problema. Está já em decurso uma campanha enorme de prospecção dos melhores jogadores de sueca dos dois concelhos para, em rondas negociais de 10 pontos cada "cabeça", solucionarem a crise.

2/28/2009

Resposta ao Desafio

Depois de um sketch obviamente humorístico retratando uma possível fusão entre o Millenium/BCP e uma loja de ferragens, os Gato Fedorento transmitiram, no «Diz que é Uma Espécie de Magazine» uma entrevista com o Comendador Joe Berardo em que este afirmou, inequivocamente, ter adquirido o "famoso" mini-caixotinho, que foi protagonista daquele sketch.
Ora, o Moyle deslocou-se ao Museu-Colecção Berardo na passada sexta-feira e ia bastante entusiasmado por visionamentalizacionalizar o famoso objecto e tentar confirmar se ele falava ou não. Foi um entusiasmo pífio, posso já adverti-los, porque tal objecto não existe na colecção Berardo. Apesar da mostra, actualmente, ser sobre pintura o Moyle questionou os funcionários do museu e eles garantiram que essa história era uma piada.
Tendo sido bastante convincentes na sua argumentação o Moyle deixa aqui uma nota de repúdio para os felídeos malcheirosos, desejando, honestamente, que lhes nasça no "rego do ass" um pessegueiro, mas que dê abóboras.
Relativamente ao desafio que me foi lançado pela Teté há uns dias, as respostas certas, ou seja, as que não correspondiam à verdade eram/são:
c) Pedi uma providência cautelar contra a Liliana Santos por assédio;
e) Evito ver «A Alma e a Gente» porque me excito;
g) Não deixo ninguém senão eu passar a minha roupa a ferro;
Parabéns à Teté por ter acertado nelas todas. Quanto à Ipsis e ao fã do Valentino Rossi que também tentaram, bem, melhor sorte na próxima [que não me parece vá existir].

2/27/2009

Quem Quer Ser Moylionário III

Divirtam-se enquando o Moyle vai ver se o Berardo tem lá mesmo o tal "minicaixotinho" de que falavam os felídeos malcheirosos.

2/25/2009

Auto-estrada Cor-de-Rosa

O líder parlamentar do PPD/PSD, Paulo Rangel, acusou hoje o Governo de José Sócrates de estar a praticar uma política daauto-estrada cor-de-rosa. Várias cavalas saltam desta notícia, às quais passamos agora a tirar as espinhas.

A primeira é a necessidade de reescrever todos os manuais e obras de Ciência Política para incluir esta nova variação.
A segunda é o aspecto gráfico que esta afirmação terá, se nos pusermos a extrapolar mentalmente sobre como seria uma auto-estrada em tons rosa. Será rosa choque? Fuchsia?
A terceira é o facto de ambos os intervenientes não parecerem saber muito bem onde vai dar a estrada em que se encontram, pelo que andam à boleia uns dos outros.
A quarta reside no facto de, sendo hoje 4ª feira de Cinzas, estaria na altura de despirem as máscaras de Carnaval. São medonhas.
A quinta prende-se com as profissionais da mais velha profissão do mundo. Se as estradas fossem cor-de-rosa, ganharia a sua profissão em glamour ou perderiam elas em contraste com a paisagem? [parto do princípio que as "meninas" vestem de cor-de-rosa, como nos filmes]
A sexta é a mais óbvia de todas. Será que tem tudo que ir dar ao cor-de-rosa? Esta gente não conhece mais nenhuma cor?

Prevenção de Sexo Público

Algum puritano com gigabytes de pornografia, ou quilos da revista Gina, em casa sentiu-se extremamente ofendido com a venda de um livro com o quadro do pintor realista Gustave Courbet "A Origem do Mundo". A PSP de Braga, não vai de modas e pimba, apreende os livros em exposição por exibirem material pornográfico em público.
Vemos aqui, numa foto exclusiva, o Grupo de Operações Especiais (GOE) mobilizado para a missão de apreensão do perigoso material.
Um, sempre solícito, agente da PSP normaliza a situação depois dos momentos de tensão vividos.

A PSP, para evitar novos casos de alarmismo social, já apresentou uma proposta de apresentação gráfica dos livros em questão.

2/23/2009

Desafio

Como está bom de ver, o Moyle não alinha muito com correntes e cadeias e desafios e quejandos que circulam pelo blogoparalelipípedo. No entanto, na medida em que foi desafiado pessoalmente pela Teté [e para não se dizer por aí que o Moyle é um coninhas de sabão], abriu-se a excepção de participar num famigerado desafio.

Consiste o dito em «Dizer 9 coisas aleatórias a nosso respeito, sendo que 6 são verdades e 3 são mentiras. Quem o prosseguir deverá referir as 3 mentiras que supõe ter detectado no blogue pelo qual foi desafiado.»

Aquelas que achei não corresponderem com a Teté foram:
5ª - Concorri a um concurso televisivo, mas fui eliminada nas provas preliminares;
6ª - Participei num desfile de moda, como modelo;
8ª - Li os dois volumes de "O Capital", de Karl Marx;

Das próximas… olhem, se estiverem para aí virados, adivinhem as mentiras:
a) Desatei a rir na sala de cinema a ver a "Paixão de Cristo";
b) Li o "Código da Vinci" num dia
c) Pedi uma providência cautelar contra a Liliana Santos por assédio;
d) Fui arguido por agredir uma pessoa que não conhecia;
e) Evito ver «A Alma e a Gente» porque me excito;
f) Faço uma bolonhesa de lamber os beiços;
g) Não deixo ninguém senão eu passar a minha roupa a ferro;
h) Perdi o TGV Londres/Paris por me esquecer da data e sem ter dinheiro para novo bilhete;
i) Sempre que posso estrago uma conversa com uma piada estúpida;

Os desafios são um bocado como a Manuela Ferreira Leite. Quem tiver coragem que lhes deite a mão. Se o quiserem...

2/09/2009

10 Perguntas a J.C.

Depois de dois encontros com J.C, o primeiro a solicitação do Moyle e o último dos quais fortuitamente no cinema, tendo ficado marcada na altura uma outra conversa mais extensa, aqui vos trazemos o resultado da entrevista que o Moyle fez à “luz do mundo”.

O Alto, o Forte e o Moyle (AFM)Bem-vindo sejais e, desde já, o nosso imorredouro penhor de gratidão pela suprema bênção da Vossa excelsa presença.

Jesus Cristo (JC)Eh lá! Tanto salamaleque! O melhor é optarmos por um tratamento à base da 2ª pessoa do singular. Tenho notado que assim se quebra o gelo, com essa informalidade. Afinal, somos todos Homens aqui. Eu só tenho é um bocadinho mais de experiência.

AFM Pois muito bem, então. Assim seja! Ou melhor, ámen!

JC HAHAHAHAHAH. Ámen! HAHAHA. Muito boa mesmo. Estiveram bem! Eheh. Ámen…

AFM – É daquelas coisas que não se evitam. Saiu e correu bem. Bom, mas vamos lá, então, à primeira questão. Usaste a expressão “salamaleque” que, como se sabe, é uma corruptela portuguesa de سلام عليكم «As-Salāmu `Alaykum», a fórmula de cumprimento árabe. Que opinião sobre o Islão e Maomé?

JCEu me valha! Vocês entram logo a matar. Vejamos. O Maomé era uma pessoa que se podia considerar, com toda a propriedade e sem exageros, um autêntico bacano. Costumávamos passar horas aterrados nas dunas, a “escavaçar umas brocas” de um rico pólen de Marrocos, que ele arranjava, e a ver passar os camelos. Foram bons tempos, esses. Mas, a partir de certa altura, a cena começou a subir-lhe à mioleira e ele perdeu um bocado a congruência. Já dizia que falava com anjos, punha-se a falar de filosofias que ninguém percebia. Enfim, todo “endrominadinho” da tola. Mas que tinha um jeitão para a poesia, isso sempre teve.

AFMNegas, então, o Islão como a última mensagem de teu pai à Humanidade?

JCO meu pai fazia bancos e barrotes de madeira. Na altura era eu que lhe ia aviar os recados, porque o meu velhote era muito caseirinho. Qual mandar mensagens ao Maomé! Quando eu me dava com o Maomé já o meu pai tinha deixado de fazer ripas e estava a “fazer tijolo”.

AFMEntão como é se explica toda a história de seres filho de Deus, o próprio Todo-Poderoso?

JCIsso é um mal-entendido enorme. Quando entrevistaram o Todo-Poderoso ele disse-vos que a única coisa que não conseguia fazer era ter filhos, se bem me recordo.

AFMMas, acompanhas o Moyle?

JCClaro que acompanho, desde a primeira entrada no blog e, deixem-me dizer-vos, às vezes têm os vossos momentos.

AFMEstamos muito agradecidos pelas simpáticas palavras. Fazemos o que podemos e esse elogio, vindo de quem vem, significa muito para nós.

JC Mas voltando ao que dizia. O meu pai era um homem honesto e trabalhador. Sempre foi o meu modelo, um deus para mim. Talvez venha daí essa questão de eu ser filho de Deus. As pessoas quando não têm mais que fazer põem-se a inventar estas coisas, que depois ganham uma proporção desmesurada, e chega a uma altura em que toda a gente acredita mesmo nelas.

AFMEssa informação vai ser uma surpresa desagradável para muita gente.

JCA culpa não é minha. Há dois mil anos que as pessoas orientam a sua vida de acordo com não sei bem o quê que eu terei, eventualmente, dito. Como passava a maior parte do tempo com a moca, nem sequer sei o que é que eu disse, ou deixei de dizer, que pudesse ser levado assim tão a sério. Enfim.

AFMMas, não sendo filho de Deus, como é que andas por cá há tantos séculos?

JCHá já uns tempos largos orientei uma ervazinha da boa ao Todo Poderoso. Com a idade já começa a sentir uma certa rigidez nas articulações e fumar ajuda-O muito com as dores. Ele gostou tanto dela que me deu os poderes que tem. É um privilégio muito grande. Só o papagaio dele é que também teve direito a essa dádiva.

AFMJá falaste em “pólen” e agora em “erva”. Deduzimos que sejas consumidor. Qual é a tua opinião em relação às drogas?

JCAcho que a minha posição relativamente a esse assunto é bastante óbvia. Eu acho é que as pessoas prestam pouca atenção ao que se passa à sua volta. Passo a explicar. Quando Karl Marx, citando Hegel, afirma que a religião é o ópio do Povo estava a falar precisamente da minha utilização de estupefacientes. Isto embora eu nunca tenha pretendido dar início a nenhum movimento político ou religioso. Meia dúzia de cabeças ocas que viviam ali na Palestina é que viraram-se para aí e escreveram livros e inventaram milagres e coisas assim. Muito “chamon” na cabeça, isso sim.

AFMMudando de assunto, se te tivesses dedicado à política em que quadrante ideológico te integrarias?

JCQuando era novo tinha umas opiniões e tal, que os tais totós foram deturpando e rescrevendo conforme aqueles cerebrozinhos mirrados iam permitindo. Claro que só podia ser socialista. Mas atenção que estou a falar de socialista a sério, não é o que aqui há em Portugal. Acho que até os mais revisionistas ficariam embaraçados por este “socialismo”.

AFMConsideras-te, então um socialista?

JCNunca ouviram dizer que fui o primeiro socialista? Fui eu que inventei o socialismo. É claro que um gajo com o meu aspecto, de cabelo grande, barba por fazer de uma semana, com estas roupas largas, não era a imagem que os publicitários da política procuravam. Quem é que eles foram buscar? Um filósofo oitocentista alemão, com umas barbas enormes, repletas de imponência, mesmo para dar aquela imagem de dedicação à sabedoria, de abnegação, de rigor e sobriedade, vincados naquele aspecto austero. É mais fácil confiar num tipo assim. As pessoas relacionam-se mais com esse tipo de imagem num gajo para criar uma ideologia, estão a perceber?

AFMSim, claro. Só nunca te imaginámos como um gajo de esquerda radical.

JCÉ como eu costumo dizer: Armas ao Povo e Bombas à Burguesia! Acho que, muito aforisticamente, resume tudo aquilo que eu acho.

AFMEntão o que achas do PS português?

JCSe vamos entrar em ofensas não vale a pena continuarmos. Eu disse que era o pai do socialismo mas não disse que tinha um filho mongolóide. Sinceramente, se chamam a isso socialismo, prefiro ser conhecido como o criador daqueles saquinhos para recolher as amostras de escape que os cães largam no passeio.

AFMAs nossas mais sinceras desculpas porque não imaginávamos que fosse tão ofensivo considerar socialista o PS português.

JCDesculpem-me antes a mim. A minha reacção é que foi despropositada. Já aqui ando há tempo suficiente para saber como é que as coisas funcionam em Portugal. Mesmo por isso aceitem um conselho meu, assinem a “Acção Socialista”. Abre mais portas que as células fotoeléctricas.

AFM Muito agradecidos. Nunca tínhamos pensado nisso dessa forma. Imprensa por imprensa, preferimos o Metro e, para sabermos o que acha o Governo, vemos as notícias na RTP. Mas eram-nos alheias essas vantagens. Para finalizar, uma questão possivelmente delicada.

JCChutem! Não há-de ser mais complicada que as anteriores [risos].

AFMComo é que vês esta questão dos professores e da educação?

JCRealmente é uma questão complexa mas a minha posição é tão simples que vai parecer um ovo de Colombo.

AFMAH AH AH! O ovo... Ah ahah ahah. Impagável!

JC Estão a ver? Não são só vocês que arrancam boas piadas.[largo sorriso] Agora mais a sério. Vou ter que dar razão ao Governo nesta questão. Imagino que seja uma posição polémica mas é aquela em que acredito sinceramente. Algo vai mesmo muito mal no sistema de ensino português. Se estes idiotas estão no Governo, e não me refiro apenas ao caso da Educação especificamente, foi porque completaram uma formação académica. E isso leva à minha questão. Como foi possível estes imbecis concluírem um qualquer percurso escolar se não apresentam qualquer competência? A responsabilidade aqui só pode ser assacada aos professores, por tolerarem este tipo de mediocridade. Como é óbvio, agora têm o que merecem por não terem cumprido bem o seu papel. E é apenas natural que, num assomo de consciência, os membros do Governo não queiram que se repita esta tragédia de estar no Governo de um país quem não é minimamente capaz de exercer essas exigentes funções, quem não tem a cultura e a desenvoltura intelectual suficientes para tão pesado fardo.

AFMSem querer parecer uns bovinos acéfalos que anuem a tudo o que lhes dão a pastar, devemos reconhecer que é uma perspectiva extremamente acutilante, perspicaz e arguta de toda esta situação. Na realidade, não nos lembramos de alguém a ter ainda posto nesses termos, o que nos faz valorizar, ainda mais se possível, este extraordinário momento de conversa. O nosso muito sincero agradecimento pela disponibilidade e pela frontalidade posta em todas as questões que colocámos, mesmo as mais embaraçosas.

JCOra essa, não foi embaraço nenhum e sou eu que tenho que agradecer o vosso convite. Já há uns tempos que andava com vontade de ser aqui entrevistado. Não acharam que terem-me encontrado no cinema foi coincidência, pois não? Eh eh.

Oh Sócio, Bebe de Penalty!