2/09/2009

10 Perguntas a J.C.

Depois de dois encontros com J.C, o primeiro a solicitação do Moyle e o último dos quais fortuitamente no cinema, tendo ficado marcada na altura uma outra conversa mais extensa, aqui vos trazemos o resultado da entrevista que o Moyle fez à “luz do mundo”.

O Alto, o Forte e o Moyle (AFM)Bem-vindo sejais e, desde já, o nosso imorredouro penhor de gratidão pela suprema bênção da Vossa excelsa presença.

Jesus Cristo (JC)Eh lá! Tanto salamaleque! O melhor é optarmos por um tratamento à base da 2ª pessoa do singular. Tenho notado que assim se quebra o gelo, com essa informalidade. Afinal, somos todos Homens aqui. Eu só tenho é um bocadinho mais de experiência.

AFM Pois muito bem, então. Assim seja! Ou melhor, ámen!

JC HAHAHAHAHAH. Ámen! HAHAHA. Muito boa mesmo. Estiveram bem! Eheh. Ámen…

AFM – É daquelas coisas que não se evitam. Saiu e correu bem. Bom, mas vamos lá, então, à primeira questão. Usaste a expressão “salamaleque” que, como se sabe, é uma corruptela portuguesa de سلام عليكم «As-Salāmu `Alaykum», a fórmula de cumprimento árabe. Que opinião sobre o Islão e Maomé?

JCEu me valha! Vocês entram logo a matar. Vejamos. O Maomé era uma pessoa que se podia considerar, com toda a propriedade e sem exageros, um autêntico bacano. Costumávamos passar horas aterrados nas dunas, a “escavaçar umas brocas” de um rico pólen de Marrocos, que ele arranjava, e a ver passar os camelos. Foram bons tempos, esses. Mas, a partir de certa altura, a cena começou a subir-lhe à mioleira e ele perdeu um bocado a congruência. Já dizia que falava com anjos, punha-se a falar de filosofias que ninguém percebia. Enfim, todo “endrominadinho” da tola. Mas que tinha um jeitão para a poesia, isso sempre teve.

AFMNegas, então, o Islão como a última mensagem de teu pai à Humanidade?

JCO meu pai fazia bancos e barrotes de madeira. Na altura era eu que lhe ia aviar os recados, porque o meu velhote era muito caseirinho. Qual mandar mensagens ao Maomé! Quando eu me dava com o Maomé já o meu pai tinha deixado de fazer ripas e estava a “fazer tijolo”.

AFMEntão como é se explica toda a história de seres filho de Deus, o próprio Todo-Poderoso?

JCIsso é um mal-entendido enorme. Quando entrevistaram o Todo-Poderoso ele disse-vos que a única coisa que não conseguia fazer era ter filhos, se bem me recordo.

AFMMas, acompanhas o Moyle?

JCClaro que acompanho, desde a primeira entrada no blog e, deixem-me dizer-vos, às vezes têm os vossos momentos.

AFMEstamos muito agradecidos pelas simpáticas palavras. Fazemos o que podemos e esse elogio, vindo de quem vem, significa muito para nós.

JC Mas voltando ao que dizia. O meu pai era um homem honesto e trabalhador. Sempre foi o meu modelo, um deus para mim. Talvez venha daí essa questão de eu ser filho de Deus. As pessoas quando não têm mais que fazer põem-se a inventar estas coisas, que depois ganham uma proporção desmesurada, e chega a uma altura em que toda a gente acredita mesmo nelas.

AFMEssa informação vai ser uma surpresa desagradável para muita gente.

JCA culpa não é minha. Há dois mil anos que as pessoas orientam a sua vida de acordo com não sei bem o quê que eu terei, eventualmente, dito. Como passava a maior parte do tempo com a moca, nem sequer sei o que é que eu disse, ou deixei de dizer, que pudesse ser levado assim tão a sério. Enfim.

AFMMas, não sendo filho de Deus, como é que andas por cá há tantos séculos?

JCHá já uns tempos largos orientei uma ervazinha da boa ao Todo Poderoso. Com a idade já começa a sentir uma certa rigidez nas articulações e fumar ajuda-O muito com as dores. Ele gostou tanto dela que me deu os poderes que tem. É um privilégio muito grande. Só o papagaio dele é que também teve direito a essa dádiva.

AFMJá falaste em “pólen” e agora em “erva”. Deduzimos que sejas consumidor. Qual é a tua opinião em relação às drogas?

JCAcho que a minha posição relativamente a esse assunto é bastante óbvia. Eu acho é que as pessoas prestam pouca atenção ao que se passa à sua volta. Passo a explicar. Quando Karl Marx, citando Hegel, afirma que a religião é o ópio do Povo estava a falar precisamente da minha utilização de estupefacientes. Isto embora eu nunca tenha pretendido dar início a nenhum movimento político ou religioso. Meia dúzia de cabeças ocas que viviam ali na Palestina é que viraram-se para aí e escreveram livros e inventaram milagres e coisas assim. Muito “chamon” na cabeça, isso sim.

AFMMudando de assunto, se te tivesses dedicado à política em que quadrante ideológico te integrarias?

JCQuando era novo tinha umas opiniões e tal, que os tais totós foram deturpando e rescrevendo conforme aqueles cerebrozinhos mirrados iam permitindo. Claro que só podia ser socialista. Mas atenção que estou a falar de socialista a sério, não é o que aqui há em Portugal. Acho que até os mais revisionistas ficariam embaraçados por este “socialismo”.

AFMConsideras-te, então um socialista?

JCNunca ouviram dizer que fui o primeiro socialista? Fui eu que inventei o socialismo. É claro que um gajo com o meu aspecto, de cabelo grande, barba por fazer de uma semana, com estas roupas largas, não era a imagem que os publicitários da política procuravam. Quem é que eles foram buscar? Um filósofo oitocentista alemão, com umas barbas enormes, repletas de imponência, mesmo para dar aquela imagem de dedicação à sabedoria, de abnegação, de rigor e sobriedade, vincados naquele aspecto austero. É mais fácil confiar num tipo assim. As pessoas relacionam-se mais com esse tipo de imagem num gajo para criar uma ideologia, estão a perceber?

AFMSim, claro. Só nunca te imaginámos como um gajo de esquerda radical.

JCÉ como eu costumo dizer: Armas ao Povo e Bombas à Burguesia! Acho que, muito aforisticamente, resume tudo aquilo que eu acho.

AFMEntão o que achas do PS português?

JCSe vamos entrar em ofensas não vale a pena continuarmos. Eu disse que era o pai do socialismo mas não disse que tinha um filho mongolóide. Sinceramente, se chamam a isso socialismo, prefiro ser conhecido como o criador daqueles saquinhos para recolher as amostras de escape que os cães largam no passeio.

AFMAs nossas mais sinceras desculpas porque não imaginávamos que fosse tão ofensivo considerar socialista o PS português.

JCDesculpem-me antes a mim. A minha reacção é que foi despropositada. Já aqui ando há tempo suficiente para saber como é que as coisas funcionam em Portugal. Mesmo por isso aceitem um conselho meu, assinem a “Acção Socialista”. Abre mais portas que as células fotoeléctricas.

AFM Muito agradecidos. Nunca tínhamos pensado nisso dessa forma. Imprensa por imprensa, preferimos o Metro e, para sabermos o que acha o Governo, vemos as notícias na RTP. Mas eram-nos alheias essas vantagens. Para finalizar, uma questão possivelmente delicada.

JCChutem! Não há-de ser mais complicada que as anteriores [risos].

AFMComo é que vês esta questão dos professores e da educação?

JCRealmente é uma questão complexa mas a minha posição é tão simples que vai parecer um ovo de Colombo.

AFMAH AH AH! O ovo... Ah ahah ahah. Impagável!

JC Estão a ver? Não são só vocês que arrancam boas piadas.[largo sorriso] Agora mais a sério. Vou ter que dar razão ao Governo nesta questão. Imagino que seja uma posição polémica mas é aquela em que acredito sinceramente. Algo vai mesmo muito mal no sistema de ensino português. Se estes idiotas estão no Governo, e não me refiro apenas ao caso da Educação especificamente, foi porque completaram uma formação académica. E isso leva à minha questão. Como foi possível estes imbecis concluírem um qualquer percurso escolar se não apresentam qualquer competência? A responsabilidade aqui só pode ser assacada aos professores, por tolerarem este tipo de mediocridade. Como é óbvio, agora têm o que merecem por não terem cumprido bem o seu papel. E é apenas natural que, num assomo de consciência, os membros do Governo não queiram que se repita esta tragédia de estar no Governo de um país quem não é minimamente capaz de exercer essas exigentes funções, quem não tem a cultura e a desenvoltura intelectual suficientes para tão pesado fardo.

AFMSem querer parecer uns bovinos acéfalos que anuem a tudo o que lhes dão a pastar, devemos reconhecer que é uma perspectiva extremamente acutilante, perspicaz e arguta de toda esta situação. Na realidade, não nos lembramos de alguém a ter ainda posto nesses termos, o que nos faz valorizar, ainda mais se possível, este extraordinário momento de conversa. O nosso muito sincero agradecimento pela disponibilidade e pela frontalidade posta em todas as questões que colocámos, mesmo as mais embaraçosas.

JCOra essa, não foi embaraço nenhum e sou eu que tenho que agradecer o vosso convite. Já há uns tempos que andava com vontade de ser aqui entrevistado. Não acharam que terem-me encontrado no cinema foi coincidência, pois não? Eh eh.

Oh Sócio, Bebe de Penalty!

2/01/2009

Socialismo Moderno


Depois dos socialismos utópico, científico/real, de rosto humano, revisionista, reformista, democrata, de mercado, cristão, entre outros, o génio da política que nos governa inventou, finalmente, um socialismo adaptado a Portugal, isto é, a ideologia e prática político-económica a que o senhor engenheiro social tanto gosta de chamar Socialismo Moderno.

1/30/2009

Um Porto Livre para Luvas

A coisa não está muito bonita para o senhor "engenheiro".

Embora possa sempre alegar que nasceu em Trás-os-Montes e viveu muitos anos na Covilhã e, por isso, está habituado ao frio, negar as luvas com o clima que temos visto nos últimos tempos não entrará na cabeça de ninguém - e aqui ninguém não quer dizer pessoas quer sim dizer votos. Por outro lado, tratar os primos por filho do tio também não será a mais sensata das atitudes. Já se estão mesmo a ver as velhotas a dizerem para o seu Joaquim, que resmunga tentando dormitar durante o telejornal: - Já viste isto. Apanha-se no poleiro e nem quer saber mais da família., com aquela vozinha estridente que as velhotas têm.

Resta continuar a apostar na tese da conspiração e do ataque pessoal e ir afirmando, de vez em quando, que não tem nada a esconder. É uma coisa que fica sempre bem!

E com isto se candidata o Moyle a um processo judicial ou a um lugar como assessor de imagem, preferencialmente bem remunerado (meio João Pedroso já não era mau).

1/26/2009

Mosh Carniceiro

Na 6ª feira o Moyle assistiu ao vivo a um "concerto" dos Butcher the Bar e pode afiançar-vos que o mosh foi inacreditável. Ainda está aflitinho das costelas. Procurem no Youtube e percebem do que estou a falar.

1/23/2009

Passividade Activa

Estando a referir-se aos direitos dos homossexuais, Duarte Cordeiro arriscou um bocado quando disse que a questão é se temos a coragem de estar à frente. Mas cada um é que assume as responsabilidades das suas opções, o Moyle não tem realmente nada a ver com isso.

Diagnóstico: Ruptura nas Sinapses

Quando uma pessoa com a sensatez, a inteligência, a cultura, a oratória, a presença, o bom-gosto, a razão, a cultura democrática, a abertura de espírito, a decência, o carisma, a competência, a coragem, como Maria de Lurdes Rodrigues, reconhecidamente, exibe nos diz «ter dúvidas de que o aumento da qualidade no ensino seja possível sem rupturas» só resta ao Moyle uma coisa, dar-lhe razão.
Sem ruptura, decididamente, não vamos lá.

1/22/2009

Enologia Cristã

Se o vinho é o sangue de Cristo, os enólogos não se deveriam chamar hematólogos divinos?

1/20/2009

Descubras as Diferenças (se conseguir)


Depois de ler esta notícia ocorreu ao Moyle um exercício de "descubra as diferenças". O desafio é tão grande que mesmo o Moyle, que o elaborou, ainda não o conseguiu resolver.
[Só mais uma coisinha, o cabelo não conta!]

Saudades de Salazar II


1/18/2009

Alvenaria Rítmica

Ontem à noite o Moyle entrou numa disputa de dança e de ritmo com uma parede e perdeu.

Sair à Noite e Emigração

Como se pode ver pela hora de publicação deste post, é cedo. Melhor, como se pode ver pela hora de publicação deste post, é tarde. E é tarde porquê? Porque o Moyle cai, volta e meia, na idiotice de se expor àquilo a que se costuma chamar "sair à noite", apesar de saber perfeitamente o que o espera. Enfim. Vamos ao que interessa.
Depois de ter comido a uma refeição o que uma família do Djibouti não come numa semana, depois de estar cheio de vinho tinto, licor beirão, cerveja e [a partir das 4h] Coca-Cola, depois de estar completamente intoxicado e não conseguir acender nem mais um John Player Special, impõe-se uma reflexão importante, embora possivelmente desagradável.
Se o Moyle fosse a vocês começava a pensar nos preparativos para emigrar num tempo razoavelmente próximo. Pelo menos, foi o que sugeriu ao Moyle a visionamentalizacionação da JSD-Coimbra em pleno divertimento [sim, mesmo estes infelizes têm direito] num estabelecimento de diversão nocturna [não era uma casa de "meninas" pois isto não é o Apito Dourado] na Lusa Atenas [que de Lusa vai tendo demais e de Atenas de menos].

1/16/2009

Saudades de Salazar? I

Tendo em consideração todas aquelas pessoas que não se coíbem de dizer que "isto no tempo de Salazar é que era bom" e, ainda, "Salazar nunca deixaria isto acontecer" e um, não tão comum, "era uma ditadura mas não havia esta pouca vergonha", o Moyle, dando seguimento ao seu périplo como publicitário, encontrou uma série de soluções para resolver a angústia desta gentinha toda.
Talvez os leitores não compreendam porquê mas vocês têm que saber que ao Moyle custa muito o sofrimento por que estas pessoas estão a passar e compadeceu-se delas.
Compaixão, é só isso.

Subscritores que, movidos de compaixão, concordam com a solução apontada neste post e que, por isso mesmo, têm o céu reservado:

Teté

Jimini Cricket

1/13/2009

Farmacopeia Metálica

O Moyle associou uma nova incursão no mundo do marketing (podia ter escrito "publicidade" mas já não daria aquele élan - neste caso poderia ter escrito "elegância" mas isso tirava ao texto um certo je ne sais quoi - [aqui poderia ter escrito "carácter, embora indefinido" mas privar-nos-ia de...]... bem, já chega. Que querem, é o zeitgeist (poderia ter... chiça!) [na realidade já chega porque acabaram-se-me os hífens, os parêntesis e os parentes destes mas em snob (pumba, mais outra...)], como ia a dizer (saltem para primeira linha de novo para apanharem o comboio), o mundo do marketing e tal com uma faceta, de que os leitores do Moyle nunca suspeitaram, médica e farmacêutica.

Nesta época de gripes, constipações, pneumonias, amigdalites, faringites e outras dores de garganta não especificadas, dores de cabeça, governo Sócrates e maleitas diversas que afectam o bem-estar da população em geral, o Moyle pôs-se a congeminar uma estratégia que permitisse resolver estes problemas com um custo muito baixo para a carteira dos cidadãos e foi desse modo que criou um medicamento que pode ser partilhado - limitando os custos imediatamente - 372% eficaz e, além disso, com resultados comprovados.

Eis uma abordagem diferente da metaloterapia [levada a um patamar completamente novo e surpreendente pelos resultados comprovados no tratamento e na eliminação da dor], põe de parte todas as tretas homeopáticas, convencionais, acupuncturas e alinhamento dos shakras e Sistema Nacional de Saúde e merdices esotéricas quejandas.

As pomadas Wenzel – na medida em que a empresa Wenzel existe mesmo espera-se que descubram este post apenas no caso de pretenderem agraciar o Moyle com uma atençãozinha pela publicidade à pala. Se fosse para processos judiciais, teso e cobarde como é, a retratação pública, mesmo que humilhante, seria o seguimento lógico– são um caso de sucesso com a totalidade dos casos resolvidos e sem qualquer queixa até ao momento.


O Moyle, a cada dia que passa, quase que consegue surpreender-se com a sua genialidade. Há-de ser transcendente ser-se ele!

1/11/2009

Quem Quer Ser Moylionário I

Mais uma rubrica que vos é trazida pelo Moyle, este eterno manancial de criatividade, com base, desta vez, no formato de um conhecido concurso de televisão que, como não podia deixar de ser, tinha um canastrão a apresentá-lo. O Moyle poupa-vos esse canastrão e, por outro lado, faz perguntas a sério, sem ter nada a ver com aquela chachada com que nos queriam enganar.

Tudo nesta rubrica funciona como no concurso, as ajudas, os prémios e o tempo limitado, apesar de ficticiamente.
Testem os vossos conhecimentos e, acima de tudo, divirtam-se.