11/28/2008

A Estupidez Introdutória Que Se Impunha

A História tem estado, desde sempre, ao serviço do Poder. O controlo do Passado permite o controlo do Presente e, por força do argumento, o controlo do Futuro, nas palavras de um famoso historiador anglo-austríaco, do qual o Moyle não vai dizer que se chama Eric Hobsbawm porque não é de intrigas.
De facto, controlando a memória das pessoas e das sociedades, tem-se acesso à legitimação de quaisquer acções que se pratiquem, o que interessa sobremaneira ao Poder e aos grupos que o exercem em qualquer sociedade. Não é de estranhar, portanto, que a história, como disciplina autónoma, tenha surgido a par das primeiras sociedades complexas.
Interessando manter a memória do que aconteceu, ou, pelo menos, uma certa memória que sirva aos interesses do presente, surgiu, associada muito estreitamente aos círculos do Poder, uma classe de pessoas que se dedicaram especificamente ao estudo e perpetuação da memória passada, isto é, os historiadores.
À medida que a leitura e a escrita se estenderam a franjas cada vez mais extensas da população, o discurso histórico foi-se tornando cada vez mais denso, complicado, hermético e de muito restrito acesso a todos os não iniciados na História. Não foi fortuito este processo pois os historiadores, de forma a proteger os seus interesses pessoais e de grupo, isolaram da maioria aquela que era a sua única vantagem competitiva, o conhecimento do Passado.
Toda esta belíssima aula de História serve para dizer que já vai sendo mais que tempo de desmistificar a História, enquanto conhecimento do Passado e fonte de sabedoria, despindo-a das inúteis roupagens com que a esconderam das massas.
Desta forma ser-vos-á servida a Verdade da História, servindo-se assim os sublimes propósitos de difusão a todos da sabedoria e cultura desta tão elevada arte, e nada das manigâncias que apenas pretenderam sempre encerrar nas trevas da ignorância as massas, bovinizando-as, para a sua mais fácil condução pelos poderosos, e para manter os privilégios desse pequeno grupo de (pseudo)intelectuais que parasitam a sociedade, encostados ao Poder.

11/27/2008

Morcegadas

A CAP rejeitou hoje as acusações da Quercus, que acusou os agricultores de serem responsáveis pela morte do morcego devido à utilização de pesticidas e à destruição dos habitats naturais.

11/25/2008

Recepção à Recessão

Preferiam ser um alemão que perde uma nota de 10€ ou um português que perde uma moeda de 2€ no dia em que recebem o salário? Para o nosso PM a resposta é óbvia.
Abençoados nós, portugueses, com estes políticos que tomam conta de nós como pais e com a suprema felicidade de um salário médio de 840€.
A princípio deram-me um bocado de pena os alemães, com aquela miséria de 2800€ para salário médio, mas é bem feito, votem em políticos em condições.

11/24/2008

Conta-me Como Será

Toda a confusão em redor da afirmação de Manuela Ferreira Leite sobre uma possível interrupção da democracia durante um semestre para pôr em casa em ordem não passou de uma mal entendido. Na realidade, a líder do PPD/PSD é uma fanática da série da RTP "Conta-me Como Foi" e, enquanto discursava, estava a pensar nos episódios que tinha gravado e, por coincidência, isto na véspera. Na verdade, tudo não passou de um lapsus linguae.
Se analisados de uma perspectiva freudiana, estes acontecimentos têm o nome de Fehlleistung, ou seja, "actos falhados" pois, na realidade, a pessoa expressa involuntariamente um desejo reprimido ou inconsciente.
Como o Moyle acredita piamente na democraticidade da cidadã Manuela Ferreira Leite [a justificação aqui], a explicação mais simples e, possivelmente, mais correcta é a influência que a ficção da RTP exerceu sobre as suas estruturas de pensamento e, enquanto falava, o que dizia era uma mistura da realidade controlada pelo Consciente e da pressão titânica do Inconsciente em libertar o que continha reprimido. Isto é, ao perorar, Manuela Ferreira Leite misturou o "Conta-me como Foi" com um "Conta-me Como Será", em que seria a protagonista.

11/19/2008

A Lâmpada Mágica

Agora que se aproxima o Natal e as velinhas e tal, há umas questões que se levantam ao Moyle como lebres em frente da caçadeira do Miguel Sousa Tavares.
Se pesquisarem a expressão “luz do mundo” – e sim, o Moyle deu-se ao trabalho de fazer isso – o que vão encontrar é, obviamente, uma montanha de sites relacionados com Jesus Cristo, identificando-o como a “luz do mundo”.A dúvida aqui é, se Jesus é a luz do mundo, estamos na presença de uma lâmpada de baixo consumo ou de uma lâmpada fluorescente?

11/13/2008

Graxistas




Depois da chuva de pré-omoletes sobre a patroa, os dois Secretários de Estado, Jorge Pedreira e Valter Lemos, para escaparem às acusações de não apoiarem incondicionalmente a Ministra de Educação, encenaram um espectáculo numa escola em Lisboa sendo os dois, desta vez, as pretensas vítimas da falta de educação dos alunos portugueses.
A ideia desta encenação, para vitimizar perante a opinião pública estes dois graxistas, partiu de Valter Lemos ao olhar para a cabeça de Jorge Pedreira.
Esperam-se agora as reacções oficiais do Primeiro-Ministro, home de boa educação exemplar e intocável democraticidade.

11/10/2008

Party Animal

Fontes anónimas e, portanto, inidentificáveis e inconfirmáveis, asseguraram ao Moyle que Valter Lemos, Secretário de Estado da Educação, afirmou, a propósito da marcha de protesto que a classe docente protagonizou em Lisboa no dia 8 de Novembro: «Os professores querem é festa!»


Ora, embora causadora de indignação e algum mal-estar entre alguns docentes - os mais sensatos limitam-se a ignorar imbecilidades - o facto é que esta afirmação não tem nada de ofensivo e pode ser considerada bastante natural e portadora de bastante sensatez.


Com um Secretário de Estado que se comporta como um bobo, precisamente como aqueles que serviam para entreter os poderosos, como não haveriam os professores de aproveitar a boleia e divertir-se? Ao Moyle parece uma questão de senso comum. Se o chefe faz e diz palhaçadas, o melhor é rires-te, quanto mais não seja para manteres o emprego.


Daí até à extrapolação visual, como devem imaginar, foi um pulinho.



(Se a imagem aparecesse maior teria, talvez, mais piada. Como não a consigo fazer aparecer maior... Paciência.)

11/07/2008

Der Führer Garten

Portugal, ou melhor o arquipélago da Madeira, pretende ofuscar a esperançosa vitória de Barack Obama. A verdade é que depois da grande vitória do sonho democrático americano, o Führer Garten foi aclamado em plena assembleia regional, inclusivamente pela oposição, que lhe ofereceu uma bandeira com uma suástica em fundo vermelho. Apesar do erro de casting, uma vez que claramente o fundo vermelho estava ainda à espera de umas lavagens com Xau, para atingir uma cor mais alaranjada, o acto foi visto no continente como uma afronta, uma vez que discute-se agora a cor de fundo da bandeira.
Do largo do Rato surgiu protesto veemente, uma vez que é reclamado um “rosa choc” para o fundo. Aliás, o líder do partido do Largo do Rato é sem dúvida um admirador confesso das tonalidades rosadas e, segundo consta, foi mesmo esse o motivo que o levou a inscrever-se no partido que o levou à ribalta política, esse e a música dos Vangelis que o faz ficar com pele de galinha, imaginando as grandes aventuras dos descobridores portugueses e portugueses ao serviço de outros reis, como por exemplo Fernão de Magalhães.
Entretanto, na Casa Branca teme-se agora pelas boas relações com o potentado madeirense, cujas forças militares se encontram às portas da Assembleia Regional, barrando a entrada aos organizadores da parada. Contudo, fontes secretas americanas pensam que Garten tenciona limpar o sebo ao novo presidente americano, pelo simples facto de este apoiar o “rosa-choc” do continente, facto que foi aliás a primeira medida de grande alcance de Obama.
O Moyle teve acesso, através de e-mail transviado, a algumas imagens que estão ser preparadas e que mostram a seriedade com que este assunto está a ser levado nas cúpulas do poder na Madeira e que, afinal, o deputado José Manuel Coelho tinha uma certa razão nas suas palavras.


Esta é a primeira proposta para a nova bandeira da República nazi-fascista da Madeira. Note-se a preocupação em manter as cores tradicionais de forma a tornar mais suave para os cidadãos, que passarão a ser súbditos, a transição de símbolos de um regime para outro.




A estratégia de transição suave dos símbolos do regime mantém-se nesta segunda versão mas aqui, como se pode ver, opta-se por um conjunto de cores diferente, mostrando a filiação do novo regime no PPD/PSD. No centro da bandeira mantém-se a cruz de Cristo, no entanto rodada 45º, de forma a aproximá-la do carácter nazi-fascista do novo regime.





Esta terceira hipótese é a menos consensual até agora porque, apesar do fundo ostensivo em cor laranja, representativa do PPD/PSD madeirense, o facto é que a televisão ainda transmite muitos filmes e documentários sobre a II Guerra Mundial e a cruz gamada que ocupa o centro da bandeira continua bastante associada aos maus da fita na mentalidade colectiva, o que poderá significar uma rejeição espontânea ao regime pela dissociação dos cidadãos - doravante súbditos - dos símbolos do regime.





Esta é a primeira foto de regime conhecida, com Adolf Ramos e Benito Jardim, sendo que toda a máquina propagandística em vias de criação e desenvolvimento partirá deste cliché para a elaboração de posters, cartazes, aventais, t-shirts e autocolantes, que serão distribuídos pelos madeirenses nos plebiscitos a que, magnanimamente, o novo regime se sujeitará.

Este quadro, pintado em segredo, será exposto na Assembleia Nacional Madeirense, sendo reproduções suas espalhadas por todas as repartições públicas, hospitais, salas de aula e balneários do Estádio dos Barreiros, que mudará de nome para Estádio da Raça Madeirense.

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PS - Ficámos esta semana a saber que o Partido Nova Democracia existe mesmo, o que foi uma novidade gira.

PPS - Saúda-se o regresso de O Forte às lides moylísticas. Já não era sem tempo e O Alto agradece.

11/03/2008

Os Imortais I

Atenção! Este post pode causar vómitos.

A todos vós que vêem no Moyle a luz do bem-estar em existências de outro modo carregadas de sombra, exacerbada pelo cinzentismo destes dias perturbados, lamento dizer-vos que vos trago, pelo menos desta vez, más notícias.


Imaginem a pior coisa que podia acontecer, em termos políticos, a Portugal. Agora, multipliquem esse pensamento por dez. Se já estão na fase da Manuela Ferreira Leite a fazer o discurso da vitória nas legislativas de 2009, multipliquem por mais dez, se já chegaram ao debate para umas presidenciais entre Mário Soares, Manuel Alegre, Cavaco Silva e Jerónimo de Sousa nus – sem sequer umas mesas à frente – preparem-se para o pior que isso ainda não é nada.


A notícia bombástica que vos trago, aquela que suplanta em pesadelo o terror de qualquer assessor de imagem pelas migalhas de bolo-rei a caírem dos lábios mumificados de Cavaco Silva, é que José Sócrates é imortal.


Não, isto não é violência gratuita nem alarmismo sensacionalista para aterrar as vossas noites insones, é sim o resultado de uma observação atenta do que nos rodeia, da detecção das pistas nos locais mais inesperados.


Ao observar, «Dans le Boulevard», um quadro do impressionista, com laivos de realismo e até, eventualmente, com uma ou outra fuga simbolista a ter em conta, Jean Béraud (1849-1935), o Moyle ficou absolutamente siderado com o que observou. Se à primeira vista, o estilo “nem aquece nem arrefece”, do tipo Cola Cao, “nem é bom nem é mau”, com que o pintor retrata o quotidiano burguês de Paris, capturou a atenção, os olhos, teimosamente insistiam em focar num ponto determinado da imagem. Quando o cérebro processou a imagem, ainda o nervo óptico estava quente da velocidade com que a mensagem saiu disparada da retina, foi o estarrecimento, a terrífica sensação caliginosa de pânico descontrolado. Não podia ser, mas de facto, ali estava, o primeiro-ministro em exercício em 2008 foi representado por um pintor francês, a passear numa avenida parisiense no século XIX.


José Sócrates é imortal e, se procurarmos bem, de certeza que ele aparecerá mais vezes, ainda que com uma alteração ou outra na fácies e no aspecto geral – certamente devido a cirurgias plásticas.


Perdeu-se o ligeiro conforto que tínhamos de aceitar resignadamente o presente, confiados que estávamos na transitoriedade da vida humana, ainda que para um beco sem saída. Estamos entregues à bicharada e, à beira desta trágica descoberta, o eterno retorno é treta de filósofos bêbados e amantes de meninos.
Contemplem, então, a miséria humana: a nossa!




PS – Não imaginem que este é caso único. O destino odeia-nos, como vos mostrarei brevemente [vamos lá ver quando, não faço promessas].
PPS – Não me venham dizer que o PM não é nada parecido com o quadro porque se vê perfeitamente que sim e ninguém tem o direito a estragar esta ilusão senão há aqui uma choradeira e depois aturem-no. Olhem que a Cerelac não está nada barata e é a única coisa que cala o Moyle quando o contrariam.


10/29/2008

Para Lá do Arco-Íris

Nada de introduções estúpidas e que só torram a paciência aos poucos apreciadores [também acredito que seja por pena] aqui do estaminé do Moyle.

A recente discussão sobre a possibilidade da união jurídica de duas pessoas do mesmo sexo, ou seja, o casamento homossexual não chegou a acontecer. Como os deputados do PS são os únicos putos que têm a bola, nesta legislatura, só joga quem eles querem, pelo que não tivemos o prazer de uma contenda [e o Moyle que se reabasteceu de um lote generoso de milho para pipocas] e todas as ilusões de entretenimento de qualidade à borliú foram à vida.

Como não podia deixar de ser, o Moyle tem opinião sobre este assunto, até porque o Moyle tem opinião sobre tudo, ou quase, e porque se tinha dito logo no início que não ia haver introduções estúpidas, e estamos precisamente a olhar para uma, vamos lá ao que interessa.

O PS cometeu uma estupidez política ao não aprovar a união entre lar… rab… bic…, como é que se chamam aqueles gajos que?… homossexuais [obrigado wikipedia]. Ao pensarem nos votos da velhada e da classe média ressabiada e na falta que fariam nas próximas eleições, o PS teve um deslize estratégico que poderá sair bem caro, literalmente.

Como todos os casais, os casais homossexuais, sofrem momentos de tensão, de arrefecimento e de incompatibilização conjugal que terminam, em muitos casos, na separação. O grande erro do Governo/PS reside aqui. Já imaginaram a quantidade de dinheiro em processos de divórcios que entraria potencialmente nas Conservatórias do Registo Civil?

Mas não só o Governo da República perde em entradas financeiras, também advogados, solicitadores, psicólogos e conselheiros/terapeutas de “uniões juridicamente aceites” [porque sendo rab…, bolas, homossexuais não se pode chamar-lhes matrimoniais] perdem um mercado com bastante potencial [até porque basta olhar em redor e chegamos à conclusão de que os interessados não são só meia dúzia de freaks que sonham com guardar rebanhos de ovelhas à luz das estrelas].

O Moyle está mesmo a imaginar-se conselheiro/terapeuta de uniões juridicamente aceites:

Terapeuta: Então, qual é a sua opinião sobre o que se está a passar na vossa relação?

Ele: Ele já não olha para mim como dantes!
Terapeuta: O que é que o/a faz pensar assim? [porra que isto do ele e ela não é fácil]
Ele: Ele só quer bola e copos com os amigos e quando chega a casa quer o jantarinho feito e o banho a correr. Eu não sou uma escrava.
Terapeuta: O que tem a dizer sobre isto? Concorda?
Ele: Não, claro que não. Mato-me com trabalhar e chego a casa e ainda tenho eu que fazer o jantar porque sua excelência está com enxaquecas por causa da gravata do Goucha de manhã e da voz histérica do Cláudio Ramos à tarde? O jantar era o mínimo.
Terapeuta: Mas sobre a questão do abandono, de trocá-lo/a? [não me habituo a esta merda]
Ele: É ridículo!
Ele: Ridículo, eu ficar noites e noites sozinho em casa à tua espera?
Terapeuta: Não interrompa, têm que ser civilizadas. [está bonito, já falo no feminino e tudo]
Ele: Nada do que eu faço está bem para ti. Ou reclamo disto, ou não te faço aquilo, ou é porque não te ofereço flores, ou é porque olhei para o trolha, ou já não me interesso por ti. Chega. Nada do que faço é suficientemente bom para ti. Decide-te!
Terapeuta: Calma, vamos ter calma. Estamos aqui para resolver essas questões todas e…
Ele: A culpa é da mãe, ela nunca me aceitou. Eu sei que ela sempre quis um engenheiro para o rico filhinho.
Terapeuta: Mas…
Ele: Não tragas a minha mãe para o assunto. Isso é falso e a escolha foi minha, eu é que te quis e…
Ele: E os meus projectos e o que abdiquei por nós?
Terapeuta: Não vamos entrar em conflito, o diálogo é a solução [oh meu Deus, agora pareço o Guterres e o diálogo. A minha mãe bem disse: - Vai para médico que ganha-se bem! Mas não, claro que não. Aqui o Ghandi queria ajudar as pessoas. Está à vista! Burro, burro, burro!]
Ele: Abdicar, queres que te fale em abdicar. Quem deixou de ir ao estádio, apoiar o seu Sporting, porque não o querias a ver as pernas dos jogadores? E as noites de póquer, às quais nunca quiseste ir e me obrigaste a deixar porque achavas que jogávamos “ao despe”? Eu também abdiquei de muita coisa, tudo por ti e para poderes decorar a casa com materiais importados e outras paneleirices do género.
Ele: Viu Doutor, o que ele disse agora mesmo. Ele já não gosta de mim. Antes era bom gosto e eu era um óptimo decorador de interiores agora são paneleirices…
Terapeuta: Bom…
Ele: Eu não gosto de ti? Eu não gosto de ti? Tive que deixar a minha carreira política porque tinhas medo que o meu lugar na Assembleia fosse junto à bancada do CDS/PP! Isso faz algum sentido? E eu é que não gosto de ti?
Terapeuta: Estou a sentir muita hostilidade aqui e essa crispação nunca é boa conselheira nestas situações. Vamos lá respirar fundo e acalmarmo-nos todas… TODAS? EU DISSE TODAS? JÁ CHEGA DESTA MERDA, EU NÃO SUPORTO MAIS ISTO. SE QUEREM A MINHA OPINIÃO, OLHEM… F***AM-SE!
Ele: Olha, que nervosa ela estava. Mas, mesmo assim, se calhar o Doutor tem a sua razão! Já não te ofereço um botãozinho de rosa há demasiado tempo.
Ele: Realmente já há muito tempo que não te faço um cafunézinho.
Ele: Quando chegarmos a casa não queres ir jogar aos guardadores de ovelhas? Comprei uma tenda nova!
Ele: Estava a ver que não pedias!

10/25/2008

The Name for the Job II

Vocês vão ter que perdoar a insistência mas isto já começa a passar dos limites da coincidência.

Quais são as probabilidades de um elemento da direcção da ANPFSP – a Associação Nacional de Produtores de Frutos Secos e Passados existe mesmo – ter o nome de um fruto seco?

O facto, porém, mantém-se pois o Tesoureiro da ANPFSP chama-se Pinhão!

10/23/2008

Extrema (en)Direita

A extrema-direita é estúpida mas há que reconhecer que são coerentes. Mulheres? Servem para ter filhos, apenas.
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PS - As justas extrapolações para líderes de direita noutros países ficam a larvar para outras oportunidades, que as haverá.
PPS - Espero que o Manuel Rocha não se ponha com ideias [ver caixa de comentários do post anterior].

10/20/2008

O Testa de Ferro

Então não é que temos candidato a tiranete? Ora essa, sim senhores. Ele já andava a dar nas vistas há uns tempos mas agora saiu-se das cascas. "Ou brincam comigo ou ninguém brinca!" diz Mário Nogueira, que parece o único puto da escola primária com bola de futebol e não deixa os outros jogarem. Mas não é por pirraça. Ele sabe-a toda.
Mas, na família política do Márito dos Bigodes, não é novidade nenhuma o tique de "isto é uma democracia mas quem manda sou eu!" O Moyle soube que o "Homem de Aço", em russo lê-se Staline, é o grande mentor do cepo que dá nozes pelo que mais cedo ou mais tarde essa admiração tinha que vir ao cima. Porém, o que se dá é estarmos na presença de uma imitação barata do "Homem de Aço", que não consegue ser mais que um "Testa de Ferro".


Vem este intróito todo a propósito da azia de Mário Nogueira - não iria tão longe como chamar-lhe a vergonha da Lusa Atenas. mas o que é certo é que o Moyle não conhece ninguém por aqui que goste dele [felizmente é porque anda em boas companhias] - sobre a manifestação de professores, organizada por professores fora da alçada dos sindicatos, marcada para Lisboa a 15 de Novembro.



Não era suposto, sendo o líder de uma organização de representação da classe docente, o sr. Árvore Daquelas Coisinhas Que Se Põem Nos Bolos de Chocolate apoiar um movimento espontâneo daqueles de quem se diz defensor? Essa é uma dúvida que tenho, mas também pode ser que o Moyle seja um bocadinho bronco e esteja a deixar escapar o óbvio.

Não era suposto um sindicato, e a organização sindical de que faz parte, serem apartidários de forma a não enfermarem do vício de conflito de interesses as reclamações dos seus associados? Não é contra o interesse dos associados que o Governo possa afirmar que afinal os protestos, independentemente da sua justiça, não passam de propaganda política de partidos da oposição? Bolas, quem me dera ter ido às aulas de Política!


Na medida em que parece que sua excelência, o aspirante ao assento da liderança no Soviete Supremo cá do burgo - põe-te a pau Bernardino senão vês passar o padeiro e não há defesa da Coreia do Norte, por mais ridícula que seja, que te safe - não suporta os professores, dos quais se arroga o título de defensor mor, não será que aqueles estarão, involuntariamente, a fazer currículo para as aspirações pessoais do sr. Sindicalista de Bigodes? Se não aceita uma manifestação livre que, raios partam o Moyle se percebe isto, deveria estar a encorajar, serão estas [ver imagem a seguir] as únicas manifestações que aceita?


De qualquer forma, para não ferir as susceptibilidades do manifestante mor, o Moyle declara-o aqui, disponibilizando-se para entronizá-lo em qualquer momento conveniente, como o Rei das Manifestações em Portugal.





PS - Lamentando por este desabafo, a estupidez com que habituámos os nossos leitores - sim vocês, não estejam a assobiar para o lado que eu sei muito bem quem vocês são [ora essa, olha o Moyle com tiques estalinistas. Deve ser destas más companhias.] - segue dentro de momentos.

10/17/2008

Promulgação Precoce

O Presidente da República admitiu hoje sofrer de Promulgação Precoce. O Moyle só não sabe quem há-de ficar mais preocupado, os cidadãos portugueses ou a D. Maria Cavaco Silva.

Onã e a Moita de Flores ou Machado Vaz meets Rogeiro

Ontem à noite, no programa "Aqui e Agora", da Sic, um dos convidados do painel, o Nobel do "Caso Maddie" Francisco Moita Flores, mostrou uma faceta, até agora, menosprezada, ou seja, a aplicação da sua competência como sexólogo à economia mundial.
Mesmo tendo em consideração que a polivalência do autarca/ dramaturgo/ guionista/ escritor/ comentador/ podador/ caçador de perdizes/ capador de porcos e cozinheiro se encontra já no patamar do lendário, não deixou de ser surpreendente tal faceta, que o Moyle não lhe conhecia.
Ao afirmar que «o tempo da autosatisfação ainda não acabou», Francisco Moita Flores lançou um forte apelo de solidariedade social para com as práticas sexuais individuais, alvo de um telúrico, mas tenaz, preconceito social. É possível ler nas entrelinhas da afirmação de Moita Flores a denúncia dos falsos moralismos da hipócrita sociedade portuguesa, em que todos desdenham da auto-satisfação mas, ao invés, todos a praticam.
Tão poderosa intervenção surgiu no contexto de um programa dedicado aos reflexos da crise dos mercados internacionais relevando, uma vez mais, a extraordinária agilidade e competência intelectual do autarca escalabitano que, desta forma, afirmou, à saciedade, o carácter axiológico das práticas masturbatórias no normal funcionamento das sociedades desenvolvidas. Veja-se que a afirmação «o tempo da autosatisfação ainda não acabou» é uma mensagem positiva, incitadora da continuidade de umas das grandes liberdades do Ocidente e que, quando pela repressão cultural e o falso moralismo das sociedades, tal prática é posta em causa o caos instala-se e todo o mundo sofre. Como afirmou Woody Allen, a masturbação é a prática sexual com a pessoa de que mais se gosta e, no seguimento desse raciocínio, podemos extrapolar para a questão de, na medida em que não se encontram aliviados e satisfeitos, os agentes financeiros mundiais procuram em factores exógenos a satisfação que antes ofereciam a si próprios, individualmente.
No fim de contas, a culpa de tamanha confusão internacional é de um pequeno grupo de pessoas situado na cópula dos sistemas financeiros que, ao abandonar tão salutares comportamentos, viu na especulação bancária e a procura desenfreada de lucros pouco escrupulosos um substituto natural.
Contactado, pelo Moyle, o director de uma entidade bancária com peso mundial - entidade tipo um Miguel Veloso com crédito - que pediu anonimato, admitiu que, por ter sido apanhado na casa de banho do seu banco a «esgalhar uma», desenvolveu um trauma tão grande que só a transacção de "activos tóxicos" aliviou a sua tensão.
Já estamos à espera de ver os mais puritanos demagogos apontar, sem qualquer preocupação de solidez argumentativa e sem quaisquer pruridos de ordem ética, que, na maioria dos casos, as pessoas com capacidade de decisão nestas matérias são casadas, unidas de facto, amigas e/ou amancebadas, pelo que tal argumento relativo à autosatisfação é extremamente falacioso e incongruente. É ridícula tal sugestão na medida em que, como todos sabemos, uma coisa não impede a outra, complementando-se antes.
Filosoficamente, podemos entrever nesta brilhante intervenção de Moita Flores uma reafirmação sonora do individualismo, da procura individual da felicidade, da liberdade dos homens (e mulheres claro, estamos aqui a falar da humanidade). Não é de menosprezar este aspecto pois, numa época de forte contestação ao modernismo [não é à toa que estamos já no pós-modernismo há uns tempos], Moita Flores levanta uma voz isolada, mas sonora em defesa de princípios básicos do humanismo, tão frequentemente esquecido, e que eram umas mais importante conquistas e ofertas do modernismo à posterioridade.
Não pode igualmente ser escamoteado o teor político e interventivo da mensagem de Moita Flores, com os dirigentes portugueses como alvo. "Autosatisfaçam-se mais e não f***am tanto os portugueses" pode entreler-se em tão forte intervenção.
Umas palavras finais relativamente a Moita Flores. Sendo a autosatisfação tão importante na sanidade e bom funcionamento das sociedades, onde vai buscar Moita Flores tempo para ela, visto parecer dotado de ubiquidade televisiva e ainda ser autarca? Ora, nas sábias palavras de Pinto da Costa - aquele que sabe ler e escrever, não leva empresas à falência e usa barba - qualquer comunicação com mais de meia dúzia de minutos é «masturbação intelectual», o que explica o à vontade e aspecto saudável e bem disposto de Moita Flores. De facto, pelo contrário, com tanta comunicação que faz arrisca-se a nascer-lhe pêlo nas meninges, fazendo aqui uma pequena chalaça com o preconceito com que se ameaçavam os jovens portugueses que atingiam a puberdade.

10/14/2008

Geochelone Masthodon

As figuras tristes dos políticos portugueses já todos conhecem e a vida em Portugal não seria possível sem elas. Desde o célebre “bolo-rei” do senhor presidente, ao “break dance” do camarada Jerónimo, passando pelo “Guterr...Gondomar” daquele senhor que desviava batatas da messe e não esquecendo a “onda laranja” do outro engenheiro, já passámos por alguns momentos imortais – já repararam que a diferença entre idiotas e imortais é de apenas uma letra? – partilhando, contudo, a particularidade de serem “consumidos” apenas aquém-fronteiras.

Esta limitação das gaffes ao território nacional é o resultado, óbvio, da falta de expressão e peso internacional dos políticos portugueses. Ninguém, para lá de Quintanilha, está minimamente preocupado com a política portuguesa nem, e isso é que é estranho, com as figuras tristes com que os seus protagonistas nos presenteiam. Há, no entanto, uma excepção e, quando pensamos em peso político, apenas uma e única personalidade sobressai, Mário Soares.

Se bem se lembram – senão, também não faz muito mal – foi entre 24 e 28 de Novembro de 1995 que Mário Soares demonstrou à saciedade a resistência das carapaças da Geochelone Gigantea, a tartaruga das Seychelles, efeméride que comemorou este ano uma década e três anos.

Pensavam que este acontecimento tinha tido expressão apenas de Elvas para cá? Enganaram-se à grande, pois a repercussão deste momento alto das presidências soaristas não só não passou despercebida no estrangeiro como teve direito à memoração para a posterioridade, tal a dimensão que tal episódio adquiriu.

A estátua que vos trazemos nesta imagem é a celebração artística de um animal político, mais propriamente um Mastodonte presidencial. A argúcia política de Mário Soares ficou bem patente na escolha de uma tartaruga para se montar, tendo em vista a tendência de meter água dos políticos portugueses, revelando que se sente à vontade na missão de político e, acima disso, português.

Importa reter, portanto, que Mário Soares é o verdadeiro monstro político pré-histórico e, ao mesmo tempo, híbrido, sem rival em Portugal. A única correspondência no mundo animal seria uma “Tartaruga Mastodonte”, cujo nome latino já foi oferecido no título do post [é justo, quem faz a descoberta dá o nome]. A coisa até esteve prestes a animar há uns meses, mas Cavaco Silva recusou-se a montar aquele camelo na Jordânia.