9/03/2008

Mãos ao Alto

O Moyle não é alarmista, excepto nos momentos em que há motivo para alarme, e mantém uma postura bastante serena acerca das coisas (ainda que etilicamente, serenidade é serenidade). No entanto, há coisas que não se percebem por muito, ou pouco, esforço que se faça.
Há meses, não vamos ser exagerados e começar aqui a falar em semanas, que quem vai abastecer o carro é assaltado (é que são largos milhares de furtos, há quem diga mesmo centenas, por dia) e agora, que os utentes retribuem, há logo planos e projectos e esquemas de contingência e tal e coisa para proteger as gasolineiras. Isto faz sentido para vocês? É que para o Moyle não faz sentido nenhum.
No fim de contas, os assaltos são feitos da mesma maneira dos dois lados, com recurso a uma pistola (ok, uma tem mangueira numa das extremidades e outra não, mas e daí? Esse aspecto é meramente um peru com menos de 18 anos).
A única luz que se consegue fazer deste assunto é a violação do monopólio de actividade. A exclusividade do assalto nas Estações de Serviço pertencerá, eventualmente, às gasolineiras. Dando-se esse caso, é natural que as gasolineiras fiquem aborrecidas porque estão a ser afogadas por concorrência não regulamentada.
Mas quem deu exclusividade de furto às gasolineiras? E foi dada, ou vendida? É que sendo este um mercado a caminho do liberalismo, os assaltos deviam estar sujeitos às leis da oferta e da procura, auto-regulando-se.
Nunca devia ter deixado as cadeiras de hermetismo esotérico. Davam agora um jeitão.

The Name for the Job

O Moyle já aqui divagou uma vez e depois outra sobre pessoas que parecem feitas de encomenda para certas situações, nomeadamente peças de teatro, reais ou eventuais.
Hoje, porém, o Moyle deparou-se com uma situação real e não fruto do devaneio "Twilight Zone" que o caracteriza.
Tudo isto para dizer que o Comandante da capitania de Faro se chama Reis Ágoas.
É, ou não, uma situação genial? Ok, podem dizer que não. Também não é assim tão genial como isso. Mas tem uma certa piada.

8/20/2008

Não era nisto que os Wright estavam a pensar

Os espanhóis estão em grande no desporto.
Depois da vitória no Campeonato da Europa de Futebol, das vitórias de Nadal e respectivo primeiro lugar do Ranking Mundial, depois da vitória de Carlos Sastre no Tour de France, depois da vitória de Samuel Sanchez e Joan Llaneras no Ciclismo Olímpico, isto para citar algumas das mais notórias, os espanhóis voltam a mostrar que estão em grande forma ao revelarem-se imbatíveis no Mergulho Sincronizado.
O espírito competitivo e desportivo dos nossos vizinhos é tão grande que não descansaram enquanto não se tornaram em tochas olímpicas.

8/12/2008

Belle Toujours

«Havia um pessegueiro na ilha,
Plantado pelo vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo...»
Enquanto o Moyle vai uma semanita ali a Porto Covo ver se está tudo no mesmo sítio e a que preço está a cerveja no litoral alentejano (esperemos que haja vaga no Parque de Campismo, claro), deixa-vos aqui uma questão para meditarem. Não esquecer que este exercício vai ser sujeito a avaliação, e conta para nota, no teste da próxima semana.
O Moyle não compreende a incompreensão e o preconceito que, em Portugal, rodeiam a obra do genial realizador português Manuel de Oliveira. Na realidade, começa a ser um bocado irritante que os portugueses se queixem de que tudo é mau no país e de que as poucas coisas boas só são reconhecidas por estrangeiros e no estrangeiro e, ao mesmo tempo, se mostrem indisponíveis para compreender a sua própria cultura e o que ela tem de melhor.
Além do centenário realizador português, de quem o Moyle é tão grande admirador que mal pode esperar para ver o documentário autobiográfico «A visita, ou memória e confissões», outros exemplos da qualidade portuguesa ser apenas reconhecida além-fronteiras podem ser aduzidos, como nos casos de Zezé Camarinha, José Castelo-Branco e Durão Barroso.
Na tentativa de contribuir para a democratização da obra de Oliveira o Moyle dá, agora, seguimento ao esforço de descodificação da sua obra para que possa, finalmente, ser descoberta e plenamente fruída pelas massas (nomeadamente o rigatone, o fusili e o penne).
Além da artificiosa e genial exploração tântrica da tensão sexual ao longo das suas películas – que pode levar a momentos embaraçosos nos espectadores – a intervenção político-social é outra das marcas ignoradas pelos que visionamentalizacionalizam os filmes de Oliveira.
Vem isto a propósito da continuidade que o realizador portuense fez do filme de Buñuel «Belle De Jour», com o seu «Belle Toujours». Pretendeu Manoel mostrar que, apesar da vida dupla que levava, optando por uma sexualidade alternativa, Catherine Deneuve não perde a sua beleza devendo – e esta mensagem aparece de forma refinadíssima no título Belle Toujours – assumir essa mesma sexualidade.
No fim de contas, o que Manoel de Oliveira pretende com a sua obra de arte é que as Catherine Deneuves que existem por aí se assumam perante o mundo, lembrando-as que são como são e não perderão a sua “beleza” por isso.

8/07/2008

Heliofobia

Moyle – Olha quem ele é! Ainda és vivo? Que tal, tudo bem?

Ele – Olá! Está tudo porreiro!

Moyle – Que voz fininha é essa?

Ele – É por causa do Hélio.

Moyle – Oh cromo, então andaste a respirar essa porcaria? Isso ainda te faz mal!

Ele – Não é isso. O Hélio deu-me um pontapé nos guizos.

8/06/2008

Hitler mit Hund


Num raro achado, o Moyle encontrou esta imagem que mostra o ditador da sanguinária ditadura nazi na Alemanha, num momento de descontracção com o seu cão. Note-se a indumentária militarista do ditador e o aspecto patusco do seu cão, que não imagina o ódio que passa pela cabeça do seu dono.

8/04/2008

Reverso Casanova

Ela – Dás-me o teu número?
Moyle – Não posso, preciso dele!


Ela – E o mail, podemos trocar e-mail?
Moyle – Também não dá. Não iria conseguir decorar a tua password!

7/29/2008

Mito e Utopia

Se ela tem medo mais medo tem o Moyle que meia dúzia de atrasados mentais a transformem num mito, com compilações e colectâneas e porcarias de homenagens e documentários e tretas do género, como fizeram com os outros. É que aí nunca mais nos larga.
É tão bonito quando as pseudo-estrelas definham até ao esquecimento.

And the Oscar Goes to... Rabicho!

(cliquem para etc., etc., etc.)


O Moyle teve a oportunidade de visionamentalizacionar a película em causa e o triste, embora já não lhe faça proveito nenhum, merece a estatueta por ter feito o melhor Joker de todos os tempos.

7/28/2008

Lamentos Democráticos



Em todo o mundo desenvolvido se optou pela Democracia Parlamentar. Portugal é diferente! Portugal, depois de uma Ditadura lamentável, optou por uma Democracia Para Lamentar!

7/25/2008

Olhe que não, Doutor! Olhe que não!

O aumento de licenciados é bastante negativo para o nosso país, nomeadamente no que diz respeito ao funcionamento das Conservatórias do Registo Civil.
Já imaginaram a quantidade de pessoas que todos os dias pedem para mudar o primeiro nome para Doutor?

7/24/2008

Σωκράτης ou A Morte Como Serviço Público


A descoberta desta imagem (agradecendo-se desde já a prestimosa, embora totalmente involuntária, contribuição deste blog, que é bastante interessante, diga-se de passagem) fez levantar no Moyle uma emoção raramente experimentada e que acaba por não ser de todo desagradável, isto é, o Moyle teve uma ideia.


Há, aproximadamente, 2407 anos morreu na Grécia um cavalheiro, de seu nome Sócrates. Até aqui tudo bem, as pessoas morrem aos milhares todos os dias e nada de novo vem daí (tirando aqueles casos em que os protagonistas desses falecimentos, miseravelmente, não brindaram a Humanidade com o seu passamento antecipado). Porque é importante a morte de Sócrates, especificamente? Conheçamos os contornos do caso.


Politicamente, o pensador era contra a democracia porque achava que o governo deveria ser exercido pelos melhores, pelos mais sábios, pelos mais capazes, seja em engenho, técnica ou sabedoria.


Talvez pela mediocridade do resto da comunidade, intelectualmente incapaz de lidar com a elevação virtuosa com que Sócrates regia a sua vida, talvez pela incompreensão que os espíritos muito à frente do seu tempo sempre sofrem, o certo é que este homem bom e sábio acabou por ser condenado à morte através da ingestão de cicuta (um veneno extraído da planta do mesmo nome). Quais as alegações dessa condenação? Atentar contra a Res Publica e corromper a moral da juventude.


Como todos sabemos, estas acusações são a arma de arremesso preferidas dos escarninhos e pobres de espírito, que não valorizam o árduo labor e a sapiência dos melhores porque, ou não os compreendem, ou eles próprios não seriam capazes de tanto. São acusações típicas de quem vê o seu lugar no poder, conformista e conservador, posto em causa.


Sócrates poderia ter fugido à condenação, como muitos fizeram e fazem nos momentos difíceis, mas isso seria admitir a razão dos detractores e violar os seus próprios princípios e valores. Para Sócrates nada era tão importante como a Virtude, sendo que esta não podia ser ensinada.


Apesar do brilho do seu pensamento, a sua morte terá sido o seu maior serviço prestado à Polis, pelo exemplo que deu de nunca se ter afastado do seu caminho, a via que sabia ser a correcta, ficando a memória, essa sim imortal a iluminar a direcção.


Em última análise, tendo em presença todos os factos e derivações da História, a morte de Sócrates seria o mais alto serviço prestado à nação, pois com ela se estabeleceria a fronteira entre os medíocres e os grandes e essa separação é o que estabelece a grandeza dos homens, a verdadeira fonte da imortalidade. Do que se conclui que nos faz mais falta um Sócrates morto, e por isso mesmo imortal, do que apenas mais um nome na poalha dos milénios.

7/22/2008

A Corrida Mais Louca do Mundo

Ao passar os olhos no Público online de hoje o Moyle não pôde evitar um sorriso ao ver Jaime Ramos acusar alguém de fascista e mentiroso. Não é que o Moyle tenha o direito de duvidar das palavras do líder do grupo parlamentar do PPD/PSD da Madeira, a questão é que parece um bocado a situação de um roto a gozar com um esfarrapado, se é que estão a apanhar o que se está aqui a deixar cair.

Por qualquer motivo obscuro e retorcido esta foi a imagem que, sob a forma de um êxtase como o de Santa Teresa de Ávila (sem a parte da fácies orgásmica, que o meu Bernini interior hoje não estava para se cansar muito porque se pensarmos bem estão 34º e isso é aborrecido, mesmo para gajos que já morreram há duzentos e tal anos), assaltou a imaginação do Moyle.

Sem mais qualquer demora, vede e admirai Sócrates Pinóquio a ultrapassar Salazar (obrigado Jaime Ramos, isto sem ti não teria sido possível).



(Cliquem na imagem para a verem maior, se isso interessar a alguém, por algum motivo, claro! )

7/21/2008

Comunicado do Vaticano

A Igreja Católica Apostólica Romana, S.A. (ICAR, S.A.), com sede no Vaticano, Itália, vem por este meio comunicar uma alteração de imagem da Corporação relativamente às Tecnologias da Informação e da Comunicação.

Sendo que a nossa Corporação tem mais de 2 milénios de experiência no ramo, o que a torna na mais credível fornecedora de serviços cristãos, na especialidade de Catolicismo, tem como objectivo tornar-se ainda mais credível, querendo agilizar a sua imagem de acordo com o novo mundo em que vivemos, mostrando aos fregueses que podem contar com ela nesta era de comunicação global.

Tendo em apreço alguma confusão que se instalou em redor do patronato das telecomunicações, gerada pela indefinição entre as figuras do Arcanjo Gabriel e de Santa Clara, procura-se agora clarificar e unificar a posição da ICAR, S.A. perante as novas tecnologias. Para tal, para ocupar o lugar de padroeiro desta área, optou-se por uma terceira imagem, de maneira a não restarem quezílias no seio da corporação, nem dúvidas na sua relação com os fiéis clientes.

Para esse efeito, declara-se e proclama-se, como padroeira das novas tecnologias de informação e comunicação, Santa Tecla, com a imaginária oficial que se segue na imagem abaixo e que, seguindo a orientação clássica que nos é típica introduz um sinal da modernidade na qual a nossa companhia se inscreve.

7/17/2008

Charada Com Chouriço

Hoje, quando o estômago já contava os minutos para o almoço, olhei para o relógio e lembrei-me do José Cid.
Que horas eram?