
A descoberta desta imagem (agradecendo-se desde já a prestimosa, embora totalmente involuntária, contribuição
deste blog, que é bastante interessante, diga-se de passagem) fez levantar no Moyle uma emoção raramente experimentada e que acaba por não ser de todo desagradável, isto é, o Moyle teve uma ideia.
Há, aproximadamente, 2407 anos morreu na Grécia um cavalheiro, de seu nome Sócrates. Até aqui tudo bem, as pessoas morrem aos milhares todos os dias e nada de novo vem daí (tirando aqueles casos em que os protagonistas desses falecimentos, miseravelmente, não brindaram a Humanidade com o seu passamento antecipado). Porque é importante a morte de Sócrates, especificamente? Conheçamos os contornos do caso.
Politicamente, o pensador era contra a democracia porque achava que o governo deveria ser exercido pelos melhores, pelos mais sábios, pelos mais capazes, seja em engenho, técnica ou sabedoria.
Talvez pela mediocridade do resto da comunidade, intelectualmente incapaz de lidar com a elevação virtuosa com que Sócrates regia a sua vida, talvez pela incompreensão que os espíritos muito à frente do seu tempo sempre sofrem, o certo é que este homem bom e sábio acabou por ser condenado à morte através da ingestão de cicuta (um veneno extraído da planta do mesmo nome). Quais as alegações dessa condenação? Atentar contra a Res Publica e corromper a moral da juventude.
Como todos sabemos, estas acusações são a arma de arremesso preferidas dos escarninhos e pobres de espírito, que não valorizam o árduo labor e a sapiência dos melhores porque, ou não os compreendem, ou eles próprios não seriam capazes de tanto. São acusações típicas de quem vê o seu lugar no poder, conformista e conservador, posto em causa.
Sócrates poderia ter fugido à condenação, como muitos fizeram e fazem nos momentos difíceis, mas isso seria admitir a razão dos detractores e violar os seus próprios princípios e valores. Para Sócrates nada era tão importante como a Virtude, sendo que esta não podia ser ensinada.
Apesar do brilho do seu pensamento, a sua morte terá sido o seu maior serviço prestado à Polis, pelo exemplo que deu de nunca se ter afastado do seu caminho, a via que sabia ser a correcta, ficando a memória, essa sim imortal a iluminar a direcção.
Em última análise, tendo em presença todos os factos e derivações da História, a morte de Sócrates seria o mais alto serviço prestado à nação, pois com ela se estabeleceria a fronteira entre os medíocres e os grandes e essa separação é o que estabelece a grandeza dos homens, a verdadeira fonte da imortalidade. Do que se conclui que nos faz mais falta um Sócrates morto, e por isso mesmo imortal, do que apenas mais um nome na poalha dos milénios.