Ao passar na rua, o Moyle ouviu uma velhota dizer «Framácia» e, sobrepondo-se à sensação de estranheza inicial, foi envolvido por uma sensação de angústia e de sincera preocupação por uma velha estar mais informada do que o Moyle. Afinal, o Moyle carrega aos ombros o doce fardo das suas legiões de leitores, que habituou a, legitimamente, exigirem sempre o melhor.
As negociações estão concluídas (ou quase) e o Acordo Ortográfico vai mesmo avançar. A língua portuguesa, sobretudo escrita, vai sofrer alterações que não podem ser menosprezadas. Estatisticamente, julga-se que 16 em cada 1000 palavras do português europeu vão ser alteradas, uma taxa de mudança muito superior à do português falado por outras populações lusófonas. Isto significa que em Portugal apenas os monges da Cartuxa de Évora, a população indígena da Madeira, dos Açores e 97% da população da Damaia e do Bairro do Cerco no Porto não serão afectados (os 3% que faltam são os polícias).
O Moyle poderia levantar aqui a seguinte questão: “Se os portugueses inventaram a língua, a divulgaram e é em algumas regiões de Portugal que se fala o que é considerado o padrão linguístico português, porque raio hão os portugueses de mudar mais palavras no léxico do que os outros falantes de português?” Mas o Moyle não fará tal pergunta porque poderia ser confrontado com respostas do tipo: “Porque os brasileiros são ignorantes e estúpidos!” e o Moyle não admite tais iniquidades e injustiças preconceituosas.
Passemos então ao que interessa e ver alguns exemplos de mudanças na linguagem a que o Moyle teve acesso, directamente do caixote do lixo do maiores filólogos portugueses.
§ Húmido passa a Úmido
§ Facto passa a Fato
§ Óptimo passa a Ótimo
§ Exacto passa a Exato
§ Baptismo passa a Batismo
§ Cancro passa a Cancâro
§ Farmácia passa a Framácia
§ Programa passa a Pograma
§ Treze passa a Treuze
§ Aliás passa a Áliás
§ Eucalipto passa a Encaliptre
§ Colesterol passa a Castrol®
§ Ideólogo passa a Idiota
§ Obrigado passa a Obrigados
§ Estupidez passa a
Estupideza (observado por
Calminha)
Isto entre muitos outros exemplos de que se escusa a transcrição para não causar fastio aos milhares de milhões de leitores desta nova Sagrada Escritura que é o Moyle - e que têm causado séria apreensão em
mui iluminadas figuras da nossa azinhaga (dizer aqui "praça" era abusar de uma parolice reservada aos comentadores profissionais).
Resta ao Moyle desejar uma pirâmide do Egito pelo reto acima aos idiotas que pogramaram este aborto.