3/18/2008

Sistema Nacional de Saúde

Todos os dias o Moyle ouve notícias sobre o Sistema Nacional de Saúde (SNS), porque não funciona, porque o serviço é mau, porque as pessoas não confiam nos médicos, porque os hospitais não transmitem uma imagem positiva.

Ora, tudo isto é rigorosamente verdade. Porém, ao contrário dos arautos da desgraça e vendedores da banha da cobra, o Moyle tem uma solução simples e rápida para mudar a forma como as pessoas olham para o SNS. Vejamos, então.

Que confiança no SNS inspira esta imagem, da digníssima Bastonária da Ordem dos Enfermeiros (bastonária porque parece que lhe desfizeram a fronha com um bastão, bem entendido)?
O Moyle responde por vocês. NENHUMA! Mas alguém quer ir ao hospital para sair de lá pior só por ter lá estado? Obviamente que não. Que soluções então?

Esta:


Como se pode constatar, uma pessoa que vá ao hospital com 7 costelas partidas, o pâncreas perfurado, o apêndice em putrefacção e pedras nos rins, arrisca-se a ficar curado antes mesmo de ter sido observado por um médico. É por estas razões que os Sistemas de Saúde funcionam melhor no estrangeiro.

Para quê complicar o que é simples? A recuperação da imagem do SNS aos olhos do público podia ter já sido conseguida há muito tempo se não fossem os burocratas que atafulham os corredores do poder.

3/13/2008

Caldeirada Serrana




O Moyle, tomando conhecimento pela imprensa deste acontecimento, decidiu elaborar esta proposta para o Instituto Português de Heráldica (I.P.H.) alterar o brasão da vila beirã de Góis.

3/10/2008

Heath Ledger e A Vértebra Deslocada

Morreu há uns tempos um dos protagonistas do filme «Brokeback Mountain» e a polícia não tem ainda a certeza da causa da morte, falando apenas da possibilidade de overdose de estupefacientes ou medicamentos.
Ora bem, o Moyle está em condições de adiantar que Heath Ledger morreu, muito simplesmente, de 3/8 de dose de melancolia, 3/5 de saudades e 50% de culpa/remorso. Fontes próximas do actor, agora que está morto, fizeram chegaram ao Moyle a informação de que o actor nunca tomou drogas nenhumas e foram o desespero e a tristeza (nas proporções acima descritas) que levaram ao seu falecimento.
A melancolia do australiano estava relacionada com o facto de nunca, verdadeiramente, se ter conseguido libertar do estigma da homossexualidade decorrente da sua prestação no filme de cowboys mais improvável de sempre. Uma observação mais atenta à carreira mais recente do autor revela a veracidade das informações e traz o esclarecimento definitivo ao desaparecimento do sheepboy.
Em 2005, em «Brokeback Moutain», a personagem aprecia um merecido cigarro depois de um dia inteiro a dar no duro.
No mesmo filme, vemo-lo a executar a “Manobra de Heimlich” no outro sheepboy da história, depois de este se ter engasgado com uma banana.
Logo no mesmo ano de 2005, apenas 2 semanas depois, sai o filme “Casanova” como uma tentativa de resgatar a imagem do actor do buraco em que se tinha metido. Apesar do filme ser sobre um “fodilhão” de malucas italianas no século XVIII, o estigma colou-se de forma indelével no actor. No cartaz do filme alude-se à preferência pela parte de trás da moça, munindo-a de uma carantonha masculina, numa indisfarçável alusão à fase “sheepboy”.
O cúmulo foi o triste ter sido obrigado a vestir sedas, cetins e rendas e andar a comparar tamanhos de espadas com outros homens durante todo o filme. Nota-se a cara de desespero pela figura que novamente tinha que fazer e meditando sobre as consequências advenientes.
Em 2006 nova tentativa de limpar a imagem do actor com "Candy", porém nem tudo resulta como esperado pois, embora o actor faça uma personagem apaixonada por uma miúda, esta acha-se agarrada ao cavalo. Novamente, quando tudo parecia ir dar certo, eis que o passado volta para assombrar o cada vez mais frágil equilíbrio emocional do actor.
Já de rastos, aceita participar em Batman (a estrear brevemente) pois vê na personagem de Joker a única saída possível para o seu desespero, pois tinha como antepassado na personagem o enorme Jack Nicholson, actor de prestígio e sem qualquer tipo de nódoa no currículo. Porém, a gota de água deu-se quando o actor deu conta que tinha que passar o filme com os lábios pintados.

Além destes, há registar na sua filmografia títulos como “Bolas Monstruosas” (Monster’s Ball), “Conta-me Histórias a Cavalo” (A Knight’s Tale), “Senhores à Canzana” (Lords of Dogtown), “A Duas Mãos” (Two Hands), “De Quatro com Penas” (The Four Feathers), “10 Coisas que Odeio nas Gajas” (Ten Things I Hate About You), entre outros títulos comprometedores relativamente à sua sexualidade.
Os seus últimos dias foram de uma amarga meditação e introspecção sobre a possibilidade de tudo isto não ser coincidência e o actor estar a passar uma fase de conversão ao paneleirismo (religião na qual também se reza de cú para o ar, segundo a Wikipedia).
Pensando sobre as bizarras coincidências que lhe assolaram a carreira deu por si a imaginar-se montanha acima montanha abaixo, a cavalo, vestido de seda e de lábios pintados a guardar ovelhas. E, apesar do mulherio todo que lhe passou pelas mãos, real e ficcional, acabou por morrer de melancolia e de saudades de apanhar cavacos na montanha.

3/06/2008

Scheiße04

O Moyle, apesar de afamado apreciador do "desporto-rei", não tem por hábito comentar jogos específicos, preferindo a comodidade das tergiversações acerca de qualquer coisa em que o futebol é o enquadramento cénico. Dito isto, vai fazer-se precisamente o contrário. Alguns comentários há a fazer relativamente ao jogo da 2ª mão dos 1/8 de final da Champions League [a expressão anglófona é um bocadinho mais sonante do que a portuguesa. Ok, é parolice.], que opôs o F.C.Porto ao Schalke04. É que durante o visionamento desse encontro surgiram algumas questões, algumas delas mais incómodas que um carvão aceso encostado ao escroto, tendo o Moyle, por obrigação, a sua escalpelização. Ora bem, como diria Jack, o Estripador, vamos por partes.
1º comentário que se oferece ao Moyle: - A vida amorosa do Ricardo Quaresma anda pelas ruas da amargura pois, segundo os comentadores, Quaresma é «o homem das bolas paradas».
Conclusão n.º 1: Os comentadores de futebol da RTP1 são estúpidos (isto porque o Moyle é um trouxa por eufemismos).
2.º comentário que se oferece ao Moyle: - O FCPorto jogou toda a 2ª parte do desafio com 4 homens «bem abertos». Porque razão, então, a surpresa revelada pelos comentadores ao constatarem que iam 3 alemães a cada portista?
Conclusão n.º 2: - Os comentadores de futebol da RTP1 são estúpidos (isto depois de uma cuidada abordagem com recurso à utensilagem gaussiana de análise estatística).
3.º comentário que se oferece ao Moyle: - Sendo esta uma semana de Champions League, porque razão transmitiu a RTP1 um encontro entre a Argentina e o Uruguai, imagina-se para uma Copa América, em vez de mostrar jogos em que interviessem portugueses (Chelsea, talvez)?
Conclusão n.º3: - Os comentadores de futebol da RTP1 são estúpidos (isto depois de verificar que nem comentam, nem vêem o jogo, entretendo-se com paneleirices que não interessam nem à Unesco - e esses gajos interessam-se por quase tudo).
Finalmente (estavam a ver que não, não estavam?): - Afinal o Vítor Baía não terminou a carreira, apenas foi fazer um estágio [na idade dele foi mais um retiro], num qualquer país pertinho da linha do equador e reapareceu em grande neste jogo que vimos dissecando.(*)




(*Esta parte talvez viesse a ter alguma piada com uma imagem, épica se possível, do momento que se pretende satirizar. Fica a promessa de vir para aqui uma quando alguém se der ao trabalho de a carregar na Web.)

2/26/2008

O Totó do Millenium

Ao pedido seguinte:

– «Não há alguém que remova cirurgicamente as cordas vocais ao atrasado mental que canta o anúncio do Millenium-BCP ou, pelo menos, lhe dê um tiro, discretamente, mesmo no meio dos olhos?»

junta-se agora outro:

– «Não há quem enfie qualquer coisa na boca do estúpido pago pelo Santander-Totó e que não se cala com aquele assobio de ir cagar no milho? Pode ser só partir-lhe os dentes ou deixá-lo para ser espezinhado por um elefante com prisão de ventre!»

Na medida em que o Moyle é contra a violência (não contra A violência mas sim ALGUMA violência) lembra aqui que estes pedidos não são nem da sua responsabilidade nem autoria mas sim o anseio de milhares (milhões) de famílias portuguesas (e pessoas sem família também).

2/22/2008

Sporting Clube dos Anéis

A notícia veiculada pela imprensa de que o Sporting iria contar com o jogador argentino Leandro Grimi, alertou o Moyle para o facto de, pela primeira vez, o Sporting estar à beira de contratar um jogador estrangeiro que não irá precisar de adaptação ao clube. De facto, de acordo com o que se pode observar a seguir, vemos que o clube da 2ª Circular (aquele do lado direito de quem desce) foi feito precisamente para Grimi e vice-versa.
A lagartagem não se cansa de anunciar a sua história (?) épica (?) e, embora tenha demorado algum tempo, o Moyle finalmente percebeu porquê. Comparemos os atletas (?) lagartos com as personagens da maior história épica a seguir à Bíblia, o Senhor dos Anéis.
Eis o estandarte, à volta do qual as legiões lagartas se juntam para… qualquer coisa.

Arwen Farnerud
Todas as histórias épicas têm, obrigatoriamente, na sua estrutura, episódios líricos. No Sporting, a piedade que Farnerud inspira ao espectador, confere-lhe esse papel no desenvolvimento da narrativa épica lagarta. Tem contra ele não ser tão jeitosa como a elfa do Senhor dos Anéis mas pouco falta e, aliás, não se pode ter tudo. Pensando bem, pode ter-se nada, como é manifestamente o caso.


Bilbo Stojkovic Baggins
Tal como a personagem que emula, a devoção, a roçar o desequilíbrio mental, é tanta que falha na hora H. Tal como um não conseguiu guardar o anel por muito tempo, o outro também não consegue guardar a baliza por muito tempo.

Boromir Vukcevic
Tinha tudo para ser fundamental na história mas… só fez merda. Todos os contos têm que ter um destes, para fazerem realçar os outros. O pior é que no caso vertente, ninguém se realça muito.
Frodo Pereirinha Baggins
Espera-se muito do mais novo, do mais fraco e boa vontade ele tem, mas fará alguma coisa de jeito?

João Troll Moutinho
Um monstro a meio campo, dizem os sectários mas, de facto, o que tem de monstruoso são as conferências de imprensa (com a capacidade argumentativa de um troll)… Ah, e o ordenado também.

Miguel Gimli Veloso
Outro caso de fraca exegese textual. “É um guerreiro no meio campo!” atiram os pobres de espírito. Se eu fosse a vocês não iria muito por aí, porque o que mais parecido que tem com esta história é o facto de ser gordo.


Legolas Veloso

E, por outro lado, ele está-se bem a cagar para ser um guerreiro, o que ele queria mesmo era ser assim. A Fátima e a Isabel Queiroz do Valle tratam de ti…

Liedson Orc
Marca golos? Vai marcando. Não é por ser grande coisa, é simplesmente porque toda a gente tem medo dele. E o hálito? Ui… Como um bom Orc, depois de um fogacho inicial, ameaça mais do acerta.

Luís Faramir Paez
Tal como o capitão de Gondor, o que o moço tem a fazer é deixar-se estar na sua vida e não empatar o que se passa à volta que é maior que ele. Quando a coisa correr mal, paciência, arrisca-se a ser queimado, mas até lá...
Pippin Romagnoli
O Sporting tem levado a coisa tão a sério que até contrata jogadores com o nome apropriado (o que só reforça a veracidade e o brilhantismo da tese do Moyle). Tanto um como os dois, raramente fazem alguma coisa de jeito e, as mais das vezes, só enconam.
Ronny Orc
A expressão “um monstro a defender” nunca teve melhores dias. Corre muito, mas com um hálito daqueles… convém. Como no conto de Tolkien, o Orc defensivo do Sporting também ameaça muito mas no fim de contas todos os adversários fazem o que querem.
Saruman Izmailov
O feiticeiro do Leste é tão poderoso que se enfeitiça a si próprio. Resultado, a maior parte da história passa-lhe ao lado.
Yannick Balrog
É feio, faz muito barulho e só atrapalha. Um demora séculos a cair, o outro cai muitas vezes.


Tonel Uruk Hai
Mete medo? Mete! Faz espectáculo? Faz (normalmente deprimente)! Serve para alguma coisa? Não!

Rei Feiticeiro de Angmar Polga
É grande, impressiona, intimida [nem impressiona, nem intimida muito, mas aqui dá jeito], mas é oco por dentro. Qualquer gaja o deita abaixo.
Samwise Vukcevic
Esforçado, trabalhador, persistente. Talvez seja tudo isso mas, nesta história, não há milagres. Paciência!
Denethor Soares Franco
Governa uma casa que não é a dele, gosta de dizer aos outros como fazer o trabalho deles, tem a mania que é nobre mas, como se vê em ambos os casos… A senilidade já lá anda, ou não?
Pedro Goblin de Moria Barbosa
Não se sabe muito bem para que servem nem o que fazem mas andam pela história toda do princípio ao fim. Vá-se lá perceber estas coisas. Liberdade criativa é o que é.
Paulo Gollum Bento
Andou por todo lado à procura do bem mais precioso e, quando pensava tê-lo encontrado, perdeu-o. Vai sair queimado no fim desta história toda mas cada um tem o que merece.
Vítor Gandalf Pereira

Nas horas mais sombrias, quando a fé parecer ter fugido, há sempre uma luz de esperança. O que é preciso é ter um feiticeiro poderoso e, hoje como ontem, aqui como ali, esta aliança já produziu resultados.

Grimi Língua de Verme
Bem vistas e analisadas as coisas, digam-me lá se não é extremamente inteligente da parte do Sporting contratar este jogador? Apesar da relutância em associar o adjectivo inteligente ao Sporting [ainda para mais com um advérbio de modo em jeito de reforço], o Moyle acha que sim. Este jogador está como sopa no mel para este clube

N.B. - Todas as imagens de personagens de ficção foram obtidas da Web e as relativas ao Senhor dos Anéis também.

2/08/2008

Casos da Vida Real

Tenho cocó de cão no sapato, e que cheira mesmo ao pior cocó de cão que se possa imaginar. O meu objectivo é entrar assim num restaurante chique.

2/03/2008

Anti-Spam em S. Bento

Constatando que o sistema de apoio da sociedade às pessoas desintegradas socialmente não está a rentabilizar para o país o enorme capital humano disperso por debaixo das pontes de todo o país, o Moyle promove aqui a ideia de levar os sem-abrigo para a Assembleia da República, para servir não apenas como dormitório, mas como dormitório e local de trabalho.
Se repararmos, as vantagens são por demais evidentes: em primeiro lugar, passávamos (contribuintes) a pagar 230 ordenados mínimos, em vez dos chorudos vencimentos dos actuais deputados. Em segundo lugar, adoptando o regime de meia-pensão (sopa e sandes de coirato) na Assembleia/Pensão de S. Bento, estaríamos a garantir que ninguém faltava à chamada para as sessões legislativas e às obrigações da digníssima função de representantes da Nação. Ao mesmo tempo, deixava de ser necessário comprar carros e pagar a motoristas, pois o local de trabalho passava a corresponder com a residência.
Mas, de facto, o melhor, é que, ao nível da política interna e externa, deixávamos de ouvir as baboseiras do costume. Por um lado, a visível deterioração da dentição de grande parte dos novos deputados iria provocar alguma retracção dos mesmos no momento de abrirem a boca e, por outro lado, porque estas mentes, dificilmente mais obscuras do que as actuais, rapidamente perceberiam que cerrar os lábios seria muito mais inteligente do que expulsar o ar pelas pregas vocais fazendo-as vibrar e, com isso, produzir fonemas, seja lá o que for que isto quer dizer.
A única dificuldade, até agora, é a resistência que o Moyle tem encontrado por parte dos mendigos e sem-abrigo do país em colaborar neste projecto, pois vêem no lugar de deputados uma regressão na carreira e um rude golpe na estima pública que, presentemente, têm.

1/25/2008

Escrita Legal

O Moyle, no decurso da sua cruzada diária contra qualquer coisa, deparou-se com um problema importante que, veio a saber, afecta todos os que se vêem a braços com uma situação semelhante.
Quem já leu, ou tentou ler, legislação (desde as pescas ao preço do pão) já sentiu a dificuldade e o incómodo de a tentar perceber. O problema nem sequer é a linguagem utilizada pelos legisladores mas antes a estrutura do texto e as suas constantes remissões que nos obrigam a ir consultar uns 7382,49 decretos, resoluções, leis e afins, prévios.
Ora bem, o Moyle sugere que a legislação portuguesa passe a ser redigida por escritores de méritos reconhecidos, que a tornem inteligível, fácil e agradável de ler e, dessa forma, acessível a todos os cidadãos.
Vejamos os méritos desta proposta. Se as leis forem agradáveis de ler, todos as lerão com vontade e, por consequência, o cumprimento das mesmas será influenciado de uma forma positiva pelos efeitos subliminares que a leitura provoca. Se as leis fossem redigidas por escritores de mérito e qualidade a criminalidade e a falta de civismo diminuiriam.
Tendo em conta a quantidade enorme de leis que saem todos os dias, as possibilidades de Portugal ganhar novamente o Nobel da literatura aumentariam exponencialmente. A tudo isto acresce a facilidade que os escritores portugueses teriam em se adaptar, até porque grande parte da legislação portuguesa é pura ficção, outra grande parte romance e mesmo comédia há a rodos, sendo que o mérito dos portugueses como contadores de histórias, escritores ou políticos, é bem conhecida e está enraizada.
Por outro lado, quem não ficaria muito satisfeito com esta medida seria Mário Soares, pois na improbabilidade de voltar a haver um debate entre o Senhor Liberdade e Cavaco Silva para umas presidenciais, quando os dois candidatos estivessem a discutir tudo o que está fora das competências do presidente, já Soares não poderia acusar Cavaco de não ter ganho um prémio Nobel, uma vez que é o presidente que assina a legislação e seria, assim, o titular do prémio.
Como é óbvio, desta sugestão está excluído o Nobel José Saramago porque, mal por mal, a legislação portuguesa até nem está assim tão má como isso.

1/20/2008

(Des)Ilusões de Óptica


A 2 de Agosto de 2007 é revelado ao mundo que Paulo Bento é o responsável pelo desaparecimento de Maddie McCan, da Praia da Luz no Algarve. Note-se a falta de risco ao meio e a barba de três dias como o disfarce que tem, com sucesso acrescente-se, afastado toda e qualquer suspeita sobre a pessoa que se senta no banco de suplentes do Sporting (quem tiver coragem para isso, chame-lhe trein... esqueçam, o Moyle não consegue).
No dia 20 de Janeiro de 2008, a informação é corrigida e Sá Pinto passa a ser o suspeito nº 1 do rapto da criança. Atente-se no bigode à Verão Quente de '75 como parte de um disfarce brilhante (?) e que mantém todos iludidos pela audácia da concepção.
O Moyle está em condições de averiguar que o facto de serem as forças policiais britânicas a coordenar as investigações está a bloquear o desfecho positivo das mesmas e a recuperação da vítima. Senão vejamos. No dia 26 de Março de 1997, Ricardo Sá Pinto fez desaparecer, de um momento para o outro, toda a vontade de Artur Jorge de sair à rua. O mais extrordinário é que conseguiu fazê-lo nas barbas de toda a gente, revelando sangue frio e mãos hábeis. Paulo Bento, em dois meses apenas (repartidos entre 2007 e 2008) fez desaparecer a vontade de sair à rua de 1.252.726 sportinguistas, espalhados por todo o Mundo, inclusive em Portugal.
Em vez de andarem em círculos (procurando um suspeito quando na verdade se trata de um gang de 2), o caso estaria arrumado se a polícia britânica estivesse minimamente atenta ao que se passa em Portugal e não se deixasse iludir por meras questões de pormenor nos retratos robot.

1/14/2008

Pero que las hay, las hay....

O Moyle não queria acreditar em bruxas, pero que las hay...

Resolução de Ano Novo

Para não fugir à parvalheira generalizada, o Moyle vai lançar aqui a sua decisão de Ano Novo, com direito a retaliação e tudo.
O Moyle seja deputado do CDS-PP se não escrever coisas com piada a partir de 1.1.2008.

1/02/2008

Falácias Linguísticas

Diz-se frequentemente que a Língua Portuguesa é traiçoeira. Na realidade, os portugueses é que são mal-intencionados e têm um cérebro cheio de uma sordidez tão grande que nem 7 batalhões de Freuds armados de máquinas de choques eléctricos e hipnotizadores conseguiriam fazer alguma coisa por ele. Vejamos, então, de que maneira se verifica tamanho exacerbamento libidinoso nos portugueses, num nível que não lembraria nem a Mallanaga Vātsyāyana, o famoso filósofo indiano autor do Kama Sutra.
Logo no início do dia, para pequeno-almoço, uma italiana e para aguentar a manhã, umas belgas.
Chega a hora do almoço e, pimba, uma francesinha, acompanhada de uma loura, no fim das quais outra italiana, agora perfumada (isto é, com cheirinho).
Dependendo de vários factores de somenos importância para esta investigação, frequentemente passa-se a tarde numa boa sueca e, talvez, mais algumas louras.
Sendo o almoço, por força das circunstâncias, normalmente mais leve, à hora do jantar compensa-se o resto do dia. Nada melhor, ainda para mais com o calor que se faz sentir, uma bela salada russa, mesmo para rebentar com uma pessoa. No fim, claro, mais uma italiana para a sossega.
No fim de contas, o que é malicioso, a Língua ou os seus falantes? Poderia o Moyle levar esta questão a um outro nível de discussão, mas para não ultrapassar os limites do bom-senso e do decoro, abdicará de referir expressões como Retoma Económica, Crescimento da Economia, etc.

12/24/2007

Museu a Sal… Sóc…, quem?

O Moyle, sem querer, ouviu um curioso diálogo no qual não resistiu a envolver-se (passando a triálogo portanto) que, mesmo arriscando um certo despudor, passa a revelar.

Contra – Já viste isto de quererem fazer um Museu ao Salazar? É uma pouca-vergonha!
Pró – E qual é o problema do museu em Santa Comba?
Contra – Para ser um tributo a um ditador? Já agora, realmente.
Pró – Salazar foi um grande homem, um beirão dos sete costados, um português de gema, que lutou muito pelo país, muitas vezes sozinho. Foi um visionário! (Isto tudo em berros de quem se sente ofendido)
Contra – Visionário? Enquanto ele mandava houve campos de concentração!
Pró – Não os queimava em fornos pois não? (Os berros continuam sempre)
Contra – Realmente não!
Pró – Então não foi assim tão grave! Queixam-se de quê? (Berros e pingos de baba aqui e além)
Contra – Mas não havia liberdade de expressão nem de manifestação!
Pró – E queriam essas liberdades para quê? Para as usarem mal como fazem agora? (Berros e as veias do pescoço a latejar)
Contra – Concordavas que a Polícia, em vez de proteger as pessoas, andasse a proteger os governantes e a vigiar os cidadãos, a perseguir os sindicalistas e quem fazia greve!
Pró – Olha que naquele tempo não havia tantos crimes nem as poucas-vergonhas que se vêem hoje. (Berros e grossas bagas de suor a escorrer das têmporas)
Contra – Porque as pessoas não sabiam ler. O ensino foi bloqueado propositadamente para manter as pessoas na ignorância.
Pró – Para ler as desgraças todas que vemos? Valia mais assim. (Berros e cara de nojo de um cartaz que sobrou do referendo ao aborto)
Contra – Mas…
Pró – Até te digo mais, Salazar salvou o país da bancarrota e eliminou o défice. Era um génio das Finanças. Temos uma dívida de gratidão enorme para com este grande homem. Não tens resposta para esta pois não? Ah pois não! Um museu é pouco para tamanha obra e benfeitoria que os ingratos de hoje não reconhecem. (Berros e ar de triunfante superioridade de quem acabou de entalar o oponente)

(Aqui o Moyle interveio no diálogo)

Moyle – Desculpem, mas não pude deixar de ouvir a vossa conversa. (Pudera, com os berros do gajo)
(Interpelando o Pró-museu) – Já ouviu dizer que querem fazer uma estátua de 3 metros do Primeiro-Ministro e pô-la à frente da Assembleia da República? (treta óbvia)
Pró – Esse gajo? Porquê? Este país é uma pouca-vergonha (Berros, ligeiramente agastado).
Moyle – Então, reduziu o défice público para valores inferiores a 3%, algo que só Salazar tinha conseguido. Genial também, não?
Pró – Ah pois, tudo isso é muito bonito mas aumentou os impostos e cortou nas despesas! Que tem isso de genial, isso até eu fazia. Aliás, qualquer nabo sabe isso! E fechou maternidades e centros de saúde, ah pois é! Eu é que merecia um busto. Eu e os outros como eu. Chego a meio do mês e já estou liso. A electricidade é um balúrdio, a água, a gasolina, a prestação da casa. (Alguma indignação e repúdio, mas sempre aos berros)
Moyle – Realmente…
Pró – Mas espere, quer dizer, faz-se uma revolução e deixam este gajo fazer tudo o que quer, assim, a manipular as pessoas, com polícias nos sindicatos e filmagens das manifestações? E os recados para as redacções de jornais e canais de televisão?
Moyle – É o que se ouve dizer.
Pró – Até lhe digo mais, tenho lá um «trafêgo» em casa que mal sabe ler e escrever e anda no 9º ano. Vou ter que o sustentar até aos 30, ou mais? (Isto em berros de quem se sente espoliado)
Moyle – Então, o que diz a isso tudo?
Pró – Não digo nada! Que hei-de dizer? Falar para ser processado, ou coisa do género? Ou porem a minha fotografia num ficheiro no SIS, sei lá? Tem algum jeito fazer um busto a um sacana destes. Isto é outro Salazar que aí anda! Ditadorzeco! Apanham-se no poleiro e é a fazer gramar os pobres. Não faz o mesmo aos bancos não, bandido! Tantos anos a aguentar com um e agora vem outro. Este país está perdido. Era dar isto aos espanhóis que ao menos o salário mínimo passava para o dobro! (Resignação cabisbaixa)

12/17/2007

O (descon)Fio da Meada

A OCDE, que há muito nos vem espantando com a inegável utilidade e insofismável perspicácia dos seus “estudos”, anunciou recentemente, nos resultados de uma destas “pérolas” do conhecimento ocidental pós-modernista, que os portugueses são o povo mais desconfiado de toda a OCDE. Ora bem, o Moyle acha que isto é treta e passa a justificar a sua posição.
Fazendo como a TVI fez, o Moyle foi entrevistar figuras para apalpar o pulso à opinião pública. Mas, em vez de ir para a rua procurar o primeiro nabo que aparecesse a mandar para o ar umas “postas de pescada” e baboseiras sem nexo nenhum, o que a TVI tenta vender como notícia e o real sentir dos portugueses, o Moyle socorreu-se de figuras de peso público, real ou putativo, de vários quadrantes da sociedade portuguesa, cujas funções ou capacidades pessoais os colocam num patamar privilegiado para conhecer os portugueses e permitem um maior nível de decência intelectual do que o praticado pela redacção da Venda do Pinheiro.

- António de Oliveira Salazar: «Os portugueses desconfiados? Nunca na vida. Eu é que devia ter desconfiado do ranger daquela cadeira.»
- Todo-poderoso (Deus, claro): «Vem uma “trovoada” e chamam-me logo como se eu não tivesse mais que fazer e o engraçado é que acham mesmo que vou fazer algo quanto a isso.»
- Jornalista desportivo: «Casa cheia em Alvalade.»
- Padre Frederico: «Oh amigo, acha mesmo que alguém desconfiou de alguma coisa antes de me chibarem?»
- Operador de Call Center: «Não, este serviço não tem custos adicionais.»
- José Sócrates: «Ganhei as eleições não ganhei? É claro que ninguém desconfiava de nada. E vou ganhar as próximas também.»
- Luís Filipe Vieira: «Nunca desconfiei do Racing Avellaneda, pensei sempre que o Bergessio era jogador de futebol. Estamos a pensar integrá-lo na secção de Rugby.»
- Irmã Lúcia: «Ninguém nunca desconfiou de nada! [Ver CONVERSAS COM DEUS - 10 Perguntas a Nossa Senhora de Fátima].»
- Fátima Felgueiras: «Quando eu disse vou só ali já venho, ninguém desconfiou de nada.»
- Sá Carneiro: «Eu é que nunca desconfiei de ninguém.»
- Jorge Costa: «Por mim podem já encomendar a faixas de campeão.»
- Vigário: «Quando eu conto um conto todos acreditam.»
- Luís Filipe Menezes: «Os portugueses sabem que vou fazer uma oposição séria e honesta ao governo.»
- Freitas do Amaral: «Nem o Paulo Portas desconfiou!»
- Pinto da Costa: «Foi a Pinhoa que lhe deu a bolta à cabeça.»
- Paulo Portas: «Só o George é que desconfiou, porque o museu da marinha não tinha espaço para os três, mas como ele não conta…».
- Valentim Loureiro: «Ai de quem desconfie de mim!!»

Como está bom de ver, o estudo da OCDE não tem qualquer tipo de fundamento e quem mais de perto conhece e lida com os portugueses mostrou, para além da dúvida razoável, que os portugueses não são desconfiados, muito pelo contrário, como se pode averiguar.