5/14/2007

Os 10 Portugueses mais Assim-Assim

Esta lista, pela tectónica matricial em que se compreende a sua sustentação axiológica, é, efectivamente, a ilustração representativa do “portuguesismo”. Os portugueses são, na realidade, mestres na arte do não comprometimento – que elevaram, aliás, a filosofia nacional – fruto de séculos de aprendizagem e de luta passiva contra o estruturalismo das conjunturas anunciadas, sobretudo se estas forem depressivas.
Eis, portanto, que, muito para além da esterilidade maniqueísta imanente ao dualismo Melhor vs Pior, que não deixa de ser um exercício dialéctico curioso, oferecemos a listagem de “Os Portugueses”, eivada que está do dualismo bom/mau, que redunda num, retumbantemente português, TALVEZ. Assim se encontraram os portugueses Assim-Assim, os que oferecem mais dúvidas, os indefiníveis, em suma, os que mais perfeitamente se enquadram num inequívoco e afirmativo TALVEZ.

10º
Sertório
– Sendo um Ícone, entre outros, da resistência lusitana à invasão e opressão, numa época em que nem sequer havia ainda Portugal (sendo um enorme manifesto da predestinação histórica portuguesa), um dos primeiros heróis portugueses não era português, nem era grande herói pois desertou daqueles que passou a combater. Vira-casacas avant garde


Infante D. Henrique
– Visionário, ofereceu a Portugal a independência financeira através do comércio transoceânico, no que poderia ser considerado um dos génios protectores de Portugal. Mas, por outro lado, morrer velho, solteiro, dado à religião e, ao mesmo tempo andar a sonhar acordado com marinheiros, não quererá dizer alguma coisa acerca desta figura histórica?


Amália Rodrigues
– Além de não dever ter continuado a cantar para lá dos 40 anos, não é que a voz do regime, que o fazia vibrar com melodiosos trinados estava, afinal, de panelinha com a vermelhice e o Barreirinhas? Quem diria… Quem disse que não se pode servir Deus e o Diabo ao mesmo tempo?



Fernando Pessoa
O génio de Fernando Pessoa manifesta-se em não se manifestar. Estas palavras de Almada Negreiros, por si só, justificam a entrada do visado por elas nesta lista, até porque nem são sim, nem sopas Tudo bem que o senhor era um génio, e tal… Mas aquela “história” com o Mário Sá-Carneiro continua mal contada. Mas tudo isto, se calhar, são boatos e o Moyle está a ser injusto. Talvez Fernando Pessoa não tivesse nada a ver com o assunto e fosse o Álvaro de Campos a gostar de iogurte quente nas costas


Jorge Sampaio
– Provavelmente, o último político português de rosto humano (reparem na ambiguidade paradoxal desta afirmação) nas muitas décadas que estão para vir. Parece que foi Assim para o Santana Lopes e Assado para o Ferro Rodrigues. Em Off-record: Linchou o putanheiro e o pedófilo, e foi buscar o paneleiro (isto pelo que dizem, que o Moyle não alinha em desmandos gratuitos com a vida privada das pessoas).


D. Miguel de Vasconcellos
– Esconder-se no armário valeu-lhe, totalmente de bónus, uma defenestração. Não havia no século XVII sindicatos bancários, seguradoras, TVI, nem Beira-Mar, mas já havia gajos que aproveitavam a cunha para entrar na administração espanhola, tudo em nome dos interesses, únicos e exclusivos, dos portugueses, claro. O Moyle aprecia as vanguardas, sobretudo as com três séculos e meio de avanço. A dúvida consistiu entre esta personagem e Pina Moura, mas optámos pelo original, em detrimento da cópia.


Paulo Portas
– De manhã uma palmadinha no ombro, à tarde uma facada nas costas (tanta prosápia e não serviu de nada, pois não Marcelo?) e à noite uns loiros caracóis a ondular no jardim do marido da Rainha Vitória. Não poderíamos deixar passar em claro aquele timbre de voz e a dentição à Catarina de novo, e ao ataque. E os três submarinos comprados para o Museu da Marinha? Um verdadeiro homem de cultura…


D. Sebastião
– Se não fosse D. João IV, constaria da lista dos “10 Melhores Portugueses”, pois foi o primeiro verdadeiro sindicalista do mundo, mesmo muito antes de Marx e companhia, uma vez que foi o que começou a luta para que hoje tivéssemos um ordenado mínimo de quase o dobro do que temos, e a culpa, repetimo-lo foi do D. João IV, que se armou em patriota. Para além disso, não consta desta lista por se preconceptualizar, à boca pequena, a sua possível bichanice (o que faria dele imediatamente uma figura Assim-Assim). Deu, antes do tempo, o retrato de Portugal. Um gajo competente, mas que a partir de certa altura notou que só “lá fora” é que tinha e hipótese de fazer vida, dando o valioso exemplo para o futuro. O senão é que os que não foram ficaram a arder com a conta


Alberto João Jardim
– Antigo estudante de Coimbra, tinha a obrigação de conhecer o texto de Antero Quental Bom Senso e Bom Gosto (os 10 anos que lá passou davam perfeitamente, e como de certeza que não estava a estudar…), que pelo título parece ter sido escrito expressamente a pensar no Presidente ad aeternum da RAM. Mas, por outro lado, chamar bastardos, perdão, filhos da puta, aos jornalistas e governantes portugueses diz-nos que dentro daquelas cuecas no Carnaval não anda só banha acumulada. Ele merecia o primeiro lugar, mas para os nossos leitores não pensarem que o padrinho tinha tido alguma influência na votação, o que seria mais uma escandaleira no Continente, nós pedimos-lhe permissão para o colocar em segundo lugar.


O Tão Esperado maior português de sempre (por ser assim-assim):
Marcello Caetano
Evolução na Continuidade? Mas em que raio estaria Marcello Caetano a pensar? Era a gozar não era? Talvez só para experimentar a reacção do pessoal? Para umas gargalhadas ministeriais? Marcello (estes gajos eram tão patriotas que até acrescentavam consoantes aos nomes verdadeiros para não se saber no estrangeiro que eram portugueses) conseguiu aquilo que todos os políticos depois da Evolução, perdão, Revolução, tentaram mas não conseguiram, ou seja, fazer merda na governação e ser recompensado com uma reforma dourada num paraíso tropical, sendo que, os políticos actuais só conseguem 50% desse objectivo.

5/12/2007

Os 10 Melhores Portugueses

Este conjunto de Personalidades sintetiza a psique colectiva portuguesa, sendo que o facto de apenas constarem duas mulheres não faz desmerecer a representatividade do mesmo. Em Portugal, as mulheres são mais machistas do que os homens, seja lá o que for o que esta expressão quer dizer.
O Moyle poder-se-ia escudar numa expressão enigmática como grupo de amostragem, de forma a não se comprometer, mas não é esse o caso. Esta é a lista que melhor, mais correcta e completamente preenche os critérios aprioristicamente estabelecidos.
Pedimos, então, aos portugueses, que façam um esforço de subjectivação objectivante e relacionem os traços característicos das personalidades escolhidas com os factores identificadores da luso-idiossincrasia, isto é, o ser/estar dos portugueses no mundo, e vejam se as correspondências não são gritantes.

10º
Carolina Salgado
– O carequita mirrado, que mora numa ilha com nome amaricado em Espanha, ganhou o Nobel com a 4ª classe e foi a apoteose. E a Carolina? Não ganhando (nem a isso arriscando) qualquer prémio, conseguiu dois feitos notáveis que o vaidoso canário nunca conseguirá. Em primeiro, a alegria de seis milhões (ou mais, bem mais) de pessoas e, em segundo, calar a irritante verborreia do antigo director da secção de hóquei do FCP (que até agora nunca ninguém tinha conseguido/arriscado fazer). Tudo isto vindo da profissão mais antiga do mundo, sendo menos considerada, mas mais importante que a daquele tipógrafo comunista. De referir que não fomos subornados para prejudicar Carolina Salgado. Desmentimos com todos os dentes que temos na boca que não recebemos qualquer tipo de fruta fresquinha, ou café com leite, porque o Moyle disse logo ao Sr. Araújo que não apreciava muito brasileiras ou africanas, principalmente de cor. Talvez uma cerejita moldava…


D. João V
– O homem mais rico da Europa do seu tempo, senhor e mandador absoluto, com um “quintal” que ia de Mafra a Copacabana, cujas moradias eram absolutos palácios. Longos caracóis, sedas e salto alto são pormenores de um verdadeiro macho que se pelava por papos de anjo, e não estamos a falar de pastelaria. O gostinho especial do monarca por freiras, com a inegável reciprocidade (que o diga a Madre Paula de Odivelas), deu sentido ao que não tinha sentido, que é o desperdício voluntário e impune de mulheres.


Brites de Almeida
– A padeira de Aljubarrota é uma figura obrigatória, embora politicamente incorrecta nestes tempos de iberismo disfarçado, ou nem sequer isso. Foi escolhida precisamente por matar castelhanos e outras defecações assim. Não fez aquilo que facilmente poderia ter feito, até por maioria de razão, que era levantar o saiote e alçar o rabinho e que é, precisamente, o que governantes e empresários portugueses fazem hoje, com um sorriso. Mudam-se os tempos…


Manuel Luís Goucha
– Herói nacional, de cada vez que aparece a Teresa Guilherme na televisão merece mais um bocadinho esta distinção. Ufanam-se os portugueses da sua coragem, ora aí está ela levada ao paroxismo. Olhando actualmente para esta figura, não podemos deixar de considerar, porém, que os danos terão sido efectivamente irreversíveis. Toma Manuel, este totalmente merecido doce sem açúcar que te oferece o Moyle.


Gajo Careca da Quercus
– Se o cão é o melhor amigo do Homem, este homem é o melhor amigo do Sobreiro. Liderar uma organização chamada Quer cus e ter uma cabeça a lembrar um falo não é desprimor para ninguém. Viaja muito, passa a vida na TV, para onde é convidado (não se cola a dar opinião como a maioria) e manda mais que qualquer PM, porque mesmo o bach… Engenheiro baixa a bolinha perante os EIA (Estudos de Impacte Ambiental).


Nando
- Muitos se interrogam: quem é o Nando? O Moyle considera-o digno de abrir o Top 5 dos “10 Melhores Portugueses”. Pois bem Nando, é possuidor da maior verruga que se conhece em Portugal e a segunda maior do mundo, atrás de Lemmy, o vocalista da banda de Hard Rock, Motörhead. Para além disso, Nando é a pessoa que dá mais entrevistas sobre futebol em Portugal, tendo por isso acesso gratuito a todos os estádios deste país. Dizem que ele é maluco. Realmente é a única pessoa que hoje ainda era capaz de beijar o Fernando Santos, e se calhar com mais intensidade e com mais língua que a própria esposa. Nando é o emplastro, e malucos somos nós…


D. Duarte Pio
– Toda a gente em Portugal tem a mania que é da fidalguia por origem. Este senhor tem a certeza, para além da dúvida razoável. Os portugueses têm alma de agricultor, como se pode ver pela maioria dos comportamentos sócio-culturais. Esta personalidade faz da agricultura modo de vida, com licenciatura e tudo. O bigodinho luso não falta. Mas não é por essa razão que consta tão insigne personalidade na lista dos melhores portugueses, mas sim pelos seus verdadeiros e menosprezados méritos. Com 50 anos, 3 filhos (sem gémeos) em coisa de 6 meses é obra, o que lhe assegurou a entrada no Hall of Fame.


Bocage
– Única figura profana a ter uma mitologia própria, o ecletismo de Bocage fica perfeitamente vincado no facto de haver anedotas e historietas sobre o poeta que se passam durante o Estado Novo. Além dos méritos avaliados teleologicamente, há que realçar as virtudes desta figura ainda em vida que, qual Cristiano Ronaldo da Língua Portuguesa, exprimiu da seguinte maneira:
[…] Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.
Sendo Modelo de vida, escreveu como se vivendo sob o governo Sócrates. Visionário, portanto.


Zezé Camarinha
– Justificação? São aos milhares e de dezenas de nacionalidades. O role model dos Homens portugueses (bigodinho incluído), faz pela vida, “fazendo-o” pela vida fora. O direito de antena que muitas vezes recebe é justificadíssimo e se alguém fez por merecer foi o Zezé. Este criativo da língua (deu à expressão puta crime novos e mais abrangentes horizontes), fez mais pela promoção do Algarve que as dezenas de milhões enterradas no Vá para fora cá dentro. Para além disso, na História, é o único português que conseguiu comer inglesas e encornar os ingleses, coisa que eles nos têm vindo a fazer desde o tratado de Windsor, pelo menos.


E, finalmente, o melhor português de todos…

Pinto da Costa
– Manda, pode, faz, diz, põe, dispõe, dirige, presidenta, reina, impera, doutrina, comenta, ironiza e, finamente, declama… Mais adjectivos para quê? Para viver não é preciso saber, é preciso o número de quem sabe. E a Judite do Porto é que sabe (isto falando de buscas e detenções). Odiado por muitos, o papa do Douro Atlântico, é invejado exactamente pelo mesmo número de pessoas que não desdenhariam ser como o objecto odiado (é tipo Síndroma de Estocolmo, claro que sem qualquer ligação entre as duas coisas). E não é que a cereja romena é mesmo melhor que a moldava?!!

5/10/2007

Os 10 piores portugueses

É verdade, o Moyle vai proceder à apresentação dos 10 piores portugueses de sempre, escolhidos de entre um leque de escolhas absolutamente único a nível mundial. Aliás, pensamos mesmo que os piores portugueses estão para nós como os jogadores de futebol estão para o Brasil. Daí que tenha sido muito difícil fazer esta escolha e por isso esclarecemos desde já os métodos avaliativos, que se baseiam unicamente num método altamente sofisticado, ao nível do CSI – Miami, em que a única diferença está, precisamente, no método. Assim, o processo avaliativo assenta no conceito de mau e daí derivando para os “piores”.
Não nos queremos alongar em mais explicações técnicas sobre os métodos de avaliação, que provavelmente os nossos leitores não conseguirão compreender, pela sua especificidade. Vamos então começar pela apresentação.
10º:
- Gomes da Costa: por obrigar 8 mil militares a peregrinar de Braga até Fátima e não saber o caminho. Só parou quando chegou a Lisboa e percebeu que a Assembleia da República não era a Capela das Aparições.
9º:
- D. João I: por ter começado a Guerra Colonial, porque não foi só o Salazar. Ah, e tal o Salazar é que mandou o pessoal para o ultramar. Ele é inocente, porque só mandou o pessoal para lá porque havia colónias, se não houvesse não os tinha mandado para lá. E quem é que começou a expansão? Coijo.
8º:
- Salazar: para não se ficar a rir do D. João I. Mas também por ter caído da cadeira e ter ficado incapacitado por essa queda. Andava a jogar à Cabra Cega, ou quê? Se era para cair assim que tivesse caído em 1927.
7º:
- Mário Soares: também para não se ficar a rir do Salazar. E, principalmente, por querer participar no Dakar na classe de tartarugas, tendo inclusive o Estado português patrocinado um treino intensivo nas Galápagos, acabando por desistir antes mesmo da prova.
6º:
- Irmã Lúcia: por ter sido a pessoa que no mundo mais tempo levou para largar a dependência de drogas alucinogénicas. Esteve enclausurada durante toda a vida, tendo mesmo recebido a visita do Papa para a convencer a largar as drogas, tudo sem sucesso.
5º:
- Maradona: (por falar em drogas), a escolha é feita precisamente por não ser português. (A personalidade que era para ficar neste lugar era José Castelo Branco, mas não pode entrar no concurso por haver grande probabilidade de não ser português(a), na verdade é mesmo impossível que ele(a) seja português(a)).
4º:
- Spínola: é o mais fuinha de todos os portugueses, de sempre. O cúmulo era nunca comprar armação para os óculos e ainda, para poupar mais um bocado, comprava só uma lente.
3º:
- Otelo Saraiva de Carvalho: por ter oferecido cursos completos sobre terrorismo aplicado ao Bombismo, ou vice-versa, ou não.
2º:
- Odete Santos: por ter abraçado a carreira política em detrimento de uma promissora carreira como modelo. (Cremos que teria sido melhor modelo do que política).
E o pior de todos os portugueses é (suspense):
1º:
Secretário: por unanimidade Carlos Secretário, o ex-futebolista do Real Madrid, que chegou a jogar no FC Porto e há mesmo provas de que jogou na Selecção Nacional. A escolha recaiu pelo seu contributo internacional, mais propriamente no Extremo-Oriente, para a degradação do homem português, na sua virilidade de macho-latino, é verdade que a Paula não era nenhuma modelo, mas daí a ficar-se nas covas

5/06/2007

Os 10 Grandes Portugueses

Considerando-se uma opinião válida sobre Portugal e os Portugueses em geral e o Mundo em particular, O Moyle não podia deixar em claro esta oportunidade de manifestar a sua posição sobre um assunto que tem trazido o país em polvorosa, e vai daí talvez nem tanto, muito pelo contrário. O assunto é, como não podia deixar de ser, o “concurso” Grandes Portugueses.
Parte-se do princípio de que logo o título é errado. Tirando uma ou outra notável excepção, os portugueses são pequenos (e podem começar a extrapolar a partir daqui). É parte da definição etimológica de Portugal. Por isso, o Moyle oferecerá a visão definitiva sobre o assunto, apresentando três listas diferentes de portugueses alinhados pelos critérios, agora sim válidos, de “Melhores Portugueses”, “Piores Portugueses” e “Portugueses Assim-Assim”. Ao chamar ao programa “Grandes Portugueses”, ficou manifesta, precisamente, a vontade de não comprometimento que caracteriza os portugueses.

Deus é bom, mas o Diabo também não é mau de todo.

O Hino Nacional dever-se-ia intitular Mas, em vez de um ambíguo A Portuguesa, sendo que o refrão/mote passaria a ser ...se calhar, em vez de ...às armas. Mesmo a bandeira parece estranhamente arrojada para o portuguesismo, fruto claro de época de arrebatamento inconsciente. Um pano branco (cor que não pode ser associada a grande coisa) seria a bandeira ideal se fosse escolhida hoje. Talvez umas reticências a meio, se não fosse demasiado conspícuo, ou se calhar daqui a uns anos, em fundo azul, umas setas amarelas a apontar para o centro do pano, quando aparecer o D. Sebastião montado por algum garanhão negro…
Não precisando de se justificar, o Moyle apresenta os seus critérios de escolha para que sejam clarificados os meandros do processo da mesma. Estes critérios assentaram, precisa e basicamente, na falta deles, do que resultaram escolhas tão criteriosas como a apresentada pela RTP. Este top ten foi escolhido pela maioria democrática e qualificada das massas com telefone, ao passo que o escol do Moyle é igualmente desprovido de coerência, tanto interna como externa.
As três listas serão apresentadas por ordem crescente de representatividade do que foi convencionado empiricamente considerar-se o portuguesismo, a psique colectiva lusa, a nacional consciência, o que lhe queiram chamar. Portanto, começaremos pelos 10 piores portugueses, seguindo-se os 10 melhores portugueses e, finalmente, os mais portugueses de todos, os 10 portugueses assim-assim, e que por isso são também os melhores portugueses.

4/26/2007

O Barrete Chileno (Baseado em Factos Verídicos)

Ao visionar um jogo de futebol da Liga Fantástica (a espanhola claro), entre o Real Madrid e o Gimnástic de Tarragona deu-se o seguinte “diálogo” entre os comentadores da Sporttv e os pensamentos do Moyle, que passaremos a transcrever.
Ao referirem, os comentadores, a presença em campo de um jogador chamado Pinilla, o Moyle pensou:
- Será o gajo que esteve no Sporting C.P.?
Pouco tempo decorrido, disseram os comentadores que Pinilla era seguramente um dos melhores elementos do Nástic, ao que o Moyle, em pensamento, reagiu:
- Não, não é ele de certeza!
E não era mesmo.

4/20/2007

De Asnos e Burros

A argúcia do Moyle foi novamente posta à prova pela nossa sociedade/cultura/mercado falaciosos e estupidificantes e os resultados foram de suma cum laude, isto sem embandeirar em arco. Não serve este intróito nenhum propósito, parecendo apenas ficar bem aqui.
Chamou a atenção do Moyle um anúncio televisivo a uma conhecida instituição bancária, que tem merecido powerplay por parte dos vários canais de televisão portugueses, mostrando onde anda o dinheiro esmifrado aos tristes que apenas ambicionavam ter casa própria.
No referido anúncio vê-se que um serralheiro (pelo menos depreende-se ser esta a profissão do senhor pois o seu nome é Qualquer Coisa Faz-Cancelas) aparece montado num burro, que se recusa obedecer-lhe e a seguir para onde lhe é indicado e que dá pelo nome de Euribor (de facto, chamasse-se ele Défice e ninguém daria conta). Além da natural curiosidade provocada por ver um asno montado noutro, a atenção do Moyle focou-se nos notáveis paralelismos entre este e um outro episódio, que atingiu notoriedade em Portugal, ocorrido nos alvores da época futebolística.
De facto, o Moyle acredita ter sido o anúncio inspirado em Fernando Santos montado num burro, repetindo-se o esquema de um asno sobre outro, que recusava obedecer-lhe e encaminhar-se para onde o Sr. Engenheiro desejava, burro esse, por sua vez, denominado Losango.
As diferenças residem em pormenores, nomeadamente no facto de, na primeira situação descrita o “Asno Serralheiro” acabar montado num cavalo feito de pau, ao passo que, na segunda situação, o “Asno Engenheiro” ter transformado o burro num cavalo de pau feito, isto na óptica dos adversários.
No fim da época se verá qual das conclusões foi a mais acertada e quem é que afinal passou de cavalo para burro, ou se Fernando Santos não acaba debaixo do seu próprio cavalo, até porque Prognósticos só no fim.

4/15/2007

Está tudo no Marketing

Passou-se o dia 14 de Fevereiro, dia de S. Valentim, mas não passou a possibilidade de abordagem. É um dia muito bonito, principalmente para os gerentes de drogarias, floristas, ou, simplesmente de hipermercados. E tudo está relacionado com um bom director de Marketing. A verdade é que o S. Valentim tinha um excelente director ao contrário de, por exemplo, o que aconteceu ao S. Sebastião que continua todos os anos a sair à rua cravado de setas, com uma tanga, e atado a um tronco. Está mais que visto que isto não vende.

4/10/2007

Por favor, ajudem o Major

É uma vergonha o que estão a fazer com o Sr. Major Valentim, aquele senhor que saiu à rua de robe, que mais parecia uma zebra. O que com certeza as pessoas não sabem é que essa bonita peça de vestuário foi uma oferta da ex-esposa do Presidente do FêCêPê, de quando esta desfilava nas passerelles do Sr. Reinaldo Teles. Era na realidade o robe que ela usava sempre, da pista até ao camarim. Mas voltando ao Major, então não é que a justiça entendeu mal as palavras do Sr. Presidente da Câmara de Gondomar, da Assembleia-Geral da Liga de Clubes, do Metro do Porto, da Junta Metropolitana do Porto, (parece o nome do filho do Duque de Bragança). É que quando disse que queria ir a julgamento para limpar o seu bom-nome, é óbvio que ele se referia a um plebiscito local que tencionava fazer ao povo de Gondomar, depois de um jantar grátis nos bombeiros, com direito a café e xiripiti, a todos os cidadãos do concelho. Era durante esse jantar que ele queria promover o julgamento perante o povo e limpar o seu bom-nome. O juiz, como não sabia deste acto social a promover pelo Sr. Major, inventou uns 26 crimes para que ele fosse a julgamento limpar o seu bom-nome.
É preciso um juiz ter lata para fazer uma coisa destas. Um cidadão quase anónimo, que sempre primou pela correcção exemplar de um autarca, que é Major reformado quase desde a recruta por bons serviços prestados à Pátria (o Moyle não conseguiu averiguar se chegou a ser agraciado com a grande Cruz da Torre e Espada, mas se não foi devia), como por exemplo dirigir a messe, desviar géneros dessa messe para os vender fora dos serviços militares, entre outros serviços beneméritos que o Moyle é, apesar de tudo, demasiado pequeno para enumerar.
E agora vem uma qualquer magistrada com ar de louca, com a cara toda borratada, o cabelo mais pintado do que foi operada a cara do Michael Jackson, e um qualquer juiz de meia tigela, sentar no banco dos réus este digníssimo cidadão (ah, se fossem todos como ele, que belo país este seria!!!). O Moyle propõe elaborar um abaixo-assinado para revogar todos os crimes de que é acusado.
Por favor, ajudem o Sr. Major a limpar o seu bom-nome!

4/02/2007

Dili no Cinema II

Como o Moyle anunciou há uns meses [ver PORTUGAL HOJE – Dili no Cinema 30.12.2006] aquando do início da rodagem do filme sobre Bruce Lee em Timor, parece que a película começa agora a entrar na fase final. Na cena final, que foi rodada nas últimas semanas, o Major Reinado tenta, com cerca de 30 homens, invadir a cidade à guarda da empresa de segurança Lee & Filho, composta por duas pessoas, o mítico Bruce Lee e também o seu filho, Brandon.
Obviamente, a Columbia Pictures não nos quis adiantar o desfecho da cena, mas adivinha-se muita porrada, pescoços partidos, saltos mortais, GNR a morfar camarão tigre à espera que a empresa de segurança resolva o problema, forças australianas a ameaçarem invadir o território se Bruce & Filho não conseguirem resolver o problema dentro do prazo estabelecido, enfim, esperemos para ver mais este sucesso de bilheteira, ou, se quisermos alinhar numa de pseudo-intelectual, blockbuster.

3/26/2007

Sede de Poder

Para quem diz que Mário Soares é um dependente de Poder, ficou provado, no dia 11 de Fevereiro, que, afinal não passam de difamadores os que dizem tais coisas. A verdadeira sede de poder demonstrou-a Jorge Sampaio que mal viu que havia uma vaga, lá foi ele para Presidente de Mesa de Voto. Sinceramente, enquanto o Dr. Mário Soares descansava na Fundação, estava o Dr. Jorge Sampaio outra vez agarrado ao poder numa escola primária e, ainda que só por um dia, não deixou de matar saudades.

3/19/2007

Evita Perón e Sócrates

O Presidente do Sindicato dos bancários acusou há já algum tempo o Governo de José Sócrates de ser peronista, devido ao anúncio de ultrajantes medidas que obrigariam os bancos a contribuírem para o país. Isto levanta duas questões.
Se Sócrates é Perón, quem será a Evita Sócrates? Lembramos só que a Madonna tem mais que fazer e demarcamo-nos desde já dos boatos sobre a sexualidade de Sócrates levantados durante a campanha eleitoral (até porque o Diogo não sabe cantar).
E quem será o Videla que vai derrubar o peronismo português e quando o fará?
Para quem acredita em coincidências históricas, aqui está algo em que pensar.

3/09/2007

Comunicado do Sporting

A Sporting Futebol SAD emitiu um comunicado há relativamente pouco tempo a anunciar que tinha chegado à conclusão de que finalmente encontraram o árbitro isento que procuravam há tantos anos (pensa-se que os primeiros estudos sobre o assunto, remontem ao ano de 1982). Assim, numa curta comunicação, informam:
“A Sporting Futebol SAD, informa a Liga Portuguesa de Clubes que, por motivos desportivos, requer ao mesmo organismo a presença do Sr. Duarte Gomes, árbitro de futebol, em todos os jogos oficiais e amigáveis em que o clube esteja presente. Agora que o jogador Ronny deixou o Paços de Ferreira, pensamos que só assim voltará a verdade desportiva.”
Segundo uma fonte oficial, a SAD do Sporting vai tentar interceder junto da UEFA, para conseguir a nomeação deste árbitro para os jogos europeus do Sporting, de modo a que Bueno se possa apoiar sobre os defesas em todos os jogos de forma regular.

3/02/2007

Catolicismo Pavloviano em Portugal

Neste tempo de referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez – não vamos falar de abortos porque poderia ser inconveniente para uma boa parte dos deputados portugueses – como, aliás, em todos os momentos que exigem votos, o Moyle é alertado, e vem agora alertar, para um aspecto que muitos preferem varrido para debaixo do tapete, enterrado a sete palmos, emparedado, ou mesmo, quem sabe, morto. Faz-se referência, obviamente, ao fundamentalismo cultural e religioso que grassa no nosso País, esse revivalismo integralista católico, qual cancro que mina e corrói a harmonia social encapotadamente.
Todos os que já foram votar repetiram um gesto mecânico de assinalar uma cruz aspada (vulgo um X) num quadradinho. Parece este simples gesto ao Moyle uma clara violação do direito das pessoas à sua própria confissão religiosa e, daí, parece igualmente uma tentativa tirânica e ditatorial raiada de laivos de totalitarismo, embora admitamos que bastante subtil, de impor símbolos e, com isso, esmagar as outras crenças com a supremacia crística do X. A coisa vai tão fundo que mesmo quem nunca votou sabe que, se o fizesse, o faria com uma cruz. Por aqui se vê quão longe vai o condicionamento mental nesta democracia.
O Moyle não acredita em teorias da conspiração por uma e apenas uma razão: não são teorias. A conspiração católica é real e vai bem fundo na sociedade portuguesa como podemos confirmar, até porque se atentarmos bem, o X é a cruz de St.o André, isto é, mesmo que se seja cristão é obrigatório acreditar em santos, ou seja, cristão não chega, é necessário ser-se católico.
Se o Moyle quisesse exercer o seu direito e dever cívico e desenhar no respectivo quadradinho um "Crescente", ou uma "Estrela de David" ou "Menorá", ou uma Serpente, ou um Pentagrama Invertido, ou um "Ankh", ou uma Águia com SLB em epígrafe, será que não poderia?
Por tudo isto está o Moyle em condições de afirmar que cada chamada às urnas é apenas mais uma forma de condicionamento psicossocial nesta teodemocracia de fantoches.
Atentai todos e tende cuidado.

2/25/2007

S.C.IURD.

Paulo Bento foi convidado para Bispo da IURD. Os poderes revelados ao convencer os sportinguistas de que jogam sempre muito bem – puro logro - levaram a que Paulo Bento recebesse este convite, não estando apurada a resposta, à data de fecho da edição do Moyle. Outra das características apreciadas pelos dirigentes da IURD é a capacidade que Bento tem de encarnar em si entes superiores, quando nas flash interviews se pronuncia sobre a (in)justiça dos resultados, sempre em favor do Sporting, de uma forma magnânime a roçar o majestático, arrastando assim os crentes.

Bidente ou Vidente?

O lugar da Maya na cartomancia nacional está posto em causa, isto porque o treinador do Porto, Jesualdo Ferreira é afinal o mais brilhante aprendiz do falecido Zandinga. Quando o “grego” Katsouranis lesionou Anderson, já Jesualdo sabia que isso ia acontecer, só não tendo conseguido descodificar se era o perónio direito ou o esquerdo. De acordo com a RTP, Jesualdo esteve apalavrado para o Telejornal do dia 1 de Janeiro para fazer as habituais previsões para o novo ano mas a coisa não se proporcionou, pois, por outro lado, circulam rumores na cidade do Porto, de que o Professor não é afinal vidente, que tudo não passa de uma patranha do Benfica para reinar às custas do FêCêPê, sendo quase certo que afinal as profecias não passam de ficção e que o senhor usa sim uma placa dentária, de modo a dissimular os seus últimos dois dentes.

A Culpa é do Alfaiate

Quando no início da época davam o Benfica como fora da luta pelo título, principalmente por causa do treinador Fernando Santos, a verdade é que muito pouca gente sabia o que realmente se passava.
O Moyle faz um apelo: reparem no Fernando Santos durante as transmissões dos jogos e vejam a quantidade de vezes que ele puxa as calças. Como é que um treinador se pode concentrar no jogo se quando se levanta corre o risco de ficar em ceroulas perante os milhares de adeptos que vão ao estádio, e perante os milhões que vêem o jogo pela TV?

2/19/2007

Rescaldo do Referendo

Este fim-de-semana fica marcado pelo referendo e pelo último aborto clandestino, um dia antes da consulta popular.
Vamos começar pelo referendo. É gratificante ver o Bloco de Esquerda e o PCP regozijarem-se com esta vitória eleitoral, mas também é verdade que era impossível não ganharem. Vejamos, desde 1976 que o PCP não tem uma única derrota em eleições, estando com um recorde já muito difícil de alcançar, uma vez que o segundo classificado é, nesta altura, o Chelsea com apenas três anos sem derrotas em casa. A verdade é que os líderes do PCP conseguem ver sempre os resultados positivos, mesmo que baixem 10 ou 20% dos votos, para eles continua a ser uma vitória, ou seja, é sempre vitória ainda conseguirem ter votos. Por outro lado, o BE também já aprendeu com a “velha guarda” e de tudo retira uma vitória política, o que pensamos estar relacionado com as últimas visitas à Colômbia de uma delegação deste partido, por altura do Natal.
Contudo, deve-se salientar que também os defensores do “Não” conseguiram festejar vitória, principalmente os católicos, que conseguiram dignificar a camisola e garantir, assim, um lugar no paraíso, com uma simples cruz no quadradinho de baixo, ao lado de Torquemada, Inácio de Loyola, entre outros Santos e benfeitores da Santa Igreja.
A verdade é que nenhum partido político deveria ficar contente, porque o único vencedor deste referendo foi o PDA (Partido Da Abstenção), pois duvidamos que sem abortos alguém vote nos nossos políticos.
Por fim, uma referência ao último aborto clandestino realizado em Portugal Continental, que foi detectado por elementos da Judite, naquela que ficou conhecida como “Operação Ciaotassa”, por volta das 22 horas de Sábado na Póvoa do Varzim.

2/12/2007

10 Perguntas a João Paulo II

O Alto, o Forte e o Moyle (AFM) – Muito obrigado por ter aceite o nosso convite para uma conversa. Sentimo-nos muito honrados agora que, finalmente, a Vossa Santíssima agenda permitiu esta oportunidade.

João Paulo II (JPII) – Eu é que agradeço o vosso venerável convite. Quando soube das vossas legiões de fiéis – leitores – senti imediatamente que queria fazer parte deste fenómeno.

AFM – Dizei-nos, então, é correcto afirmar que Sua Santidade (SS) é um verdadeiro apreciador de Portugal e dos portugueses?

JPII – Bem, pode-se dizer que sim. No Vaticano é que me davam pouca margem de manobra, senão teria passado boa parte do meu tempo no vosso augusto país.

AFM – O que foi que vos atraiu, ao longo da vida e mesmo agora, para esta pequena e periférica nação?

JPII – Razões sentimentais, claro, acima de tudo o resto. De facto, foi em Portugal que encontrei um rumo para toda a minha vida e a inspiração para a minha carreira.

AFM – Referis-vos à Nossa Senhora de Fátima, seus milagres e aparições? Pelo menos é o que somos levados a deduzir.

JPII – Não, nada disso. O que me liga a Portugal é o feitiço que a Irmã Lúcia me lançou. Desde a primeira vez que a vi que fiquei taralhouco. Até Grego comecei a falar e não dava uma para a caixa. Tudo por causa daquela maluca. Era uma tesuda que nem vos digo nada. Eu bem sei que andaram a dizer que andava a rebolar na palha com a madre Teresa de Calcutá. Admito que era bem jeitosa, mas não fazia muito o meu género. Mas o pior eram aqueles emplastros vestidos de vermelho, os…os…

AFM – Cardeais?

JPII – Isso mesmo, cardeais. Obrigado. Esses bichonas impotentes não deslargavam por um segundo. Uns verdadeiros estraga… vocês sabem.

AFM – Perdoai-nos as nossas expressões, mas estamos perfeitamente siderados. Não fazíamos a mais pequena ideia. Imaginamos que a vossa relação fosse difícil…

JPII – Não era nada difícil, por acaso. Ela subia para um genuflexório, eu levanta as minhas vestes e ela as dela e… pontapé para a frente e fé em Deus. As oportunidades, isso sim, eram escassas.

AFM – Boa alegoria, muito apropriada. Agora que se fala nisso, gostais de futebol?

JPII – Muito! Sempre apreciei muito. Tem momentos menos agradáveis, por exemplo quando um dirigente vosso, nem me lembra qual, se lembrou de me ir lambuzar o anel. Tirando esses fait-divers… Acho mesmo uma injustiça que o futebol seja o “Desporto Rei” e não o “Desporto Papa”, e afirmo-o com toda a propriedade como se vê claramente, e nesse aspecto o futebol português está na vanguarda.

AFM – Eis um ponto de vista extremamente interessante. Porque dizeis isso?

JPII – Comparem, então. É uma actividade de multidões, com romarias constantes, recheadas de messias e salvadores. Largas tradições e profunda implantação social. Movimenta rios de dinheiro e de atenção. É multilingue e plurirracial.

AFM - É realmente uma boa comparação entre o futebol e a religião.

JPII – Mas o melhor ainda está para vir. O futebol e a Igreja servem ambos para o mesmo, isto é, nada.

AFM – Mas, se bem percebemos, SS (Sua Santidade. Não confundir com a tropa de choque de Hitler) está a sugerir que a Igreja não tem razão de existir, que o seu papel social é irrelevante, ou nulo?

JPII – Eu, a sugerir? De maneira nenhuma. Estou a afirmar inequivocamente. A Igreja, assim como o futebol, não servem para nada. Mas tem um piadão enorme a energia, atenção e devoção que as pessoas dedicam às duas coisas. Digo-vos já, por vezes rio-me tanto a pensar nisso como a ver o elenco da Floribella a tentar representar. É de gritos.

AFM – Mas, não nos haveis dito que gostáveis de futebol?

JPII – Claro que disse e mantenho. É impossível a alguém não se deleitar com a beleza intrínseca dos gestos técnicos, a negação permanente das leis da física, as sublimes nuances tácticas… Estou a brincar, obviamente, e peço perdão por isso, mas não pude evitar. Gosto mesmo é de confusão, do conflito. Se houver violência nas bancadas, já dou o tempo por bem empregue, mas se for no relvado… Aí perco mesmo o controlo e praticamente deliro. Adoro “batatada”, como vocês dizem. Por mim tanto o Zebedeu [ver Portugal Hoje – Matar o Borrego de 5/8/2006], como o Paulinho Santos já tinham sido canonizados.

AFM – Mas essa postura não é um contra-senso? Afinal, SS (outra vez alertamos para a possível confusão) pregou a paz na Terra e o amor fraternal durante toda a vossa vida.

JPII – Tudo isso está muito certo e é muito bonito, mas assim que saí do escritório o trabalho ficou lá. Quando era mineiro não andava a abrir buracos aqui e além só porque me apetecia. Só para melhor compreenderem onde quero chegar, não foi por ter andado de vestido quase toda a vida que sou o Castelo-Branco.

AFM – Agradecemos desde já a disponibilidade e a amabilidade de SS (não tem mesmo nada a ver com as Schutz Staffel) em aceder a falar connosco, gostaríamos de vos colocar um última questão, que nos têm atormentado a nós e a todos os nosso leitores. SS (ver em cima) utilizava vestuário por baixo da batina e restantes vestes?

JPII – Eu é que vos agradeço e devo confessar que fiquei muito agradavelmente surpreendido com o vosso convite. Quanto à vossa questão, a resposta, no meu caso pessoal, é afirmativa. Usava uns calções apertadíssimos, que me cortavam a circulação, para me manter controlado. Acontecia, por vezes, eu pôr-me a pensar na Lúcia e andava nos corredores do Vaticano a parecer uma tenda de circo, o que era algo inconveniente. Eu fiquei marreco por andar inclinado para a frente a disfarçar, imaginem. O Bentinho XVI não sei se usa, mas imagino que não, porque ouvi dizer que “urina para os pés”, se me estão a perceber.

2/05/2007

Chuva e Trânsito

Porque será que sempre que chove as regras do Código da Estrada deixam de ser aplicadas? Será que existe um regime de excepção de que não estamos a par?
Será que STOP quer dizer «Pare obrigatoriamente sempre que esteja tempo seco»? E se estiver tempo seco mas a estrada estiver molhada?
Será que a prioridade deixa de ser à direita? Como em Inglaterra chove muito e a circulação se faz pela esquerda, aplicam-se as regras de trânsito conforme as condições atmosféricas?
Será que as distâncias de segurança deixam de se aplicar? Como está a chover andar em «comboio» torna a circulação automóvel mais fácil?
Quem é poderá pensar que por buzinar o trânsito circulará mais depressa? Imaginam que o barulho que fazem irrita as nuvens e afasta a água da estrada?
E o que é mais curioso é que a chuva é o mais ameaçador agente da Polícia de Trânsito, pois nunca ninguém cumpre limites de velocidade, mas quando chove todos são respeitados com reverência. Porque será? Desidratação dos cérebros de quem conduz, que só percebe a sinalização quando chove?
O Direito dos peões atravessarem as estradas cessa temporariamente quando há precipitação?
A explicação mais lógica para tudo isto é a dicotomia calor/sede. Ou seja, se se conduz melhor com tempo seco, logo o tempo seco significa mais calor, o calor provoca securas, nomeadamente na boca. A maneira mais fácil de acabar com as securas é beber. Como os portugueses são apreciadores da qualidade, bebem o que de melhor há em Portugal: vinho e cerveja. Logo, como conclusão, a bebida alcoólica, ao contrário do que é dito, provoca grandes melhorias na condução. Requeremos assim que as multas sejam passadas a quem vai sóbrio, sendo a tabela de multas de: 0,00 - 0,50 (recebe 35 € para gastar na tasca mais próxima); 0,51 – 1,20 (recebe 15€ para completar a embriaguez); 1,20 – 3,00 (Viagem para duas pessoas durante um fim-de-semana a uma região demarcada à escolha ou Kit Sócio Benfica); mais do que 3,00 (Condecoração no Palácio de Belém com a Ordem do Infante).
Concluímos por chamar à colação Descartes de forma a valorizar este conjunto de questões com a sua máxima Penso, Logo Existo.

1/29/2007

Gregos e Estrelas de Futebol

Claro está que não podia o Moyle deixar passar em claro um dos assuntos mais escaldantes desta época futebolística. Serão os portugueses racistas e xenófobos? Serão os «brandos costumes», o «luso-tropicalismo» e a capacidade de integração da cultura portuguesa apenas devaneios coloniais do tempo da «outras senhora»? As opiniões são como as pilas, isto é, cada um tem uma, e o Moyle tem a sua.
O arquétipo cultural que defende a capacidade integradora portuguesa e a sua propensão cultural contrária ao racismo e à xenofobia é extremamente interessante porque apela a uma suposta maturidade da cultura portuguesa e dos portugueses em que todos gostamos, ou queremos, acreditar. Porém, como se justifica o comunicado emitido no site oficial do FCP em que os gregos são acusados de destruir o futebol à cacetada? Será xenofobia encapotada? Não, definitivamente não é. Depois de uma aturada investigação atingiram-se conclusões importantes quanto à postura dos gregos no futebol.
Grande tragédia do futebol mundial a queda do avião do Manchester United, na altura uma das melhores equipas do mundo, que vitimou quase toda a equipa em Munique em 1960 e que, pode ser adiantado de fonte segura, foi provocado por uma entrada de carrinho da hospedeira ao piloto, por este lhe ter apreciado o decote. Escusado será dizer a naturalidade da hospedeira. Era grega.
Outra grande tragédia, que vitimou a melhor equipa do mundo da década de ’40, foi a queda em 1949 do avião que transportava a equipa do Torino contra a basílica de Superga em Itália. O que poucos sabem é que o pároco de Superga era de origem grega e, portanto, com uma profunda aversão por grandes jogadores. Não se sabe como provocou a queda do avião, mas que o fez é indiscutível.
No Mundial de 1966, apesar do brilho indesmentível e da enorme categoria da Selecção Nacional portuguesa, devemos reconhecer que só eliminámos o Brasil devido à lesão infligida a Pelé por um grego. Como é óbvio, a Grécia não participou no Mundial de ’66, mas um adepto, ao correr para Pelé por um autógrafo, entrou a pés juntos e esmigalhou-lhe o joelho, o tornozelo e maltratou-lhe três tendões.
Soube o Moyle de fonte segura que, das seis operações a que o Pantera Negra foi submetido ao joelho direito, quatro foram motivadas por entradas perigosas de gregos que lhe foram destruindo a articulação. Podemos argumentar que o King raramente jogou contra gregos, mas a verdade é que foram vezes demais se atentarmos nas consequências. Não fossem os gregos e ainda Eusébio abrilhantaria o campeonato português.
Uma das maiores perdas do futebol moderno foi a carreira demasiado curta de Marco van Basten, cujas constantes lesões, provocadas por entradas perigosas de adversários, subtraíram aos adeptos o deleite de ver jogar aquele que terá sido um dos melhores pontas-de-lança de todos os tempos. O que poucos saberão é que foram sempre gregos a provocar essas lesões. Quer jogadores, quer simples transeuntes que não puderam suportar a enorme qualidade do extraordinário jogador, sendo o denominador comum entre ambos, o facto de serem gregos. Grandes catástrofes, não querendo abusar usando a expressão hecatombes – embora seja exactamente disso que se trata – foram as duas últimas manifestações anti-estrelas de futebol originadas por gregos. Dois dos galácticos do FCP, Lisandro e Anderson, foram, em anos consecutivos, barbaramente agredidos por gregos, num claro e inequívoco atentado de falta de fair-play e de respeito pela dignidade humana. A Comissão para a protecção dos Direitos Humanos, o Tribunal Penal Internacional em Haia e a Quercus estão já no terreno a investigar estas situações. Uma última palavra vai para Lucílio Baptista, que permitiu e pactuou com tão bárbaros atentados perpetrados por gregos, para referir a ascendência helénica do dito árbitro. De facto, depois de filologicamente descontruído, o nome do senhor revela, insofismavelmente, a influência helénica e, logo, corrobora a hipótese aventada pelo famoso comunicado.