10/09/2006

Liga a 10, ou menos!

É verdade, segundo as últimas informações, a liga portuguesa de futebol, bem como as restantes ligas europeias vão ser obrigadas a reduzir o número de clubes para um máximo de 10 clubes. Isto porque, depois do brilharete no Mundial, chegámos à conclusão de que poderíamos embandeirar em arco, e algumas das mentes brilhantes que temos no futebol, como o Sr. Fiúza, pensaram: “Eu tambuém posso ser o Guebara do Futebole, porque nuom soué nenhum pacóbio!” Assim, o pensou e assim o fez.
Mas o maior caso surge agora, quando os dirigentes do, alegado (pelos próprios), único clube realmente português, reivindicam a repetição de todos os jogos em que haja erros de arbitragem. Ora, como cada jornada vai ser repetida 2 ou 3 vezes, no mínimo, o campeonato das 16 equipas está fora de questão, uma vez que se prolongaria por várias épocas sem interrupção e com jogos à 4ª feira, o que colocava em causa a participação portuguesa nas competições europeias.
Sendo assim o campeonato português, como é o que tem mais casos, vai passar a contar apenas com 6 clubes, esperando-se que acabe até ao fim de Junho, esperando-se igualmente que a selecção falhe as qualificações para as fases finais das competições internacionais, para não prolongar o campeonato até Agosto.
No entanto, se esta medida seguir em frente fica a dúvida se terá ou não efeitos retroactivos, senão vejamos. Imaginemos que terão que ser repetidos todos os jogos em que houve erros de arbitragem. Lá teria o Jardel que regressar a Alvalade para marcar os penaltys que ficaram por marcar naquele célebre ano do “Porque será?”. E lá vai o Ricardo perder a melhor defesa que já fez com luvas, quando defendeu uma bola um metro dentro da baliza, evitando aquilo que seria um golo certo.
E o Porto vai ter que repetir os jogos quase todos das últimas duas décadas, o que por um lado até é bom sinal, pois voltaremos a ver em acção o André, o Jaime Magalhães, o Frasco, o Sousa, o Paulinho Santos, o Jorge Costa e isto é só para dar um cheirinho do que pode vir a acontecer, não esquecendo o grande João Pinto e o regresso das suas saudosas declarações.
No entanto, o clube que porventura será mais beneficiado será o Benfica, pois terá a oportunidade de finalmente vender o Eusébio, facto que lhe foi recusado pelo Sr. Presidente do Conselho, que quis fazer do Benfica o que Franco fez do Real Madrid, o que se revelou um profundo fracasso, pois sendo Portugal, na altura, um país muito maior do que a Espanha, o Real de Franco conseguiu vencer 6 Taças dos Campeões e o Glorioso apenas 2. E mais, mesmo que ninguém se lembre de quando o Benfica foi beneficiado, vão ter que repetir os jogos em que foram prejudicados, cujos resultados irão depender do estado de saúde dos jogadores da altura, que serão chamados para a repetição do jogo.
Por tudo isto, a RTP Memória já anunciou que vai acabar com as transmissões de jogos, aguardando pelas repetições não falseadas.
Quem deve estar aflito com estas notícias é o Sr. José Pratas, com medo de ter que fugir outra vez do Fernando Couto e do Paulinho Santos.
E vai ser este o futebol do futuro… um remaking

9/26/2006

Sócrates à Presidência da Liga!

Não, o Moyle não quer que Sócrates abandone a chefia do Governo desta maravilhosa República, muito pelo contrário, o Moyle rejubila com os consecutivos sucessos governativos do Sr. Eng.º e Companhia.
O que importa ao Moyle é a resolução do caso Mateus, este maldito caso que impediu o Glorioso de jogar a primeira jornada do campeonato português, e neste sentido julgamos que a presença do Sr. Eng.º à frente dos destinos da Liga seria a panaceia para a resolução de todos os problemas, inclusive o problema maior chamado Mateus.
Este caso só aparece porque um tal jogador chamado Mateus iniciou a época num clube chamado Felgueiras (exacto dessa terra que vocês estão a pensar – ela está em todas), que acabou por dispensar este jogador que veio a assinar contrato com um clube qualquer amador. O clube pode nem ser amador, ou seja, lá porque não entra nas competições da Liga é amador. Quanto ao Sr. Mateus, foi obrigado a arranjar outro emprego para ser um amador do futebol, pois não podia trabalhar a tempo inteiro no clube, porque isso o tornava profissional? O Moyle acha que não.
Em Janeiro, o Gil Vicente, certo de que era este o Maradona escondido no amadorismo que ia salvar o clube da descida de divisão, contratou-o. O problema aqui é que um jogador em Portugal não se pode tornar profissional assim, do pé para a mão. Para se tornar profissional é preciso esperar um ano, um ano!!?? É isso mesmo, e ninguém sabe bem porquê, no entanto, o Moyle depois de muito pensar sobre o assunto nas areias do Algarve, chegou à conclusão que tudo se deve à não adopção pela Liga do famoso Simplex emanado pelo generoso Governo do Eng.º Sócrates. Ou seja, esse ano é simplesmente o tempo que o papel demora a passar por todas as instâncias competentes até chegar ao Dalai Lama do futebol português, esse mesmo, o Sr. Major. É que entre viagens ao Brasil e umas idas às frutas e aos caramelos, o papel demora exactamente um ano a ganhar vida nas mãos milagrosas do Sr. Major.
É com este intuito que o Moyle aparece na tentativa de solucionar o caso, principalmente para que os sportinguistas não percam esta oportunidade, até agora, quase única (até podia dizer única que eles já nem se lembram da última) de ver o seu clube na Liga dos Campeões. E também para que a Europa não passe sem ver o famoso penteado do Paulo Bento. Seria imperdoável não aparecer nos ecrãs de TV de toda a Europa. E por último para que finalmente os 6 milhões acabem com o tédio das suas vidas, ou seja, sem nada para discutir, sem ser a contratação do Miguelito.
Assim, pedimos que, ou o Sr. Eng.º Sócrates tome posse como presidente da Liga, despromovendo o Hermínio, ou que o Sr. Major adopte o Simplex imediatamente. Sendo que a primeira opção seria a que mais nos agradaria, até porque esse tal ex-secretário de estado do Desporto, segundo consta, nem sequer tem uma patente do exército, e depois de tantos anos a chamar o Presidente da Liga por Sr. Major, aguarda-nos um vazio muito grande.
Ainda nos resta o Sargentão, ao menos isso!!!

8/23/2006

Será que o Vítor Norte e a Sofia Alves participam?

Quando se lêem livros de guerra fica-se sempre na dúvida se estamos mesmo a ler um livro de guerra ou um qualquer livro sobre teatro.
Primeiro, as tropas não fazem a guerra, elas levam a cabo actuações. Quando vão nalguma missão, na gíria militar, diz-se, por exemplo: “a nossa Companhia vai actuar na Fronteira, seguindo depois para Oeste…” A primeira coisa em que eu pensaria ao ouvir estas palavras, seria numa companhia de teatro em digressão e que iria a começar em Vilar Formoso, viria pelo IP5, fazendo actuações até Aveiro.
Por coincidência, ou não, o local onde actuam as tropas também se chama teatro, só que em vez dos tradicionais Sá da Bandeira, Tivoli, S. Carlos, etc., chama-se “de Operações”. Mais… O pano de fundo de ambos tem também o mesmo nome: cenário.
Com tudo isto, eu já não sei se a tropa não passará de um grupo de saltimbancos. Afinal o que é que andam eles a fazer nas guerras? É que já agora podiam mudar o nome às forças militares, e em vez de hoste poderiam chamar-se elenco.

Assim, por exemplo, na guerra do Iraque, o cartaz seria mais ou menos este:

Encenação: George W. Bush
Argumento: co-autoria George W. Bush e Tony Blair
Produtor: Donald Rumsfeld
Actores Principais: George W. Bush, Tony Blair, Condoleeza Rice, Donald Rumsfeld, Ariel Sharon, Saddam Hussein, Ossama Bin Laden e Al-Zarkawi nos papéis de vilões. Conta ainda com a participação de Durão Barroso no papel de Emplastro.
Cenários por Tomahawk

Em exibição num Teatro de Operações perto de si!

8/13/2006

Mutilação ou Tradição?

Há bem poucos meses vimos na TV o terceiro mundismo de alguns povos africanos, quando foi salva uma criança de sexo feminino da mutilação dos seus órgãos genitais. Acontecimento que, pasme-se, foi uma grande escandaleira aqui na quintarola.
Mas, pergunto eu, o que é que fazem os judeus? «Ah, isso é tipo uma tradição!» – respondem-me. Tradição uma ova, para não dizer outra coisa. Então pegar num puto com uns meses e cortar-lhe um bocado da pilinha (com uns meses de vida é esta a designação aceite pela sociedade para o...coiso) é tradição!!! Se fossem miúdos com os seus 5/6 anos compreendia-se, porque os pais poderiam ficar fartos de comprar tampas de sanita, mas agora com uns meses? Só se for para acertar melhor na zona absorvente da fralda e não escorrer para a virilha, para não provocar assaduras, porque o Lauroderm está caro, etc, etc, etc.
Tradição, sim, era quando os mancebos iam às inspecções e tinham que ir, obrigatoriamente, às meninas, isso sim era tradição. Agora cortar o coiso? Coa' breca, não parece ser uma tradição muito vantajosa, até porque se quem faz o corte bebeu uns copos antes, pode criar uma situação embaraçosa para o puto quando este crescer. É que, a menos que seja de raça negra, e aí ficará apenas sem o mito, o puto arrisca-se a ficar mesmo mais do que apenas ligeiramente mutilado. Situação que só iria agradar ao filho do ex-jogador do Benfica, Nené, que conseguiria realizar o seu sonho pagando apenas umas quantas imperiais ao “circuncisador”. Qualquer dia até se lembram de cortar mais qualquer coisa, para evitar micoses no escroto quando em idade de as terem.
Pelo menos com os católicos, é mais fácil. O único a quem o... coiso foi cortado foi o Salvador, o Messias e, vejam bem, agora comem-no sempre que vão à missa, em forma de placas de parabéns dos bolos de aniversário. No máximo, a única coisa a que os putos católicos se habilitam é a apanharem uns princípios de constipação se a água benta estiver muito fria no Inverno.

8/05/2006

Matar o Borrego

Começam a tornar-se deveras irritantes as sucessivas derrotas, ou melhor, as consecutivas vitórias morais contra o raio dos franceses nas competições internacionais de futebol sénior. Como estas vitórias morais não sabem ao mesmo, resolvemos propor ao Exmo. Sr. Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Dr. Gilberto Madaíl, ao Exmo. Sr. Treinador e Seleccionador nacional Luiz Filipe Scolari, ao Ministério da Administração Interna e a quem mais de direito, a naturalização dos jogadores da equipa nacional francesa, para tentar resolver esta malapata e, finalmente, matar o borrego.
Em vez de procurar soluções mirabolantes e arriscar com Liedsons e afins, porque não lusificar os jogadores da selecção francesa? Até porque, para mais, estes dão garantias de competência. Daí este nosso projecto, ao qual, para maior facilidade do processo de integração dos jogadores, juntamos as seguintes sugestões de lusitanificação:

Fabien Barthez – Fábio Bartolomeu
Lillian Thuram – Liliano Torrão
Willy Sagnol – Gui Sanhudo
William Gallas – Guilherme Balas
Eric Abidal – Eurico Alguidar
Claude Makelele – Cláudio Vaca Lelé
Frank Ribery – Chico Ribeirinho
Patrick Vieira – Patrício Vieira
Zinedine Zidane – Zeferino Zebedeu
Thierry Henry – Henrique Torres
David Trezeguet – David Traz-o-gato
Sylvain Wiltord – Vítor Silva
Mikael Silvestre – Miguel Silvestre
Gael Givet – Joel Gaveta
Mickael Laundreau – Miguel Ladrão
Sidney Gouvou – Celino Kuduro
Louis Saha – Luís Saia
Jean-alain Boumsong – João Alves Bom Som
Pascal Chimbonda – Pascoal Chibarro
Gregory Coupet – Gregório Cortez
Vikash Dhorasoo – Vigas Adora-o-sol [apropriado para um estrangeiro naturalizado]
Florent Malouda – Florêncio Mal-o-dá [até porque quando o dá aceitam logo e pimba]
Alou Diarra – Paulo Pissarra [não íamos estragar a vida ao senhor]

Achámos que era conveniente meditar sobre este assunto e decidimos, dessa forma, trazê-lo a público para que os portugueses se pronunciem, maduramente (como só os portugueses sabem e conseguem) sobre a matéria.
Os detractores apontarão sempre «A FIFA não os deixa jogar, porque já alinharam pela equipa francesa». A isso respondemos, simplesmente, que não os queremos para jogar por nós, mas para não jogar contra nós e, além disso, um presunto da Beira, umas alheiras de Mirandela, um queijo da Serra e um tinto do Redondo dão a volta à cabeça de muita gente, mesmo da FIFA. É preciso ter atenção, aí sim, aos direitos de imagem da Sra. Do Caravaggio como padroeira da equipa de quase todos nós (nós não sabemos quem são o quase, mas o Scolari disse que era um cineasta, um filho de um escritor conhecido e um filho de ricos qualquer) e assegurar que estão garantidos, para a respectiva francesa de Lourdes não vir fazer reclamações.
Quanto ao Raymond Domenech, depois de um curso intensivo sobre o que é fair-play, pode aportuguesar-se, e sugerimos Raimundo Domingos Cromeleque, deixar crescer o bigode, deixar os óculos abichanados e vir treinar o Lusitano de Vila Real de Santo António.

7/30/2006

Fiel ou Infiel?

Porque é que as mulheres ficam realmente chateadas quando o respectivo olha, de soslaio ou não, para outra mulher?
Se elas acham isso traição, pois bem mais valia não se comprometerem, porque irão ser traídas todos os dias e mais do que uma vez por dia. E não digo só duas ou três vezes, digo mesmo... várias.
Reparando bem, nós, os homens, não fazemos nada de mal, é que nem sequer é preciso usar a grandemente imaginação. Acho que não é preciso ser um qualquer Zandinga, ou mesmo um Alexandrino, para adivinhar o que está lá, nem mesmo imaginar. Pelo menos no Verão, é tão óbvio que a imaginação é absolutamente dispensável.
Na verdade, pode ser por ao olharmos para as outras lhes estarmos a dar atenção. Mas a verdade é que para a nossa já não é preciso olhar, já não há grandes novidades. Aliás, quanto menos olharmos melhor, evita desgaste.
E qual é o mal de olhar? Os olhos penetram? Há possibilidade de engravidar com os olhos? Qualquer dia têm que inventar um preservativo para os olhos, ou uma pílula anti-olho. Quando muito, e realço, quando muito, o membro poderá dar um ligeiro sinal, tipo tique nervoso que, quando em público, deverá ser convenientemente camuflado.
Então porque se sentem elas tão mal com estes olhares? O compromisso assumido exige-nos que as únicas mulheres para quem podemos olhar sejam a nossa mãe, a sogra (para esta podemos olhar todas as vezes que quisermos, mas, sinceramente, quanto menos melhor) e, para além delas, só... freiras (se lessem as cartas da Mariana Alcoforado não tinham uma opinião tão ligeira acerca das freiras)?
Deixem-nos olhar à vontade! Uma boa relação com os olhos não tira apetite nenhum, muito pelo contrário, e com isso lucramos todos.

7/26/2006

10 Perguntas a Nossa Senhora de Fátima

Para os nossos atentos leitores temos, desta vez, uma conversa extremamente interessante e informal com uma das mais importantes, e controversas, figuras da Humanidade. Vejamos como Nossa Senhora de Fátima se sente como peixe na água em vários, e alguns deles muito sensíveis, temas da actualidade.

O Alto, o Forte e o Moyle – Boa tarde! Desde já agradecemos a disponibilidade em aceitar conversar connosco. Imaginamos que seja uma pessoa muito ocupada, principalmente no Verão.

Nossa Senhora de Fátima – Ora essa, o prazer é todo meu. É pena não ser mais vezes solicitada para estes momentos, mas acho que as pessoas têm uma ideia errada sobre nós, as celebridades.

AFM – Eis, então, um bom ponto de partida. O que acha de ser uma estrela do Jet Set, uma celebridade?

NSF – Se quer mesmo saber, até que não é desagradável. As festas, os eventos sociais. É tudo muito bonito. Adoro festas populares e arraiais, ando é sempre a cheirar a sardinha e a tinto. Estou é aborrecida com o José Eduardo Moniz, por não me ter ainda convidado para uma dessas coisas das celebridades, gostei muito da quinta, fez-me lembrar quando nasceu o meu Jesus.

AFM – Importa-se de nos explicar porquê? Estamos certos que as nossas legiões de leitores iriam gostar de saber.

NSF – Houve uma altura em que eu não sabia bem como lidar com a fama. Sabe, isto do nosso filho ser o Messias é complicado. E não era só isso, é que o meu filho é meu pai e pai dele próprio e veste-se de pomba. Não é fácil. Às vezes é uma confusão lá em casa! Veja lá que, de um dia para o outro, passei de dona de casa, mulher de um carpinteiro, a filha, amante e mãe de Deus. Foi tudo menos fácil, posso garantir-lhe. Enquanto isto me acontecia, formou-se uma multidão de fãs incrível. Tive que arranjar dezenas de pseudónimos, senão não podia atender a todos.

AFM – Exactamente! Na verdade, como prefere ser conhecida? “Nossa Senhora” é bastante formal, ao passo que “Fátima”, ou qualquer um dos outros nomes, é demasiado familiar.

NSF – Para mim é-me verdadeiramente indiferente. Tem uma certa razão quanto ao “Nossa Senhora”, mas os fãs estão habituados. Eu aprecio bastante um “Do Rosário”, “dos Aflitos”, até “Do Ó”. Já não gosto tanto de “Nossa Senhora do Leite”, faz-me lembrar uma leiteira que andou a arrastar a asa ao meu José, grande vaca. Fora isso, é-me indiferente.

AFM – Mas como estava a dizer, acerca dos problemas que teve com a fama…

NSF – Pois! Eu criei na altura um certo afastamento, chamemos-lhe um afastamento presente, e, a partir daí, os fãs começaram a pôr-me… Como hei de dizer? A pôr-me num pedestal, a reverenciar-me à distância. Eu ressenti-me bastante, porque adoro gente. Sou uma verdadeira “Party Animal”. Custou-me que me começassem a tratar como se eu fosse uma “Vaca Sagrada”.

AFM – Acha que o facto do seu filho ser uma estrela ajudou a catapultar a sua imagem?

NSF – Talvez tenha contribuído um pouco, mas prefiro acreditar que foi o meu espírito, o meu bom gosto para vestir, o meu intelecto, que me tornaram conhecida e popular. Terei que agradecer, acima de tudo à empresa que trata da minha imagem. De facto, a Companhia de Jesus – Ideias Criativas S.A. teve um papel fundamental na minha divulgação, o que tenho, nunca é demais repeti-lo, de agradecer. Se não fossem eles, há largos anos já, eu não passaria “daquela”, da mulher do carpinteiro.

AFM – Pelo que nos é dado a ver, seria verdadeiramente injusto, pois se até a mãe do Ronaldinho faz publicidade, por que não deveria ser reconhecida aquela que é, de facto, a mãe do “Salvador da Humanidade”. Mas deixemos de parte estas questões de marketing e gestão de imagem. O que acha da situação política internacional?

NSF – Eu não tenho grande opinião, até porque já há uns tempos que não vejo o Nuno Rogeiro e estou bastante desactualizada. O que posso dizer é que acho, muito honestamente, que o mundo, depois da queda do muro, está uma confusão. Parece a luta pela permanência na Liga BetandWin nos corredores da Praça da Alegria. E depois há aquela questão de Israel, com a terra prometida. É que isso é tudo mentira, houve sim uma ocasião em que o meu catraio disse ao Cabude Sachoberg, um dos jornaleiros que andava por conta do meu Zé, sovina como o meu amante o dá, e disse-lhe que ele havia de ter a sua terra, ele e os outros como ele. Mas ele referia-se só a umas leivas de terra, nunca àquele bocado todo.

AFM – Mas… A senhora não é judia??

NSF – Se considerarmos bem, eu sou uma cidadã do mundo, apesar da costela brasileira do meu filho ser muito evidente. E atenção que não nasci na Judeia, tive que dar à luz numa maternidade egípcia devido aos cortes orçamentais, uns seguranças privados contratados pelo estado judaico mataram o meu filho. Por aqui pode ver que poucos laços me ligam a essa gente. Sou tão judia como o Roberto Leal é português! De resto, como já disse, o meu filho e marido e pai disse que não prometeu aquela terra a ninguém, portanto, quem chegou primeiro reclama posse. Quanto à política internacional, o Bush é um pobre incompreendido, o Durão Barroso é uma pessoa que respira competência, o Putin é um fofo que não faz mal a ninguém e o Wen Jiabao, da China, um verdadeiro querido, um amor em todos os aspectos.

AFM – Sabemos que é uma verdadeira amante de Portugal e dos portugueses, o que fica patente, nomeadamente, na sua grande intimidade com a irmã Lúcia. O que acha da situação do país?

NSF – Quero deixar esclarecido, de uma vez por todas, que apesar do nosso desentendimento em 1980 [ver Camarate Revelado!], a nossa amizade nunca esteve em causa. De resto ela vai lá a casa frequentemente. Em relação a Portugal, realmente a situação não é muito favorável, mas com o bom resultado que Portugal obteve no mundial, os recursos humanos do futebol português vão valorizar e a balança comercial vai ser equilibrada com o aumento das exportações. Se o Governo português negociar com os timorenses uns barrizitos de petróleo por troca com os soldados da GNR, então aí era “superavit“ pela certa. Acho contudo que se deve apostar mais na educação, sobretudo na educação sexual. Se as crianças se entusiasmarem com a escola o rendimento escolar aumenta e em menos de uma geração o Choque Tecnológico irá chocar efectivamente, mas pela positiva, isto é se alguém o chegar a encontrar.

AFM – Como sabemos que um dos seus nomes é “Da Luz”, diga-nos: o que acha da contratação de Fernando Santos para treinar o Benfica?

NSF – Nesse aspecto não tenho grande opinião, eu até sou da Académica de Coimbra. O que eu gostaria era de lançar um apelo sério e sentido: Por favor, deixem jogar o Mantorras!

AFM – Planos para férias, já tem?

NSF – Este ano, curiosamente, estou a pensar em fazer férias em Portugal, talvez na região do Oeste. Caldas, Bombarral, Ericeira. O clima é óptimo e vai dar para passear e ver monumentos, Mafra, Óbidos, talvez vá até Sintra. Se puder vou também a Fátima. É um sítio onde nunca estive e, embora pessoalmente seja céptica, aprecio muito as manifestações de religiosidade popular. Por outro lado, ainda há o artesanato, a gastronomia, o vinho, é tudo muito bom, só é pena é o bento.

AFM – Com certeza queria dizer vento…

NSF – Não. Pena é o Bento, o comandante da BT que está sempre à saída das discotecas quando uma pessoa vem de lá já um bocadito tocada, com o grão na asa.

AFM – Desde já despedindo-nos e novamente agradecendo a honra e o prazer que foi esta conversa queremos colocar-lhe uma última questão? É leitora assídua do nosso blog, «oaltooforteeomoyle»?

NSF – Blog? Mas isto não é para a Ana + Atrevida? Peço desculpa por esta situação embaraçosa. Sinceramente nunca tinha ouvido falar de vocês, mas tenho a dizer que são muito simpáticos e espero verdadeiramente que possamos falar de novo no futuro. Obrigado e o meu pai, marido e filho os abençoe.

7/22/2006

Ir ao Stand

Para os homens, as mulheres e os carros têm um valor sentimental muito semelhante, ou pelo menos ocupam um espaço afectivo e prioridades (sobretudo orçamentais) muito próximas. Comparemos:
Primeiro pensamos todos nos grandes bólides, novos modelos, topo de gama, que vêm nas revistas da especialidade e imaginamos: Gostava de ter um avião destes! Bela viatura! É a máquina dos meus sonhos!. O problema é quando se chega à parte de «encostar a barriga ao balcão», e aí só uma minoria consegue sustentar este gosto pela alta cilindrada.
Não dando para um topo de gama, procura-se depois na gama média alta, ou seja, jipes, carros familiares, de passeio, talvez um cabriolet. Embora sendo máquinas mais acessíveis, não deixam de ter os seus custos, e mesmo em 2ª mão, têm uma manutenção muito dispendiosa para a maioria.
A partir daqui, se queremos novo, tem que ser um utilitário. Uma coisa para usar todos os dias, que não nos deixe ficar mal nas piores alturas e que consuma pouco, o que já não será mau, dentro das possibilidades.
É claro que se pode sempre recorrer aos stands de carros usados, sendo que aí é melhor escolher de origem alemã ou sueca que aguentam mais rodagem, pois, caso contrário, corre-se sempre o risco de comprar algo muito batido mas bem maquilhado, o que poderá ser sempre uma carga de trabalhos, com muitas idas ao arranjo. Deve evitar-se ao máximo espaços destes com muitas bandeirinhas e floreados do género, nunca é bom sinal escolher nesse locais.
O que é muito raro acontecer, é cair-nos no colo o que procuramos, por exemplo, ser-nos oferecido. Esta é sem dúvida a melhor das situações, mas que acarreta, no entanto, uma bela dose de sorte e de conhecimentos e, eventualmente, alguma desconfiança sobre o produto. Mas como é oferecido…
Pena é que já não seja como antigamente, em que a máquina era oferecida e, com um bocado de sorte, ainda se recebia dinheiro para rodar nela.

A Crise Israelo-Libanesa

Não vale a pena confiar na televisão. Além de potencialmente perigoso é demasiado secante porque, por exemplo na TVI, passam o jornal todo a anunciar a última notícia, que é da morte de não sei quem. Se tomarmos como exemplo a crise do Médio Oriente vemos que andam sempre ali a enrolar e não se desem-merdam para lado nenhum.
Os bombardeados mostram sempre putos sujos e esfarrapados e mulheres de lenço aos gritos (ninguém que já tenha ido a uma feira ali para Viseu, ou assistir ao desporto escolar em Marrazes, se impressiona com isso). Depois, filmam sempre uma poça de sangue, que tanto pode ser de uma transeunte desprevenida, como de alguém que olhou para o traseiro da mulher de outro alguém e este topou.
Para os bombardeadores foi sempre um sucesso. Arrasaram 3 quartéis-generais, 7 baterias anti-aéreas e bunkers e outras instalações do género. Não mostram, nunca, os 28 palheiros, as latrinas ao ar livre (verdadeiras armas biológicas) e os milhares de pombais e tanques de lavar roupa que rebentam por engano. É sempre um sucesso táctico.
A este jogo de casados e solteiros bélico acrescenta-se, em Portugal, o tédio irritante de ouvir sempre os mesmos a comentar aquilo que não conhecem. É o Professor, aquele murcão com a mania que é o Eça, e o Rogério, aquele do cabelo comprido, com penteado à Juventude Popular, para não usar outra expressão. Lamento desiludir os admiradores destas personagens, mas não dão uma para a caixa. Os supostos antecedentes históricos e implicações políticas sobre os quais divagam são uma completa aldrabice pegada e que serve para manter colados ao monitor da TV tanto os ignorantes, como os pseudo-intelectuais.
Passamos a explicar, o que alguns não percebem ou não querem perceber. Quando o rei Salomão mandou construir a Casa de Deus, o famoso Templo de Salomão (e que lhe deu tanta chatice como a Expo ’98 e foi igualmente um balúrdio, só não tiveram o Mega Ferreira a contratar paquetes para ficarem vazios), mandou vir de fora do seu reino, grosso modo Israel actualmente, materiais de construção e artífices, pela sua escassez local. Ora, das frondosas e lendárias florestas de cedros do Líbano, ainda hoje representadas na bandeira (não, aquilo não é cannabis e os gajos não são bloquistas-anarquistas-ninguém-sabe-bem-o-quê), provieram todas as madeiras, ainda por cima perfumadas, necessárias à construção, desde vigas, barrotes e tabiques de andaimes, etc.
Aqui reside o cerne (não é o cherne, esse desta vez ainda não posou) da questão. O ministério das finanças de Salomão deixou andar, mas o Tribunal de contas vetou a obra, depois dela terminada, logo o rei não pode proceder ao pagamento dos madeiramentos. Desde essa altura que tem sido adiado o pagamento. No Líbano, madeireiros indignados deram origem a um movimento de restituição, não extremista religioso como dizem, chamado Hezbollah que reclama o pagamento das dívidas. Contactado o líder do movimento em Portugal, com secretaria na Cruz Quebrada, Yussuf ibn Xab Regaz, afirmou que Hezbollah quer, literalmente, dizer «Paguem as Ripas».
Conclui-se, então, que os comentadores estão na TV por outras razões, sobretudo comerciais. O Professor vai angariando alunos para a sua Universidade, sobretudo oxigenadas da Linha que querem ter aulas com um chique da «Nova Gente»; o fã do Eça vai arranjando maneira de promover o calhamaço; quanto ao Rogério, sinceramente, não sabemos, mas suspeitamos de uma permanente na Lúcia Piloto.
Gostaríamos também de salientar a estranheza por ninguém ter reparado na urgência que o Governo português teve em tirar os portugueses do Líbano. Consta que os serviços secretos israelitas avisaram o Gabinete português de que se preparava uma onda anti-portuguesa no Líbano, porque alguns encarregados da obra do Templo, que eram portugueses, desviaram madeiras para fazer as suas vivendas, subornando libaneses analfabetos com garrafões de aguardente, feita no alambique da terra. Prevendo o aumento do preço do crude produzido por países muçulmanos, para retaliar contra Portugal, o governo sacou os portugueses de fininho para ninguém dar por nada. É que se o petróleo aumentasse, as contas do défice e as previsões de crescimento iam ser, citando oficiosamente o nosso P.M., uma bosta das grandes (pelo menos não fala à boca cheia).

6/29/2006

A Crise de Timor-Leste

Graças a um acaso feliz, ao mesmo tempo que inacreditável, uma troca de linhas permitiu que ouvíssemos uma conversa secreta e absolutamente extraordinária. O telefonema era proveniente do Palácio das Cinzas, em Díli, estando do outro lado da linha António Costa, ministro português da Administração Interna e Joaquim de Oliveira, accionista maioritário da SportTv. Devido às obrigações que temos perante os nossos fidelíssimos leitores divulgaremos esta informação secreta e inédita.
Em poucas palavras se explica a gravíssima crise que tem assolado Timor-Leste. De facto, ao tentar impedir a transmissão dos jogos do Campeonato do Mundo de futebol que se está a realizar na Alemanha em cafés, restaurantes, tascas e afins, a SportTv tem fortes responsabilidades na instabilidade pré-guerra civil que se vive no mais recente país do mundo.
Quando os jornais portugueses chegaram a Díli, três dias depois de terem sido publicados em Portugal, a população amotinou-se, pois viu ameaçadas as suas possibilidades de assistir aos jogos. Ao mesmo tempo, o descontentamento generalizou-se porque no palácio presidencial e no gabinete do Primeiro-Ministro, foram instaladas à última hora receptores que permitiam aos responsáveis políticos e seus apaniguados acompanhar o desporto-rei.
O representante, não oficial, e principal orquestrador das violentas manifestações que assolaram a capital do país, Joaquim Makratipan Arapuak, terá iniciado negociações com a Indonésia para a entrega do poder no território timorense. A contrapartida do acordo previa a transmissão gratuita do actual e dos próximos 2 Campeonatos do Mundo de Futebol, dos próximos 2 campeonatos europeus de futebol, as 5 próximas finais da Champions League (e todas aquelas em que o Benfica jogar, sem número discriminado) e, se possível, a transmissão dos jogos da fase final ca competição em Pólo Aquático, nos próximos Jogos Olímpicos de Pequim.
Por sua vez, no seu tom pausado a roçar um gaguejo senil, o Presidente, ex-guarda redes da Académica de Díli e actual estudante da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Xanana Gusmão, pediu imediatamente ajuda a Portugal, para fazer face a esta crise aguda. Lembremos que os australianos, tendo em vista a venda de camisolas, entraram imediatamente em cena para montar os meios de transmissão dos jogos, somente, dos «Socceroos», o que foi recusado a toda a linha pelos rebeldes. A Onu voluntariou-se para enviar batalhões de técnicos munidos de material e ferramentas, para montar uma antena e um receptor por cada 20 palhotas, mas apenas a partir de 10 de Julho, o que se veio a provar ser totalmente inaceitável por ser demasiado tarde. Nada, enfim, que surpreenda nas actuações da ONU.
Demonstrando o seu tacto negocial, António Costa, conseguiu despachar umas centenas de GNR’s, por tempo indeterminado, para o território timorense (parecendo mesmo ter comentado: “De qualquer maneira aqui também não fazem nada!”), desagravando assim o orçamento do seu ministério.
Contudo, a situação só seria desbloqueada junto de Joaquim Oliveira, através da cedência à Olivedesportos dos direitos de exploração de publicidade estática em redor de monumentos nacionais, estando em conclusão as negociações para os funcionários da administração pública passarem a usar vestuário com alusões à SportTv, nomeadamente as cores e logótipo, durante os horários de expediente nas respectivas repartições.
Numa época de maledicência gratuita e de veiculação facciosa de informação politicamente orientada contra o governo, ou mesmo de contra-informação, cremos não ser descabido apresentar aqui um voto de louvor pelos esforços e tacto negocial revelados pelos portugueses na assistência, desinteressada como é patente, a um povo que se pode considerar irmão, embora um irmão mais novo, rodeado que está de tubarões.

6/22/2006

Por favor, entreguem sempre o manual de instruções!

Não me querendo fazer passar por um qualquer representante de classe, conotado com quaisquer interesses que possam encontrar neste desabafo, sei que, no entanto, não estou a falar a título individual, porque é impossível haver algum homem que tenha conseguido descobrir os segredos, e não estou a falar dos três segredos que a virgem contou à falecida Lúcia.
Os segredos de que estou a falar resumem-se a uma única palavra: mulheres. Por acreditar que nenhum homem logrou até hoje conhecer todos os segredos de uma mulher, venho, por este meio, fazer um apelo a todas as mães que tenham filhas, para escreverem um manual de instruções das vossas filhas, nem que seja apenas uma sebenta.
A minha ideia é a seguinte, durante o crescimento das vossas filhas, vão anotando tudo o que diga respeito à catraia, as coisas de que realmente gosta – qual o melhor presente – e o que não gosta. Se gostava de ser rica ou remediada. Enfim, tudo o que diga respeito ao futuro relacionamento com o sexo oposto, tudo isto para quando nós entrarmos em cena não andarmos à nora, e, digamos, que a vocês – mães – não vos custa nada ir arrepiando caminho a alguns dos vossos possíveis genros.
Mesmo que tenham uma vida muito atarefada, há sempre um bocadinho entre uma telenovela e outra ou antes de ir para a cama, será como lavar os dentes, e, depois para nós, será como limpar o cotovelo a um menino... (esta não é assim, ajudem-me que eu não me lembro como é). O que quero dizer é que facilitem a nossa vida, já que fizeram um ser tão complicado também vos compete ensinar quem o vai utilizar no futuro.
Por exemplo, se uma máquina de lavar traz manual de instruções e tem, vá, 3 ou 4 botões, é só meter a roupa lá para dentro e ela faz o resto, para que é preciso o manual? Às mulheres não basta "meter a roupa lá para dentro", há sempre qualquer coisa mais que é preciso. Se uma televisão traz manual de instruções e toda a gente sabe trabalhar com o aparelho, porque não enviam um com as mulheres? Até os rádios trazem sempre o bendito manual e para quê? Toda a gente sabe onde está e para que serve o Play, o Stop, o Forward, o Rewind, o Pause, etc., mas expliquem-nos onde é que as vossas filhas têm esses botões, pelo menos o Play e o Stop (este até dava jeito para quando vão ás compras).
Agora não me peçam é para desmontar e montar o aparelho para ver como é que funciona, porque até isso pode não ser suficiente. E mais, nunca vi ninguém ir comprar uma televisão, e quem diz uma televisão diz uma máquina de café, ou um outro qualquer aparelho que traga manual de instruções, e o fabricante pedir ao cliente: olhe, sim senhor, nós fizemos a Televisão, agora escreva você o manual!

6/18/2006

Obrigado, Alfredo Barreiros!

Este cidadão, anónimo até há bem poucas semanas atrás, é hoje um ícone da televisão por cabo em Portugal. Lojista de profissão, na sua meia idade, Alfredo Barreiros decidiu pôr fim à sua condição de mais um anónimo e apresentar-se ao público português como uma figura ímpar da televisão por cabo, em apenas 30 segundos de grande inspiração. Se cada mortal tem direito a 5 minutos de fama, e muitos deles passam e não deixam marca, continuam a sua vida de sempre, Alfredo Barreiros precisou apenas de um singelo meio minuto para deixar bem vincada a sua personalidade a todos os telespectadores do, unanimemente considerado, melhor canal da televisão por cabo em Portugal, SIC Notícias.
Quando foi aceite a sua participação no fórum Opinião Pública deste canal, o director de programa estava longe de pensar que estava a imortalizar uma personagem que ficará para sempre ligada a este canal e, talvez, à própria estação televisiva. A sorte de Alfredo em conseguir a participação valeu-lhe um dos melhores momentos televisivos da história das televisões em Portugal, rivalizando com outros grandes momentos, como a saudosa participação no festival Eurovisão da canção da musa da música portuguesa Dora, ou até com o melhor programa de entretenimento jamais passado na televisão portuguesa e que colocou João Baião no estrelato nacional, falo obviamente do Big Show SIC.
A SIC conseguiu, com apenas 30 segundos de antena, imortalizar mais uma figura ímpar da nossa modesta sociedade. Quando Alfredo Barreiros, pleno de convicção, se declarou de uma forma nunca antes vista na televisão portuguesa, à pivot do programa (Sónia Atalaya), exprimindo tudo o que lhe ia na alma (e na mão), fazendo corar a própria em directo, de modo a que esta não conseguisse resistir à sua tirada inesperada. De tão imprevisível a senhora ficou obviamente acanhada (compreensível), mas não conseguiu esconder a afectividade para com a declaração de Alfredo, um verdadeiro expert no acto de conquistar mulheres.
A frase “és boa como o milho!!!” ficará para sempre na memória de quem ouviu a voz de Barreiros em directo. Na realidade esta frase passará a figurar em todos os compêndios de “como engatar uma garina” aparecendo já novas edições levadas à estampa propositadamente depois da brilhante revelação de Alfredo Barreiros.
Para mim, que sou um admirador confesso deste senhor da TV por cabo portuguesa, fica apenas um senão à sua irrepreensível declaração. Porque é que ele perguntou se podia “bater uma punheta” enquanto falava ao telefone? É este o motivo porque Alfredo ainda não atingiu a notoriedade internacional.
Na verdade, de que estava ele à espera? Que a pivot respondesse em directo no programa? Sim senhor, masturba-te à vontade à minha custa. Se preferires eu posso até ajudar-te tirando a blusa e o soutien! Vou até deixar a SIC e trabalhar para o Viver/Vivir! Já agora aponta o meu número de telemóvel para a gente combinar qualquer coisa para logo. Queres que me masturbe também? Se era isto que Alfredo estava à espera de ouvir, então a questão faz sentido, mas se não era isto que esperava ouvir, porque perguntou? Podia simplesmente afirmar com um estou e não utilizar o posso.
Ó Alfredo, que raio de pergunta!! Para a próxima não perguntes, mais vale gemeres! Mesmo assim, continua.
O céu é o limite.

6/08/2006

Critérios Comportamentais de Avaliação da Sexualidade Masculina

Hoje, há um problema para os homens que atingem uma certa idade e não têm qualquer tipo de relacionamento com um espécime do sexo oposto. Eu defino essa idade como o período em que se começa a trabalhar, depois de acabar a faculdade, o que ronda entre os 24 e os 27 anos, podendo mesmo atingir a casa dos 30 no caso das mentes mais brilhantes, que continuam a espalhar sabedoria pelos corredores das faculdades.
Pois bem, meus amigos, a partir desse momento, se continuam a apreciar as vantagens de uma bela saída à noite em que podem olhar à descarada para uns belos pares de nádegas e afins sem sofrer qualquer repreensão, a não ser que façam um olhar à espanhola e sejam mesmo agredidos fisicamente, se querem continuar a malhar umas louras sem terem que se preocupar com o bafo, cuidado, porque qualquer pequeno gesto que tenham pode ser considerado... abichanado. Concretizando, se não tens namorada, ou no mínimo se não és vulgarmente acompanhado por uma mulher, és susceptível de ser gay.
Actos como, olhar para a televisão e fazer um comentário sobre a telenovela pode ser considerado como tal (vendo bem, um comentário sobre uma telenovela não deixa dúvidas). Mas se tivessem uma mulher, deixavam de ser gay para serem um dos que simplesmente não tem Sporttv e está à espera que acabe o raio da telenovela para ver se finalmente lhe apetece ir copular.
Mas atenção, ver futebol pode ir do mais machão que há, ao mais amaricado possível. Se forem um dos que foram caçados antes do tempo, ver futebol e beber umas cervejas é um ritual e ela deixa-vos fazer isso porque durante 90 minutos nunca caem na tentação de olhar para outra (porque à hora de jogo nunca está nenhuma no café a beber cerveja e a comer empalhadas, ou mesmo só tremoços, ou se está, meus amigos mais vale olhar para a televisão). No entanto, se ainda não foram anilhados, cuidado, porque ver futebol pode ser considerado gay, pois é uma excelente ocasião para ver 22 pares de pernas musculadas (excepto as do Alcides). Não contando com equipa de arbitragem, por ser demasiado perverso (não sei se alguém seria capaz de olhar para o Martins dos Santos com esses propósitos, ou mesmo para o Isidoro Rodrigues).
Mas há mais, usar uma mala a tiracolo pode ser um pau de dois bicos (esta expressão não foi nada feliz). Se estiverem conotados como uns verdadeiros barrascos, usar uma é considerado um sinal de alguma maturidade e até de um certo estilo, mas se não forem um desses tais barrascos, não há nada mais gay do que usar uma mala a tiracolo (se tiver brilhantes não têm hipótese, porque são mesmo).
Ir beber café também pode ser um pretexto para abichanação. Se pertencerem ao grupo dos que decidiram pôr fim à liberdade, podem pedir a vontade um café e uma água (mesmo com sabores) que ninguém põe em causa a vossa virilidade, no entanto, se ainda estão do lado da liberdade, e para evitar mal entendidos, peçam sempre um café com um digestivo, desde que não seja Pisang Ambom, Safari ou Bailey's, de preferência uma aguardente velha ou, se conseguirem, um bagaço, isso não deixará dúvidas. Evitem sempre as águas com sabores, principalmente com sabor a morango e mesmo a figo. Para os mais economicistas optem pela cerveja, é intemporal e na maior parte das vezes símbolo de machismo, mas evitar a cerveja sem álcool, que pode não ser muito conveniente. Nos estádios, para não serem apanhados desprevenidos, apanhem sempre a bezana antes de entrar. Também não esquecer o vinho tinto que, dentro de certos parâmetros, contempla uma margem de virilidade, isto se for escolhido vinho com mais de 14º ou um bom “ Lutador”, “Chicote” ou “Repolho” (acreditem, é preciso ser um homem com “coglionne” para conseguir beber vinho destas castas tão bem seleccionadas).
Outra coisa a evitar são os lenços de papel, principalmente se ainda trouxerem o maço. Para evitar esses mal entendidos optem por pedir um emprestado (não convém devolver), ou vai ao WC e retira um bom pedaço de papel higiénico, de preferência sem ser de dupla folha, e quando chegares à mesa ou ao balcão utilizem-no da maneira mais espalhafatosa possível. Se conseguirem, o ideal mesmo são ainda os lenços de pano, que dão para várias utilizações, bastando deixar secar. Mesmo que as secreções, ou mucos, nasais contenham substância, deixem sempre secar que o substrato acaba sempre por cair de tão seco.
Mesmo ao olhar descaradamente para uma mulher, utilizem sempre qualquer tipo de linguagem, barulho ou grunhido que demonstre a vossa virilidade, pois um simples olhar sem qualquer referência vocal pode ser considerado desprezo pelas formas do sexo oposto. Claro que os comprometidos não podem fazer barulho sob pena de ficarem proibidos de utilizar as formas que estão ao seu dispor.
Tentem evitar dizer o que estiveram a ver na tv, para não serem apanhados em ratoeiras. Documentários, se bem que são “cultura” para os comprometidos, para os outros de nós podem ser um rótulo de larilice. Se vos descair a língua (cuidado senão estão logo na merda), tenham sempre pronta uma afirmação do género: era um documentário, mas sobre bate-chapas, ou mesmo era sobre a pisa do vinho na região demarcada de Dão-Lafões, etc. Uma referência ao Canal 13 (ex-18), pode também funcionar bem como dissuasor de comentários sobre uma vossa eventual “apanha do sabonete”, em balneários públicos.
Muita atenção, igualmente, a um outro pormenor. Fazer apostas é de macho. Para os já “amarrados” serão criancices e eles não entram nessas paroladas. Para os outros, não entrar numa aposta é pura rabetice. Atentem, contudo, aos teores apostados. O ideal é sempre apostar copos. Bebedeira, ainda por cima por aposta, é de homem viril, sempre e indiscutivelmente.
Finalmente, a roupa que vestem. Um gajo que tenha namorada que use uma camisola sobre os ombros, vista um pólo ou camisa cor-de-rosa tem estilo e é esteticamente evoluído. Os outros… Quanto aos outros arriscam-se a ser a Rosa Amélia, ou, pior, tidos por aparentados com o Castelo Branco. Atenção, então, aos laranjas, verdes fluorescentes, amarelos e outras cores berrantes. No Carnaval, não vistam roupa de mulher, nunca. É certo que ninguém leva a mal, mas também é certo que ninguém se vai esquecer e umas fotos, menos felizes, poderão tornar-se um purgatório terreno.

6/03/2006

NIM, OU A VÃ GLÓRIA DE MOYLAR - 1

O forte:
E então o título, [do blog] já pensaste??
O forte:
Eu não me consegui lembrar de nada.
O alto:
Eh pá, está muito difícil…
O forte:
Isto tem que ser uma coisa sem ser pensada.
O forte:
Tens que ser tu a dizer uma coisa e eu digo: é isso!
O forte:
E tu dizes: é isso o quê??
O forte:
E eu respondo: o coiso!
O forte:
E tu perguntas: mas que coiso?
O forte:
E eu respondo: o coiso, caralh....
O forte:
Mas que coiso, caralh...
O forte:
O título!
O forte:
Fod....
O forte:
… que estavas descompreendido!
O forte:
Estás a ver como é que tem que sair?
O forte:
É assim uma cena!
O alto:
Yah!
O alto:
A Nilda sugeriu uma cena tipo "deus, pátria e família"…
O alto:
…só para chocar…
O alto:
Sei lá…
O forte:
Isso do “deus, pátria, família é uma cena... (a Nilda está aí?)
O alto:
Nicles
O alto:
Sabes uma cena fixe?
O alto:
Portugal é uma criança adoptada por um casal homossexual,
O alto:
… o Salazar e o Cunhal!
O alto:
O tema está na moda e tudo…
O forte:
Um casal homemsexual??
O alto:
Yah,
O alto:
… desses que lavam o sexo com omo!
O forte:
O Cunhal ainda vá que não vá,
O forte:
… agora o Salazar?
O forte:
Epá!
O forte:
Por amor de Deus!
O alto:
O homem era um reprimido que ainda não tinha saído do armário…
O forte:
Lá que o homem não tinha sorte com as gajas era uma coisa,
O forte:
… agora chamar-lhe boiola!
O alto:
Meu amigo,
O alto:
… se não era, podia ter sido!
O alto:
Ele e o Cerejeira partilharam quarto em Coimbra (ouvi dizer)!
O forte:
E agora todos os padres são gays??
O alto:
Andam de vestido, cruzes ao pescoço e têm uma vozinha afectada, ou não?
O forte:
Se fossem gays como aguentavam o vinho branco logo de manhã??
O forte:
… responde-me a esta…
O alto:
Os gajos agora estão na moda e estão habituados às festas do jet set…
O alto:
… e ao vodka martini com as tias!
O forte:
…é que há terras em que aquilo parece vinagre!
O alto:
Isso pensas tu…
O alto:
… eles tratam-se mal, não?
O forte:
Mas ás 9 da manhã?
O forte:
E dizes-me tu que os gajos são paneleiros!
O alto:
Vinhaça, logo de manhã, é aperitivo para os gajos…
O alto:
E não são?
O forte:
Está bem…
O alto:
Se vires um gajo de vestido é o quê?...
O alto:
… escocês?
O forte:
É o mister gay
O alto:
… pauliteiro de Miranda?
O forte:
ahhhh
O forte:
Estás a confundir as coisas.
O alto:
E Cristo, não morreu atado ao pau?
O alto:
E é o ídolo dos gajos.
O forte:
Mas porque o pai era carpinteiro…
O forte:
… se o pai fosse ferreiro, a cruz tinha sido feita de ferro!
O alto:
Em casa de ferreiro...
O alto:
E porque estava vestido de tanga?
O alto:
Como explicas a tanga?
O alto:
Não havia Durão Barroso na altura!
O forte:
A tanga saiu-lhe nas festas em honra de Nossa Senhora dos Aflitos numa quermesse em que ele jogou 20 xelins nas rifas…
O alto:
Um xelim é o achento de uma bichicleta...
O forte:
… e foi o melhor prémio da noite…
O alto:
Goza!
O forte:
… e saía sempre…
O forte:
era daquelas rifa em que saía sempre prémio…
O alto:
Boas rifas essas,
O alto:
… das que dão gosto jogar!
O alto:
Ou então era incontinente e aquilo era uma fralda!
O forte:
Não …
O forte:
Está calado…
O forte:
Por isso é que se passou a chamar Nossa Senhora dos Aflitos…
O alto:
Ahhhhhhhh!
O forte:
… porque o pessoal jogava pouco e mesmo assim via-se aflito para levar tanta tralha para casa.
O alto:
Não te sabia tão conhecedor da mitologia cristã!
O forte:
Jarras, vasos…
O alto:
Pois, pois!
O forte:
… mas dos grandes.
O alto:
E também cravos e martelos…
O forte:
É que aquilo não eram vasos, tipo, para pôr um manjerico.
O alto:
… coroas de espinhos para pôr em cima do naperon da cómoda!
O forte:
Eram vasos para pôr, vá, sequóias não digo,
O forte:
… mas uma ramagem já bem alta.
O alto:
Umas nespereiras,
O alto:
… talvez mesmo um cannabizito,
O alto:
… para ajudar a curar os leprosos.
O forte:
Daí esta tua foto. [ver arquivo 11-12-2006]
O alto:
Lá está.
O forte:
Isto pode ser uma descoberta melhor…
O forte:
… do que talvez mesmo a da luva daqui por 80 anos [ver arquivo 30.05.2006].
O alto:
Exactamente!
O alto:
Queria o Dan Brown ter o entendimento e profundidade de análise que nós temos…
O alto:
e que vulgarmente aqui exibimos!
O forte:
Esse castanhito, pá,
O forte:
… não sabe o que é peixe agulha.
O alto:
Castanhito?
O alto:
ahhhh
O forte:
Brown…
O alto:
Já percebi.
O alto:
Vêm lá dos américas a pensar que podem policiar o pensamento dos outros…
O forte:
Uns quadros…
O forte:
… e tal.
O alto:
Bem sabe ele o que é faina!
O forte:
A faina???
O alto:
Vinte anos…
O alto:
… nós…
O alto:
… na faina.
O forte:
Ele nem deve saber o que é asticot…
O alto:
E morcões?
O forte:
… ou asticô.
O alto:
Népia.
O forte:
Engodo?
O forte:
Bah…
O alto:
E pardelha?
O alto:
Eh…
O forte:
Sabe lá o que é isso,
O forte:
… pardelha!
O alto:
Bem sabe ele como é que se enxofra!
O alto:
Meninos da cidade…
O forte:
Nem fales disso que o gajo mete o rabinho entre as pernas…
O forte:
… e devolve o dinheiro todo que ganhou,
O forte:
… á custa dessa treta Da Vinci.
O alto:
… copinho de leite e aveia,
O alto:
… isso é que ele sabe.
O alto:
Sinceramente…
O forte:
Café com broa, ás 7 da manhã…
O forte:
… isso sim!
O alto:
Pois!
O forte:
Chegar á tasca e malhar…
O forte:
duas branquinhas seguidas.
O alto:
E sardinha com azeitonas…
O alto:
e uma côdea…
O alto:
e um martelo p’rá sossega.
O alto:
Eh!
O alto:
Isto… um gajo é que sabe,
O alto:
e ninguém dá valor.
O forte:
Não sabem o que é mundo.
O alto:
Sabem lá!
O alto:
E depois chegam cá que isto e que aquilo…
O alto:
Bah!
O forte:
Bem vou ao café que isto hoje tem cantoria,
O forte:
… não sou só eu.
O forte:
Vais ficar por aqui??
O alto:
Nã… Vou para baixo também.

5/30/2006

O Défice Público!

Camarate revelado!


Quase três décadas depois, uma luz parece querer romper a sombra em que a memória de Francisco Sá Carneiro se encontra envolta, devido às trágicas e obscuras circunstâncias que ditaram o seu desaparecimento do convívio com os que respiram.
Clamou-se, até hoje, por uma verdade que teimava em não se deixar desvendar. Muitas foram as hipóteses e as teorias aventadas para explicar a queda do Cessna em que viajavam o 1º Ministro português, a sua companheira Snu Abecassis , o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, entre outros. O escândalo do tráfico de armas, no qual Portugal seria a plataforma de distribuição para o continente africano, sustentou algumas destas sugestões explicação. Talvez a CIA, tentando salvar a face e apagar provas; altas patentes militares portuguesas, ameaçados na sua tentativa de constituir o seu próprio Plano Poupança Reforma; fala-se mesmo na Opus Dei, que na sua cruzada cristianíssima de devolver as almas ao Criador, tem negociado na distribuição de armas por todo o mundo. Teorias mais radicais apontam mesmo as culpas a personalidades tidas por perfeitamente inconspícuas, tais como o ex-Presidente da República Ramalho Eanes e o, recentemente descoberto socialista, Freitas do Amaral. Podemos adiantar, contudo, que todas estas hipóteses são, além de insultuosas, perfeitamente ridículas e sem a mínima noção da realidade.
Tais hipóteses não têm satisfeito, portanto, os cidadãos portugueses pela razão de serem apenas isso: hipóteses. Outras têm sido ventiladas mas carecem de qualquer fundamento. Uma delas apontaria a CP como promotora do atentado, por Sá Carneiro ter optado pelo avião Lisboa-Porto em vez do Foguete. Num outro registo fantasioso pensou-se mesmo que a Associação Académica de Coimbra teria tentado eliminar o ministro da Defesa, por partilharem a mesma sigla AAC, o que de alguma maneira roubaria protagonismo à associação estudantil. Mas estes são claramente devaneios, pois nem a CP tinha os conhecimentos técnicos para sabotar um avião, nem os estudantes de Coimbra seriam capazes de qualquer acto que pusesse em causa a regras do bom senso e da convivência em sociedade.
Estamos, neste momento, em condições de adiantar com segurança, graças a investigações extremamente aprofundadas, com recurso a todos os meios disponíveis, que a polémica e incómoda verdade que verdadeiramente explica a queda do avião veio finalmente ao de cima.
Vários investigadores portugueses, historiadores, sociólogos e jornalistas, dos quais os jornalistas do Correio da Manhã se auto-excluíram pois a investigação recorreu a escutas telefónicas, está prestes a trazer à luz do dia um livro, sugestivamente intitulado: Camarate explicado aos portugueses como se fossem crianças de 4 anos.
A tese fundamental assenta na conjugação de vários interesses na eliminação dos passageiros do Cessna, pelo que a hipótese de falta de combustível foi imediatamente afastada pois, inclusive, no manómetro, que foi recuperado inteiro, o ponteiro apontava F.
Uma associação de interesses levou, então, ao conhecido desfecho fatídico. A A.D.C.M.P, Associação de Defesa do Consumo da Mulher Portuguesa, pretendia, com o seu envolvimento, marcar uma posição na defesa da não importação da mulher estrangeira. Fonte próxima da direcção referiu mesmo – e se todos os homens portugueses começassem a imitar o Primeiro-ministro e andassem por ai a arranjar suecas? Que era feito da mulher portuguesa? E que têm as outras que a gente não tenha? Declaração esta off the record.
O segundo elemento da conspiração foi composto pela C.D.C, Crescimento e Desenvolvimento de Camarate que conseguiu, referem, atingir dois objectivos. O primeiro e mais óbvio foi dar notoriedade à localidade de Camarate, segundo um dos elementos da direcção – todos nós sabemos que a dificuldade verdadeira no processo de crescimento sustentado é a criação de uma Marca, que acrescente valor ao serviço oferecido e foi isso que fizemos por Camarate, pusemos a nossa terra no mapa do turismo português, o segundo objectivo foi demolir, sem custos nem licenças, duas casas que, e citamos, - faziam sombra à horta do Presidente da Junta.
O terceiro elemento da conspiração que terminou com a morte do Primeiro-ministro português teve motivos mais prosaicos, mas não, sem dúvida, despidos de um interesse que nos importa descortinar. Composto pelo grupo do jogo da Sueca da paróquia do piloto, o objectivo deste terceiro elemento foi não ferir as susceptilidades do piloto, recusando-se a jogar com ele. Vejamos o que tem Inácio da Luz, nome fictício, a dizer sobre este assunto – não se podia jogar com ele, ao que acrescentou, eh pá, levar o jogo contado na sueca e meia vitória e ele não sabia contar para riba de 29. Toda a gente sabe que só livra aos 30, pois então vomecê já ‘tá a ver o problema que isto dava. Deste modo, de forma a não ferir os sentimentos do piloto, ao recusarem-se a jogar com ele, os três parceiros de jogo decidiram tomar medidas e sabotaram o que pensavam ser uma avioneta de sulfatar o arroz, nunca pretendendo prejudicar ninguém, muito menos as pessoas que ficaram sem as suas casas.
O projecto só pôde ser levado em diante devido às capacidades de organização do verdadeiro cérebro da operação. A revelação polémica, mas verdadeira, de que a irmã Lúcia foi o motor desta conspiração, promete ser um choque para a sociedade portuguesa e católica de um modo geral. Depois de semanas de contactos, de observações, de cálculos para a obtenção da destruição daquelas duas casas especificamente, a colocação do engenho explosivo no bimotor. Ao ler as memórias da última vidente de Fátima deparamo-nos com a seguinte afirmação – Atenta Lúcia no que te digo – dizia-lhe a senhora – tomai atenção ao perigo vermelho. Depois dos cravos virá o dia em que o poder chegará às mãos de um Carneiro. Estareis então no cristão caminho dos justos. Seguindo ainda as memórias da vidente, somos surpreendidos com a revelação de que a devoção à Senhora de Fátima era inferior à devoção ao partido. De facto, Lúcia era uma das militantes mais antigas e uma das mentoras do MRPP e, segundo palavras suas, não podia deixar a reacção destruir o glorioso espírito de Abril. Temos então que, a partir do Carmelo de Coimbra, onde mantinha o low profile fundamental, a vidente constituiu-se como o verdadeiro arquitecto de toda esta conspiração.
Será esta a verdade, finalmente? Todos os factos apurados apontam para essa conclusão. Camarate foi mesmo atentado ou, como disse a irmã Lúcia, O Carneiro de Deus foi imolado.

A «Luva» De Banho


Quando vamos tomar banho, é natural que levemos algumas coisas que consideramos básicas, ou essenciais, como a toalha, o sabão, o champô. Outros levam também o que não é necessário, algumas coisas que são supérfluas, como os sais de banho, amaciadores, condicionantes, etc., etc. Mas, há ainda pessoas que, roçando os limiares do perfeitamente incompreensível, levam utensílios que ninguém sabe para que servem e, uma dessas coisas é a “luva”. Para que serve uma luva sem dedos no banho? Só uma “luva”, sem o par, porquê e para quê? Porque não o par completo? Porque vem só uma? Ainda por cima não sei se podemos chamar àquilo luva, porque nem a forma da mão tem. É, basicamente, uma peúga de banho.
Esta problemática será ainda alvo dos maiores estudos no futuro. Não temos dúvidas de que o interesse psicossociológico desta matéria, a suas implicações filosófico-antropológicas, já excluindo os aspectos económicos, a vastidão das repercussões culturais e ao nível do desenvolvimento das mentalidades e das relações internacionais, poderá ser alvo de teses de doutoramento sobre a “luva” de banho, até que se perceba para que verdadeiramente serve. Talvez mesmo só daqui a várias gerações os segredos da “luva”sejam desvendados. Numa altura em que o Código Da Vinci é um best-seller, poderá estar prestes a ter os seus últimos dias de glória, pois os segredos da “luva” poderão tornar o Código num autêntico fait-divers insosso.
Umas das hipóteses que aventamos será, talvez, a sua utilização para uma lavagem mais consistente. Talvez. Mas vejamos. Se se está realmente sujo, para que serve uma luva de pano, que convém ter um certo grau de macieza? Nesse caso será mesmo mais aconselhável um esfregão de cozinha, ou, em casos de grandes aglomerados de sebo no corpo será necessário recorrer a uma escova de aço, mesmo uma navalha, vá, digamos, um canivete serve, e raspar as zonas mais afectadas. Agora a “luva”? Só se o sarro for de estimação e a “luva” servir para o acariciar e estimular a sua acumulação.
Outra hipótese que explique a utilização da “luva” será a eventual sensibilidade da derme e da epiderme. Mas, a não ser que se seja um trolha ou um lavrador (e esses não usam a “luva”), a pele das próprias mãos não será mais suave do que uma “luva” que, além do mais, sabe-se lá onde é que já andou, é feita de pano e ao fim do primeiro banho já parece ter mais de 20 anos de uso? E mesmo que a “luva” fosse mais suave, porquê só uma? A sua incompreensível função não seria mais eficaz se as duas mãos estivessem munidas deste objecto?
A questão, contudo, ainda se mantém. Mas porque será que alguém usa uma “luva” de banho?
Na minha opinião, a hipótese mais credível para explicar a utilização de uma “luva” de pano no banho, é a finalidade sexual, ou, se preferirem, auto-sexual (desculpem-me os púdicos, as freiras, os padres, os deputados do CDS/PP, ao Cristiano Ronaldo, os metrossexuais e outros que se limitam a usar a “luva” sem razão aparente mas simplesmente porque…sim). Mesmo esta hipótese vou tentar demonstrar que não é válida. Assim, no caso feminino, uma luva sem os dedos individualizados, convenhamos que não facilitará esse objectivo, colocando-o fora do alcance de boa parte das mulheres, pois… a “luva” não individualiza os dedos. Por isso, nem sequer coloco esta questão no caso das mulheres, ou pelo menos na maioria, imagino, delas. No caso masculino, o uso da “luva” já é mais aceitável, mas, mesmo assim, e voltando à sensibilidade, tomar banho todos os dias e usar a “luva” poderá ser um risco para a boa condição epidérmica, pois o tecido molhado não será assim tão suave. Talvez melhor fosse mesmo, então, experimentar umas luvas de látex.
Uma ideia mais prática talvez fosse uma maior eficácia na higienização do entre-nalguedo, ou seja do rego (em linguagem não técnica), propriamente dito. Tenho as minhas razões, algo pessoais, para questionar a eficácia do papel oftalmológico (sim, leram bem, o papel higiénico não serve para limpar o “olho”?). Contudo, reservo-me o direito de duvidar, mesmo nesta situação, da eficácia higiénica da “luva”. Se for demasiado suave não esfrega, demasiado rugosa arranha, e torna-se incomportável comprar uma por banho. Senão vejamos, depois de lavar o “rego” com uma “luva” eu, pessoalmente, deitá-la-ia imediatamente fora, tendo o cuidado de não passar, inadvertidamente, por mais nenhuma parte do corpo. Vejam o nojo que seria.
Se nem a higiene, o conforto ou mesmo a sexualidade explicam satisfatoriamente o uso da “luva”, temo que estejamos perante um insondável mistério e que as verdades sejam apenas reveladas aos nossos filhos, ou mesmo netos nas gerações vindouras. Eu, na flor da idade, estou agora preparado para lidar com este grande Mistério da Humanidade. Vocês estarão?