Correndo o risco de parecer monótono e repetitivo, cá estamos de novo com a pré-campanha eleitoral. Bem sabe o Moyle que é sempre a mesma coisa e tal, chover no molhado, mais do mesmo daquela história de mudarem as moscas, e os políticos portugueses têm as mesmas coisas na cabeça que o
Ricardo Pereira (cuja terceira parte da trilogia -nem por isso melhor que as anteriores - está pronta e segue dentro de momentos), etc., etc., etc... Sabe isso tudo mas, perdoem-lhe a fraqueza, não consegue resistir.
Enquanto cozinhava um belíssimo - não duvidem - jantar foi apanhando, esparsos e a espaços, alguns tópicos do debate entre o líder do Partido Comunista, o camarada Jerónimo de Sousa, e o líder do Centro Democrático Social/Partido Popular, o ... Paulo Portas [os de Direita estão desesperadamente a precisar de arranjar qualquer coisa para se chamarem uns aos outros]. Foi, antes de mais, um bom debate. Não sabe o Moyle se melhor se pior porque não viu nenhum dos outros, mas este foi um bom debate - esta repetição serve, igualmente, para vincar a comichão no pâncreas que o Moyle sente ao usar "bom" numa frase que se refira aos líderes políticos portugueses.
Vamos às coisas menos óbvias. Portugal é um sítio especial a todos os níveis. Estas duas figuras, o camarada e o ... outro [vêem como faz falta um "nome de guerra" ao gajos de Direita], são, clara e inequivocamente, a representação dos dois espectros mais afastados na política nacional. Até aqui tudo óbvio. O menos óbvio é o motivo pelo qual passaram os dois o cabo dos trabalhos para mostrarem que eram diferentes um do outro e que não defendiam os mesmos princípios. É por isso que o Moyle afirma a especialidade portuguesa. Como é que confunde um Partido Popular com um Partido Comunista? Não se confundem, claro. Excepto em Portugal.

Sabem quem abriu a boca hoje? Sabem? Sabem? O Moyle dá uma pista. Quem foi sentiu, agudamente, uma
dor nos pés. E agora, já sabem? Claro, meus lindos e lindas, é isso mesmo, foi a Nelinha [usa-se este mui respeitoso e afectuoso diminutivo para homenagear o esforço da líder do PPD/PSD em querer parecer/ser a nossa mamã. Uma mãe dura, recta, honesta e rigorosa, ou seja, uma mãe das antigas - fica por se saber se também leva no trombil como as mães à antiga - mas, ainda assim, uma mãe.].
Voltando, um pouco, à confusão anterior, nunca tanto como hoje um líder do PPD/PSD se pareceu tanto, aos olhos do Moyle, com um deputado comunista, mais precisamente Bernardino Soares. Assim como Soares tinha dúvidas em ver na Coreia do Norte uma ditadura, Leite tem dúvidas em detectar qualquer "asfixia democrática" na Madeira. O Moyle aconselhá-la-ia a ir à Multiópticas aproveitar a campanha de desconto igual à idade, pois 80% de desconto não será nada de deitar fora e, está bom de ver, a Nelinha parece precisar, mas não o faz. Porquê?
Não contente com o que acabara de dizer, afinfa-lhe com outra grande pérola da sabedoria ocidental ao afirmar, com todas as letras, que a Madeira era um exemplo a seguir, no que foi
rápida e exemplarmente apoiada por Alberto João Jardim. Ora bem, aqui temos uma questão interessante. Na realidade, Nelinha não vê mal nem precisa de óculos, muito pelo contrário. Nelinha está muito à frente e é, ela própria, o Plano Tecnológico de que falava o engenheiro - espera o Moyle não ser processado pela Ordem dos Engenheiros. A líder laranja vê para além das aparências, do óbvio, tem uma visão de tipo raio-X. Como isso não existe, apesar de apenas a muito relutantemente o Moyle aceitar que a Nelinha não veio de Kripton e é uma Super-Mulher, só podemos concluir que a Nelinha usa um desses telemóveis novos que permitem ver por debaixo da roupa, da pele, etc. É aí, por debaixo de tudo, que o governo da Madeira é paradigmático e um exemplo de democracia a seguir.
Finalmente, os suspeitos do costume. A pandilha de foliões da pasta da Educação voltou a abrir a matraca e, como é óbvio, não foi para dizer nada de proveito - no que tiveram a companhia dos génios que dirigem as estruturas sindicais da classe docente. Tudo funciona impecavelmente, sucesso esmagador atrás de sucesso esmagador, balanços extraordinariamente positivos, diminuição fenomenal no número de negativas e chumbos, tudo brilhante na actuação ministerial.
Resta aquele pormenorzinho de nem todos saberem ler nem escrever no 9º ano, mas, por um lado, isso não é grave pois agora têm mais três anos para compensar, por outro, a senhora Ministra está a pôr na ordem os verdadeiros responsáveis pelos sofrimentos dos alunos e dos pais.
Todos saberão que
Apocalipse, do grego αποκάλυψις, significa
Revelação. Os quatro cavaleiros do Educação em Portugal são, portanto, a Palavra, a Mensagem Divina, a Revelação do que estava escondido - nomeadamente no Sistema Nacional de Ensino chileno. Reverenciemo-los.