11/28/2008

A Estupidez Introdutória Que Se Impunha

A História tem estado, desde sempre, ao serviço do Poder. O controlo do Passado permite o controlo do Presente e, por força do argumento, o controlo do Futuro, nas palavras de um famoso historiador anglo-austríaco, do qual o Moyle não vai dizer que se chama Eric Hobsbawm porque não é de intrigas.
De facto, controlando a memória das pessoas e das sociedades, tem-se acesso à legitimação de quaisquer acções que se pratiquem, o que interessa sobremaneira ao Poder e aos grupos que o exercem em qualquer sociedade. Não é de estranhar, portanto, que a história, como disciplina autónoma, tenha surgido a par das primeiras sociedades complexas.
Interessando manter a memória do que aconteceu, ou, pelo menos, uma certa memória que sirva aos interesses do presente, surgiu, associada muito estreitamente aos círculos do Poder, uma classe de pessoas que se dedicaram especificamente ao estudo e perpetuação da memória passada, isto é, os historiadores.
À medida que a leitura e a escrita se estenderam a franjas cada vez mais extensas da população, o discurso histórico foi-se tornando cada vez mais denso, complicado, hermético e de muito restrito acesso a todos os não iniciados na História. Não foi fortuito este processo pois os historiadores, de forma a proteger os seus interesses pessoais e de grupo, isolaram da maioria aquela que era a sua única vantagem competitiva, o conhecimento do Passado.
Toda esta belíssima aula de História serve para dizer que já vai sendo mais que tempo de desmistificar a História, enquanto conhecimento do Passado e fonte de sabedoria, despindo-a das inúteis roupagens com que a esconderam das massas.
Desta forma ser-vos-á servida a Verdade da História, servindo-se assim os sublimes propósitos de difusão a todos da sabedoria e cultura desta tão elevada arte, e nada das manigâncias que apenas pretenderam sempre encerrar nas trevas da ignorância as massas, bovinizando-as, para a sua mais fácil condução pelos poderosos, e para manter os privilégios desse pequeno grupo de (pseudo)intelectuais que parasitam a sociedade, encostados ao Poder.

11/27/2008

Morcegadas

A CAP rejeitou hoje as acusações da Quercus, que acusou os agricultores de serem responsáveis pela morte do morcego devido à utilização de pesticidas e à destruição dos habitats naturais.

11/25/2008

Recepção à Recessão

Preferiam ser um alemão que perde uma nota de 10€ ou um português que perde uma moeda de 2€ no dia em que recebem o salário? Para o nosso PM a resposta é óbvia.
Abençoados nós, portugueses, com estes políticos que tomam conta de nós como pais e com a suprema felicidade de um salário médio de 840€.
A princípio deram-me um bocado de pena os alemães, com aquela miséria de 2800€ para salário médio, mas é bem feito, votem em políticos em condições.

11/24/2008

Conta-me Como Será

Toda a confusão em redor da afirmação de Manuela Ferreira Leite sobre uma possível interrupção da democracia durante um semestre para pôr em casa em ordem não passou de uma mal entendido. Na realidade, a líder do PPD/PSD é uma fanática da série da RTP "Conta-me Como Foi" e, enquanto discursava, estava a pensar nos episódios que tinha gravado e, por coincidência, isto na véspera. Na verdade, tudo não passou de um lapsus linguae.
Se analisados de uma perspectiva freudiana, estes acontecimentos têm o nome de Fehlleistung, ou seja, "actos falhados" pois, na realidade, a pessoa expressa involuntariamente um desejo reprimido ou inconsciente.
Como o Moyle acredita piamente na democraticidade da cidadã Manuela Ferreira Leite [a justificação aqui], a explicação mais simples e, possivelmente, mais correcta é a influência que a ficção da RTP exerceu sobre as suas estruturas de pensamento e, enquanto falava, o que dizia era uma mistura da realidade controlada pelo Consciente e da pressão titânica do Inconsciente em libertar o que continha reprimido. Isto é, ao perorar, Manuela Ferreira Leite misturou o "Conta-me como Foi" com um "Conta-me Como Será", em que seria a protagonista.

11/19/2008

A Lâmpada Mágica

Agora que se aproxima o Natal e as velinhas e tal, há umas questões que se levantam ao Moyle como lebres em frente da caçadeira do Miguel Sousa Tavares.
Se pesquisarem a expressão “luz do mundo” – e sim, o Moyle deu-se ao trabalho de fazer isso – o que vão encontrar é, obviamente, uma montanha de sites relacionados com Jesus Cristo, identificando-o como a “luz do mundo”.A dúvida aqui é, se Jesus é a luz do mundo, estamos na presença de uma lâmpada de baixo consumo ou de uma lâmpada fluorescente?

11/13/2008

Graxistas




Depois da chuva de pré-omoletes sobre a patroa, os dois Secretários de Estado, Jorge Pedreira e Valter Lemos, para escaparem às acusações de não apoiarem incondicionalmente a Ministra de Educação, encenaram um espectáculo numa escola em Lisboa sendo os dois, desta vez, as pretensas vítimas da falta de educação dos alunos portugueses.
A ideia desta encenação, para vitimizar perante a opinião pública estes dois graxistas, partiu de Valter Lemos ao olhar para a cabeça de Jorge Pedreira.
Esperam-se agora as reacções oficiais do Primeiro-Ministro, home de boa educação exemplar e intocável democraticidade.

11/10/2008

Party Animal

Fontes anónimas e, portanto, inidentificáveis e inconfirmáveis, asseguraram ao Moyle que Valter Lemos, Secretário de Estado da Educação, afirmou, a propósito da marcha de protesto que a classe docente protagonizou em Lisboa no dia 8 de Novembro: «Os professores querem é festa!»


Ora, embora causadora de indignação e algum mal-estar entre alguns docentes - os mais sensatos limitam-se a ignorar imbecilidades - o facto é que esta afirmação não tem nada de ofensivo e pode ser considerada bastante natural e portadora de bastante sensatez.


Com um Secretário de Estado que se comporta como um bobo, precisamente como aqueles que serviam para entreter os poderosos, como não haveriam os professores de aproveitar a boleia e divertir-se? Ao Moyle parece uma questão de senso comum. Se o chefe faz e diz palhaçadas, o melhor é rires-te, quanto mais não seja para manteres o emprego.


Daí até à extrapolação visual, como devem imaginar, foi um pulinho.



(Se a imagem aparecesse maior teria, talvez, mais piada. Como não a consigo fazer aparecer maior... Paciência.)

11/07/2008

Der Führer Garten

Portugal, ou melhor o arquipélago da Madeira, pretende ofuscar a esperançosa vitória de Barack Obama. A verdade é que depois da grande vitória do sonho democrático americano, o Führer Garten foi aclamado em plena assembleia regional, inclusivamente pela oposição, que lhe ofereceu uma bandeira com uma suástica em fundo vermelho. Apesar do erro de casting, uma vez que claramente o fundo vermelho estava ainda à espera de umas lavagens com Xau, para atingir uma cor mais alaranjada, o acto foi visto no continente como uma afronta, uma vez que discute-se agora a cor de fundo da bandeira.
Do largo do Rato surgiu protesto veemente, uma vez que é reclamado um “rosa choc” para o fundo. Aliás, o líder do partido do Largo do Rato é sem dúvida um admirador confesso das tonalidades rosadas e, segundo consta, foi mesmo esse o motivo que o levou a inscrever-se no partido que o levou à ribalta política, esse e a música dos Vangelis que o faz ficar com pele de galinha, imaginando as grandes aventuras dos descobridores portugueses e portugueses ao serviço de outros reis, como por exemplo Fernão de Magalhães.
Entretanto, na Casa Branca teme-se agora pelas boas relações com o potentado madeirense, cujas forças militares se encontram às portas da Assembleia Regional, barrando a entrada aos organizadores da parada. Contudo, fontes secretas americanas pensam que Garten tenciona limpar o sebo ao novo presidente americano, pelo simples facto de este apoiar o “rosa-choc” do continente, facto que foi aliás a primeira medida de grande alcance de Obama.
O Moyle teve acesso, através de e-mail transviado, a algumas imagens que estão ser preparadas e que mostram a seriedade com que este assunto está a ser levado nas cúpulas do poder na Madeira e que, afinal, o deputado José Manuel Coelho tinha uma certa razão nas suas palavras.


Esta é a primeira proposta para a nova bandeira da República nazi-fascista da Madeira. Note-se a preocupação em manter as cores tradicionais de forma a tornar mais suave para os cidadãos, que passarão a ser súbditos, a transição de símbolos de um regime para outro.




A estratégia de transição suave dos símbolos do regime mantém-se nesta segunda versão mas aqui, como se pode ver, opta-se por um conjunto de cores diferente, mostrando a filiação do novo regime no PPD/PSD. No centro da bandeira mantém-se a cruz de Cristo, no entanto rodada 45º, de forma a aproximá-la do carácter nazi-fascista do novo regime.





Esta terceira hipótese é a menos consensual até agora porque, apesar do fundo ostensivo em cor laranja, representativa do PPD/PSD madeirense, o facto é que a televisão ainda transmite muitos filmes e documentários sobre a II Guerra Mundial e a cruz gamada que ocupa o centro da bandeira continua bastante associada aos maus da fita na mentalidade colectiva, o que poderá significar uma rejeição espontânea ao regime pela dissociação dos cidadãos - doravante súbditos - dos símbolos do regime.





Esta é a primeira foto de regime conhecida, com Adolf Ramos e Benito Jardim, sendo que toda a máquina propagandística em vias de criação e desenvolvimento partirá deste cliché para a elaboração de posters, cartazes, aventais, t-shirts e autocolantes, que serão distribuídos pelos madeirenses nos plebiscitos a que, magnanimamente, o novo regime se sujeitará.

Este quadro, pintado em segredo, será exposto na Assembleia Nacional Madeirense, sendo reproduções suas espalhadas por todas as repartições públicas, hospitais, salas de aula e balneários do Estádio dos Barreiros, que mudará de nome para Estádio da Raça Madeirense.

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PS - Ficámos esta semana a saber que o Partido Nova Democracia existe mesmo, o que foi uma novidade gira.

PPS - Saúda-se o regresso de O Forte às lides moylísticas. Já não era sem tempo e O Alto agradece.

11/03/2008

Os Imortais I

Atenção! Este post pode causar vómitos.

A todos vós que vêem no Moyle a luz do bem-estar em existências de outro modo carregadas de sombra, exacerbada pelo cinzentismo destes dias perturbados, lamento dizer-vos que vos trago, pelo menos desta vez, más notícias.


Imaginem a pior coisa que podia acontecer, em termos políticos, a Portugal. Agora, multipliquem esse pensamento por dez. Se já estão na fase da Manuela Ferreira Leite a fazer o discurso da vitória nas legislativas de 2009, multipliquem por mais dez, se já chegaram ao debate para umas presidenciais entre Mário Soares, Manuel Alegre, Cavaco Silva e Jerónimo de Sousa nus – sem sequer umas mesas à frente – preparem-se para o pior que isso ainda não é nada.


A notícia bombástica que vos trago, aquela que suplanta em pesadelo o terror de qualquer assessor de imagem pelas migalhas de bolo-rei a caírem dos lábios mumificados de Cavaco Silva, é que José Sócrates é imortal.


Não, isto não é violência gratuita nem alarmismo sensacionalista para aterrar as vossas noites insones, é sim o resultado de uma observação atenta do que nos rodeia, da detecção das pistas nos locais mais inesperados.


Ao observar, «Dans le Boulevard», um quadro do impressionista, com laivos de realismo e até, eventualmente, com uma ou outra fuga simbolista a ter em conta, Jean Béraud (1849-1935), o Moyle ficou absolutamente siderado com o que observou. Se à primeira vista, o estilo “nem aquece nem arrefece”, do tipo Cola Cao, “nem é bom nem é mau”, com que o pintor retrata o quotidiano burguês de Paris, capturou a atenção, os olhos, teimosamente insistiam em focar num ponto determinado da imagem. Quando o cérebro processou a imagem, ainda o nervo óptico estava quente da velocidade com que a mensagem saiu disparada da retina, foi o estarrecimento, a terrífica sensação caliginosa de pânico descontrolado. Não podia ser, mas de facto, ali estava, o primeiro-ministro em exercício em 2008 foi representado por um pintor francês, a passear numa avenida parisiense no século XIX.


José Sócrates é imortal e, se procurarmos bem, de certeza que ele aparecerá mais vezes, ainda que com uma alteração ou outra na fácies e no aspecto geral – certamente devido a cirurgias plásticas.


Perdeu-se o ligeiro conforto que tínhamos de aceitar resignadamente o presente, confiados que estávamos na transitoriedade da vida humana, ainda que para um beco sem saída. Estamos entregues à bicharada e, à beira desta trágica descoberta, o eterno retorno é treta de filósofos bêbados e amantes de meninos.
Contemplem, então, a miséria humana: a nossa!




PS – Não imaginem que este é caso único. O destino odeia-nos, como vos mostrarei brevemente [vamos lá ver quando, não faço promessas].
PPS – Não me venham dizer que o PM não é nada parecido com o quadro porque se vê perfeitamente que sim e ninguém tem o direito a estragar esta ilusão senão há aqui uma choradeira e depois aturem-no. Olhem que a Cerelac não está nada barata e é a única coisa que cala o Moyle quando o contrariam.