9/26/2007

Call Centre Lusitano

É arrepiante a “explosão” de «call-centres» que aconteceu em Portugal nos últimos anos. É um sinal da terciarização do país, dirão uns mais optimistas; é um sinal da dependência portuguesa e da falta de originalidade das empresas nacionais, dirão outros; é mais um esquema para nos sacar mais dinheiro, não melhorando o serviço, dirão ainda alguns terceiros. Nada disto verdadeiramente interessa. O que o Moyle quer efectivamente saber é: Para quando um «Call Centre» de Fado?, de forma a responder verdadeiramente ao sentimento nacional e aos legítimos anseios depressivos dos portugueses.
Quando uma pessoa estivesse plenamente satisfeita, quando exultasse de alegria, quando reparasse que ia pela rua com um sorriso, poderia sempre ligar o 0800131313 e ouvir a mais genuína depressão nacional.
Por exemplo ouvir-se-ia, premindo a tecla #1 – Povo que Lavas no Rio; #2 – Que Deus me Perdoe; #3 – Leproso; #4 – Não é Desgraça ser Pobre, #5 – Nem às Paredes Confesso; #6 – Solidão; #7 – Bêbado Pintor; #8 – Amor de Mãe; #9 – O Remorso.
Portanto, quando andar nas nuvens, pode descer à Terra e “amargar” na depressão como todos os outros.

9/18/2007

Afundanços e Pedradas no Charco

Joe Berardo apareceu no panorama futebolístico português como uma «pedrada no charco», nas palavras do sempiterno Toni. Surgiu com promessas e miríficas quimeras de Primeiro Mundo. Esqueceu-se, no entanto, que quando lhes prometem o 1º Mundo os portugueses, sábios, desconfiam.
O Moyle, genuinamente desinteressado materialmente, oferece, leram bem, oferece uma proposta verdadeiramente significativa e, esta sim, potencialmente decisiva para fazer evoluir o desporto português em particular e os clubes de futebol em geral. Se alguém opina só para obter vantagens, sem sentido de altruísmo, então «fuck him», parafraseando comendatárias palavras.
A proposta do Moyle é aproximar o futebol português dos conceitos que tão extraordinários resultados têm dado na NBA, a liga de basquetebol americana (para os mais desatentos).
Que ingenuidade! – dirão alguns; Que originalidade! – ironizarão outros; Que estupidez pegada! – objectarão ainda uns terceiros. O problema, afirma inequivocamente o Moyle, são as vistas curtas de quem gere o desporto em Portugal. Para imitar os bons exemplos para que diabo é necessário começar pelo mais complicado? É o típico comportamento português.
Porque não começar, então, pela forma como os estadunidenses nomeiam as suas equipas? Isto é, o nome de cada equipa reflecte, na maioria dos casos, particularidades locais, que distinguem a região de implantação da equipa. Por exemplo, os «Detroit Pistons», por ser esta a cidade tradicional da construção automóvel; os «Miami Heat», por a Florida ser uma região de praia e sol; os «Philadelphia 76ers», por ter sido em 1776 que foi assinada na dita cidade a Constituição Americana; os «Boston Celtics», devido à presença poderosa de uma enorme comunidade originária da Irlanda, e por aí adiante.
Porque não tentar o mesmo em Portugal? O Moyle está disposto a sugerir, gratuitamente, alguns exemplos a serem explorados e exportados, internacionalizando as equipas e marcas desportivas portuguesas, daí a sua versão já em inglês: “Gondomar Godfathers”; “Oporto Golden Whistles”; “Trafaria Camels”; “Felgueiras Blue Bags”; “Braganza Mothers”; “Alvalade Toilet Tiles”; “Sintra Bald Eagles”; “Monsaraz 5 Litters Red”; “Covilhã Engineers”; “St.ª Comba Boots”, “Caldas Dicks”, "Aveiro Soft Eggs", entre outras possibilidades.

9/11/2007

10 perguntas ao Todo-Poderoso

Para júbilo dos nossos leitores, apresentamos a entrevista com a personalidade mais importante da história da Humanidade, do Mundo, do Universo… escolham. Ou melhor, uma entrevista com A Personalidade, o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim de todas as coisas, etc. Como imaginarão, esta entrevista causa, obviamente, algum embaraço, até porque não há protocolo quanto às fórmulas de tratamento, daí termos optado pela majestática segunda pessoa do plural (Vós para os mais distraídos) e por um, mais simpático e carinhoso Todo-Poderoso e, por outro lado, ninguém imagina como é difícil arranjar óculos de soldador num lapso de tempo muito curto. Mas pôrra, se a filha do Raul Solnado disse que conseguiu, porque não haveria o Moyle de conseguir. Foi com esse espírito que demos início ao nosso diálogo.

Todo-Poderoso [TP]: - Não têm de quê, até porque é muito agradável conviver com pessoas. Bem, agradável talvez não seja a expressão mais correcta, devido ao cheiro a suor que emanam ou, pior, tentam disfarçar com perfumes, desodorizantes, creolina e outras porcarias do género. Sim, podem e não se preocupem que já estou mais que habituado.

Alto, Forte e Moyle [AFM]: - Ahhhh… Pedimos desculpa por estarmos boquiabertos e ligeiramente catatónicos, mas tínhamo-nos esquecido que sabeis tudo e estais em todo o lado ao mesmo tempo. Íamos agradecer a Vossa excelsa presença entre nós, pelo que nos sentimos extremamente honrados, extáticos até, com semelhante privilégio. Trata-se verdadeiramente de uma epifania. Podemos tratar-Vos por Todo-Poderoso?

TP: - Eu sei, eu sei. Não pensem mais nisso, embora saiba perfeitamente que o farão. É também um mau hábito da minha parte, do género vulgar display of power, mas ao qual não resisto. A maior parte das vezes em que não estou ocupado com coisas importantes vejo as novelas do Tozé Brito e programas dos anos 80 na Rtp Memória e, depois de seis dias muito intensos, descanso.

AFM: - Pois, íamos exactamente perguntar como costumais ocupar o Vossos tempos livres, que certamente serão imensos. Lamentamos mas isto requer uma certa habituação.

TP: - Não peçam, eu compreendo. Acho que talvez seja um pouco lento. Só para acender a luz demoro um dia inteiro e, se quiser tomar banho, só no dia seguinte a acender a luz é que ponho água a correr. Para vos dar um exemplo de como o meu quotidiano é rotineiro, se quiser comer um bom peixinho apenas quatro dias depois de acender a luz é que tenho o peixe e se for um bom veado com castanhas são cinco dias, desde o acender a luz. Como vêm não é propriamente fácil, mas eu sou uma pessoa de rotinas.

AFM: - Exacto, era isso mesmo que queríamos saber, isto é, se nos poderia descrever um pouco a Vossa Excelsa rotina. E pedir novamente perdão por formular as questões depois de respondidas, mas é uma forma de não deixar os nossos leitores à toa.

TP: - É um país curiosíssimo. Os portugueses são interessantes mas assim a atirar para o enfadonho. Não Me guardam respeito nenhum, mas reverenciam esses figurões vestidos de vermelho e preto que dizem trabalhar para mim. Isto de ser Todo-Poderoso também tem o seu lado chato, há sempre um montão de pessoal a querer colar-se. E outra coisa interessante, mas de uma maneira deprimente, acerca dos portugueses, é que passam os dias a avisarem-se mutuamente de que Eu não durmo. Pudera, à quantidade de vezes que chamam por mim.

AFM: - Muito interessante. Ah, como é óbvio íamos perguntar o que achava de Portugal e, sobretudo, dos portugueses.

TP: - Não tenho propriamente uma opinião formada, mas tenho alguns candidatos de que não gosto minimamente. Aquele caixa d’óculos de bigodinho, por exemplo, é detestável. Não tinha nada que vir dizer que o Espírito Santo, caso não saibam é o meu papagaio e não um pombo, sujava as cadeiras lá no céu. E que tem ele contra as minhas barbas? O António Variações também tinha barba e fizeram-lhe um projecto de homenagem. Eu gosto de hippies, que quer ele? Acho alguma piada àquele da peruca com os caracolitos brancos. Só de me lembrar que enfiou os jesuítas todos num barco e os mandou para Roma parto o caco a rir. E o melhor é que eu sabia antes dele o fazer, o que ainda tem mais piada [ri convulsivamente].

AFM: - O que achou Vossa Potestade do programa da RTP «Grandes Portugueses»?

TP: - Existe verdadeiramente e é um porreiraço. Se não fosse ele quem é que Me fazia companhia? A Minha esposa, que vocês até já entrevistaram [Ver CONVERSAS COM DEUS - 10 Perguntas a Nossa Senhora de Fátima de 26/7/2006] corre todasas festas da socialite. O Meu papagaio diverte-se a brincar com fósforos e a baralhar as línguas das pessoas até elas não se entenderem e desatarem à bofetada. Sei tudo e posso fazer quase tudo, portanto que Me resta? Só aquele folião de vermelho é que vai aparecendo para jogar às cartas. Houve uma altura em que a coisa andou um bocado de candeias às avessas, ele começou a querer arrebitar o nariz e Eu tive que o pôr fora de Minha casa para ele "abrir a pestana". Foi precisamente na altura em que caiu em desgraça. Claro que explico. Caiu nas escadas de minha casa e partiu um “corno” como se costuma dizer. Tudo isto porque as freiras, car*** as f***, andam lá sempre de joelhos e poliram tanto o chão que aquilo ficou a parecer a pista de gelo que montaram em Lisboa no Natal, e que ficava lá tão bem como o bairro de Alfama ficaria em Nova Iorque. Foi uma desgraça a dobrar. Primeiro, magoou-se, e todos os SAP daquela zona já tinham sido encerrados, depois, por causa daquele incidente, fixou-se a ideia de que o Luís tinha chifres.

AFM: - Para quem está completamente de fora, passamos a explicar. Primeiro íamos perguntar se Satanás existia e, em segundo lugar, se a «queda em desgraça» da mitologia cristã era real e como tinha sucedido.

TP: - Sim, é Luís Ferro Santana. Os lafarúzios dos monges é que, não sabendo escrever, lhe arranjaram um monte de nomes esquisitos. Até de Belzebu se lembraram, só por ele um dia ter dito “benze-o tu” acerca de um carpinteirozeco ali no Médio Oriente. As pessoas apanham assim as palavras pelo ar e nem sequer se esforçam por contextualizá-las. Esses monges sempre foram uma cambada de oportunistas. A história do anjo caído é a mesma coisa. Como já sabem, o Luís caiu e por eu dizer frequentemente que ele era um anjo de pessoa, bem, o resto é conhecido de todos.

AFM: - Exactamente, achámos interessante tê-lo tratado por Luís e estávamos curiosos por saber qual o seu verdadeiro nome.

TP: - Percebo que não seja fácil, mas tentem compreender que isto de ser Deus é muito entediante. Já inventei o livre arbítrio para me divertir um bocado, mas rapidamente as gargalhadas perderam fulgor. Inventei a metafísica e se, de início, era engraçado ver toda a gente à procura do gato preto numa sala escura sem ele lá estar, há muito perdeu o gozo. Vou suportando o tédio sendo o mais humano que consigo. Às vezes ainda apareço aqui e além e correm logo todos atrás de Mim. Isso é que ainda vai tendo piada.

AFM: - Estava-nos, realmente, a ficar na retina que o Vosso comportamento era, talvez, demasiado humano para o que esperávamos, mas agora tudo faz mais sentido.

TP: -Pois, Eu sabia que iam perguntar isso. Sim, é verdade, eu não consigo fazer tudo. O meu maior desgosto é não poder ter filhos. Ainda por cima ter-me-ia dado um jeitão enorme para Eu lhe passar a responsabilidade, agora que ando aborrecido, para Ele continuar o negócio de família. Imagino que tenha sido por não ter tido pais, isto é, ter surgido por geração espontânea da minha própria vontade que agora não consigo repetir o processo. A Fátima ainda me tentou ajudar, mas como também tinha pouco tempo…

AFM: -Não pudemos deixar de reparar que Vós haveis mencionado antes que podíeis fazer quase tudo. O que é que não podeis fazer?

TP: -Bom, o prazer foi todo meu. Devo confessar que foi muito agradável, até por desfastio, falar convosco. Sei que não levaram a mal o monólogo, mas isto de saber tudo é um hábito difícil de perder e que se pode tornar chato para os outros.

AFM: -Queremos agradecer a presença e a disponibilidade manifestada e, já agora (porque não?), agradecer também as nossas existências, por míseras e mesquinhas que possam parecer.

9/01/2007

Esquim Neves

Já o Papa do Douro Atlântico (Pinto da Costa para os amigos, imprensa, fornecedores de fruta e PJ) se queixou há uns tempos e o Moyle vê-se na contingência, em nome da justiça, de lhe dar razão (que pelo menos desta vez Sua Santidade tenha a justiça ao lado e não atrás dele). É este o Estado democrático ganho com tanto sofrimento (bom, pelo menos algum) pelo «25 de Abril»? Onde foi parar a «Revolução»? Ou, ao menos, a «Evolução» (sejamos condescendentes com os simples de espírito)?
Portugal é, neste momento, um Estado policial e persecutório de cuja invenção Orwell não desdenharia. Além de ser “orwelliano” ao jeito de «1984», também nesta “quinta” são os “porcos” a dominar o Poder há muito tempo, tratando os outros como… bem, como aquilo que eles são, animais!
Para além destas divagações infrutíferas, a fundamentação da nossa afirmação inicial é a que se segue. Foi visto por todos a mega operação montada pela Polícia para perseguir um grupo de rapazes, tudo isto sem qualquer tipo de respeito pelas regras democráticas, violando flagrantemente os direitos, liberdades e garantias enunciados, supostamente, na Constituição Portuguesa (isto até o CDS decidir que são um anacronismo comunista resultante do PREC).
Pensem com o Moyle e vejam se existe fundamento para tamanha perseguição a uma associação só por causa do nome dos seus membros.
Porque motivo perseguem estes rapazes de aspecto tão asseadinho e higiénico, o que pode ver pelos cabelos completamente rapados (fazem muito bem porque os autocarros são autênticas armadilhas de apanhar piolhos)? Será por serem amantes da arte e a sentirem na pele (como se pode inferir das belas tatuagens que ostentam)? Será por gostarem de cães? Os cãezinhos pareciam bastante bem tratados, alimentados e em segurança, como se via pelas trelas (se pensarmos bem, até o Benfica tem um «Pitbull»). Será porque têm a mania do coleccionismo? Qual é o problema de coleccionar armas de fogos e armas brancas? Será por gostarem de Basebol? Se for por isso prendam todos os americanos e cubanos. Será por usarem botas militares? Se eles querem, ou gostam de partilhar uma camarata com dezenas de maganos, o problema é deles.
A única explicação plausível que o Moyle encontra para esta intolerável atitude persecutória é o nome daqueles meninos amorosos, isto é, Joaquim Neves. Por alguma razão o nome, na sua forma popular «Esquim Neves» não caiu no goto a alguém, porque na TV não se fala noutra coisa senão nos «Esquim Neves», para aqui e nos «Esquim Neves» para ali. Basta de perseguições! Deixem estes meninos em paz, eles só querem jogar à bola e beber uma cervejita por outra (é natural, estão na fase da curiosidade. Desde que não comecem a fumar…). Queremos clareza, Justiça e Democracia.

Cada Macaco Episcopal no seu Galho

A reunião dos bispos portugueses há uns tempos para se queixarem do Governo português levanta algumas lebres que o Moyle passa a caçar.
Se os bispos estão contra o Governo é porque, afinal, Sócrates não deve ser tão mau como isso.
Por outro lado, se estão tão preocupados com as políticas governamentais de protecção social e de apoio aos pobres e desfavorecidos, por que razão estão a enterrar 60 milhões de euros em Fátima? Essa quantia em equipamentos sociais verdadeiramente úteis faria certamente a diferença. Além do mais, dantes os queixumes estavam guardados só para quem era estropiado diariamente pelos imponentes impostos a que estamos sujeitos. Por isso o Moyle sugere a suspensão do direito dos bispos a reclamar até pagarem impostos.

P.D.M. Lunar

Dennis Hope, americano do Nevada, esteve recentemente em Portugal para vender terrenos na Lua, dos quais tem o direito de propriedade por se ter auto nomeado «Presidente do Governo Galáctico» (assim ao jeito das eleições da lagartagem).
Como sempre, em Portugal, as rodas estão em movimento e MST (é Miguel Sousa Tavares e não uma qualquer doença infecto-contagiosa sexualmente transmissível, embora por vezes…) já veio denunciar o favorecimento da CMLL (Câmara Municipal de Lisboa Lunar) ao SLB (Sport Lua e Benfica, único sítio onde não existe uma casa do Benfica neste momento e por enquanto) e ao SCPL (Sporting Clube de Portugal na Lua) nos negócios com terrenos para a construção do Estádio da Lua e da Alvaláxia (previdente a lagartice, não é?), para a realização do «Luna 2104».
Por outro lado, Pinto da Costa (o Papa do Douro Atlântico) já está a ser alvo de uma investigação pela PJ (Judite) pelos favores que se sabe irá o CFPL (Clube de Futebol do Porto Lunar) irá receber dentro de um século. A ver vamos como será com o Centro de Estágio, porque não está prevista nenhuma Gaia para a Lua (o Moyle ouviu dizer que era por causa do Meneses ter entrado naquele jantar ao som da banda sonora da Guerra das Estrelas) e, dessa forma, não haverá quem ofereça um novo “Olival” ao CFPL.

Juntas Lobotómicas

O Moyle está em condições de desvendar, em primeiríssima mão, a razão que levou uma Junta Médica a negar a aposentação a uma professora do Porto que, devido ao cancro na laringe, desenvolveu problemas auditivos e uma deformação na dentição e à qual foi sugerido lavasse os ouvidos, fosse ao dentista e que voltasse ao trabalho.
Esta atitude foi motivada única e exclusivamente por despeito, pois os médicos e membro da Caixa Geral de Aposentações viram recusado o seu pedido de baixa para se submeterem a uma lobotomia, de que urgentemente carecem.Não há incompetência, não há economicismo, há apenas o sentido protesto de quem se sente discriminado.

Maddie McCann

Uma vez que a polícia portuguesa não consegue dar com a pequenita inglesa, o Moyle vem cumprir a sua obrigação e ajudar a polícia a encontrar a menina. Chegou aos nossos ouvidos que a criança estará junto de Rui Pedro, aqueloutra criança (esta portuguesa) que a polícia se esforçou tanto por encontrar e para a descoberta da qual mobilizou mundos e fundos.

Sócrates assumiu

Foi com muita expectativa que o Moyle assistiu às notícias das últimas duas semanas de Junho. De facto, como num «crescendo», acumulou-se continuamente a excitação pela aproximação do momento histórico que vinha sendo exaustivamente anunciado, marcado para dia 1 de Julho.
Para além de ter assumido a Presidência da EU (o resto da Europa nem sonha em que é que se está a meter), facto completamente irrelevante para as nossas vidas, o Moyle continua à espera que Sócrates assuma. Esperávamos que assumisse qualquer coisa, nem que fosse o fogacho com o Diogo, mas nem isso…

O "Vigor" da Fé

O escândalo rebentou quando, nos mapas do Santuário de Fátima e estruturas adjacentes, surgiram dois anúncios a estimulantes sexuais. O Moyle atreve-se a perguntar: - Escândalo porquê?
A questão resume-se, de qualquer ângulo que se olhe para ela, a uma só palavra, FÉ. De facto, em redor de toda esta situação, houve muita FÉ mas, sobretudo, Má FÉ. Passa-se a explicar.
Que vão as pessoas fazer a Fátima? Por que razão percorrem, a pé, centenas de quilómetros? A resposta é simples, é pela FÉ, para fortalecer a sua FÉ, para revigorar a sua FÉ.
Eis desvendado o cerne da questão. Se toda a gente está naquele local para se revigorar espiritualmente, qual a razão de tanto alarido pela publicidade a produtos cujo objectivo é, precisamente, Revigorar? Será uma reacção corporativa dos vendedores de tónicos espirituais, como as lojas de rosários, imagens de plástico fluorescente da Senhora de Fátima, estampas de qualidade estética discutível? Mas o assunto não se esgota por aqui.
A maioria das pessoas deixou passar em branco um pormenor de suma importância para todo este debate. Celebra-se, este ano, o nonagésimo aniversário das Aparições (antes de mais, Parabéns), o que nos leva a uma outra perspectiva. No fim de contas, são nove décadas de grande intensidade e extremo fervor, portanto, é natural que comece a surgir algum “esmorecimento”. Quais são as formas de resolver o problema de “esmorecimento” e devolver o “vigor” a um nonagenário? Apenas duas, Afrodisíacos e muita FÉ.Ora aqui está a explicação para a desnecessidade de tanto regabofe. Agora, não se queixem de que é ofensivo e insultuoso que a solução para o problema seja publicitada para todos verem.

Caridade para o Zé

Este jardinzinho à beira-mar plantado (tendo em conta a quantidade de nabos será até mais um horta que um jardim) é injusto para os seus rebentos. Nada de novo, portanto! O Moyle não pode, contudo, deixar passar certas injustiças gritantes, mesmo que sejam habituais.
Todos se têm envolvido numa sanha persecutória contra Manuel Caridade, pobre e triste cidadão que apenas exteriorizou a sua vocação para o sacerdócio sem ter sido previamente certificado para o efeito. Não bastava a sua infelicidade de ter por vocação ser Padre, ainda o perseguem por a ter exercido. Mas afinal, não há falta de padres? Se ele sabe de cor aquelas ladainhas intermináveis, o que é que o separa dos outros padres? Dentro do espírito das Novas Oportunidades, a Igreja bem que podia reconhecer as competências do Sr. Manuel da Caridade, aumentado assim o seu nível de qualificação para que ele pudesse ascender profissionalmente. Mas a continuar assim está a vista o futuro da Igreja. Que Deus lhe fale na alma!
Mas não foi este o motivo que levou o Moyle a insurgir-se contra esta perseguição. A questão é pura e simplesmente a injustiça da mesma. Isto é. Perseguem um senhor por exercer uma função para a qual não revela as competências necessárias. Até aqui tudo bem. Mas, porquê especificamente este?
O bachar…, perdão, o licen…, perdão, o engenheiro José Sócrates também não revelou competências prévias para exercer o cargo de PM num país democrático e fá-lo impunemente (da maneira que se vê, aliás). Ninguém o persegue?
Da última vez que perguntaram ao ministro Correia de Campos o que ele achava das mortes e dos partos dentro das ambulâncias a caminho dos hospitais ou centros de saúde mais próximos consta-se que terá respondido: - «O Queijo Limiano é fabricado com a mesma receita desde há 50 anos». Ou seja, pode não saber nada de política, saúde, políticas de saúde e mesmo democracia e regras democráticas, mas saberá tudo sobre um qualquer “Queijo Limiano”. Ninguém o persegue?
Quando indagaram junto de Mário Lino porque razão era a Ota o local mais vantajoso para o Governo para colocar o novo aeroporto de Lisboa, quando uma razoável quantidade de estudos aponta outras localizações como mais baratas, eficientes e ecológicas, ele terá respondido: - «Peruque sim!» Ninguém o persegue?
Ao ser confrontada com a morte de dois professores praticamente dentro da sala de aula por lhe não ter sido concedida a reforma por graves problemas de saúde (que não só sofriam mas ostentavam para quem os quisesse ver), a reacção da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, comenta-se que terá sido aos berros, tentando superar em volume de decibéis os jornalistas que a rodeavam, o trânsito em redor, e mesmo dois caças da Força Aérea que passavam naquele momento. Ninguém a persegue?
Para controlar a oposição interna tem que se pôr em “bicos dos pés”, não ganha um debate na assembleia desde as últimas eleições legislativas, não tem “estatura” para ser líder de uma oposição que não consegue fazer porque gostaria de estar a tomar as medidas que um governo de esquerda (!) está a tomar (não deixa de ser impressionante que a única oposição que este governo tem é aquela que faz a si próprio), não será muita da responsabilidade do se vive actualmente do Dr. Marques Mendes? Ninguém o persegue?
Se o país está cheio de “Manuéis Caridades”, porque raio só perseguem um? Tenham dó, ou melhor, caridade para com o Zé...

O 11º Mandamento

A surpresa foi geral e o espanto genuíno quando o Vaticano anunciou 10 novos Mandamentos aplicados exclusivamente aos comportamentos na estrada.
Sendo que o Moyle está sempre um passo à frente, quer anunciar aqui que a aplaudida originalidade vaticana não é assim tão original, nem sequer assim tão vaticana.
De facto, poucos sabem que as tábuas da Lei entregues por Deus a Moisés continham 11 e não 10 Mandamentos, sendo estes a base de toda a moralidade e matriz civilizacional judaico-cristã de que o mundo ocidental é herdeiro.
O que aconteceu ao 11º Mandamento? Com o passar dos tempos, este preceito foi sendo esquecido, obliviado pelo impiedoso acumular dos séculos. E, se à época era fundamental para a vida das comunidades hebraicas, pois evitava enormes conflitos, foi perdendo actualidade até aos dias de hoje.
Como os nossos leitores devem estar em pulgas para saber qual era, afinal, o Mandamento, o Moyle revela:
XI – Não conduzirás as ovelhas pela esquerda dos caminhos
Duas notas finais impõem-se quanto a este Mandamento perdido, sendo ambas relativas ao Porco.
Em primeiro lugar, este Mandamento da Lei de Deus caiu em desuso devido à vitória do lobby da carne de porco, há cerca de 3.5 mil anos. O boicote à bifana e ao coirato, levado a cabo pelo lobby ovino, ainda hoje se verifica no povo judeu, tendo, no entanto, a maioria da população alinhado pelo toucinho, o que levou ao abandono progressivo daquela regra divina.
Segundo, a recuperação do Mandamento Perdido pelo Vaticano deve-se, novamente, aos suínos. Isto é, devido ao comportamento dos condutores nas estradas de todo o Mundo que não terá outra adjectivação possível que não a de suínos.