10/25/2006

O Euro 2006

O Campeonato da Europa de Futebol de sub-21, realizado em Portugal, foi, à imagem do que já tinha acontecido em 2004, um enorme sucesso. Esta repetição vem demonstrar, mesmo aos mais cépticos de nós, que Portugal é um país com capacidade e empreendedor. Dissequemos brevemente este sucesso então.
Em termos de Organização, com todos os aspectos que o termo acarreta, a eficácia foi a palavra de ordem. Todos nos seus devidos lugares, em seu devido tempo, com custos controlados. Que mais se pode pedir? As falhas, que sempre existem, nunca podem ensombrar a qualidade atingida. Vemos então que Portugal pode, sem dúvida alguma, organizar qualquer evento de grandes, médias e pequenas dimensões. Contanto que a UEFA tome as rédeas claro.
Em segundo lugar, as Audiências televisivas. Toda a gente sabe que os portugueses são uns trouxas por bola… Nós sabemos, também somos e admitimos. Portanto neste aspecto tudo teria que correr bem. Porém a TVI teve um golpe de génio ao enfiar a publicidade ao evento no meio das telenovelas. Resultado prático? Até as mulheres de meia-idade viram futebol… Uma particularidade portuguesa contribuiu também para as grandes audiências registadas: os portistas. Fartos de serem acusados de pouco patriotas por diminuírem o seleccionador nacional L.F. Scolari, não perderam um segundo de cada jogo português para poderem, justificadamente, ou assim pensavam, dizer dele o que Maomé não disse do toucinho, por não ter convocado o Quaresma. Sucesso portanto.
A venda de Bilhetes surpreendeu mesmo os mais optimistas. Nem outra coisa seria de esperar. Madaíl conseguiu encher os estádios onde jogou Portugal porque, como dissemos, nós portugueses somos trouxas por bola, e os bilhetes foram vendidos como se a vitória estivesse garantida. Como o Madaíl está por dentro das negociatas futebolísticas, claro que acreditámos e não quisemos deixar de nos associar a tão grande vitória portuguesa. Dois pequenos reparos, Sr. Madaíl: 1º - Não se admire se choverem queixas na Deco por publicidade enganosa, 2º - Para a próxima (???) venda também os bilhetes aos adeptos estrangeiros como se eles já tivessem ganho, assim os estádios estão sempre repletos.
Muito particularmente para o Boavista foi um enorme sucesso. Acolheu a final no seu estádio, tendo por isso recebido os agradecimentos da FPF e da UEFA e, além disso, conseguido limpar o pó que estava nas cadeiras sem gastar um tusto com isso. Quem se lixou foram os espectadores que vieram com a merda agarrada às calças, mas festa é festa e ninguém reparou.
Finalmente, e mais importante, foi um verdadeiro sucesso Desportivo. A final inédita Holanda-Ucrânia, mostra-nos que a modalidade tem futuro assegurado, até pelas equipas de qualidade que foram arredadas. Belíssima e digna de registo foi, no entanto, a campanha da selecção ucraniana, que participou pela primeira vez. Mas devemos recordar que os ucranianos estavam já em estágio em Portugal havia largos meses. Tendo mesmo, alguns dos jovens ucranianos, assinado por Sociedades portuguesas. Aqui fica, então, uma lista das entidades patronais portuguesas onde militam esses jogadores. Somague (4 jogadores); Teixeira Duarte (4 jogadores); Soares da Costa (3 jogadores); Aecops (3 jogadores); Mota-Engil (3 jogadores); Pavicer, Construções Carrilho & Caldeira; Construtora Cunha, Granitos e Mármores Marujo Ld.a, Frisomat S.A., Zagope e Aluminium (1 jogador). Portugal, portanto, verdadeira terra da oportunidade. O Euro 2006 jogou-se e ganhou-se a diversos níveis. Sucesso indesmentível a nível desportivo (salvo a excepção de borrada completa dos anfitriões), organizativo, comercial e empresarial, assumindo-se como grande montra publicitária para a construção civil portuguesa.

10/09/2006

Liga a 10, ou menos!

É verdade, segundo as últimas informações, a liga portuguesa de futebol, bem como as restantes ligas europeias vão ser obrigadas a reduzir o número de clubes para um máximo de 10 clubes. Isto porque, depois do brilharete no Mundial, chegámos à conclusão de que poderíamos embandeirar em arco, e algumas das mentes brilhantes que temos no futebol, como o Sr. Fiúza, pensaram: “Eu tambuém posso ser o Guebara do Futebole, porque nuom soué nenhum pacóbio!” Assim, o pensou e assim o fez.
Mas o maior caso surge agora, quando os dirigentes do, alegado (pelos próprios), único clube realmente português, reivindicam a repetição de todos os jogos em que haja erros de arbitragem. Ora, como cada jornada vai ser repetida 2 ou 3 vezes, no mínimo, o campeonato das 16 equipas está fora de questão, uma vez que se prolongaria por várias épocas sem interrupção e com jogos à 4ª feira, o que colocava em causa a participação portuguesa nas competições europeias.
Sendo assim o campeonato português, como é o que tem mais casos, vai passar a contar apenas com 6 clubes, esperando-se que acabe até ao fim de Junho, esperando-se igualmente que a selecção falhe as qualificações para as fases finais das competições internacionais, para não prolongar o campeonato até Agosto.
No entanto, se esta medida seguir em frente fica a dúvida se terá ou não efeitos retroactivos, senão vejamos. Imaginemos que terão que ser repetidos todos os jogos em que houve erros de arbitragem. Lá teria o Jardel que regressar a Alvalade para marcar os penaltys que ficaram por marcar naquele célebre ano do “Porque será?”. E lá vai o Ricardo perder a melhor defesa que já fez com luvas, quando defendeu uma bola um metro dentro da baliza, evitando aquilo que seria um golo certo.
E o Porto vai ter que repetir os jogos quase todos das últimas duas décadas, o que por um lado até é bom sinal, pois voltaremos a ver em acção o André, o Jaime Magalhães, o Frasco, o Sousa, o Paulinho Santos, o Jorge Costa e isto é só para dar um cheirinho do que pode vir a acontecer, não esquecendo o grande João Pinto e o regresso das suas saudosas declarações.
No entanto, o clube que porventura será mais beneficiado será o Benfica, pois terá a oportunidade de finalmente vender o Eusébio, facto que lhe foi recusado pelo Sr. Presidente do Conselho, que quis fazer do Benfica o que Franco fez do Real Madrid, o que se revelou um profundo fracasso, pois sendo Portugal, na altura, um país muito maior do que a Espanha, o Real de Franco conseguiu vencer 6 Taças dos Campeões e o Glorioso apenas 2. E mais, mesmo que ninguém se lembre de quando o Benfica foi beneficiado, vão ter que repetir os jogos em que foram prejudicados, cujos resultados irão depender do estado de saúde dos jogadores da altura, que serão chamados para a repetição do jogo.
Por tudo isto, a RTP Memória já anunciou que vai acabar com as transmissões de jogos, aguardando pelas repetições não falseadas.
Quem deve estar aflito com estas notícias é o Sr. José Pratas, com medo de ter que fugir outra vez do Fernando Couto e do Paulinho Santos.
E vai ser este o futebol do futuro… um remaking