8/23/2006

Será que o Vítor Norte e a Sofia Alves participam?

Quando se lêem livros de guerra fica-se sempre na dúvida se estamos mesmo a ler um livro de guerra ou um qualquer livro sobre teatro.
Primeiro, as tropas não fazem a guerra, elas levam a cabo actuações. Quando vão nalguma missão, na gíria militar, diz-se, por exemplo: “a nossa Companhia vai actuar na Fronteira, seguindo depois para Oeste…” A primeira coisa em que eu pensaria ao ouvir estas palavras, seria numa companhia de teatro em digressão e que iria a começar em Vilar Formoso, viria pelo IP5, fazendo actuações até Aveiro.
Por coincidência, ou não, o local onde actuam as tropas também se chama teatro, só que em vez dos tradicionais Sá da Bandeira, Tivoli, S. Carlos, etc., chama-se “de Operações”. Mais… O pano de fundo de ambos tem também o mesmo nome: cenário.
Com tudo isto, eu já não sei se a tropa não passará de um grupo de saltimbancos. Afinal o que é que andam eles a fazer nas guerras? É que já agora podiam mudar o nome às forças militares, e em vez de hoste poderiam chamar-se elenco.

Assim, por exemplo, na guerra do Iraque, o cartaz seria mais ou menos este:

Encenação: George W. Bush
Argumento: co-autoria George W. Bush e Tony Blair
Produtor: Donald Rumsfeld
Actores Principais: George W. Bush, Tony Blair, Condoleeza Rice, Donald Rumsfeld, Ariel Sharon, Saddam Hussein, Ossama Bin Laden e Al-Zarkawi nos papéis de vilões. Conta ainda com a participação de Durão Barroso no papel de Emplastro.
Cenários por Tomahawk

Em exibição num Teatro de Operações perto de si!

8/13/2006

Mutilação ou Tradição?

Há bem poucos meses vimos na TV o terceiro mundismo de alguns povos africanos, quando foi salva uma criança de sexo feminino da mutilação dos seus órgãos genitais. Acontecimento que, pasme-se, foi uma grande escandaleira aqui na quintarola.
Mas, pergunto eu, o que é que fazem os judeus? «Ah, isso é tipo uma tradição!» – respondem-me. Tradição uma ova, para não dizer outra coisa. Então pegar num puto com uns meses e cortar-lhe um bocado da pilinha (com uns meses de vida é esta a designação aceite pela sociedade para o...coiso) é tradição!!! Se fossem miúdos com os seus 5/6 anos compreendia-se, porque os pais poderiam ficar fartos de comprar tampas de sanita, mas agora com uns meses? Só se for para acertar melhor na zona absorvente da fralda e não escorrer para a virilha, para não provocar assaduras, porque o Lauroderm está caro, etc, etc, etc.
Tradição, sim, era quando os mancebos iam às inspecções e tinham que ir, obrigatoriamente, às meninas, isso sim era tradição. Agora cortar o coiso? Coa' breca, não parece ser uma tradição muito vantajosa, até porque se quem faz o corte bebeu uns copos antes, pode criar uma situação embaraçosa para o puto quando este crescer. É que, a menos que seja de raça negra, e aí ficará apenas sem o mito, o puto arrisca-se a ficar mesmo mais do que apenas ligeiramente mutilado. Situação que só iria agradar ao filho do ex-jogador do Benfica, Nené, que conseguiria realizar o seu sonho pagando apenas umas quantas imperiais ao “circuncisador”. Qualquer dia até se lembram de cortar mais qualquer coisa, para evitar micoses no escroto quando em idade de as terem.
Pelo menos com os católicos, é mais fácil. O único a quem o... coiso foi cortado foi o Salvador, o Messias e, vejam bem, agora comem-no sempre que vão à missa, em forma de placas de parabéns dos bolos de aniversário. No máximo, a única coisa a que os putos católicos se habilitam é a apanharem uns princípios de constipação se a água benta estiver muito fria no Inverno.

8/05/2006

Matar o Borrego

Começam a tornar-se deveras irritantes as sucessivas derrotas, ou melhor, as consecutivas vitórias morais contra o raio dos franceses nas competições internacionais de futebol sénior. Como estas vitórias morais não sabem ao mesmo, resolvemos propor ao Exmo. Sr. Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Dr. Gilberto Madaíl, ao Exmo. Sr. Treinador e Seleccionador nacional Luiz Filipe Scolari, ao Ministério da Administração Interna e a quem mais de direito, a naturalização dos jogadores da equipa nacional francesa, para tentar resolver esta malapata e, finalmente, matar o borrego.
Em vez de procurar soluções mirabolantes e arriscar com Liedsons e afins, porque não lusificar os jogadores da selecção francesa? Até porque, para mais, estes dão garantias de competência. Daí este nosso projecto, ao qual, para maior facilidade do processo de integração dos jogadores, juntamos as seguintes sugestões de lusitanificação:

Fabien Barthez – Fábio Bartolomeu
Lillian Thuram – Liliano Torrão
Willy Sagnol – Gui Sanhudo
William Gallas – Guilherme Balas
Eric Abidal – Eurico Alguidar
Claude Makelele – Cláudio Vaca Lelé
Frank Ribery – Chico Ribeirinho
Patrick Vieira – Patrício Vieira
Zinedine Zidane – Zeferino Zebedeu
Thierry Henry – Henrique Torres
David Trezeguet – David Traz-o-gato
Sylvain Wiltord – Vítor Silva
Mikael Silvestre – Miguel Silvestre
Gael Givet – Joel Gaveta
Mickael Laundreau – Miguel Ladrão
Sidney Gouvou – Celino Kuduro
Louis Saha – Luís Saia
Jean-alain Boumsong – João Alves Bom Som
Pascal Chimbonda – Pascoal Chibarro
Gregory Coupet – Gregório Cortez
Vikash Dhorasoo – Vigas Adora-o-sol [apropriado para um estrangeiro naturalizado]
Florent Malouda – Florêncio Mal-o-dá [até porque quando o dá aceitam logo e pimba]
Alou Diarra – Paulo Pissarra [não íamos estragar a vida ao senhor]

Achámos que era conveniente meditar sobre este assunto e decidimos, dessa forma, trazê-lo a público para que os portugueses se pronunciem, maduramente (como só os portugueses sabem e conseguem) sobre a matéria.
Os detractores apontarão sempre «A FIFA não os deixa jogar, porque já alinharam pela equipa francesa». A isso respondemos, simplesmente, que não os queremos para jogar por nós, mas para não jogar contra nós e, além disso, um presunto da Beira, umas alheiras de Mirandela, um queijo da Serra e um tinto do Redondo dão a volta à cabeça de muita gente, mesmo da FIFA. É preciso ter atenção, aí sim, aos direitos de imagem da Sra. Do Caravaggio como padroeira da equipa de quase todos nós (nós não sabemos quem são o quase, mas o Scolari disse que era um cineasta, um filho de um escritor conhecido e um filho de ricos qualquer) e assegurar que estão garantidos, para a respectiva francesa de Lourdes não vir fazer reclamações.
Quanto ao Raymond Domenech, depois de um curso intensivo sobre o que é fair-play, pode aportuguesar-se, e sugerimos Raimundo Domingos Cromeleque, deixar crescer o bigode, deixar os óculos abichanados e vir treinar o Lusitano de Vila Real de Santo António.